quarta-feira, janeiro 21, 2009

Goal average? Nunca ouvi falar disso

Mais do que confirmado o erro na utilização da expressão, materializado na letra da lei, discute-se agora o espírito da lei invocado pela Liga para a utilização errada da expressão. Erguem-se vozes indignadas perante tamanha aberração linguística, nunca antes ouvida ou utilizada (eu sempre disse goal difference, parecem querer dizer quase todos os opinadores).

Nunca ouvimos ou lemos essa expressão, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, todas nos últimos três anos. Mas isso é coisa de jornalistas portugueses ignorantes, pelo que é impossível que esta maleita colectiva tipicamente lusa tenha galgado fronteiras e contaminado gentes mais letradas. Por isso é pouco provável que o caro leitor encontre algo neste sentido neste artigo, ou neste, ou neste, ou neste, ou neste, ou neste, todos desde 2008.

Pronto, é coisa de jornalistas, pelo que se nos afigura como improvável que homens do futebol utilizassem uma expressão tão ignóbil. Não é provável que pessoas como José Peseiro a tenham utilizado em discurso directo, "Mas praticamente a qualificação está assegurada, em função do 'goal-average". Está bem, é o Peseiro que tinha aqueles comportamentos afectivos públicos com Eduardinho. Mas temos dúvidas que um ser com o estatuto de Johann Cruijff tenha alguma vez expressado, "O Valencia está a 10 pontos e o Real Madrid a 14, tendo em conta o ‘goal average" (até porque Cruijff não fala português).

Trata-se, portanto, de uma alucinação colectiva, esta que presenciamos, esta que leva à utilização generalizada e errada do termo goal average (é errado não haja dúvidas relativamente a isto). Daí a dizer-se que quem fez (erradamente) o regulamento da Taça da Liga queria mesmo referir-se ao termo goal average (à divisão de golos marcados por golos sofridos), uma forma de desempate que deixou de ser utilizada no Mundial de 1970 e na liga inglesa em 1976/77, vai uma distância muito grande.

Meus amigos, acreditem no que quiserem, mas não me queiram obrigar a acreditar que quem fez o regulamento da Taça da Liga estava impregnado do espírito de incluir um critério de desempate que dividisse golos marcados e sofridos, porque eu só acredito no que quero e no que seja, ao mesmo tempo, razoável. Até porque acho que já existem exemplos suficientes aqui em cima que mostram que todos nós sempre utilizámos (embora quase ninguém o assuma) o termo goal average tão erradamente como no sentido de falarmos em golos marcados menos golos sofridos.

Vejam quão disseminada a coisa está que até o insuspeito perfeccionista Rui Cartaxana a usava em 2005, "As regras para estas classificações provisórias das equipas são, por ordem: 1) número de pontos entre elas; 2) se têm os mesmos pontos, a) valem os resultados entre as equipas empatadas; b) se o empate se mantém, vale a diferença de golos (goal average) entre elas". Claro que ele queria dizer quociente e não diferença, não é? Não, não é. E João Gobern aqui. E António Pedro Vasconcelos aqui. Mas o contributo mais importante para esta discussão do espírito da expressão (e da lei no caso presente) vem novamente de Rui Cartaxana, um ano antes, que admite, como provedor dos leitores, a adaptação e generalização do termo goal average, fazendo um paralelo com o termo hat-trick, em resposta à indignação de um leitor.

"PL: Tem razão, em grande parte. A expressão "hat-trick" vem do cricket e traduz a marcação de três pontos seguidos pelo mesmo jogador. Só que com a sua banalização, no futebol, passou a designar, por extensão, a marcação de três golos seguidos pelo mesmo jogador, no mesmo jogo. Estas "adaptações" são frequentes no futebol, como aconteceu com a expressão "goal-average" e outras. "

Adaptação, frequente, banalização. Mas acreditem no que quiserem e se quiserem mesmo muito acreditem que quem fez o regulamento da Taça da Liga quis mesmo propôr o quociente.

ps - Só uma nota para desejar boa sorte ao Luciano e as rápidas melhoras. E se tiverem que ir mesmo vocês às meias-finais, que ganhem a competição, é o que desejo sinceramente.

master kodro

44 comentários:

luis disse...

