Compreendo a gestão de Paulo Fonseca. Ou, pelo menos, uma parte dela (não percebo a proscrição de Kelvin nem porque Ghilas não joga uns minutinhos, nem que seja só para dar descanso a Jackson). O treinador do Porto poupou Lucho para a Champions e, ao mesmo tempo, deu uma oportunidade merecida a Quintero. A exibição do colombiano foi o espelho do desempenho portista: momentos de grande nível (há passes de Quintero que, pela rapidez e precisão com que são executados, me fazem lembrar aquelas ultrapassagens impossíveis da F1) e momentos de quase completo apagamento e de alguma displicência que poderiam perfeitamente ter permitido que o Gil reentrasse no jogo (por mais que Luis Freitas Lobo jurasse que ele estava controlado).
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domingo, setembro 15, 2013
domingo, setembro 08, 2013
Kelvin, Quintero e os desequilíbrios
Tal como escrevi aqui, eu compreendo que, na hora de escolher, um treinador tenha de considerar factores como o equilíbrio táctico da equipa, a experiência e a capacidade de liderança dos jogadores. Percebo que, por vezes, é isso que faz a diferença entre a equipa vencedora e a que quis vencer. Simplesmente, acho que deve haver lugar para a criatividade, para a imprevisibilidade e para a irreverência. Porque, por vezes, outras vezes, só isto consegue desbloquear jogos que, de outra forma, continuariam bloqueados. Quando um treinador coloca Defour no lado esquerdo do ataque e deixa Atsu de fora, quando escolhe Izmailov em vez de Kelvin, quando senta Quintero no banco, está a evitar aquilo que não é previamente formatado, que não obedece a um padrão específico que ele pode prever e que, por isso, lhe agrada.
Um dos argumentos mais utilizados para banir a criatividade de uma equipa é o dos desequilíbrios. Não os causados na equipa adversária, mas na própria equipa, por via das bolas perdidas e de uma menor aptidão dos criativos para defenderem. Bem, por essa ordem de ideias, jogadores como Hulk e Quaresma nunca teriam jogado no Porto, Ronaldo veria os jogos do Real Madrid no banco e o Bayern jogaria sem Robben nem Ribéry. Com um jeitinho, nem Messi estaria a salvo, apesar de toda a formatação catalã. Eles jogam porque os seus pontos fortes, isto é, a capacidade de causarem danos na equipa adversária, superam largamente os seus pontos fracos.
Quando, por exemplo, Paulo Fonseca diz que Quintero está a assimilar ideias, há uma parte que eu percebo: o jogador deve compreender a forma de jogar dos companheiros e da equipa como um todo, adaptar-se a essa dinâmica, absorver a mística, a mentalidade vencedora do clube. Certo. Mas temo que esta seja apenas uma parte da história. A outra parte tem que ver com os tais desequilíbrios que não deixam os treinadores dormir de noite. Há que pedir a Quintero que corra atrás da bola, que feche linhas de passe e, se calhar (espero que não), que, em vez daquele passe arriscado que isolaria Jackson, faça um passe fácil de 2 metros, para que a equipa não corra o risco de ser apanhada em contrapé.
Mas os pontos fortes de Quintero não são esses. E rentabilizar Quintero (ou qualquer outro jogador) passa, com certeza, por trabalhar os seus pontos fracos, mas sobretudo por aproveitar os seus pontos fortes. A função principal de Quintero não deve ser correr atrás da bola, mas fazer os outros correrem atrás da bola; não deve ser fechar linhas de passe, mas encontrá-las onde os outros não as conseguem ver; não deve ser fazer passes de 2 metros, porque não é isso que distingue um construtor de jogo de um Fernando. A Fernando é que devem pedir-lhe para evitar passes com mais de 2 metros (porque mete água, em grande parte das vezes que os tenta fazer, com um risco bem mais elevado para a equipa, porque não há Fernando atrás de Fernando para compensar), que feche linhas de passe e que corra atrás de bolas perdidas. Porque estes são os pontos fortes de Fernando.
