Do kovacevic, ao telefone, por volta das 14 horas: jogo em campo neutro (pode ser no Algarve) entre o Belenenses e o Vitória. Acho óptimo. Eu acrescento: com o gajo que fez o regulamento como único apanha-bolas. Desde que não insultem a inteligência das pessoas com a inclusão premeditada do quociente e com a amnésia colectiva do uso corrente, banal e generalizado (em Portugal e em Espanha, pelo menos) do goal average como diferença entre golos marcados e sofridos.
master kodro
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quarta-feira, janeiro 21, 2009
Goal average? Nunca ouvi falar disso
Mais do que confirmado o erro na utilização da expressão, materializado na letra da lei, discute-se agora o espírito da lei invocado pela Liga para a utilização errada da expressão. Erguem-se vozes indignadas perante tamanha aberração linguística, nunca antes ouvida ou utilizada (eu sempre disse goal difference, parecem querer dizer quase todos os opinadores).
Nunca ouvimos ou lemos essa expressão, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, todas nos últimos três anos. Mas isso é coisa de jornalistas portugueses ignorantes, pelo que é impossível que esta maleita colectiva tipicamente lusa tenha galgado fronteiras e contaminado gentes mais letradas. Por isso é pouco provável que o caro leitor encontre algo neste sentido neste artigo, ou neste, ou neste, ou neste, ou neste, ou neste, todos desde 2008.
Pronto, é coisa de jornalistas, pelo que se nos afigura como improvável que homens do futebol utilizassem uma expressão tão ignóbil. Não é provável que pessoas como José Peseiro a tenham utilizado em discurso directo, "Mas praticamente a qualificação está assegurada, em função do 'goal-average". Está bem, é o Peseiro que tinha aqueles comportamentos afectivos públicos com Eduardinho. Mas temos dúvidas que um ser com o estatuto de Johann Cruijff tenha alguma vez expressado, "O Valencia está a 10 pontos e o Real Madrid a 14, tendo em conta o ‘goal average" (até porque Cruijff não fala português).
Trata-se, portanto, de uma alucinação colectiva, esta que presenciamos, esta que leva à utilização generalizada e errada do termo goal average (é errado não haja dúvidas relativamente a isto). Daí a dizer-se que quem fez (erradamente) o regulamento da Taça da Liga queria mesmo referir-se ao termo goal average (à divisão de golos marcados por golos sofridos), uma forma de desempate que deixou de ser utilizada no Mundial de 1970 e na liga inglesa em 1976/77, vai uma distância muito grande.
Meus amigos, acreditem no que quiserem, mas não me queiram obrigar a acreditar que quem fez o regulamento da Taça da Liga estava impregnado do espírito de incluir um critério de desempate que dividisse golos marcados e sofridos, porque eu só acredito no que quero e no que seja, ao mesmo tempo, razoável. Até porque acho que já existem exemplos suficientes aqui em cima que mostram que todos nós sempre utilizámos (embora quase ninguém o assuma) o termo goal average tão erradamente como no sentido de falarmos em golos marcados menos golos sofridos.
Vejam quão disseminada a coisa está que até o insuspeito perfeccionista Rui Cartaxana a usava em 2005, "As regras para estas classificações provisórias das equipas são, por ordem: 1) número de pontos entre elas; 2) se têm os mesmos pontos, a) valem os resultados entre as equipas empatadas; b) se o empate se mantém, vale a diferença de golos (goal average) entre elas". Claro que ele queria dizer quociente e não diferença, não é? Não, não é. E João Gobern aqui. E António Pedro Vasconcelos aqui. Mas o contributo mais importante para esta discussão do espírito da expressão (e da lei no caso presente) vem novamente de Rui Cartaxana, um ano antes, que admite, como provedor dos leitores, a adaptação e generalização do termo goal average, fazendo um paralelo com o termo hat-trick, em resposta à indignação de um leitor.