Caro MK,

Passa o Vitória, ponto. Porque sim? Sim, porque sim.

Pedro Santos disse...

É óbvio que o iluminado que fez o regulamento queria dizer deferença de golos, mas o que importa é que escreveu "goal-average". Não achas que é grave? Uma coisa é nós dizermos goal-average, quando queremos dizer diferença de golos, na conversa com os amigos, numa entrevista, ou numa notícia de jornal. Outra bem diferente é escrevermos isso num regulamento de uma competição profissional! E é isso que está em causa! Agora descalcem a bota...

FCPortoSempre disse...

Mas que é que interessa o que está escrito nos regulamentos, goal-average ou diference-goal, Belenenses ou Guimarães. Vale exactamente o mesmo, vale o Benfica na final que era o que interessava, o resto é treta.

PS: Para fazer a figura que o Guimarães vai fazer à Luz e ainda por cima sairem de lá indignados com a arbitragem, no teu lugar MK, preferia mesmo que fosse o Belenenses.

Nelson Santos disse...

Sinceramente, não era mais importante pedir a imediata identificação e despedimento do(s) autor(es) deste regulamento?

Insurrecto disse...

Para a próxima dá exemplos de jornais... e não do record e de espanhóis!

Se quem escreveu goal-average no regulamento queria dizer coeficiente?? duvido. Mas que está lá escrito é um facto! Por isso, Belenenses nas meias.

Cósmico disse...

Mas alguém liga ao regulamento da competição? O próprio Belenenses só se lembra do regulamento quando precisa do mesmo para arranjar alguma artimanha...

Luciano Rodrigues disse...

MK, obrigado pela nota.

Pá, como já falei com vários amigos vitorianos inclusívé, é quase irrelevante quem vai as meias. Isto só tem uma solução, é a Liga admitir a anormalidade, demitirem-se os responsáveis e a Liga assumir responsabilidades, ou seja, dizer quem vai à meia-final e indemnizar no mesmo valor (receitas de bilheteira + prémios) o outro. É o que acontece a todos nós no nosso trabalho. Fazemos asneira, pagamos. E o regulamento está errado, essa é que é a verdade. E a verdade é que todos os regulamentos falam de "goal-diference". Por algum motivo é.

Um abraço e de novo obrigado pela mensagem pá.

master kodro disse...

Não, luis, passa o Belenenses porque é importante que seja utilizado um critério que não se usa no futebol desde 1977.

Vai dizer isso (a primeira frase)ao teu parceiro de agremiação, Pedro. A isso chama-se espírito da lei e foi o que a Liga invocou.

Eu perdi a vontade de ir, FCP e Cósmico.

Ao contrário de ti (aparentemente), eu prefiro resolver a questão primeiro, Nelson Santos e avançar para a fogueira depois. É que é já a 4 de Fevereiro.

Para a próxima cito jornais (ou a ti se preferires) em vez de citar a Marca, Insurrecto.

Esta guerra é mais de quem a trouxe à baila do que nossa, já viste, Luciano? Ao contrário do que querem fazer crer. Um abraço e renovo os meus votos. Isso é que é importante, amigo virtual.

Cósmico disse...

Eu por mim também abdicava de ir às meias, aliás, se é por isto e por outras coisas que já se passaram este ano (e não estou só a falar da direcção vergonhosa e treinador medroso que representam o Vitória). Só apenas acho que é muito feio criticarem o que quer que seja quando nós próprios cometemos os mesmos erros. Tem de mudar tanta coisa em Portugal, não só ao nível do futebol como do Desporto em geral, Política, cultura, etc etc

Vimaranes disse...