Cada jogador tem as suas características específicas. Rentabilizar o todo passa por reunir pontos comuns, mas também a diversidade das qualidades individuais que há para oferecer ao todo. Porque mais diversidade significa mais soluções para a resolução de problemas.
Um dos argumentos mais utilizados para banir a criatividade de uma equipa é o dos desequilíbrios. Não os causados na equipa adversária, mas na própria equipa, por via das bolas perdidas e de uma menor aptidão dos criativos para defenderem. Bem, por essa ordem de ideias, jogadores como Hulk e Quaresma nunca teriam jogado no Porto, Ronaldo veria os jogos do Real Madrid no banco e o Bayern jogaria sem Robben nem Ribéry. Com um jeitinho, nem Messi estaria a salvo, apesar de toda a formatação catalã. Eles jogam porque os seus pontos fortes, isto é, a capacidade de causarem danos na equipa adversária, superam largamente os seus pontos fracos.
Quando, por exemplo, Paulo Fonseca diz que Quintero está a assimilar ideias, há uma parte que eu percebo: o jogador deve compreender a forma de jogar dos companheiros e da equipa como um todo, adaptar-se a essa dinâmica, absorver a mística, a mentalidade vencedora do clube. Certo. Mas temo que esta seja apenas uma parte da história. A outra parte tem que ver com os tais desequilíbrios que não deixam os treinadores dormir de noite. Há que pedir a Quintero que corra atrás da bola, que feche linhas de passe e, se calhar (espero que não), que, em vez daquele passe arriscado que isolaria Jackson, faça um passe fácil de 2 metros, para que a equipa não corra o risco de ser apanhada em contrapé.
Mas os pontos fortes de Quintero não são esses. E rentabilizar Quintero (ou qualquer outro jogador) passa, com certeza, por trabalhar os seus pontos fracos, mas sobretudo por aproveitar os seus pontos fortes. A função principal de Quintero não deve ser correr atrás da bola, mas fazer os outros correrem atrás da bola; não deve ser fechar linhas de passe, mas encontrá-las onde os outros não as conseguem ver; não deve ser fazer passes de 2 metros, porque não é isso que distingue um construtor de jogo de um Fernando. A Fernando é que devem pedir-lhe para evitar passes com mais de 2 metros (porque mete água, em grande parte das vezes que os tenta fazer, com um risco bem mais elevado para a equipa, porque não há Fernando atrás de Fernando para compensar), que feche linhas de passe e que corra atrás de bolas perdidas. Porque estes são os pontos fortes de Fernando.
Cada jogador tem as suas características específicas. Rentabilizar o todo passa por reunir pontos comuns, mas também a diversidade das qualidades individuais que há para oferecer ao todo. Porque mais diversidade significa mais soluções para a resolução de problemas.
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quinta-feira, setembro 05, 2013
Kelvin fora da Champions
Calculo que pelo mesmo motivo que enviou Iturbe para Verona e que faz com que Quintero continue a maturar no banco. Há treinadores que têm pavor de artistas (ou potenciais artistas). Mesmo daqueles que, quando todos os alinhados falham, resolvem campeonatos, como é o caso de Kelvin.
Os artistas, sobretudo os mais jovens, são demasiado imprevisíveis e os treinadores preferem jogar pelo seguro (nem que o seguro esteja prestes a morrer de velho). No Porto, a excepção a esta regra, por agora, chama-se Josué. Veremos se resiste ao regresso de Varela.
Eu sei que uma equipa não pode ser feita só de artistas. Tem de haver equilíbrio, gente como André, Costinha, ou, actualmente, Fernando a partir pedra lá atrás. Mas, no fim, são os artistas que fazem a diferença. Nunca o Porto teria conseguido alcançar o topo sem nomes como Madjer, Futre, Deco e Hulk.
