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quinta-feira, janeiro 28, 2010

Incentivos

1. Considero que não devia ser punido o pagamento de incentivos pelo clube "a" para que a equipa "b" ganhe à formação "c".

2. Sendo punido, parece-me óbvio que o caso "Jorge Teixeira-Leixões-Braga-Benfica" deve ser investigado. Pelo contexto - e dado a história jurídica do futebol nacional - nada se provará, como é evidente. Mas o percurso de Jorge Teixeira parece-me muito revelador.

3. Parece abstrusa a ideia de que o Braga, à 6ª jornada, pensasse em incentivar os jogadores de uma das piores equipas do campeonato para vencer na Luz. Sem conhecer os factos, rejeito para já esta possibilidade. Mas recordo que, num passado recente, ocorreram actos ilícitos no futebol português mesmo na ausência dos famosos "nexos de causalidade".

4. Não há já dúvidas de que houve incentivos, tendo os jogadores do Leixões confirmado os mesmos na investigação. Fica assim explicado aquele que era, para mim, um dos mistérios do ano: a forma estranhíssima como o Leixões se apresentou na Luz. Percebem-se agora os índices de agressividade (leia-se "violência"), a indignação dos matosinhenses por expulsões perfeitamente justificadas tendo em conta a paulada distribuída, a revolta de José Mota contra uma derrota natural - actos extemporâneos consequência de um curioso empenhamento.

5. Imaginem uma notícia que falava de alegados pagamentos, feitos em nome do Benfica, para que o Belenenses travasse o FC Porto no Dragão e o Leiria triunfasse em Alvalade. Agora imaginem a indignação daqueles que, neste caso, se remeteram a um profundo silêncio.

katanec

domingo, maio 17, 2009

Preparem-se

- Hoje ainda vamos ouvir falar de Messi e de Paixão. E não é em Barcelona.
- A 20 minutos do fim da penúltima jornada da Segunda Liga, o Olhanense continua 0x0, enquanto Santa Clara e Leiria vencem por 2 de diferença.
- Não podia ter sido mais rápido: o Olhanense marca por Toy! O Algarve está a caminho da Primeira, novamente!

master kodro

domingo, maio 10, 2009

O minuto 73

Decorria o minuto 73 do, então, Sporting 1 x 1 V. Setúbal. Carlos Cardoso dava ordem de substituição simultânea de Bruno Gama e Leandro Lima. O Sporting acabou por ganhar por 2x1 com um golo de Liedson no último minuto da partida. E então?

master kodro

segunda-feira, abril 27, 2009

Como se faz um campeão

O FC Porto é a melhor equipa portuguesa e a sua hegemonia nacional tem muito a ver com o futebol que pratica em campo. Mas ninguém pode negar que os portistas perceberam os enormes benefícios associados à sua presença tentacular no futebol português - nomeadamente pelas relações privilegiadas com o poder, com os órgãos do sistema e mesmo com os restantes clubes. A política de contratações e empréstimos é disso um notável exemplo: o FC Porto age dentro da legalidade, mas nos limites da mesma, exercendo uma enorme influência na organização dos adversários. O que se passou num passado recente (as curiosas lesões de Nuno Coelho e Tengarrinha) e os bizarros acontecimentos deste Domingo (que o "Público" imortalizou nesta formidável peça) não são "teorias da conspiração", mas simples constatações do óbvio: o Porto ganha pelo que faz nos relvados, mas também pelo que faz fora deles.

katanec

quinta-feira, abril 02, 2009

Lisandro castigado (1 jogo) por simular penalty

É a notícia do dia 1 de Abril de 2009. Está no site da LPFP. Excertos do acórdão da Comissão Disciplinar da LPFP:

"Quando vê o jogador arguido aproximar-se de si, o jogador adversário afrouxa e tenta mesmo desviar o braço esquerdo, não evitando, todavia, o contacto que se faz entre a sua mão esquerda e a região abdominal do jogador arguido, registando-se então que a mão esquerda do jogador adversário esteve sempre aberta"

"Não foi o movimento do braço do jogador adversário que levou o árbitro à marcação da falta - foi, ao invés, a rasteira que o árbitro erradamente pensou ter visto aquando dos factos, que manifestamente não existe"