"PL: Tem razão, em grande parte. A expressão "hat-trick" vem do cricket e traduz a marcação de três pontos seguidos pelo mesmo jogador. Só que com a sua banalização, no futebol, passou a designar, por extensão, a marcação de três golos seguidos pelo mesmo jogador, no mesmo jogo. Estas "adaptações" são frequentes no futebol, como aconteceu com a expressão "goal-average" e outras. "
Adaptação, frequente, banalização. Mas acreditem no que quiserem e se quiserem mesmo muito acreditem que quem fez o regulamento da Taça da Liga quis mesmo propôr o quociente.
ps - Só uma nota para desejar boa sorte ao Luciano e as rápidas melhoras. E se tiverem que ir mesmo vocês às meias-finais, que ganhem a competição, é o que desejo sinceramente.
master kodro
Nunca ouvimos ou lemos essa expressão, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, todas nos últimos três anos. Mas isso é coisa de jornalistas portugueses ignorantes, pelo que é impossível que esta maleita colectiva tipicamente lusa tenha galgado fronteiras e contaminado gentes mais letradas. Por isso é pouco provável que o caro leitor encontre algo neste sentido neste artigo, ou neste, ou neste, ou neste, ou neste, ou neste, todos desde 2008.
Pronto, é coisa de jornalistas, pelo que se nos afigura como improvável que homens do futebol utilizassem uma expressão tão ignóbil. Não é provável que pessoas como José Peseiro a tenham utilizado em discurso directo, "Mas praticamente a qualificação está assegurada, em função do 'goal-average". Está bem, é o Peseiro que tinha aqueles comportamentos afectivos públicos com Eduardinho. Mas temos dúvidas que um ser com o estatuto de Johann Cruijff tenha alguma vez expressado, "O Valencia está a 10 pontos e o Real Madrid a 14, tendo em conta o ‘goal average" (até porque Cruijff não fala português).
Trata-se, portanto, de uma alucinação colectiva, esta que presenciamos, esta que leva à utilização generalizada e errada do termo goal average (é errado não haja dúvidas relativamente a isto). Daí a dizer-se que quem fez (erradamente) o regulamento da Taça da Liga queria mesmo referir-se ao termo goal average (à divisão de golos marcados por golos sofridos), uma forma de desempate que deixou de ser utilizada no Mundial de 1970 e na liga inglesa em 1976/77, vai uma distância muito grande.
Meus amigos, acreditem no que quiserem, mas não me queiram obrigar a acreditar que quem fez o regulamento da Taça da Liga estava impregnado do espírito de incluir um critério de desempate que dividisse golos marcados e sofridos, porque eu só acredito no que quero e no que seja, ao mesmo tempo, razoável. Até porque acho que já existem exemplos suficientes aqui em cima que mostram que todos nós sempre utilizámos (embora quase ninguém o assuma) o termo goal average tão erradamente como no sentido de falarmos em golos marcados menos golos sofridos.
Vejam quão disseminada a coisa está que até o insuspeito perfeccionista Rui Cartaxana a usava em 2005, "As regras para estas classificações provisórias das equipas são, por ordem: 1) número de pontos entre elas; 2) se têm os mesmos pontos, a) valem os resultados entre as equipas empatadas; b) se o empate se mantém, vale a diferença de golos (goal average) entre elas". Claro que ele queria dizer quociente e não diferença, não é? Não, não é. E João Gobern aqui. E António Pedro Vasconcelos aqui. Mas o contributo mais importante para esta discussão do espírito da expressão (e da lei no caso presente) vem novamente de Rui Cartaxana, um ano antes, que admite, como provedor dos leitores, a adaptação e generalização do termo goal average, fazendo um paralelo com o termo hat-trick, em resposta à indignação de um leitor.
"PL: Tem razão, em grande parte. A expressão "hat-trick" vem do cricket e traduz a marcação de três pontos seguidos pelo mesmo jogador. Só que com a sua banalização, no futebol, passou a designar, por extensão, a marcação de três golos seguidos pelo mesmo jogador, no mesmo jogo. Estas "adaptações" são frequentes no futebol, como aconteceu com a expressão "goal-average" e outras. "
Adaptação, frequente, banalização. Mas acreditem no que quiserem e se quiserem mesmo muito acreditem que quem fez o regulamento da Taça da Liga quis mesmo propôr o quociente.
ps - Só uma nota para desejar boa sorte ao Luciano e as rápidas melhoras. E se tiverem que ir mesmo vocês às meias-finais, que ganhem a competição, é o que desejo sinceramente.
master kodro
terça-feira, janeiro 20, 2009
Amigos belenenses, vão vocês.
O Belenenses está no seu direito de contestar o alinhamento das meias-finais da Taça da Liga. Não acho que tenha razão jurídica, mas não deixa de ter esse direito, com base na asneira efectuada. Mas atenção que não é só do regulamento que o líder belenense se queixa publicamente:
"João Barbosa, líder da SAD do Belenenses, aproveitou a conferências de imprensa de ontem para voltar a tecer duras críticas à arbitragem em geral, e à atuação de Bruno Paixão na Luz em particular.
