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segunda-feira, novembro 11, 2013

Play It Again, Sam # 135 - Parenthetical Girls

Hoje não me apetece falar de futebol e, por isso, não vou falar do pão que saltou dos pezinhos açucarados de Lucho para a boca de Jackson, nem de Fernando a encher o campo, com Defour ao lado, à frente e atrás, nem da bicicleta que Mangala foi buscar à garagem, nem das falhas de Otamendi, que já começam a enjoar. Talvez esteja aborrecido porque o registo de Paulo Fonseca já não é o espelho do de Vítor Pereira. Ou talvez me apeteça simplesmente música.

Música: "Sympathy for Spastics"
Álbum: "Privilege (Abridged)", 2013
Interpretação: Parenthetical Girls



quinta-feira, novembro 07, 2013

Dez vezes pior

Eis as tão proclamadas diferenças flagrantes, entre Vítor Pereira e Paulo Fonseca, traduzidas nos resultados dos primeiros jogos que fizeram, nas competições comparáveis (a Supertaça Europeia fica de fora, por motivos óbvios), como treinadores (principais) do Porto.

Vítor Pereira:
- Supertaça: 1 J, 1V
- Taça de Portugal: 1J, 1V
- Campeonato: 9 J, 7V, 2E, 0D
- Liga dos Campeões: 4J, 1V, 1E, 2D

Paulo Fonseca:
- Supertaça: 1J, 1V
- Taça de Portugal: 1J, 1V
- Campeonato: 9J, 7V, 2E, 0D
- Liga dos Campeões: 4J, 1V, 1E, 2D

Dez vezes pior, dizem. E devemos acreditar, sem questionar. E sem fanatismos, claro.

segunda-feira, novembro 04, 2013

Desculpas e choradeiras

Estás desculpado, Mangala. Um erro qualquer jogador pode cometer, e o facto de eles se repetirem, de forma distribuída, jogo após jogo, indicia que o problema é bem mais profundo do que uma pontual paragem cerebral. Além do mais, quem devia realmente pedir desculpa era quem, época após época, se preocupa mais com as oportunidades de negócio do que com a construção de um plantel equilibrado (o que depois faz com que, por exemplo, haja um central de 9 milhões de euros a jogar na equipa B, enquanto na A não há um extremo de qualidade indiscutível). Quem devia pedir desculpa era quem fica satisfeito e moralizado com exibições miseráveis, infelizmente repetidas. Esses é que deviam pedir desculpa a todos aqueles que pagam para verem tristes espectáculos como o dos primeiros 45 minutos no Restelo.

Acho muito curiosa a teoria de que com o treinador do 4.º classificado do campeonato saudita tudo seria diferente. Para quem já não se lembra, estamos a falar do treinador que, na sua segunda época no Porto, primeira como treinador principal, cometeu a proeza de ser eliminado da fase de grupos da Champions, fazendo um ponto em dois jogos com o campeão do Chipre, e que, à 18.ª jornada do campeonato, tinha o Benfica a 5 pontos de distância. Como tudo muda, em tão pouco tempo, para quem chora de saudade. Os desequilíbrios no plantel; os jogadores contrariados e que, publicamente, manifestaram vontade (ou abertura) para sair, ou que, mal sentam o cuzinho no banco, começam a pensar em outros voos; as bolas nos postes; as más arbitragens; o mau estado dos relvados e as mil e uma desculpas que serviram para justificar os insucessos do ex-treinador do Porto, agora, valem zero. Paulo Fonseca não tem clube de fãs. O que é compreensível, diga-se. Incompreensível é a choradeira.

segunda-feira, julho 01, 2013

O legado de Vítor Pereira

Hoje, enquanto lia a entrevista que Vítor Pereira deu ao Maisfutebol, prestes a bocejar, perante as mesmas repetidas desculpas, usadas sempre que o assunto não é a singular derrota em 60 jogos do campeonato, dei comigo a desfolhar o meu álbum de memórias azuis e brancas.

