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domingo, janeiro 20, 2013

Segunda linha mostra serviço

Sabia-se que não ia ser fácil. Este Paços, já aqui elogiado, tinha menos golos sofridos do que o Benfica e era a equipa menos batida fora de casa. Não era, portanto, jogo para Defour, Otamendi, Moutinho e Jackson desperdiçarem oportunidades de golo feito, antes de Alex Sandro fazer (sem querer) o melhor cruzamento do jogo, até porque uma coisa é jogar só com um avançado, já em vantagem, outra é ter de mexer para ganhar e não haver avançados. Em todo o caso, é bom ver a segunda linha (assistência de Kelvin, golo de Izmailov) a fazer a diferença.

PS - Uma manchete d' A Bola com uma vitória do Porto? O trabalho que dá picar o vizinho do lado...

quinta-feira, setembro 09, 2010

Queiroz (último take)

Nas próximas horas, Queiroz deverá deixar de ser seleccionador nacional. Observando o campo minado que sempre pisou, só me surpreende que tenha resistido tanto tempo. Na verdade, Queiroz enfrentou permanentemente um lóbi que sempre se empenhou em precipitar a sua queda. Este grupelho - que integra ex-dirigentes ansiosos por regressar à ribalta, jornalistas que exigem beneficiar de "relações privilegiadas" com os agentes do futebol (algo que Queiroz nunca lhes deu) e treinadores medíocres rancorosos - organizou-se há muito com o único propósito de queimar o seleccionador em lume brando.

O que fez o grupelho? Lançou uma nebulosa sobre o próprio valor da selecção nacional, descrevendo-a como extraordinária, fazendo esquecer que ela já entrara em declínio desde 2006 (nos resultados e na qualidade de jogo) e desvalorizando a perda de referências máximas (Figo, Rui Costa, Pauleta). Simultaneamente, menorizou os obstáculos ("grupo fraquíssimo", com Dinamarca, Suécia e Hungria) e, neste quadro, exigiu o céu a Queiroz, embora o grupelho soubesse da insensatez de tal exigência.

Ao surgimento do primeiro mau resultado, culpou-se de imediato o seleccionador. A excelente exibição (contra a Dinamarca, em casa) pouco importou. Seguiu-se uma campanha quase diária nos jornais, antecipando uma eliminação que nunca chegou a ser provável, quanto mais inevitável. "Adeus África" tornou-se um mote e uma esperança (e uma capa de jornal, já agora). Na ausência de tal insucesso, falou-se em "milagre", nunca em mérito de Queiroz.

No Mundial, prolongou-se a cena. Grupo de novo facílimo, exigência de vitórias (gordas) e um título mundial. Ao mesmo tempo, prenunciou-se a desgraça, a humilhação, a vergonha (pois se tínhamos Queiroz...). Adiado o apedrejamento (com dois empates e um 7-0), pediu-se de novo o céu contra o campeão europeu (e futuro campeão mundial). A derrota, por 1-0 num golo fora-de-jogo, precipitou uma há muito orquestrada crucificação do técnico, sempre cobarde, sempre incompetente.

A machadada final surgiu na forma do mais kafkiano processo do futebol português, repleto de buracos e hipocrisia. Odiado por ser um "intelectual" e "falar bem demais", Queiroz acaba queimado na fogueira por ser um bruto e um mal-criado. A incoerência faz sentido: afinal de contas, Queiroz tornou-se no bode expiatório de todos os males nacionais, das bolas no poste aos frangos de Eduardo, das trapalhadas do Governo ao excesso de estrangeiros na liga portuguesa. Se Portugal ganhasse ao Chipre e à Noruega, seria "apesar de Queiroz". Perdendo, seria "por culpa de Queiroz". Ganhando, era dispensável. Perdendo, é responsável. Xeque-mate.

katanec

quarta-feira, julho 14, 2010

Pré-época

Sei que há muito boa gente que vai passar as próximas semanas a escalpelizar todos os reforços e a tirar ilações de todos os resultados, seja o adversário um clube amador da quarta divisão grega ou o poderoso campeão inglês. Tal prática tornou-se regra de há uns anos a esta parte, desde que os jornalistas descobriram que podiam tratar os particulares da pré-época como uma espécie de época-normal-a-fazer-de-conta para aumentar as vendas de jornais, e desde que as televisões perceberam que podiam usar o mesmo truque para fazer crescer as audiências (ainda que fosse preciso transmitir autênticas partidas de solteiros e casados disfarçadas de finalíssimas de prestigiadas competições).