O responsável pelo futebol dos azuis voltou a frisar que “a SAD perdeu milhares de euros, em virtude de não ter atingido as meias-finais da Taça da Liga", continuando: "Só não fomos apurados por um golo. O golo que entrou mas que o árbitro por distração não validou. A verdade é que os encontros deviam ter sido realizados todos à mesma hora, pois veja-se a conjugação de resultados que houve no domingo.”
Até o presidente do Belenenses se deixou levar pelo espírito da lei.
Sinceramente, com todas estas atitudes (diverte-me abundantemente uma em especial de um grande especialista das leis e excelso cumpridor das ditas), já perdi a vontade de ir à Luz eliminar o Benfica.
master kodro
"João Barbosa, líder da SAD do Belenenses, aproveitou a conferências de imprensa de ontem para voltar a tecer duras críticas à arbitragem em geral, e à atuação de Bruno Paixão na Luz em particular.
O responsável pelo futebol dos azuis voltou a frisar que “a SAD perdeu milhares de euros, em virtude de não ter atingido as meias-finais da Taça da Liga", continuando: "Só não fomos apurados por um golo. O golo que entrou mas que o árbitro por distração não validou. A verdade é que os encontros deviam ter sido realizados todos à mesma hora, pois veja-se a conjugação de resultados que houve no domingo.”
Até o presidente do Belenenses se deixou levar pelo espírito da lei.
Sinceramente, com todas estas atitudes (diverte-me abundantemente uma em especial de um grande especialista das leis e excelso cumpridor das ditas), já perdi a vontade de ir à Luz eliminar o Benfica.
master kodro
Mea culpa
Pois, parece então, que não li o regulamento todo. Peço as minhas desculpas a todos. Parece que se pretende mesmo fazer renascer o goal average "original", em desuso desde 1970, e esquecer tudo o que se disse e escreveu nos últimos quarenta anos. Que seja. Se é assim, façam favor de pôr o Belenenses nas meias-finais da Taça da Liga. Mas não se esqueçam. Não se esqueçam do dia em que, nos assuntos futebolísticos, a letra da lei passou a valer mais do que o espírito, isto na opinião da maior parte das pessoas que se referiram a este assunto.
master kodro
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O regulamento da Taça da Liga ou a vontade de ver sangue num resto de ketchup
Estou com dias difíceis no trabalho (acabei agora...) por isso não tenho conseguido seguir tudo como queria. Apareceu um tema daqueles engraçados relativamente ao regulamento da Taça da Liga que supostamente faria do Belenenses o apurado para as meias-finais e não o Vitória de Guimarães. Diz a teoria que circula que a expressão utilizada no regulamento, o goal average (ao invés da expressão correcta, goal difference), daria 2 pontos (2/1) ao Belenenses contra 1,5 pontos (3/2) ao Vitória, num desempate devido ao empate pontual entre as equipas. Ora bem:
1.º Como é óbvio, todos - todos, todos nós, todos nós os que estamos a chamar incompetentes a quem fez o regulamento da Liga, todos os desportos, todos os regulamentos que não incluíram a expressão mais longa "diferença entre golos marcados e sofridos" - andamos a usar a expressão errada desde sempre e estamos a chamar, desde sempre, goal average ao que na prática é o goal difference e nem nunca pensámos no que o goal average é, realmente, porque a maior parte de nós nunca o viu aplicado (há uma entrada na net que defende que foi abandonado em 1970...). Resta saber a razão de ter acontecido agora. Mas nem vai valer a pena chegar a tanto.
2.º A Liga já se explicou, mas devem estar todos cagadinhos, porque deu uma explicação de quem está com medo que alguém se queixe. Fala do espírito, fala do que eu escrevi no ponto 1 por outras palavras, mas se não estivessem tão cagadinhos tinham perguntado a alguém que esteja habituado a ler leis que lhes safava o rabinho, sem parecerem tão gelatinosos.