O que é curioso é que, se Pinto da Costa jogasse tão pelo seguro como alguns desses treinadores jogam, eles teriam de esperar a vida inteira para chegarem a um clube como o Porto. E, se calhar, era o que mereciam.
Os artistas, sobretudo os mais jovens, são demasiado imprevisíveis e os treinadores preferem jogar pelo seguro (nem que o seguro esteja prestes a morrer de velho). No Porto, a excepção a esta regra, por agora, chama-se Josué. Veremos se resiste ao regresso de Varela.
Eu sei que uma equipa não pode ser feita só de artistas. Tem de haver equilíbrio, gente como André, Costinha, ou, actualmente, Fernando a partir pedra lá atrás. Mas, no fim, são os artistas que fazem a diferença. Nunca o Porto teria conseguido alcançar o topo sem nomes como Madjer, Futre, Deco e Hulk.
O que é curioso é que, se Pinto da Costa jogasse tão pelo seguro como alguns desses treinadores jogam, eles teriam de esperar a vida inteira para chegarem a um clube como o Porto. E, se calhar, era o que mereciam.
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domingo, agosto 11, 2013
Licá, uma agradável surpresa
Confesso que torci o nariz, quando vi Licá no onze inicial. A verdade é que aos 5 minutos Paulo Fonseca já tinha ganho esta aposta. O ex-estorilista fez um golo (à ponta-de-lança) e uma primeira parte de muito bom nível. Lucho e Jackson completaram o trio que fez estragos na defesa do Vitória e trouxe para o Porto a 20.ª Supertaça da sua história.
Paulo Fonseca tem, neste momento, algumas dores de cabeça. Quase todas boas, e que serão menores quando o plantel estiver fechado (Lucho/Quintero/Josué; Defour/Herrera; Licá/Kelvin/Iturbe), e uma muito má: a possibilidade de Jackson sair, admitida pelo próprio, no final do jogo. Esta deve ser a verdadeira dor de cabeça de todos os portistas.
Paulo Fonseca tem, neste momento, algumas dores de cabeça. Quase todas boas, e que serão menores quando o plantel estiver fechado (Lucho/Quintero/Josué; Defour/Herrera; Licá/Kelvin/Iturbe), e uma muito má: a possibilidade de Jackson sair, admitida pelo próprio, no final do jogo. Esta deve ser a verdadeira dor de cabeça de todos os portistas.
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terça-feira, julho 30, 2013
Celta pouco amigo
Um jogo fraco contra o Celta de Vigo e já ouço gente a chorar por Vítor Pereira, o que é curioso, tendo em conta que aquilo que o Porto não fez, num jogo de preparação, não foi mais nem menos do que aquilo que não fez em dezenas de jogos oficiais, nos últimos 2 anos.
A mim as pré-temporadas já não me iludem. É a partir do dia 10 de Agosto que se começa a ver o que o novo Porto vale. E, para esse jogo, há naturalmente a dúvida de quem substitui Moutinho e James, no onze inicial. Eu apostaria em Defour e Iturbe, para começar. Depois, logo se vê como evoluem Herrera, Quintero e Josué (ou Carlos Eduardo) e se chega mais alguém para o ataque (à baliza, não é às pernas de Nolito), uma vez que Atsu não conta.
A mim as pré-temporadas já não me iludem. É a partir do dia 10 de Agosto que se começa a ver o que o novo Porto vale. E, para esse jogo, há naturalmente a dúvida de quem substitui Moutinho e James, no onze inicial. Eu apostaria em Defour e Iturbe, para começar. Depois, logo se vê como evoluem Herrera, Quintero e Josué (ou Carlos Eduardo) e se chega mais alguém para o ataque (à baliza, não é às pernas de Nolito), uma vez que Atsu não conta.
