segunda-feira, novembro 04, 2013

Desculpas e choradeiras

Estás desculpado, Mangala. Um erro qualquer jogador pode cometer, e o facto de eles se repetirem, de forma distribuída, jogo após jogo, indicia que o problema é bem mais profundo do que uma pontual paragem cerebral. Além do mais, quem devia realmente pedir desculpa era quem, época após época, se preocupa mais com as oportunidades de negócio do que com a construção de um plantel equilibrado (o que depois faz com que, por exemplo, haja um central de 9 milhões de euros a jogar na equipa B, enquanto na A não há um extremo de qualidade indiscutível). Quem devia pedir desculpa era quem fica satisfeito e moralizado com exibições miseráveis, infelizmente repetidas. Esses é que deviam pedir desculpa a todos aqueles que pagam para verem tristes espectáculos como o dos primeiros 45 minutos no Restelo.

Acho muito curiosa a teoria de que com o treinador do 4.º classificado do campeonato saudita tudo seria diferente. Para quem já não se lembra, estamos a falar do treinador que, na sua segunda época no Porto, primeira como treinador principal, cometeu a proeza de ser eliminado da fase de grupos da Champions, fazendo um ponto em dois jogos com o campeão do Chipre, e que, à 18.ª jornada do campeonato, tinha o Benfica a 5 pontos de distância. Como tudo muda, em tão pouco tempo, para quem chora de saudade. Os desequilíbrios no plantel; os jogadores contrariados e que, publicamente, manifestaram vontade (ou abertura) para sair, ou que, mal sentam o cuzinho no banco, começam a pensar em outros voos; as bolas nos postes; as más arbitragens; o mau estado dos relvados e as mil e uma desculpas que serviram para justificar os insucessos do ex-treinador do Porto, agora, valem zero. Paulo Fonseca não tem clube de fãs. O que é compreensível, diga-se. Incompreensível é a choradeira.

16 comentários:

Joao disse...

Continuo a achar que o Porto deveria jogar com Jackson e Ghilas ao mesmo tempo. Um meio campo com Fernando, Herrera, Lucho/defour (dependendo do adversário) e Quintero a dez...

Ribeiro dos Santos disse...

E sem extremos, algo que não acontece no FCP há quase 10 anos...

Isso é bom para quem joga FM e não percebe nada de bola..

Unknown disse...

Concordo 100% com o littbarski. Obviamente, é preciso que a direção deixe de pensar em comissões e pense em criar uma equipa com alma e ambição, mas também equilibrada! Sem extremos? Nem pensar! Se o SLB fosse campeão em 2013 se calhar a equipa técnica e o plantel do FCP 2013-14 era bem melhor!

Zé Luís disse...

Não percebi nada, confesso, do 2º parágrafo, se é um agravo ou desagravo a alguém, ao ex ou ao actual técnico. Obviamente, não se sabe como seria com VP, como não se sabia, com ele, como seria perder Falcao e, depois, Hulk. Há diferenças muito grandes de perspectiva, mas parece que o littbarski também confunde tudo. Nem penso sequer que haja choradeira, apenas constatação de factos e o facto, primordial, é que o Porto dificilmente comanda um jogo, algo que era vulgar suceder antes. E que não é o 1º lugar que contenta muitos adeptos que vêem a equipa débil em todos os aspectos do jogo e, por isso, temendo que aquilo vá abaixo num sopro. Cá dentro não vai, porque a qualidade individual dos jogadores ainda vai chegando e disfarçando. Mas lá fora não chega e o novo treinador é o primeiro a perder dois jogos em casa para a Champions. O 4º classificado na Ar. Saudita não sei quem é nem me interessa. E o tempo de VP já passou e não volta mais, por isso não há que lamentar e o próprio percebeu isso numa entrevista em que o disse claramente.

Já o 1º parágrafo tem a sua razão de ser, mas não pode servir de desculpa quando sabemos ser essa a política da SAD desde sempre. E se foi validada todos os anos, agora não se deve discutir só porque corre mal.

Pode-se discutir, sim, é a filosofia interna que não só fracassa no projecto Visão 611 como deita por água abaixo o que pensávamos ser uma medida estruturante, logo inabalável, que era marca do FC Porto: o 4x3x3 por tantos anos respeitado e temido.

Eu já desconfiava que fossem buscar o Domingos, como escrevi em Julho, para jogar em contra-ataque. Quem sabe se não vem mesmo em Janeiro. Agora, adulterar tudo com um tipo que tacticamente se percebe ser muito limitado e vem, ele neófito, impor ao FC Porto a sua regra e ao arrepio das características dos jogadores já seria motivo de discussão.

Aqui não me parece.

littbarski disse...

Zé Luís, não é agravo nem desagravo a ninguém, apenas a constatação de algumas cambalhotas no discurso de gente que ouço e leio e de que, conforme afinal percebeste, "o tempo de VP já passou e não volta mais, por isso não há que lamentar".

O Porto comandava os jogos, mas perdia na mesma, quando tinha de perder (e não era só com equipas de topo, como o M. City ou o Barcelona). O Hulk e o Falcao servem tanto de desculpa como o Moutinho e o James. O 4x3x3 inabalável foi 4x4x2, na Champions, em 2004, e o Porto de Mourinho não se deu mal com isso. E, já agora, é óbvio que, ao contrário do que dizes, Paulo Fonseca não é o primeiro treinador do Porto a perder dois jogos em casa na Champions. Se querias dizer na mesma época, também não é verdade. Aconteceu com Jesualdo, em 2008/2009, curiosamente na época em que ele conseguiu levar o Porto mais longe, na Champions. Portanto, vale o que vale, mas convém, de facto, não fazer confusão, para depois não parecer que se confunde tudo.