3.º Como na maior parte das vezes nestas conversas de polémicas sobre futebol, as pessoas lêem o que querem ler e não o que está lá escrito. Vamos ler então:
3.1 Relativamente à 3.ª fase da Taça da Liga:
"São apuradas as 3 equipas que, após a realização das 3 jornadas, ocupem o 1.º lugar no grupo e a equipa que ocupe o 2.ºlugar com a melhor pontuação"
Só. Mais nada. É omisso nos casos de empate (para efeitos de apuramento para as meias-finais), pelo que se aplica a lei geral do regulamento das competições (estas passagens fazem parte do regulamento específico da Taça da Liga, em anexo ao geral), que está muito mais acima e fala, porque feita com mais tempo, na diferença entre golos marcados e sofridos, sem margem para dúvidas.
E O GOAL AVERAGE?, grita o gajo do canto.
3.2 O goal average está definido no regulamento como o segundo critério para determinar quem joga em casa nas meias-finais e não para definir quem é apurado para as meias-finais em caso de empate na terceira fase, como é claro na passagem:
"Meias-Finais:
As meias-finais são disputadas a uma mão, em campo neutralizado, entre os 4 Clubes apurados na fase anterior.
É efectuado um sorteio pela Liga PFP para alinhamento das equipas.
Os critérios para determinar quem joga na qualidade de Clube visitado são os seguintes:
1. Melhor lugar e pontuação obtidos na 3.ª Fase;
2. Melhor “goal average”;
3. Maior número de golos marcados na 3.ª Fase;"
Os critérios para definir quem joga como visitadonas meias-finais, já depois de os semi-finalistas estarem encontrados.
Case closed. Deixem-me trabalhar descansado, por favor. Foi um prazer. Até à próxima.
ps - O gajo que fez o regulamento era tão mau, tão mau, tão mau...
1.º Como é óbvio, todos - todos, todos nós, todos nós os que estamos a chamar incompetentes a quem fez o regulamento da Liga, todos os desportos, todos os regulamentos que não incluíram a expressão mais longa "diferença entre golos marcados e sofridos" - andamos a usar a expressão errada desde sempre e estamos a chamar, desde sempre, goal average ao que na prática é o goal difference e nem nunca pensámos no que o goal average é, realmente, porque a maior parte de nós nunca o viu aplicado (há uma entrada na net que defende que foi abandonado em 1970...). Resta saber a razão de ter acontecido agora. Mas nem vai valer a pena chegar a tanto.
2.º A Liga já se explicou, mas devem estar todos cagadinhos, porque deu uma explicação de quem está com medo que alguém se queixe. Fala do espírito, fala do que eu escrevi no ponto 1 por outras palavras, mas se não estivessem tão cagadinhos tinham perguntado a alguém que esteja habituado a ler leis que lhes safava o rabinho, sem parecerem tão gelatinosos.
3.º Como na maior parte das vezes nestas conversas de polémicas sobre futebol, as pessoas lêem o que querem ler e não o que está lá escrito. Vamos ler então:
3.1 Relativamente à 3.ª fase da Taça da Liga:
"São apuradas as 3 equipas que, após a realização das 3 jornadas, ocupem o 1.º lugar no grupo e a equipa que ocupe o 2.ºlugar com a melhor pontuação"
Só. Mais nada. É omisso nos casos de empate (para efeitos de apuramento para as meias-finais), pelo que se aplica a lei geral do regulamento das competições (estas passagens fazem parte do regulamento específico da Taça da Liga, em anexo ao geral), que está muito mais acima e fala, porque feita com mais tempo, na diferença entre golos marcados e sofridos, sem margem para dúvidas.
E O GOAL AVERAGE?, grita o gajo do canto.
3.2 O goal average está definido no regulamento como o segundo critério para determinar quem joga em casa nas meias-finais e não para definir quem é apurado para as meias-finais em caso de empate na terceira fase, como é claro na passagem:
"Meias-Finais:
As meias-finais são disputadas a uma mão, em campo neutralizado, entre os 4 Clubes apurados na fase anterior.
É efectuado um sorteio pela Liga PFP para alinhamento das equipas.
Os critérios para determinar quem joga na qualidade de Clube visitado são os seguintes:
1. Melhor lugar e pontuação obtidos na 3.ª Fase;
2. Melhor “goal average”;
3. Maior número de golos marcados na 3.ª Fase;"
Os critérios para definir quem joga como visitadonas meias-finais, já depois de os semi-finalistas estarem encontrados.
Case closed. Deixem-me trabalhar descansado, por favor. Foi um prazer. Até à próxima.
ps - O gajo que fez o regulamento era tão mau, tão mau, tão mau...
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