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sexta-feira, janeiro 20, 2012

O caminho de Benfica e Porto (e Sporting)

Deixo alguns dados estatísticos que, mais tarde ou mais cedo, nos vão levar de volta aos tempos em que a selecção nacional era uma banalidade e que não estão a ajudar os clubes (SAD) a melhorar o seu desempenho financeiro:

- Nas primeiras 15 jornadas da liga, o Benfica tem 2% do tempo de utilização possível (14.850 minutos) ocupado por jogadores portugueses.

- Nas primeiras 15 jornadas da liga, Benfica e Porto têm, em conjunto, 13 minutos de tempo ocupado por jogadores portugueses sub-23 (13 minutos de Nélson Oliveira).

- Nas primeiras 15 jornadas da liga, Benfica e Porto têm, em conjunto, 26,48% do tempo disponível ocupado por jogadores estrangeiros sub-23.

Portanto, um quarto do tempo de utilização dos dois maiores candidatos ao título dos últimos anos, são ocupados por jogadores que têm custado 5 a 10 (ou 20) milhões de euros por transacção. Estranhamente (ou não), apesar das mega-vendas, os passivos não baixam, porque essas são uma excepção.

Havia outra excepção, que era o Sporting. Mas desde que Paulo Bento se queixou que não conseguia ganhar com miúdos portugueses, foi pelo mesmo caminho, com o problema adicional de ir com alguns anos de atraso.

O muro é já ali à frente.

master kodro

terça-feira, junho 30, 2009

A pior decisão possível

Deixar que o título seja decidido na Secretaria. Isto é o absurdo em que o futebol português se tornou. Havia inúmeros meios de resolver o problema. A FPF poderia prolongar extraordinariamente os contratos dos jogadores por mais alguns dias, a fim de encontrar uma solução (como ontem me sugeria o Kovacevic ao telefone). Os minutos que faltavam poderiam ser disputados em Alvalade (preferencialmente), em Alcochete (eventualmente à porta fechada) ou num campo neutro. Hoje, amanhã, no sábado.

Que se jogasse, pois, que se desse oportunidade a estes miúdos para perceberem que os títulos se podem e devem ganhar no campo, independentemente dos malucos que, lá fora, tudo fazem para o impedir. Ao enviarem essa decisão para os morosos e sinuosos caminhos das alegações jurídicas, os dirigentes do futebol português preferiram alinhar com os objectivos daqueles energúmenos. Numa situação revoltante, mais um motivo para ter nojo.

katanec

segunda-feira, abril 27, 2009

Como se faz um campeão

O FC Porto é a melhor equipa portuguesa e a sua hegemonia nacional tem muito a ver com o futebol que pratica em campo. Mas ninguém pode negar que os portistas perceberam os enormes benefícios associados à sua presença tentacular no futebol português - nomeadamente pelas relações privilegiadas com o poder, com os órgãos do sistema e mesmo com os restantes clubes. A política de contratações e empréstimos é disso um notável exemplo: o FC Porto age dentro da legalidade, mas nos limites da mesma, exercendo uma enorme influência na organização dos adversários. O que se passou num passado recente (as curiosas lesões de Nuno Coelho e Tengarrinha) e os bizarros acontecimentos deste Domingo (que o "Público" imortalizou nesta formidável peça) não são "teorias da conspiração", mas simples constatações do óbvio: o Porto ganha pelo que faz nos relvados, mas também pelo que faz fora deles.

katanec

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Quando ser expulso é melhor do que ver amarelo

Fucile era um dos três jogadores do Porto em risco para a próxima jornada (recepção ao Benfica). O cartão amarelo que viu na segunda parte (por mão) impedia-o de participar nesse jogo. Porém, no último minuto, com Jesualdo a gritar no banco "calma, calma!", Fucile seguiu as ordens, retardou o lançamento lateral e viu o segundo amarelo e respectivo vermelho. Com este desfecho, Fucile pode agora cumprir o castigo na Taça da Liga (por ter sido expulso) e enfrentar o Benfica.

Este episódio é um excelente retrato do futebol português: um misto de regulamentos estapafúrdios, chico-espertice e pequenas trafulhices.

katanec