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segunda-feira, julho 01, 2013
O legado de Vítor Pereira
Hoje, enquanto lia a entrevista que Vítor Pereira deu ao Maisfutebol, prestes a bocejar, perante as mesmas repetidas desculpas, usadas sempre que o assunto não é a singular derrota em 60 jogos do campeonato, dei comigo a desfolhar o meu álbum de memórias azuis e brancas.
Para além daquelas memórias que fazem parte de qualquer álbum portista (e, felizmente, entre Viena e Dublin, há já uma razoável colecção delas), encontrei facilmente um 5-0 na Luz, num jogo da Supertaça, uma vitória em Milão, com um bis de Jardel, do tempo de Oliveira; um 5-0 em Bremen, sob o comando de Robson; uma vitória, que tirou o sorriso a Wenger, sobre o Arsenal, e um 3-0 em Madrid, no terreno de um Atlético que morava no mesmo grupo que um tal de APOEL (e que haveria de cair na Liga Europa para a vencer), dos tempos matemáticos de Jesualdo; e, claro, as sucessivas tareias que o Porto de Villas-Boas deu ao Benfica de Jesus e aquela magnífica festa, regada com meia-luz, que há-de saber tão bem (ou melhor) daqui a 10 ou 20 anos, porque é intemporal.
Quando penso nos últimos dois anos do Porto, naquilo que ficará para a posteridade, surge um acidente: o golo de Kelvin, aos 92 minutos de um Porto 2 x 1 Benfica. E uma fotografia: esta. Eis o legado de Vítor Pereira.
Para além daquelas memórias que fazem parte de qualquer álbum portista (e, felizmente, entre Viena e Dublin, há já uma razoável colecção delas), encontrei facilmente um 5-0 na Luz, num jogo da Supertaça, uma vitória em Milão, com um bis de Jardel, do tempo de Oliveira; um 5-0 em Bremen, sob o comando de Robson; uma vitória, que tirou o sorriso a Wenger, sobre o Arsenal, e um 3-0 em Madrid, no terreno de um Atlético que morava no mesmo grupo que um tal de APOEL (e que haveria de cair na Liga Europa para a vencer), dos tempos matemáticos de Jesualdo; e, claro, as sucessivas tareias que o Porto de Villas-Boas deu ao Benfica de Jesus e aquela magnífica festa, regada com meia-luz, que há-de saber tão bem (ou melhor) daqui a 10 ou 20 anos, porque é intemporal.
Quando penso nos últimos dois anos do Porto, naquilo que ficará para a posteridade, surge um acidente: o golo de Kelvin, aos 92 minutos de um Porto 2 x 1 Benfica. E uma fotografia: esta. Eis o legado de Vítor Pereira.
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domingo, maio 12, 2013
Play It Again, Sam # 128 - The The
Um sorriso incerto, igual ao que me trouxe o golo de Jefferson há alguns dias, talvez um pouco mais aberto, mas igualmente irresoluto, entra pela janela do meu quarto. Belisco-me, desconfiado, confirmo que estou acordado e que lá fora está um céu completamente azul.
Ligo a televisão, recordo aquele momento em que a bola sobe até à eternidade: ouve-se um bruaá crescente, Vítor Pereira prepara o sprint da sua vida, as pernas de Jesus tremem, prestes a ceder, falta tão pouco, o céu e o inferno nunca estiveram tão próximos, a besta e o bestial lutam até à morte por aquela fracção de segundo, a bola cai, finalmente cai, Kelvin enche o peito de crença, aponta o pé esquerdo para a zona indefensável da baliza de Artur e... a puta da imagem falha.
É por estas e outras que eu só acredito vendo.