Excelente post master. Sobre a polémica já dei a minha opinião no blogue. E aproveito para pedir já que, na próxima edição escolham, logo no início da temporada, a final que querem. E sejam felizes para sempre.

cparis disse...

mk,

Já te respondi aqui, mas como andas sem tempo, deixo-te aqui o mais relevante:
Não sou eu o culpado de se usar um critério que não se usa há mais de 30 anos. Quem o colocou no Regulamento é que convinha explicar porque o fez? Seria para se aproveitar dele em caso de necessidade? Sabendo que a equipa do presumível autor é das defesas menos batidas na prova, talvez fosse essa a intenção, ou não?
Pelos vistos é tudo uma questão de fé, aliás só pode, porque o factual é por demais evidente.

master kodro disse...

Boa, cparis. O gajo quando escreveu o regulamento já sabia que a equipa que tu dizes que é a dele ia sofrer poucos golos na competição. Como é que isso nos escapou a todos?...

Yanez de Gomera disse...

Pequeno contributo semântico à discussão. Fico completamente parvo quando leio que o que importa é o que está escrito, ou seja a letra da lei, que escrito assim nem vale a pena pensar que o “legislador” tinha outra ideia em mente quando escreveu aquilo. Bem-vindos à era em que só vale a intrepretação literal, pensava que era uma coisa típica do islamismo, mas parece que afinal em Portugal é o normal.
Contra esse argumento ridículo de que se deve seguir apenas e tão somente a letra da lei, basta dar dois exemplos:
1) a faixa BUS em qualquer estrada significa que é uma faixa de rodagem apenas para autocarros e táxis. Isto é oficial, vem no código da estrada. Contudo, “bus” vem de “omnibus”, que significa “para todos”. O que não é o caso da faixa BUS. Aí ninguém pensa que é literal, mas há-de haver um portuga um dia a discutir isto num tribunal.
2) este que tem mais que ver com o caso de “goal average”. Em Portugal, por influência inglesa, usa-se a palavra “ratio” no sentido de proporção, como no caso “ratio professor/aluno”. Esta expressão é mesmo usada em leis, decretos e despachos, portanto em actos legislativos, como qualquer um pode ver procurando no google. Ora, em mais de 2000 anos de latim, “ratio” nunca teve o sentido de proporção (muito raramente pode ser cálculo, mas não no sentido que lhe damos em português e inglês) e no entanto não passa pela cabeça de ninguém pensar que “ratio professor/aluno” possa indicar “razão professor/aluno” ou “argumento professor/aluno” ou “explicaçãoprofessor/aluno”.
Um pouco mais de abertura não fica mal a ninguém. Eu, pela minha parte, confesso que até há alguns dias, pensava que em Portugal e para os portugueses, “goal average” significava “diferença de golos”, apesar de saber o significado de average. Há tantos exemplos de palavras inglesas cujo sentido é modificado em português... graças aos magníficos intérpretes da lei aqui da caixa de comentários e de outros blogues fiquei a saber que se um dia, numa sala de tribunal, alguém apresentar um alibi (outra palavra com significado completamente modificado) dizendo “não matei ninguém, porque à hora do crime era hora do lanche e estava no café”, o colectivo de juízes, os advogados, todos, mas todos, entenderão essa “hora do lanche” como por volta do meio-dia...

master kodro disse...

São os puristas, Yanez. Eles "andem" aí. Mas só pregam, não praticam, acredita. Obrigado pelo contributo.

Vimaranes disse...

Parabéns ao Yanez pelo fantástico comentário.

Gabriel disse...

A Liga é incompetente, escreveu num regulamento algo que não sabe o significado e isso é grave.

Ironic Mode On
Aproveitando a ideia do Sr. Rui Moreira, o Porto não vai às meias finais e vão as 2 equipas que estão em contenda pela veracidade dos regulamentos,
Ironic Mode Off

Jorge disse...