Para além daquelas memórias que fazem parte de qualquer álbum portista (e, felizmente, entre Viena e Dublin, há já uma razoável colecção delas), encontrei facilmente um 5-0 na Luz, num jogo da Supertaça, uma vitória em Milão, com um bis de Jardel, do tempo de Oliveira; um 5-0 em Bremen, sob o comando de Robson; uma vitória, que tirou o sorriso a Wenger, sobre o Arsenal, e um 3-0 em Madrid, no terreno de um Atlético que morava no mesmo grupo que um tal de APOEL (e que haveria de cair na Liga Europa para a vencer), dos tempos matemáticos de Jesualdo; e, claro, as sucessivas tareias que o Porto de Villas-Boas deu ao Benfica de Jesus e aquela magnífica festa, regada com meia-luz, que há-de saber tão bem (ou melhor) daqui a 10 ou 20 anos, porque é intemporal.

Quando penso nos últimos dois anos do Porto, naquilo que ficará para a posteridade, surge um acidente: o golo de Kelvin, aos 92 minutos de um Porto 2 x 1 Benfica. E uma fotografia: esta. Eis o legado de Vítor Pereira.

terça-feira, junho 11, 2013

Paulo Fonseca, Vítor Pereira e Iturbe

Uma grande época na Capital do Móvel não é garantia de sucesso no Porto. Mas a história diz-nos que foram apostas deste tipo, em treinadores portugueses jovens e ambiciosos (e com pouco currículo), que levaram o Porto à excelência. Estou, portanto, moderadamente optimista. Apesar de não ter gostado muito do discurso de apresentação de Paulo Fonseca.

Não sei o que terá convencido Vítor Pereira a assinar pelo Al-Ahli. Não sei se Jeddah lhe faz lembrar Espinho, se o Mar Vermelho é uma fonte inesgotável de inspiração ou se, simplesmente, o dinheiro é igual em todo o lado. De qualquer das formas, desejo-lhe boa sorte.

A vedeta do Twitter ou o suplente do Mora, como alguns portistas carinhosamente lhe chamam, voltou a ser titular e a estar em destaque, com um golo e uma assistência. Quatro milhões de euros a render na Argentina. Um luxo.

quinta-feira, maio 30, 2013

Play It Again, Sam # 129 - Yuck

Reparem no baterista. Quando não aguentarem mais o suspense, quando já não houver unhas para roer, imaginem o «vosso» treinador com uma peruca daquelas. Comigo resulta.

Música: "Get Away"
Álbum: "Yuck", 2011
Interpretação: Yuck



sábado, maio 25, 2013

Vamos então falar de Vítor Pereira

Parabéns Em primeiro lugar, há que dar os parabéns ao treinador campeão. Eu, ele e muitos outros portistas enganámo-nos quando achámos que já era tarde. Ainda bem.

Resultados Vítor Pereira conseguiu melhorar o seu desempenho em todas as competições (ou obteve igual sucesso, no caso da Supertaça). Ainda assim, esteve outra vez muito perto de perder o campeonato e ficou aquém do esperado, ao perder duas competições com o Braga e ao ser eliminado pelo Málaga.

Modelo de jogo Todos os modelos de jogo têm defeitos e virtudes. No caso do Porto, o modelo escolhido expõe menos a equipa defensivamente (isto na teoria; na prática, às vezes acontecem golos como o do Olhanense, no Dragão), mas, em contrapartida, tem mais dificuldade em criar desequilíbrios na equipa adversária. Quantas vezes vimos bolas despachadas para as costas da defesa contrária, à procura de Jackson, por falta de soluções? O resultado é, regra geral, um futebol pouco entusiasmante e que poucas vezes deixa a plateia rendida à superioridade portista.

Aproveitamento de recursos Maicon, Alex Sandro e Mangala foram jogadores que cresceram com Vítor Pereira. No caso de Mangala, foi uma aposta de risco (e de sucesso) do treinador, para uma posição em que havia alternativas mais seguras. Em contrapartida, Fucile, Sapunaru, Miguel Lopes, Belluschi, Souza e toda a miudagem, onde se inclui o herói do campeonato, que passou mais tempo na equipa B do que na A, eram opções que, melhor aproveitadas, poderiam tornar o plantel menos curto.