Música: "Uncertain Smile"
Álbum: "Soul Mining", 1983
Interpretação: The The
Ligo a televisão, recordo aquele momento em que a bola sobe até à eternidade: ouve-se um bruaá crescente, Vítor Pereira prepara o sprint da sua vida, as pernas de Jesus tremem, prestes a ceder, falta tão pouco, o céu e o inferno nunca estiveram tão próximos, a besta e o bestial lutam até à morte por aquela fracção de segundo, a bola cai, finalmente cai, Kelvin enche o peito de crença, aponta o pé esquerdo para a zona indefensável da baliza de Artur e... a puta da imagem falha.
É por estas e outras que eu só acredito vendo.
Música: "Uncertain Smile"
Álbum: "Soul Mining", 1983
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domingo, abril 14, 2013
Braga vence Taça da Liga
Vítor Pereira castigou Otamendi, mas manteve a aposta em Defour, que cinco dias antes se tinha revelado inconsequente. Depois, de novo a perder e em desespero de causa, voltou a lançar Atsu e Kelvin, só que desta vez o Porto jogava em inferioridade numérica e o Braga continuava vivo e a explorar o espaço que sobrava na zona defensiva adversária.
A expulsão de Abdoulaye é, de resto, a explicação fácil para mais um descalabro portista, mas a verdade é que, mesmo com onze, a equipa de Vítor Pereira nunca conseguiu vincar a sua superioridade. Teve mais posse de bola, claro, isso tem sempre. Mas como vem sendo habitual, nos últimos tempos, essa posse de bola teve poucos efeitos práticos. Ainda assim, Jackson (que há mais de um mês anda zangado com a baliza) teve nos pés a hipótese de alterar a história do jogo. Não conseguiu e a taça foi mesmo para Braga.
Um prémio merecido, diga-se, para um clube que tanto tem crescido nos últimos anos.
A expulsão de Abdoulaye é, de resto, a explicação fácil para mais um descalabro portista, mas a verdade é que, mesmo com onze, a equipa de Vítor Pereira nunca conseguiu vincar a sua superioridade. Teve mais posse de bola, claro, isso tem sempre. Mas como vem sendo habitual, nos últimos tempos, essa posse de bola teve poucos efeitos práticos. Ainda assim, Jackson (que há mais de um mês anda zangado com a baliza) teve nos pés a hipótese de alterar a história do jogo. Não conseguiu e a taça foi mesmo para Braga.
Um prémio merecido, diga-se, para um clube que tanto tem crescido nos últimos anos.
terça-feira, abril 09, 2013
Dois em um
Mais precisamente, no pé esquerdo de Kelvin. Desta vez, Vítor Pereira (com a corda na garganta) arriscou e deu-se bem: o miúdo resolveu-lhe o jogo.
Mas não era neste dois em um que eu pensava. Pensava em Defour, um jogador com a polivalência de que todos os treinadores gostam. É, em rigor, um n em um, sendo que n é igual ao número de posições que o treinador sonha que o jogador pode ocupar. Com Atsu as contas são mais simples, não tiram o sono a ninguém. Assim que o ganês entrou, o ataque do Porto e a defesa do Braga sentiram a diferença. Gosto de coisas simples.
Convém, no entanto, não confundir simplicidade com displicência: a de Otamendi, no lance que quase deu o golo a João Pedro, ou a de Danilo (fatal), que virou as costas à bola e a Alan, permitindo que o jogador do Braga entrasse na área portista como se fizesse compras no supermercado, numa altura em que a equipa de Peseiro conseguia, com muito menos posse de bola mas usando-a com mais objectividade, discutir o jogo com o Porto.
James, um grande golo de James, deu início à recuperação portista (e ao fim do Braga). A segunda parte foi toda azul e a reviravolta só não aconteceu mais cedo porque o remate de Alex Sandro foi tão perfeito que a barra quis guardá-lo como recordação. O pé esquerdo de Kelvin é menos perfeito, contou com uma ajudazinha dos santos (o homónimo e São Joaquim), mas valeu dois pontos.
Ainda não foi desta que o Benfica fez a festa (e aviso já que na próxima jornada sou improficuamente sportinguista desde que o Miguel Lopes era pequenino).