"O único contacto físico entre os dois jogadores verificou-se ao nível da mão esquerda do jogador adversário na região abdominal do jogador arguido, sendo este manifestamente insuficiente para justificar "a falta reflectida na intervenção técnica e disciplinar do árbitro". Em rigor, ao contrário do sustentado pelo jogador arguido quando inquirido, a sua queda nunca poderia ter ocorrido como ocorreu: para a frente e de corpo direito. O movimento do braço do jogador adversário poderia ter feito o arguido dobrar-se sobre si mesmo, caso o golpe tivesse sido violento na zona abdominal, ou mesmo projectá-lo para trás, caso tivesse atingido a zona peitoral. Nada justifica, todavia, que o arguido tivesse caído para a frente e de corpo direito já que a mão do jogador adversário está aberta, pelo que não agarra/puxa o jogador arguido"

Com vídeo, para ajudar às análises sempre interessantes dos nossos leitores:



Relembra-se que o pedido de castigo foi feito pelo Benfica, por João Gabriel, em declarações à Benfica TV.

master kodro

sexta-feira, março 20, 2009

Outra vez sem palavras

Pensava que era difícil, mas ainda é possível. O que é isto?

"O Benfica quer que o Conselho Nacional Antidopagem (CNAD) esteja na final da Taça da Liga, que opõe amanhã, no Algarve, o clube da Luz ao Sporting (...) Segundo soube o CM, o elevado ritmo de jogo apresentado pelos leões na segunda parte do encontro disputado entre as duas equipas a 21 de Fevereiro (19ª jornada da Liga), em Alvalade, suscitou muitas dúvidas nas águias. Terá sido essa a razão que levou agora o Benfica a exigir controlo antidoping na final da Taça da Liga (...) Ontem, no programa ‘A Jornada’, da Benfica TV, o assessor jurídico dos encarnados, Paulo Gonçalves, pediu mesmo que o CNAD fosse ao Algarve para "prestigiar" a final da Taça da Liga (...)"

ps - Aproveito para lançar um inquérito rápido: quem ganha a Taça da Liga?

master kodro

quarta-feira, março 18, 2009

Que saudades...

Onde andou Veiga este tempo todo? Pelo menos o nome voltou à baila.

master kodro

sábado, fevereiro 21, 2009

Sporting 3 x 2 Benfica (final)

Enquanto os editores do 442 adeptos de Sporting e do Benfica não avançam com a sua análise, deixo aqui as palavras sábias do grande especialista de arbitragem das caixas de comentários:

"Um penalty para cada lado por assinalar e talvez Rochemback merecesse ir mais cedo para os balneários."

master kodro

Paços 0 Porto 2 (video)

Para os especialistas da arbitragem. Façam o favor de comentar os lances. Infelizmente, os vídeos disponíveis até agora não incluem dois dos quatro lances polémicos. Adivinhem quais.



master kodro

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Proposta do dia

Do kovacevic, ao telefone, por volta das 14 horas: jogo em campo neutro (pode ser no Algarve) entre o Belenenses e o Vitória. Acho óptimo. Eu acrescento: com o gajo que fez o regulamento como único apanha-bolas. Desde que não insultem a inteligência das pessoas com a inclusão premeditada do quociente e com a amnésia colectiva do uso corrente, banal e generalizado (em Portugal e em Espanha, pelo menos) do goal average como diferença entre golos marcados e sofridos.

master kodro

Goal average? Nunca ouvi falar disso

Mais do que confirmado o erro na utilização da expressão, materializado na letra da lei, discute-se agora o espírito da lei invocado pela Liga para a utilização errada da expressão. Erguem-se vozes indignadas perante tamanha aberração linguística, nunca antes ouvida ou utilizada (eu sempre disse goal difference, parecem querer dizer quase todos os opinadores).

Nunca ouvimos ou lemos essa expressão, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, todas nos últimos três anos. Mas isso é coisa de jornalistas portugueses ignorantes, pelo que é impossível que esta maleita colectiva tipicamente lusa tenha galgado fronteiras e contaminado gentes mais letradas. Por isso é pouco provável que o caro leitor encontre algo neste sentido neste artigo, ou neste, ou neste, ou neste, ou neste, ou neste, todos desde 2008.