Medo da mudança Há quem ache que é demasiado arriscado trocar de treinador. Porque nada nos garante que o próximo fará melhor. É verdade que manter Vítor Pereira é a opção mais segura. Mas não foi a jogar pelo seguro que o Porto foi Campeão Europeu e venceu a Liga Europa. O próprio Vítor Pereira, sendo uma solução de continuidade, foi uma aposta de risco, pois não tinha nenhuma prova dada, quando assumiu o comando do Porto. Além disso, não foi por escolher mal alguns treinadores que o Porto perdeu o rumo. Na verdade, foi depois de uma das piores escolhas de sempre (Octávio) que chegou um dos melhores treinadores da história do clube (Mourinho). E é por isso que, seja qual for a decisão dos dirigentes do Porto, eu estou tranquilo. Percebo se a opção for de continuidade. Não me entusiasma, mas percebo e custar-me-á menos a aceitá-la do que na época passada. E também não tenho medo da mudança.

domingo, maio 12, 2013

Play It Again, Sam # 128 - The The

Um sorriso incerto, igual ao que me trouxe o golo de Jefferson há alguns dias, talvez um pouco mais aberto, mas igualmente irresoluto, entra pela janela do meu quarto. Belisco-me, desconfiado, confirmo que estou acordado e que lá fora está um céu completamente azul.

Ligo a televisão, recordo aquele momento em que a bola sobe até à eternidade: ouve-se um bruaá crescente, Vítor Pereira prepara o sprint da sua vida, as pernas de Jesus tremem, prestes a ceder, falta tão pouco, o céu e o inferno nunca estiveram tão próximos, a besta e o bestial lutam até à morte por aquela fracção de segundo, a bola cai, finalmente cai, Kelvin enche o peito de crença, aponta o pé esquerdo para a zona indefensável da baliza de Artur e... a puta da imagem falha.

É por estas e outras que eu só acredito vendo.

Música: "Uncertain Smile"
Álbum: "Soul Mining", 1983
Interpretação: The The



domingo, abril 21, 2013

Metas volantes e prémios de montanha

Sprint do Porto, em Moreira de Cónegos, e uma vitória clara, com golos de Fernando e de Jackson - que (espero) fez as pazes com a baliza. Nesta altura do campeonato, mais do que jogar bem, importa ganhar e esperar que aconteça ao Benfica (que, pelos vistos, vai levar os leõzinhos da B à montanha) aquilo que ia acontecendo a Vítor Pereira (se é que não aconteceu)...

sexta-feira, abril 19, 2013

«Dragão lideraria 16 das últimas 17 ligas»

No passado dia 25 de Março, talvez para amenizar os efeitos do empate do Porto com o Marítimo que deixou a liderança do campeonato a 4 pontos de distância, O Jogo escreveu, em letras garrafais, que o Dragão lideraria - com os 57 pontos que tinha na altura, à 23.ª jornada - 16 das últimas 17 ligas (algo que se mantém verdadeiro, neste momento, à 25.ª jornada).

Ainda hoje isto me é reproduzido pelos defensores mais ferrenhos de Vítor Pereira, como se de um grande feito se tratasse.

Não sei se essas pessoas leram só o título do artigo ou também o texto (e o gráfico que o acompanha). A verdade é que, lendo tudo (um tudo que ignora as outras competições - com a conveniente excepção da comparação feita entre o Porto desta época e o da anterior -, não fossem elas estragar a beleza dos números) e pesquisando mais um pouco, verifica-se que:

1 - Dessas 17 ligas, 12 foram ganhas pelo Porto (uma delas pelo próprio Vítor Pereira).

2 - Mourinho (duas vezes), Villas-Boas e Robson fizeram melhor do que os 57 pontos; Oliveira e Jesualdo fizeram igual.

3 - Os cinco foram campeões nas épocas em questão.

4 - Os cinco venceram a Taça de Portugal e a Supertaça (sendo que Jesualdo foi o único que não o conseguiu fazer nas duas primeiras épocas).

5 - Quatro dos cinco tiveram melhores desempenhos na Liga dos Campeões: Mourinho venceu, Robson chegou às meias-finais, Jesualdo (na terceira época) e Oliveira chegaram aos quartos-de-final. Villas-Boas não disputou a Liga dos Campeões, mas venceu a Liga Europa.

Ou seja, não há nada de extraordinário nos números de Vítor Pereira, quando comparados com os dos seus antecessores.