Mas não era neste dois em um que eu pensava. Pensava em Defour, um jogador com a polivalência de que todos os treinadores gostam. É, em rigor, um n em um, sendo que n é igual ao número de posições que o treinador sonha que o jogador pode ocupar. Com Atsu as contas são mais simples, não tiram o sono a ninguém. Assim que o ganês entrou, o ataque do Porto e a defesa do Braga sentiram a diferença. Gosto de coisas simples.
Convém, no entanto, não confundir simplicidade com displicência: a de Otamendi, no lance que quase deu o golo a João Pedro, ou a de Danilo (fatal), que virou as costas à bola e a Alan, permitindo que o jogador do Braga entrasse na área portista como se fizesse compras no supermercado, numa altura em que a equipa de Peseiro conseguia, com muito menos posse de bola mas usando-a com mais objectividade, discutir o jogo com o Porto.
James, um grande golo de James, deu início à recuperação portista (e ao fim do Braga). A segunda parte foi toda azul e a reviravolta só não aconteceu mais cedo porque o remate de Alex Sandro foi tão perfeito que a barra quis guardá-lo como recordação. O pé esquerdo de Kelvin é menos perfeito, contou com uma ajudazinha dos santos (o homónimo e São Joaquim), mas valeu dois pontos.
Ainda não foi desta que o Benfica fez a festa (e aviso já que na próxima jornada sou improficuamente sportinguista desde que o Miguel Lopes era pequenino).
domingo, janeiro 20, 2013
Segunda linha mostra serviço
Sabia-se que não ia ser fácil. Este Paços, já aqui elogiado, tinha menos golos sofridos do que o Benfica e era a equipa menos batida fora de casa. Não era, portanto, jogo para Defour, Otamendi, Moutinho e Jackson desperdiçarem oportunidades de golo feito, antes de Alex Sandro fazer (sem querer) o melhor cruzamento do jogo, até porque uma coisa é jogar só com um avançado, já em vantagem, outra é ter de mexer para ganhar e não haver avançados. Em todo o caso, é bom ver a segunda linha (assistência de Kelvin, golo de Izmailov) a fazer a diferença.
PS - Uma manchete d' A Bola com uma vitória do Porto? O trabalho que dá picar o vizinho do lado...
PS - Uma manchete d' A Bola com uma vitória do Porto? O trabalho que dá picar o vizinho do lado...
segunda-feira, outubro 22, 2012
Presente envenenado
Vários jogadores do Porto tiveram, contra o Santa Eulália, não uma oportunidade, mas um presente envenenado. Nestes jogos em que o adversário é claramente inferior, jogadores sem provas dadas, como Kelvin e Iturbe, têm pouco a ganhar e muito a perder. Isto é, se tiverem um bom desempenho, não fizeram mais do que as suas obrigações (o que só aconteceu porque do outro lado estava uma equipa extremamente fraca) e terão o prémio de jogarem uns minutinhos daqui a um mês ou a novo presente envenenado no próximo jogo da Taça, se o adversário for de um escalão inferior. Se jogarem mal, é a prova provada de que não têm valor para serem titulares.
Angry Pereira reclamou não se sabe bem de quê (se quer muito mais qualidade, que não jogue apenas com três semi-titulares), mas, na verdade, bem pode festejar (em privado, que tem mais pinta) o golinho de Danilo. Porque se a coisa tivesse corrido mal, o que não esteve assim tão longe de acontecer, não eram só os aniversariantes que iam para a fogueira.
littbarski
Angry Pereira reclamou não se sabe bem de quê (se quer muito mais qualidade, que não jogue apenas com três semi-titulares), mas, na verdade, bem pode festejar (em privado, que tem mais pinta) o golinho de Danilo. Porque se a coisa tivesse corrido mal, o que não esteve assim tão longe de acontecer, não eram só os aniversariantes que iam para a fogueira.
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