MK

Concordo contigo na parte que toca ao espirito da lei, nao sei suficientemente de lei para dizer o que vale, mas faz sentido e e perfeitamente razoavel que a intencao com que o regulamento foi escrito conte para alguma coisa, especialmente tendo em conta que a priori toda a gente envolvida o interpretou da mesma forma e actuou em conformidade.
Agora, com o que nao concordo e que a Liga seja incompetente e tente branquear a incompetencia com desonestidade.
Pode ser que infelizmente seja verdade que, como mencionas, toda a gente em Portugal tenha usado o termo de forma estupidamente errada. Estupida porque ao contrario de hat-trick se se pensare no significado das palavras e facil inferir que nao se refere a qualquer diferenca de golos. Mas mesmo assim deve-se exigir mais das pessoas que escrevem os regulamentos de uma competicao da LPFP e nao se pode aceitar que a ignorancia faca lei.
Mais grave e a forma como a LPFP tenta evitar problemas sem assumir o erro:
"A referida expressão "goal-average" reporta-se à diferença entre golos marcados e sofridos; tal corresponde ao entendimento comum na linguagem corrente do futebol"
"Sendo certo que, actualmente, em todas as competições internacionais, a referência ao "goal-average" expressa a diferença entre golos marcados e sofridos."
Estas afirmacoes sao erradas, mentirosas e desonestas. Em qualquer desporto, desde o Hoquei sobre o gelo ao futebol australiano, e em qualquer pais aonde a lingua oficial seja o ingles, desde os EUA a Australia, a expressao "goal average" nao se refere a diferenca de golos, nem agora nem ha 100 anos.

Jorge disse...

Yanez

Percebo o teu argumento mas os exemplos do Bus e do Ratio nao teem nada a ver com esse argumento.
Bus e Ratio sao palavras com sentido e utilizacao claros, a origem das palavras perdeu-se e tem pouco a ver com o sentido dessas palavras como em muito outros casos.
Podias talvez referir como exemplo o caso da palavra football, que em inglaterra quer dizer uma coisa e nos EUA quer dizer outra, mas sao dois paises aonde o ingles e a lingua oficial e ha varias palavras com significados claros mas diferentes nos dois paises.
Lanche e uma palavra portuguesa com um signifado proprio e diferente de lunch. "Goal average" nao e uma expressao portuguesa, e uma expressao inglesa com um significado proprio. Se daqui a uns anos tivermos uma palavra portuguesa golaverage que signifique diferenca entre golos marcados e golos sofridos nao havera discussao, mas nao e esse o caso.
Mas mais uma vez, tendo em conta que ate o Belenenses actuou de acordo com a interpretacao errada da expressao, nao deveria haver alteracao das meias-finais, mas umas valentes demissoes justificam-se, e em numero proporcional aos dias em que insistirem no erro.

Ricardo disse...

Para mim, mais do que ao gajo que escreveu o regulamento (que, todos sabemos, escreveu-o com base no espírito da lei e não para que a mesma fosse entendida literalmente), devemos apontar críticas aos responsáveis do Belenenses que acharam legítimo vir com esta novela mexicana. Toda a gente sabe que "goal-average", tal como a usamos, significa a diferença entre golos marcados e golos sofridos e não a divisão entre os dois. O que nem toda a gente sabia era que os dirigentes belenenses, vendo o seu clube fora da competição, iam arranjar estratagemas totalmente ridículos para continuarem em prova.

Se podem ter razão, visto que, no regulamento, está escrito "goal-average" e não "goal-difference"? Podem. Imbecilmente, podem.

Moralmente, não.

(O mais curioso é que, no futebol português, a roldana não pára pelo simples motivo de que há sempre alguém que acha que foi lesado anteriormente. Já por algumas vezes pensei no Belenenses como alvo de perversas maquinações (como nos casos em que a equipa adversária, sabendo da situação irregular de um jogador azul utilizado, achou por bem, não dizendo nada antes, depois do jogo apresentar queixa. Com este historial, pelos vistos o Belenenses decidiu vingar-se. E a roldana não pára...)

master kodro disse...