Sobra, portanto, a consolação de ser, no momento, melhor segundo do que a concorrência (ou falta dela). Um fraco consolo, sobretudo quando olhamos para o que fez a concorrência nas outras competições e encontramos o Benfica de Jesus nas meias-finais da Liga Europa e nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, o de Koeman nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, o Sporting de Peseiro e o Braga de Domingos na final da Liga Europa, para além das duas Taças de Portugal e das duas Supertaças que o Sporting de Paulo Bento conseguiu por cá.

Mas numa coisa eu concordo com o artigo: interessa quem corta a meta primeiro. E pode ser que, entretanto, o condicional passe a presente do indicativo e o Porto deixe de ser o melhor segundo (que seria primeiro se) para passar a ser simplesmente campeão.

domingo, abril 14, 2013

Braga vence Taça da Liga

Vítor Pereira castigou Otamendi, mas manteve a aposta em Defour, que cinco dias antes se tinha revelado inconsequente. Depois, de novo a perder e em desespero de causa, voltou a lançar Atsu e Kelvin, só que desta vez o Porto jogava em inferioridade numérica e o Braga continuava vivo e a explorar o espaço que sobrava na zona defensiva adversária.

A expulsão de Abdoulaye é, de resto, a explicação fácil para mais um descalabro portista, mas a verdade é que, mesmo com onze, a equipa de Vítor Pereira nunca conseguiu vincar a sua superioridade. Teve mais posse de bola, claro, isso tem sempre. Mas como vem sendo habitual, nos últimos tempos, essa posse de bola teve poucos efeitos práticos. Ainda assim, Jackson (que há mais de um mês anda zangado com a baliza) teve nos pés a hipótese de alterar a história do jogo. Não conseguiu e a taça foi mesmo para Braga.

Um prémio merecido, diga-se, para um clube que tanto tem crescido nos últimos anos.

terça-feira, abril 09, 2013

Dois em um

Mais precisamente, no pé esquerdo de Kelvin. Desta vez, Vítor Pereira (com a corda na garganta) arriscou e deu-se bem: o miúdo resolveu-lhe o jogo.

Mas não era neste dois em um que eu pensava. Pensava em Defour, um jogador com a polivalência de que todos os treinadores gostam. É, em rigor, um n em um, sendo que n é igual ao número de posições que o treinador sonha que o jogador pode ocupar. Com Atsu as contas são mais simples, não tiram o sono a ninguém. Assim que o ganês entrou, o ataque do Porto e a defesa do Braga sentiram a diferença. Gosto de coisas simples.

Convém, no entanto, não confundir simplicidade com displicência: a de Otamendi, no lance que quase deu o golo a João Pedro, ou a de Danilo (fatal), que virou as costas à bola e a Alan, permitindo que o jogador do Braga entrasse na área portista como se fizesse compras no supermercado, numa altura em que a equipa de Peseiro conseguia, com muito menos posse de bola mas usando-a com mais objectividade, discutir o jogo com o Porto.

James, um grande golo de James, deu início à recuperação portista (e ao fim do Braga). A segunda parte foi toda azul e a reviravolta só não aconteceu mais cedo porque o remate de Alex Sandro foi tão perfeito que a barra quis guardá-lo como recordação. O pé esquerdo de Kelvin é menos perfeito, contou com uma ajudazinha dos santos (o homónimo e São Joaquim), mas valeu dois pontos.

Ainda não foi desta que o Benfica fez a festa (e aviso já que na próxima jornada sou improficuamente sportinguista desde que o Miguel Lopes era pequenino).

domingo, março 31, 2013

Com um olho no vizinho

Com Moutinho, mesmo que em baixa rotação, e James mais interventivo e em subida de forma, sobe também a qualidade do futebol portista. A consequência foi uma vitória tranquila em Coimbra, mesmo sem Jackson no seu melhor e apesar de alguma negligência defensiva (desta vez, Danilo esteve bem melhor do que Alex Sandro) que insiste em repetir-se, de jogo para jogo.