Pronto, é coisa de jornalistas, pelo que se nos afigura como improvável que homens do futebol utilizassem uma expressão tão ignóbil. Não é provável que pessoas como José Peseiro a tenham utilizado em discurso directo, "Mas praticamente a qualificação está assegurada, em função do 'goal-average". Está bem, é o Peseiro que tinha aqueles comportamentos afectivos públicos com Eduardinho. Mas temos dúvidas que um ser com o estatuto de Johann Cruijff tenha alguma vez expressado, "O Valencia está a 10 pontos e o Real Madrid a 14, tendo em conta o ‘goal average" (até porque Cruijff não fala português).

Trata-se, portanto, de uma alucinação colectiva, esta que presenciamos, esta que leva à utilização generalizada e errada do termo goal average (é errado não haja dúvidas relativamente a isto). Daí a dizer-se que quem fez (erradamente) o regulamento da Taça da Liga queria mesmo referir-se ao termo goal average (à divisão de golos marcados por golos sofridos), uma forma de desempate que deixou de ser utilizada no Mundial de 1970 e na liga inglesa em 1976/77, vai uma distância muito grande.

Meus amigos, acreditem no que quiserem, mas não me queiram obrigar a acreditar que quem fez o regulamento da Taça da Liga estava impregnado do espírito de incluir um critério de desempate que dividisse golos marcados e sofridos, porque eu só acredito no que quero e no que seja, ao mesmo tempo, razoável. Até porque acho que já existem exemplos suficientes aqui em cima que mostram que todos nós sempre utilizámos (embora quase ninguém o assuma) o termo goal average tão erradamente como no sentido de falarmos em golos marcados menos golos sofridos.

Vejam quão disseminada a coisa está que até o insuspeito perfeccionista Rui Cartaxana a usava em 2005, "As regras para estas classificações provisórias das equipas são, por ordem: 1) número de pontos entre elas; 2) se têm os mesmos pontos, a) valem os resultados entre as equipas empatadas; b) se o empate se mantém, vale a diferença de golos (goal average) entre elas". Claro que ele queria dizer quociente e não diferença, não é? Não, não é. E João Gobern aqui. E António Pedro Vasconcelos aqui. Mas o contributo mais importante para esta discussão do espírito da expressão (e da lei no caso presente) vem novamente de Rui Cartaxana, um ano antes, que admite, como provedor dos leitores, a adaptação e generalização do termo goal average, fazendo um paralelo com o termo hat-trick, em resposta à indignação de um leitor.

"PL: Tem razão, em grande parte. A expressão "hat-trick" vem do cricket e traduz a marcação de três pontos seguidos pelo mesmo jogador. Só que com a sua banalização, no futebol, passou a designar, por extensão, a marcação de três golos seguidos pelo mesmo jogador, no mesmo jogo. Estas "adaptações" são frequentes no futebol, como aconteceu com a expressão "goal-average" e outras. "

Adaptação, frequente, banalização. Mas acreditem no que quiserem e se quiserem mesmo muito acreditem que quem fez o regulamento da Taça da Liga quis mesmo propôr o quociente.

ps - Só uma nota para desejar boa sorte ao Luciano e as rápidas melhoras. E se tiverem que ir mesmo vocês às meias-finais, que ganhem a competição, é o que desejo sinceramente.

master kodro

terça-feira, janeiro 20, 2009

Amigos belenenses, vão vocês.

O Belenenses está no seu direito de contestar o alinhamento das meias-finais da Taça da Liga. Não acho que tenha razão jurídica, mas não deixa de ter esse direito, com base na asneira efectuada. Mas atenção que não é só do regulamento que o líder belenense se queixa publicamente:

"João Barbosa, líder da SAD do Belenenses, aproveitou a conferências de imprensa de ontem para voltar a tecer duras críticas à arbitragem em geral, e à atuação de Bruno Paixão na Luz em particular.

O responsável pelo futebol dos azuis voltou a frisar que “a SAD perdeu milhares de euros, em virtude de não ter atingido as meias-finais da Taça da Liga", continuando: "Só não fomos apurados por um golo. O golo que entrou mas que o árbitro por distração não validou. A verdade é que os encontros deviam ter sido realizados todos à mesma hora, pois veja-se a conjugação de resultados que houve no domingo.”

Até o presidente do Belenenses se deixou levar pelo espírito da lei.