Concordo contigo, Jorge, na questão da Liga. Por ter a opinião que tenho (para efeitos da decisão que terá que ser tomada, de preferência com celeridade), não deixo de achar que a Liga (que, em última análise, é a entidade responsável e isso implica todos os clubes, incluindo Belenenses e Vitória, não nos esqueçamos desse pormenor) actuou de forma pouco cautelosa e respondeu de uma forma pouco responsável (e mentirosa, dizes bem, no ponto dos regulamentos internacionais) na resposta. Ficava bem um pedido de desculpas e uma resposta que se limitasse a focar o espírito da lei.

Agora a questão de estes regulamentos terem sido aprovados pelos clubes (presumo que o foram) conjugada com a opinião generalizada de que têm que rolar cabeças, leva-me a uma questão:

Demite-se, para além de pessoal da Liga, um de cada clube dos que votaram?

Estou só a brincar, mas acho que a questão das responsabilidades e das fogueiras é mais complexa do que parece à primeira vista. Principalmente quando há coisas mais importantes a tratar como por exemplo saber quem é que vai jogar na Luz no princípio de Fevereiro.

naoliveira disse...

Prontos, a ver se a gente nos entendemos, eu axo que pelas regras da tassa da liga o Belenenses têm razão pelo entendimento das peçoas não tem.

PS: O parágrafo anterior pelas regras da língua portuguesa tem erros ortográficos pelo entendimento das pessoas não tem... Agora escolham!!!!!!!!!

master kodro disse...

naoliveira, o regulamento não tem nenhum erro ortográfico. Estamos a falar de letra da lei, espírito da lei, tradição e costume, não de erros ortográficos.

Pedro disse...

Uma coisa é certa, à conta do Belem uma carrada de regulamentos e leis do nosso futebol têm sido discutidas e debatidas em praça pública.
:)

Yanez de Gomera disse...

Jorge:
“Se daqui a uns anos tivermos uma palavra portuguesa golaverage que signifique diferenca entre golos marcados e golos sofridos nao havera discussao, mas nao e esse o caso.” Por que é que não é o caso? Na tua opinião, quando é que passa a ser o caso? Quando alguém a meter num dicionário? Não me parece que seja esse o critério. Não é que nos anos 60 ficaram todos à espera em Portugal que o dicionário decidisse que álbum passava a designar LP em vez de um livro com páginas brancas (album em latim é branco) ou que single fosse um disco e não um estado.
Há pelo menos 30 anos que leio nos jornais essa expressão com o sentido de “diferença de golos” dita por toda a gente com sotaque português (mesmo quando todos sabemos como se pronuncia em inglês). Há portanto um USO, mais antigo do que o uso da palavra angolana “bué”. Parece-me que os exemplos do MK mostram claramente que o uso é por demais consagrado. De qualquer maneira para te mostrar que o uso já existe há muito tempo, eis aqui um texto, imagina, de 1998, onde um dos exemplos é precisamente o goalaverage. Repara que o autor do texto, tradutor e intérprete, dá um exemplo semelhante (uma palavra inglesa com um sentido em inglês e outro em português): maple.

http://www.ciberduvidas.pt/controversias.php?rid=1086

último! disse...

Independentemente das razões que qualquer um dos lados tenha, parece-me legitimo que o Belenenses lute pelo lugar até porque a liga quer justificar o erro com o senso comum e não com o que está escrito.

"Épa nós enganamo-nos mas todos sabiam o que queriamos escrever"

Jorge disse...

