segunda-feira, julho 01, 2013

O legado de Vítor Pereira

Hoje, enquanto lia a entrevista que Vítor Pereira deu ao Maisfutebol, prestes a bocejar, perante as mesmas repetidas desculpas, usadas sempre que o assunto não é a singular derrota em 60 jogos do campeonato, dei comigo a desfolhar o meu álbum de memórias azuis e brancas.

Para além daquelas memórias que fazem parte de qualquer álbum portista (e, felizmente, entre Viena e Dublin, há já uma razoável colecção delas), encontrei facilmente um 5-0 na Luz, num jogo da Supertaça, uma vitória em Milão, com um bis de Jardel, do tempo de Oliveira; um 5-0 em Bremen, sob o comando de Robson; uma vitória, que tirou o sorriso a Wenger, sobre o Arsenal, e um 3-0 em Madrid, no terreno de um Atlético que morava no mesmo grupo que um tal de APOEL (e que haveria de cair na Liga Europa para a vencer), dos tempos matemáticos de Jesualdo; e, claro, as sucessivas tareias que o Porto de Villas-Boas deu ao Benfica de Jesus e aquela magnífica festa, regada com meia-luz, que há-de saber tão bem (ou melhor) daqui a 10 ou 20 anos, porque é intemporal.

Quando penso nos últimos dois anos do Porto, naquilo que ficará para a posteridade, surge um acidente: o golo de Kelvin, aos 92 minutos de um Porto 2 x 1 Benfica. E uma fotografia: esta. Eis o legado de Vítor Pereira.

10 comentários:

Daniel Santos disse...

Talvez daqui a um ano venhas achar que dois campeonatos na algibeira sao muito bom legado...

littbarski disse...

Não é preciso esperar um ano, acho já agora que dois campeonatos e duas Supertaças (convém não esquecer) são um bom legado. Mas não era de números que eu falava. Falava daqueles momentos que, pela sua espectacularidade ou pela sua raridade, ficam gravados na memória para mais tarde recordar. Vítor Pereira conseguiu algum?

Guardo o último duelo com o Benfica, mais pelas circunstâncias (final emocionante) do que por qualquer outro motivo. Uma vitória em dois jogos, pela diferença mínima, contra um clube francês e um clube espanhol de segundo plano, não me parece motivo para grandes festejos e muito menos para fazer parte da lista de jogos para mais tarde recordar. Mais depressa revejo o empate em Manchester, conseguido por Jesualdo, o 2-0 contra o Inter, no tempo de Adriaanse (apesar do desastre que foi essa época na Champions), o 2-1 contra o Chelsea de Mourinho, na altura de Fernández, do que qualquer jogo europeu do Porto de Vítor Pereira. Mas cada qual tem o seu álbum de memórias.

littbarski disse...

Aliás, se tivesse de escolher um jogo do Porto para rever do princípio ao fim, escolhia o Porto 5 x 0 Marítimo. Lembro-me que foi dos poucos jogos espectaculares de Vítor Pereira.

Costa disse...

Foi pena não teres visto o 0x4 em Guimarães...

Mas já deverias saber que as 'elevadas notas artísticas' são mais a sul, porque nós por cá...
É mais TÍTULOS.

littbarski disse...

Vi, Costa. E o jogo anterior, com o Gil Vicente. Mas no campeonato a oferta é muito maior do que a procura. Felizmente, não faltam para aí grandes jogos do Porto, no campeonato, ao longo das últimas 3 décadas, para rever.

littbarski disse...

E os títulos mais relevantes da história do clube foram conseguidos com espectacularidade. O Porto de Artur Jorge, o de Mourinho (mais na primeira época) e o de Villas-Boas jogaram futebol até dizer chega e isso não os impediu de vencer. Pelo contrário...

littbarski disse...

Esta época o Bayern desfez completamente o mito de que é preciso ser pragmático e pôr o espectáulo de lado para vencer.

Costa disse...

"Esta época o Bayern desfez completamente o mito de que é preciso ser pragmático e pôr o espectáulo de lado para vencer"

Como o ano passado o Chelsea provou exactamente o contrário, ou seja, confirmou o 'mito'.

Costa disse...

Dizeres que com o Artur Jorge, Mourinho e Vilas Boas era futebol espectáculo todas as semanas, ao contrário do que aconteceu com o VP, é no mínimo...
Falta de memória.

PS(1) A final do Vilas Boas contra o Braga, foi jogar futebol até 'dizer chega'.

PS(2) Se fosses coerente, classificavas a vitória da CL em 2004 do Mourinho, ao nível do campeonato deste ano do VP...
Bastava substituíres 'minuto 92' este ano por 'minuto 90' de 2004 em Manchester e o 'Kelvin' por 'Costinha'.

littbarski disse...

O Chelsea não confirmou o mito. O Chelsea da época passada foi um acidente de percurso. E tanto assim é que esta época nem da fase de grupos passou. Já o Bayern manteve-se lá, na terceira final, em 4 anos. Aliás, vai ver os campeões europeus dos últimos 20 anos e conta os que ganharam o troféu com aquele futebolzinho que o Chelsea apresentou, na época passada.

Eu não disse que com Artur Jorge, Mourinho e Villas-Boas era futebol espectáculo todas as semanas, o que disse foi que aquelas equipas jogaram muito futebol, muito mais do que alguma vez o Porto de Vítor Pereira conseguiu jogar.

PS1 - A final de Villas-Boas contra o Braga foi 1 jogo em 17. Antes disso houve (conjuntos de dois jogos) o 7x2 ao Genk, o 6x1 ao Rapid Viena, o 4x1 ao CSKA Sofia, o 4x2 ao Besiktas; o 3x1 ao CSKA Moskovo, o 10x3 ao Spartak Moscovo e o 7x4 ao Villarreal. Houve uma eliminatória tremida com o Sevilha (2x2) e um jogo pragmático na final. Em 17.

PS2 - Sim, porque o nível da Champions é igual ao nível da Liga Portuguesa e jogar em Manchester é o mesmo que jogar em casa com o Benfica. E, mais uma vez, o Porto jogou mais nessa eliminatória com o Manchester do que alguma vez o Porto de Vítor Pereira jogou. Mesmo sendo mais pragmático do que tinha sido na época anterior, na Taça UEFA. Por falar em Taça UEFA, lembro-me de um 4x1 à Lazio, nas meias-finais, que faria qualquer Vítor Pereira corar de vergonha...