Claro que logo a seguir o Benfica despachou o Rio Ave com uma facilidade que desarma qualquer esboço de recuperação. Isto de ter de andar com um olho no jogo do vizinho é uma chatice, sobretudo quando é o vizinho de cima. É o castigo de quem não sabe chegar-se à frente de outra forma que não seja dada.

segunda-feira, março 18, 2013

Regresso ao passado

Uma equipa que acaba um jogo que tem de vencer com cinco médios (porque James foi mais médio do que avançado) e um avançado, com Danilo na esquerda e Varela de regresso ao banco de suplentes, de onde saíra para render Atsu (e onde estava um Liedson que, pelos vistos, veio passar férias ao Porto), é uma equipa à deriva. É uma equipa que tenta, em desespero, aquilo que não conseguiu fazer com competência.

Uma equipa que tem muita posse de bola mas que cria pouquíssimas situações de golo, sendo metade delas fortuitas; que limita o seu contra-ataque aos pontapés de Helton para a frente; que defende mal, cada vez pior, com falhas infantis da sua dupla de centrais, é uma equipa em regressão, num estado físico e psicológico lastimável.

O Porto de Vítor Pereira falha clamorosamente na altura crucial da época e, tal como na temporada passada, fica dependente da incompetência dos outros para poder sonhar com o sucesso. É um fim de época frustrante.

quinta-feira, março 14, 2013

Adiós Champions

Retumbante e sem surpresa, porque este Porto de Vítor Pereira só consegue surpreender pela positiva.

Claro que há coisas difíceis de explicar e que fazem diferença, como Lucho a assistir ao remate de Isco (para o primeiro do Málaga) ou a forma como Defour se faz expulsar. Mas o Porto não perdeu por detalhes. O Porto, o seu fabuloso futebol inconsequente, criou duas meias oportunidades de golo no La Rosaleda. O Málaga foi superior em toda a linha (e ainda se pode queixar de um golo mal anulado).

Esta é a parte mais preocupante: a quebra de rendimento portista, na fase crucial da época. Veremos o que sobra para o campeonato. E se James reaparece antes dele acabar.

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

Excesso de confiança (ou falta de fiabilidade)

Há uma coisa da qual, infelizmente, o Porto de Vítor Pereira ainda não se conseguiu livrar: a tendência para falhar, quando menos se espera. De nada vale andar a triturar adversários, se a seguir não se for capaz de vencer, em casa, uma equipa que luta por não descer de divisão, com a agravante de se desperdiçar a oportunidade de ficar isolado na frente, depois do empate do Benfica na Madeira. Resumindo, a equipa ainda não é fiável (ou, pelo menos, tão fiável como se deseja).

Claro que podemos lamentar as várias oportunidades de golo falhadas, uma delas de penalty. Mas essas oportunidades surgiram, na sua maioria, de forma atabalhoada, de lances de bola parada ou de ressaltos. O golo de Jackson surgiu assim. Não houve a organização ofensiva necessária para desfazer a teia defensiva do Olhanense. Sentiu-se, pela primeira vez, desde as suas ausências, a falta de James e de Atsu, jogadores que poderiam desequilibrar nas alas e oferecer mais amplitude ao ataque portista, algo que Varela (desastrado) e Sebá não conseguiram (e muito menos Izmailov, que não é extremo). A juntar a isto houve ainda a facilidade com que a equipa de Cajuda conseguiu sair para o contra-ataque. Targino correu mais de meio campo sem oposição, antes do remate para para o golo forasteiro, e Helton compensou duas vezes o desacerto do Porto também na defesa, evitando males maiores.

Até pode ter sido só um acidente de percurso. Mas decerto que a confiança, nas hostes portistas, já não é a mesma.

domingo, fevereiro 03, 2013

Porto maduro

Duas vitórias sem mácula (tirando aquela brincadeira de Helton - um dia corre mal) seguidas, com 9 golos marcados e 0 sofridos, são, obviamente, óptimas notícias.

Eu, que várias vezes critiquei Vítor Pereira, não lhe faço favor nenhum ao elogiar o facto de ele conseguir obter este rendimento da equipa, apesar das baixas no plantel. O último exemplo é a lesão de Defour. Izmailov entrou para o lugar do belga e a máquina continuou a funcionar na perfeição.