Não contem comigo para este circo (que só consegue ser batido pelos disparates cometidos aquando dos "Mundiais", durante os quais tenho por regra assistir exclusivamente aos jogos, para não ficar doido com as loucuras transmitidas pela TV no "antes" e no "depois"). A pré-época não é um "indicador", como nos querem fazer crer, não é o momento de apreciar os reforços ou antever sucessos ou fracassos desportivos. Se assim fosse, qualquer treinador punha já a melhor equipa em campo à procura de resultados, o que seria um absurdo, pois então nunca teria condições para testar esquemas de jogo, novos jogadores, os mesmos atletas em posições distintas, variantes tácticas, etc.

Da minha parte, espero que Jesus não ceda à pressão mediática e trate a pré-época exactamente como ela é: uma fase de preparação. Que deixe a jornalistas mercenários e comentadores precoces a tarefa de analisar com minúcia a fragilidade táctica evidenciada contra o penúltimo classificado da terceira divisão holandesa, o óbvio erro que foi contratar aquele guarda-redes ou os magníficos movimentos do avançado argentino que despedaçou a defesa dos carpinteiros luxemburgueses.

katanec

quinta-feira, junho 17, 2010

Notas sobre o Mundial (4)

Pior que as vuvuzelas, só a falta de qualidade dos comentadores televisivos. Numa actividade que envolve milhares de pessoas, não se compreende a selecção de tão incapazes indivíduos. Em textos anteriores já dei conta de algumas pérolas, mas hoje voltaram a repetir-se os disparates. No Argentina-Coreia do Sul, o narrador da SIC manifestou três vezes (!) o seu desejo de que o primeiro golo argentino fosse atribuído a Gutierrez, não obstante as imagens mostrarem que este não toca na bola e que é o jogador coreano a desviar por completo a trajectória da mesma. Nem as sucessivas repetições convenceram o homem...

Por outro lado, ainda há pouco, na Sport TV, o comentador de serviço teceu longas considerações sobre a "eliminação da Nigéria" (sic), num jogo onde, e cito, "uma das equipas sairia eliminada". Disparate. E desconhecimento, que é o mais ridículo, tratando-se de profissionais pagos. Ficando a Coreia do Sul com 3 pontos, a Nigéria poderá qualificar-se vencendo os coreanos pela margem mínima, desde que a Grécia perca com a Argentina. E só haveria um eliminado neste jogo se a Nigéria o tivesse ganho. É assim tão difícil fazer estes cálculos? É - quando não se prepara minimamente uma intervenção televisiva.

katanec

terça-feira, maio 18, 2010

O Braga e a Champions

Boas e más notícias para o Braga. As boas, para começar: devido a um conjunto de resultados surpreendentes (especialmente na Suíça e na Grécia), os arsenalistas conseguem, à justa, obter um lugar entre os cabeças-de-série na primeira pré-eliminatória da Champions. Evitam adversários complicados (Zenit, Ajax, Fenerbahce) e podem encontrar um leque apetecível de equipas médias/fracas: PAOK, Gent, Young Boys, Celtic e Unirea/Timisoara.

As más notícias têm a ver com a existência de uma segunda pré-eliminatória (a qual continua a ser omitida pela comunicação social, por qualquer razão que me escapa), onde, salvo uma hecatombe dos favoritos na eliminatória anterior, o Braga ficará no Pote 2. Significa isto que o adversário dos minhotos, nessa fase, sairá de um lote complexo, com Sevilha, Bremen, Tottenham e as duas equipas com melhor ranking vindas da primeira pré-eliminatória (por ordem: Zenit, Ajax, Fenerbahce, D. Kiev).

Já pareceu mais difícil, mas continua a tratar-se de uma tarefa duríssima.

katanec