O Anti Lampião disse...

vamos lá ver de o Roberto não faz mais um favor ao dono do passe
http://www.record.xl.pt/Futebol/Nacional/1a_liga/Benfica/interior_premium.aspx?content_id=852368

DC disse...

1 ponto em 2 jogos com o campeão do Chipre e 6 pontos em 2 jogos com o campeão ucraniano.

Mas os fanáticos agarram-se aos números. Quem tiver dois dedos de testa agarra-se a coisas como a organização da equipa, o controlo e domínio do jogo, a estabilidade que o plantel e o estilo de jogo atingiu.
Coisas que obviamente que não passam pela cabeça que quem passou 2 anos exclusivamente a pedir a cabeça do treinador e a promoção à titularidade do Iturbe como se por magia tudo mudasse se essas duas coisas acontecessem.
Uma mudou e mudou para 10 vezes pior. Mas agora é pedir a cabeça deste e tudo se resolverá de novo. É mudar de treinador agora até acertar. Ficar com o bicampeão é que não que isso era impensável.

Zé Luís disse...

O PF é o único treinador do Porto a perder 2 jogos em casa, obviamente na fase de grupos pois ainda não disputou outra, na Champions. Em 2001-2002 perderam Octávio, em Dezembro, e Mourinho em Março, é diferente. O Jesualdo nunca perdeu 2 jogos em casa na fase de grupos. Os factos são estes.

Zé Luís disse...

Do VP, que sempre defendi do início ao fim e não gostei da forma como saiu, como não gostei da forma como os adeptos trataram outros treinadores de saída mesmo triunfantes, não é de lamentar, apenas constatar a diferença do futebol, que alguns (quantos são?, quantos são?) achavam mau - eu achava bom, sem prejuízo de haver jogos maus, porque me dava garantias e não temia perder com qualquer equipa tuga como não perdeu à parte o episódio cheio de Paixão do Gil Vicente - mas nos deixava sempre mais perto da vitória e este não.

Acho que agravo é com este treinador da treta a quem, aliás, já sentenciei durar pouco por aqui e foi precisamente no jogo do Estoril onde podia pegar na arbitragem e não peguei - depois todos os jogos me deram razão e não acredito nesta equipa comandada desta forma.

Como sempre assumi as minhas ideias, defendi VP e agora acho que PF não serve e vai embora tarde ou cedo, estou à vontade para defendê-las e pôr os pontos nos ii.

littbarski disse...

Exacto, DC, e que jeito fizeram esses 6 pontos (aos quais podes somar 1 ponto em 2 jogos com o Zenit, se quiseres). Sem eles, nunca teríamos ido à Liga Europa levar 6 do M. City...

Quem andou, durante duas épocas, agarrado aos números do campeonato, omitindo os outros, não fui eu. E ver alguém com tão pouca tolerância para opiniões diferentes da sua falar de fanatismo também tem a sua piada.

PS - Outra vez o Iturbe?

littbarski disse...

O Porto de Mourinho perdeu em casa com o Panathinaikos (Liga Europa) e com o Real Madrid (Liga dos Campeões). O de Villas-Boas perdeu em casa com o Sevilha. Não acho determinante, desde que haja capacidade para recuperar fora. Coisa, que, de facto, é mais difícil vislumbrar neste Porto de Paulo Fonseca.

Zé Luís disse...

Porra, nem me parecia que andas confuso. Falo da mesma época, na fase de grupos, obviamente. É preciso um desenho?

O PF já entrou na história e ainda nem sabes disso? Bolas!

littbarski disse...

"O novo treinador é o primeiro a perder dois jogos em casa para a Champions". Foi isto que tu disseste, Zé Luís. Assim, só. E é falso. Falaste na fase de grupos, depois, na emenda. Não preciso que me faças desenhos, basta-me que sejas claro. Não é isso que exiges aos outros? Então, podes começar por praticar, antes de exigir...

Falei das derrotas de Mourinho e de Villas-Boas, não para contestar a tua emenda, mas para dizer que acho que as derrotas em casa não são necessariamente determinantes, desde que haja capacidade para recuperar fora, que é algo que não se vislumbra facilmente neste Porto de Paulo Fonseca. Mas já vi o Porto sair de situações difíceis antes. Portanto, resta-me esperar que a história se repita pela positiva, e não pela negativa, como quando VP nos fez procurar quantas vezes é que o Porto saiu com duas derrotas e goleado por 6x1 de uma eliminatória europeia.

DC disse...

As derrotas em casa na Champions não são determinantes???
Enfim, nem digo mais nada. Contra fanáticos não vale a pena mesmo.

littbarski disse...

Desde que haja capacidade para recuperar fora. Se não sabes ou não queres ler, mais vale não dizeres nada, mesmo.

Um exemplo recente:

Chelsea 1 x 2 Basileia
Steaua 0 x 4 Chelsea
Schalke 0 x 3 Chelsea

cincoAzero disse...

no final se verá se as derrotas em casa foram determinantes
há muita malta que só aparece na hora de malhar