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sexta-feira, abril 19, 2013

«Dragão lideraria 16 das últimas 17 ligas»

No passado dia 25 de Março, talvez para amenizar os efeitos do empate do Porto com o Marítimo que deixou a liderança do campeonato a 4 pontos de distância, O Jogo escreveu, em letras garrafais, que o Dragão lideraria - com os 57 pontos que tinha na altura, à 23.ª jornada - 16 das últimas 17 ligas (algo que se mantém verdadeiro, neste momento, à 25.ª jornada).

Ainda hoje isto me é reproduzido pelos defensores mais ferrenhos de Vítor Pereira, como se de um grande feito se tratasse.

Não sei se essas pessoas leram só o título do artigo ou também o texto (e o gráfico que o acompanha). A verdade é que, lendo tudo (um tudo que ignora as outras competições - com a conveniente excepção da comparação feita entre o Porto desta época e o da anterior -, não fossem elas estragar a beleza dos números) e pesquisando mais um pouco, verifica-se que:

1 - Dessas 17 ligas, 12 foram ganhas pelo Porto (uma delas pelo próprio Vítor Pereira).

2 - Mourinho (duas vezes), Villas-Boas e Robson fizeram melhor do que os 57 pontos; Oliveira e Jesualdo fizeram igual.

3 - Os cinco foram campeões nas épocas em questão.

4 - Os cinco venceram a Taça de Portugal e a Supertaça (sendo que Jesualdo foi o único que não o conseguiu fazer nas duas primeiras épocas).

5 - Quatro dos cinco tiveram melhores desempenhos na Liga dos Campeões: Mourinho venceu, Robson chegou às meias-finais, Jesualdo (na terceira época) e Oliveira chegaram aos quartos-de-final. Villas-Boas não disputou a Liga dos Campeões, mas venceu a Liga Europa.

Ou seja, não há nada de extraordinário nos números de Vítor Pereira, quando comparados com os dos seus antecessores.

Sobra, portanto, a consolação de ser, no momento, melhor segundo do que a concorrência (ou falta dela). Um fraco consolo, sobretudo quando olhamos para o que fez a concorrência nas outras competições e encontramos o Benfica de Jesus nas meias-finais da Liga Europa e nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, o de Koeman nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, o Sporting de Peseiro e o Braga de Domingos na final da Liga Europa, para além das duas Taças de Portugal e das duas Supertaças que o Sporting de Paulo Bento conseguiu por cá.

Mas numa coisa eu concordo com o artigo: interessa quem corta a meta primeiro. E pode ser que, entretanto, o condicional passe a presente do indicativo e o Porto deixe de ser o melhor segundo (que seria primeiro se) para passar a ser simplesmente campeão.