sábado, maio 25, 2013

Vamos então falar de Vítor Pereira

Parabéns Em primeiro lugar, há que dar os parabéns ao treinador campeão. Eu, ele e muitos outros portistas enganámo-nos quando achámos que já era tarde. Ainda bem.

Resultados Vítor Pereira conseguiu melhorar o seu desempenho em todas as competições (ou obteve igual sucesso, no caso da Supertaça). Ainda assim, esteve outra vez muito perto de perder o campeonato e ficou aquém do esperado, ao perder duas competições com o Braga e ao ser eliminado pelo Málaga.

Modelo de jogo Todos os modelos de jogo têm defeitos e virtudes. No caso do Porto, o modelo escolhido expõe menos a equipa defensivamente (isto na teoria; na prática, às vezes acontecem golos como o do Olhanense, no Dragão), mas, em contrapartida, tem mais dificuldade em criar desequilíbrios na equipa adversária. Quantas vezes vimos bolas despachadas para as costas da defesa contrária, à procura de Jackson, por falta de soluções? O resultado é, regra geral, um futebol pouco entusiasmante e que poucas vezes deixa a plateia rendida à superioridade portista.

Aproveitamento de recursos Maicon, Alex Sandro e Mangala foram jogadores que cresceram com Vítor Pereira. No caso de Mangala, foi uma aposta de risco (e de sucesso) do treinador, para uma posição em que havia alternativas mais seguras. Em contrapartida, Fucile, Sapunaru, Miguel Lopes, Belluschi, Souza e toda a miudagem, onde se inclui o herói do campeonato, que passou mais tempo na equipa B do que na A, eram opções que, melhor aproveitadas, poderiam tornar o plantel menos curto.

Medo da mudança Há quem ache que é demasiado arriscado trocar de treinador. Porque nada nos garante que o próximo fará melhor. É verdade que manter Vítor Pereira é a opção mais segura. Mas não foi a jogar pelo seguro que o Porto foi Campeão Europeu e venceu a Liga Europa. O próprio Vítor Pereira, sendo uma solução de continuidade, foi uma aposta de risco, pois não tinha nenhuma prova dada, quando assumiu o comando do Porto. Além disso, não foi por escolher mal alguns treinadores que o Porto perdeu o rumo. Na verdade, foi depois de uma das piores escolhas de sempre (Octávio) que chegou um dos melhores treinadores da história do clube (Mourinho). E é por isso que, seja qual for a decisão dos dirigentes do Porto, eu estou tranquilo. Percebo se a opção for de continuidade. Não me entusiasma, mas percebo e custar-me-á menos a aceitá-la do que na época passada. E também não tenho medo da mudança.

6 comentários:

Filipe disse...

«tem mais dificuldade em criar desequilíbrios na equipa adversária»

Dizer isto relativamente à equipa que mais rematou na liga é absurdo. Podia ser mais eficaz, mas em número de golos marcados por jogo para o campeonato só ficou aquém da época de AVB.

É um treinador incrivelmente eficaz, que bateu o melhor Benfica dos últimos 10 anos. Tenho muita curiosidade em ver como ultrapassará a saída do Moutinho (o Defour é muito inferior).

littbarski disse...

Estás a partir de um princípio de que um remate é igual a uma situação de desequilíbrio na equipa adversária? Quantos desses remates se deveram precisamente a não conseguir furar a barreira defensiva da outra equipa? Quantos foram feitos em boas condições? Quantos foram verdadeiramente perigosos? Nessa estatística valem todos o mesmo.

E é por isso que é preciso ter algum cuidado com a interpretação dos dados. Por exemplo, os números dizem-nos que o Porto de Vítor Pereira fez mais pontos por jogo no campeonato do que o de Mourinho. Devemos concluir que é melhor? Quantos pontos faria Mourinho no campeonato se tivesse de ganhar até ao fim, como aconteceu com Vítor Pereira? Ou se não estivesse a disputar a Taça UEFA e, mais tarde, a Liga dos Campeões até ao último jogo? É preciso enquadrar as coisas.