Sinceramente, com todas estas atitudes (diverte-me abundantemente uma
em especial de um grande especialista das leis e excelso cumpridor das ditas), já perdi a vontade de ir à Luz eliminar o Benfica.

master kodro

Mea culpa

Pois, parece então, que não li o regulamento todo. Peço as minhas desculpas a todos. Parece que se pretende mesmo fazer renascer o goal average "original", em desuso desde 1970, e esquecer tudo o que se disse e escreveu nos últimos quarenta anos. Que seja. Se é assim, façam favor de pôr o Belenenses nas meias-finais da Taça da Liga. Mas não se esqueçam. Não se esqueçam do dia em que, nos assuntos futebolísticos, a letra da lei passou a valer mais do que o espírito, isto na opinião da maior parte das pessoas que se referiram a este assunto.

master kodro

O regulamento da Taça da Liga ou a vontade de ver sangue num resto de ketchup

Estou com dias difíceis no trabalho (acabei agora...) por isso não tenho conseguido seguir tudo como queria. Apareceu um tema daqueles engraçados relativamente ao regulamento da Taça da Liga que supostamente faria do Belenenses o apurado para as meias-finais e não o Vitória de Guimarães. Diz a teoria que circula que a expressão utilizada no regulamento, o goal average (ao invés da expressão correcta, goal difference), daria 2 pontos (2/1) ao Belenenses contra 1,5 pontos (3/2) ao Vitória, num desempate devido ao empate pontual entre as equipas. Ora bem:

1.º Como é óbvio, todos - todos, todos nós, todos nós os que estamos a chamar incompetentes a quem fez o regulamento da Liga, todos os desportos, todos os regulamentos que não incluíram a expressão mais longa "diferença entre golos marcados e sofridos" - andamos a usar a expressão errada desde sempre e estamos a chamar, desde sempre, goal average ao que na prática é o goal difference e nem nunca pensámos no que o goal average é, realmente, porque a maior parte de nós nunca o viu aplicado (há uma entrada na net que defende que foi abandonado em 1970...). Resta saber a razão de ter acontecido agora. Mas nem vai valer a pena chegar a tanto.

2.º A Liga já se explicou, mas devem estar todos cagadinhos, porque deu uma explicação de quem está com medo que alguém se queixe. Fala do espírito, fala do que eu escrevi no ponto 1 por outras palavras, mas se não estivessem tão cagadinhos tinham perguntado a alguém que esteja habituado a ler leis que lhes safava o rabinho, sem parecerem tão gelatinosos.

3.º Como na maior parte das vezes nestas conversas de polémicas sobre futebol, as pessoas lêem o que querem ler e não o que está lá escrito. Vamos ler então:

3.1 Relativamente à 3.ª fase da Taça da Liga:

"São apuradas as 3 equipas que, após a realização das 3 jornadas, ocupem o 1.º lugar no grupo e a equipa que ocupe o 2.ºlugar com a melhor pontuação"

Só. Mais nada. É omisso nos casos de empate (para efeitos de apuramento para as meias-finais), pelo que se aplica a lei geral do regulamento das competições (estas passagens fazem parte do regulamento específico da Taça da Liga, em anexo ao geral), que está muito mais acima e fala, porque feita com mais tempo, na diferença entre golos marcados e sofridos, sem margem para dúvidas.

E O GOAL AVERAGE?, grita o gajo do canto.

3.2 O goal average está definido no regulamento como o segundo critério para determinar quem joga em casa nas meias-finais e não para definir quem é apurado para as meias-finais em caso de empate na terceira fase, como é claro na passagem:

"Meias-Finais:
As meias-finais são disputadas a uma mão, em campo neutralizado, entre os 4 Clubes apurados na fase anterior.
É efectuado um sorteio pela Liga PFP para alinhamento das equipas.
Os critérios para determinar quem joga na qualidade de Clube visitado são os seguintes:


1. Melhor lugar e pontuação obtidos na 3.ª Fase;
2. Melhor “goal average”;
3. Maior número de golos marcados na 3.ª Fase
;"

Os critérios para definir quem joga como visitadonas meias-finais, já depois de os semi-finalistas estarem encontrados.

Case closed. Deixem-me trabalhar descansado, por favor. Foi um prazer. Até à próxima.

ps - O gajo que fez o regulamento era tão mau, tão mau, tão mau...

master kodro