quinta-feira, março 26, 2015

Play It Again, Sam # 151 - Morphine

Música: "Let's Take a Trip Together"
Álbum: "Cure for Pain", 1993
Interpretação: Morphine



Voz, bateria, baixo e os campos, dançando melancolicamente ao som de um saxofone hipnótico - a música perfeita para ir, num dia de chuva. Uma viagem interior, nostálgica, uma chuva existencial, metafísica, uma estrada virtual, sem destino, sem nada que me lembre a rotina de mais um dia, os terreais cordões que terei de apertar algures, na hora marcada. Mas não agora, com este som tão perto, tão prestes a fechar-me os olhos e a levar-me para onde os sonhos ainda não tenham sido esmagados pelas contas da vida. Encosto a cabeça, preparo-me para desligar, mas eis que se ergue perante mim uma figura minúscula: primeiro os pés, em cima do banco, depois um braço, depois o outro, como quem quer voar, um sorriso que cresce de orelha a orelha, a boca achocolatada solta uma palavra longa, que não ouço mas reconheço, reconheço aquela energia, aquele entusiasmo de criança, aquela fração de tempo que se expande no espaço infinito e contagia toda a gente. Tiro os auscultadores. Foi golo do Brahimi. E, por instantes, o céu voltou a ser azul.



Música: "You Speak My Language"
Álbum: "Good", 1992
Interpretação: Morphine

segunda-feira, março 23, 2015

Notícias da Baviera

Uma boa, outra má. A boa é que a máquina alemã não é infalível, como o Borussia Monchengladbach demonstrou (eu sei, a vantagem do Bayern é tão grande, que é difícil manter os jogadores motivados e focados em todos os jogos, mas é melhor do que nada e talvez haja aqui matéria para Lopetegui estudar). A má é que, depois do que aconteceu ontem, a churrasqueira de Neuer não deve abrir tão cedo. O que é uma pena, porque frangos com esta qualidade não se arranjam todos os dias.

El Clásico

É um pouco estranho, tendo em conta o ADN e o momento de forma das duas equipas, ver o Real Madrid a mandar no jogo e a trocar a bola no meio-campo do Barcelona, e o Barça a apostar em transições rápidas e num futebol mais direto. Mas a verdade é que foi assim que o conjunto de Luis Enrique construiu a vitória, mesmo tendo sido inferior ao seu rival, durante uma boa parte do jogo - só a partir do 2x1, o Real caiu a pique e o resultado podia até ter sido mais dilatado. Ancelotti sai de Camp Nou com este sabor agridoce: a melhor exibição dos últimos tempos não chegou para evitar nova derrocada e aliviar a pressão dos maus resultados recentes. Vida difícil para o treinador italiano.

domingo, março 22, 2015

Mata, Mata

Depois da vitória do Chelsea no terreno do Hull City (com Courtois a dar o segundo e a tirar o terceiro aos locais), resta saber quem ocupará as restantes posições do pódio. O bis de Mata em Liverpool mantém os Devils a 2 pontos do City e daqui a duas jornadas há derby em Manchester (e logo a seguir um Chelsea x M. United).

O roto e o nu

Vou tentar ser racional: o Porto ganhou um ponto ao Benfica e, portanto, o saldo desta jornada, no que diz respeito à luta pela liderança, é positivo. Por outro lado, perdeu-se uma grande oportunidade para fazer uma demonstração de força e passar a mensagem: se vocês falham, nós aproveitamos. Em vez disso, ficou a imagem de um Porto falível, uma equipa à qual falta algo, nos momentos decisivos. E isto retira pressão aos encarnados, apesar da derrota em Vila do Conde. Mas, voltando a ser racional, as contas do título são mais simpáticas agora do que eram algumas jornadas atrás. Continuam a ser difíceis, mas já não parecem impossíveis. Resta a esperança de que a equipa continue a evoluir e a crescer com os erros. E de que Jesus continue a distribuir presentes.

No jogo de ontem, ficou à vista a falta que Jackson faz. Aboubakar tem marcado alguns golos importantes, mas ainda está a milhas do colombiano, sobretudo nos momentos em que tem de ligar o jogo atacante da equipa. Brahimi tarda em recuperar a forma que o notabilizou no primeiro terço do campeonato e Quintero, que é um jogador que eu aprecio, não tem aproveitado as oportunidades que Lopetegui lhe tem dado. Aliás, das alterações que o treinador do Porto fez, na segunda parte, a única que teve um efeito positivo foi a de Quaresma. E se a Maicon e Danilo faltou sorte, a Lucas João faltou empurrar a bola para a baliza aberta, na melhor oportunidade do jogo, depois do empate. Portanto, nem nos podemos queixar muito.

No fim se verá a falta que fazem estes dois pontos (e os três que já tinham ficado na Madeira). Para já, uma certeza: com um pouco mais de competência, o Porto seria líder do campeonato. Com ou sem colinho.