Convém, no entanto, colocar as coisas em perspectiva. Não é por acaso que Porto e Benfica não têm qualquer derrota no campeonato e estão colados no topo da classificação, com uma vantagem confortável sobre os restantes adversários. Na Liga dos Campeões o grau de exigência será outro. Veremos se este Porto maduro que, finalmente, está como Vítor Pereira quer, conseguirá dar a devida resposta.

quinta-feira, janeiro 24, 2013

3... 2... 1... Recolagem

O título  Eu sei, mas andei com isto o dia todo na cabeça (e se não escrevo, continua cá, em modo replay), prevendo que o Porto ganharia em Setúbal 3-0. Como não disse a ninguém, adivinhei. Porto e Benfica recolados na luta pelo título (o de campeão, bem entendido).

Os primeiros 15 minutos  Como é habitual, o Porto teve uma entrada forte no jogo, marcou, falhou o golo da tranquilidade e depois expôs-se à resposta do Vitória, que, mesmo a perder, não hesitou em lançar o contra-ataque, sempre que pôde. Só na segunda parte as coisas voltaram a estabilizar na defesa.

3 x Helton  Primeiro, desviou com os olhos um remate de Paulo Tavares; depois, driblou três adversários (e imagino o número de vezes que os portistas se benzeram) para resolver uma situação de aperto; por fim - aquela que mais me interessa -, numa altura em que o Vitória se lançava para a frente na procura do empate, Helton segurou a bola, segurou, segurou (para acalmar as coisas e porque Vítor Pereira quer um jogo de posse de bola e não de transições, pensei eu, enganado, enquanto Helton continuava a segurar a bola) e chutou lá para a frente, mais precisamente para um jogador do Vitória iniciar um novo ataque. Não percebo esta aversão ao contra-ataque.

Mangala e Alex Sandro  Ambos têm evoluído muito, embora o primeiro ainda tenha algumas falhas de principiante e o segundo tenha desaparecido do jogo, depois de ter avançado no terreno. Porque não tentar o mesmo com Danilo, para a próxima (com Maicon - que remédio - na direita)?

O Levezinho e o Vidoso  O primeiro já chegou ao Porto, veremos em que forma e se ainda consegue resolver as sobras de Jackson. O segundo reapareceu nas palavras de Miguel Lourenço. E o que fez o Vidoso, esse craque dos tempos em que Trapattoni por cá andava? Atropelou (de forma muito duvidosa, claro) o Varela. Um regresso em grande, portanto.

quarta-feira, dezembro 05, 2012

O azar não dá trabalho nenhum

Não me chateia muito o Porto ter perdido em Paris o primeiro lugar do grupo, tendo em conta que esta época a vantagem de ser primeiro depende mais do sorteio dos oitavos do que do estatuto adquirido. O que me chateia é a aposta errada de Vítor Pereira (ou de quem decide estas coisas por ele) que resultou em dois objectivos falhados e na interrupção da consistência que eu elogiei aqui.

Claro que para isto contribuíram os azares de Danilo e de Helton. Mas, da mesma forma que a sorte se dá bem com o trabalho e a ousadia, o azar, regra geral, faz companhia à incompetência e ao medo. Chamem-lhe poupança, se preferirem. A realidade não se altera: duas derrotas em três jogos é um saldo negativo e relança as dúvidas sobre a fiabilidade do Porto de Vítor Pereira.

Só mais uma dúvida: como se explica a permanência de Varela em campo, durante 85 minutos?

littbarski

sábado, dezembro 01, 2012

Mais vale um pássaro a voar

Eis porque convinha não embandeirar em arco com o bom começo de época do Porto: primeira derrota, primeira competição perdida, margem de manobra reduzida para Vítor Pereira, que agora conta apenas com duas competições para mostrar serviço.

O treinador do Porto optou por uma gestão semelhante à que fez no último jogo da Taça. Só que jogar em Braga não é bem o mesmo que jogar na Madeira. É uma questão de lógica: se a melhor equipa do Porto tinha sentido tantas dificuldades para vencer naquele mesmo terreno, uns dias antes, era previsível que uma equipa com várias segundas escolhas, logo, de qualidade inferior, sentisse ainda mais dificuldades e se arriscasse a perder o jogo, como veio a acontecer. Mas, pelos vistos, isto vale menos do que uns minutos de descanso para alguns dos jogadores que serão titulares em Paris. Esperemos que não acabe com dois pássaros a voar.

littbarski