Mas, sim, Vítor Pereira é eficaz, no campeonato. Nas outras provas, não.

ChuckE disse...

Isso é a típica mania tuga de avaliar baseado em dados intangíveis. A percepção que tenho é a de que, para a maior parte das pessoas, Jesus é melhor que o Bitó Pereira. Cuja equipa acaba de atravessar dois campeonatos com uma derrota. E cuja participação na Liga dos Campeões na temporada finda, não sendo brilhante, foi satisfatória: a verdade é que os clubes europeus continuam a preferir evitar o porto, e mesmo na fase de grupos, não fosse o último fôlego do PSG, o Porto podia ter terminado a fase de grupos pela primeira vez só com vitórias. As fases a eliminar, como o próprio Mourinho já o disse, nem sempre são favoráveis à melhor equipa. Basta ver que, nas últimas quatro temporadas, 5 equipas portuguesas atingiram as meias finais da Liga Europa, sendo que nem em todos os casos a temporada tenha sido dada como positiva (Sporting de Sá Pinto, Benfica do ano passado).

Nas provas de endurance, o Porto portou-se bem. Baseado em resultados, eu vejo que o Porto empatou alguns jogos, perdeu um, e deu sempre a estocada final no Benfica quando este ameaçava roubar o doce. As duas últimas temporadas em que o Benfica discutiu o campeonato até à última só dão mais valor à performance do Porto.

Felizmente a direcção do Porto sempre mostrou que os intangíveis não influenciam a permanência do treinador, e é por isso que acredito que, a sair, será por opção do Bitó, provavelmente devido a pressão popular, deveras insuportável, a que está sujeito. Mas será uma pena. Mesmo não sendo carismático, mostrou resultados sempre, e a continuidade do homem do leme é um modelo com vários casos de sucesso espalhados pela Europa. Ou pensam que isto é o Real Madrid?

Filipe disse...

Littbarski, tanto deram desiquilíbrios que resultaram 70 golos, a segunda melhor marca do FCP nos últimos 10 anos, se ajustada a 30 golos. A europa pode servir de argumento, mas a nível interno é fortíssimo. Nas provas a eliminar tem que melhorar, mas um treinador que ganha o campeonato é um treinador que cumpre.

littbarski disse...

Queres dados tangíveis, ChuckE? Académica 3 x 0 Porto, Braga 2 x 1 Porto (Taça de Portugal); Benfica 3 x 2 Porto, Braga 2 x 1 Porto (Taça da Liga); Zenit 3 x 1 Porto, APOEL 2 x 1 Porto, PSG 2 x 1 Porto, Málaga 2 x 0 Porto (Liga dos Campeões); Porto 1 x 2 Man. City, Man. City 4 x 0 Porto (Liga Europa).
Não é por acaso que sempre que alguém defende que Vítor Pereira é um treinador muito eficaz, usa apenas os números do campeonato.

Já agora, não é verdade que o PSG tenha tirado ao Porto a hipótese de acabar a fase de grupos só com vitórias (o Porto empatou em Kiev). Na melhor das hipóteses (ganhando em Paris), o Porto igualava o registo de Oliveira (em 1996/1997), com 5 vitórias e 1 empate.

littbarski disse...

Certo, Filipe, Vítor Pereira atingiu os dois principais objectivos do Porto, todas as épocas: ser campeão e passar a fase de grupos da Liga dos Campeões. Isto é inegável. Mas, apesar dos números do campeonato, dependeu, mais uma vez, da quebra do Benfica no final do mesmo. Porque, Filipe, tal como na época passada, o Benfica teve o campeonato no bolso. E na Liga dos Campeões desaproveitou a sorte de, ficando em segundo do grupo, não apanhar uma equipa de topo. Cumpriu e depois desiludiu. É que uma coisa é ser eliminado pelo Manchester United, pelo Arsenal ou pelo Chelsea, outra é ser eliminado pelo Málaga (ou pelo Schalke, como aconteceu com Jesualdo).