Yanez
O exemplo do maple como o de tupperware ja fazem mais sentido.
E como disse concordo que uma vez que antes e durante a competicao todas as partes envolvidas tiveram a mesma interpretacao dos regulamentos, nao me parece que faca sentido ou mesmo que seja justo reinterpretar os regulamentos a posteriori.
Em termos linguisticos faz-me confusao, em primeiro lugar, que no contexto tecnico do futebol se importe uma expressao dando-lhe um sentido diferente daquele que ele tem no resto do mundo tanto no futebol como em muitos outros desportos.
Em segundo lugar, no caso particular de "goal average" esta expressao e composta por duas palavras com um sentido claro tanto em ingles como na sua "interpretacao portuguesa." Nao faz por isso sentido que se junte "media" e "golos" e se obtenha diferenca de golos.
Como se pode ver, o uso desta expressao nao facilita a comunicacao o que ira contra o seu objectivo.

naoliveira disse...

master kodro, não entendeste o que quis dizer, apesar de toda a gente dizer "prontos" e "a gente nos entendemos" isso continua a estar errado pois oficialmente deve-se dizer "pronto" e "nós nos entendemos".
É evidente que quem fez o regulamento se enganou e agora o clube que tem razão, perante o que está escrito deve ficar calado?
ainda assim o mais grave neste caso é que seja qual for o seu desfecho, não vão rolar cabeças, ou seja ninguém é chamada à responsabilidade. Isto é que é grave.

Jorge disse...

Yanez:

Esse nome nao me e estranho... Sandokan?

Dom Mikelem I disse...

Tanta coisa, tanta coisa e "goal average" significa Média de Golos, e não o nº de golos marcados a dividir pelos sofridos... (isso não é média nenhuma) se quiserem calcular a média de golos, têm de dividir os golos marcados pelo nº de jogos. Pasteis de Belém: aprendam matemática e inglês!

naoliveira disse...

Dom Mikelem, porquê os golos marcados? Porque é que não os sofridos? Ou será que é a média dos marcados a dividir pela dos sofridos?

"e não o nº de golos marcados a dividir pelos sofridos... (isso não é média nenhuma)"
é sim senhor, uma média de 2 significa que para cada golo sofrido a equipa marca 2 golos...

Dom Mikelem I disse...

Então nesse caso, a interpretação de "goal average" é a média de golos marcados por cada golo sofrido, nunca ouvi nem vi... E já que estão numa de interpretar a expressão, "goal average" é média de golos e ponto final. Nem é a média de golos marcados por cada sofrido, nem é a média de golos por jogo, é uma neblina que paira no ar...

Peska disse...

Caros bloguistas

Como Vitoriano que sou, posso-vos garantir que para nós é igual ao litro se vamos ou não à meia-final.
O que me causa estranheza é toda esta gente pedir a cabeça do legislador...Pelo amor de Deus!
Toda a gente chama à diferença de golos goal-average. TODA!
Se tivessem o mesmo "rigor" com tudo o que rodeia o nosso futebol português, posso garantir que TÍNHAMOS O MELHOR CAMPEONATO DO MUNDO!
Mas vá...fiquem com a bicicleta!

naoliveira disse...

dom mikelem
"a interpretação de "goal average" é a média de golos marcados por cada golo sofrido, nunca ouvi nem vi"
O facto de nunca teres ouvido não implica que esteja errado, uma média é sempre relativa à unidade, ou seja se tu comeres 1 frango e eu não comer nenhum a média dá 1/2 frango para cada um de nós, certo?

Peska
o facto de toda a gente fazer/dizer uma coisa não implica que isso esteja correcto, para ti um legislador fazer um erro deste (e, mais grave vem dizer que tem razão)não é motivo para sanção?!?!?
E só é pena que não haja o rigor que a tua mensagem apregoa, porque se houvesse de certeza que quer o Belenenses, quer o Guimarães, quer outros clubes já tinham ganho mais coisas, para além dos 3 do costume.
Falas em excesso de rigor, o ano passado tiraram 6 pontos ao Belenenses por causa de um jogador ter jogado 8 minutos por um clube, e ainda por cima o erro também foi da Federação que também não conhecia os regulamentos.

Pedro disse...

Eu gostava de saber qual o 'goal average' de uma equipa que marca 1 golo e não sofre nenhum. E também gostava de saber até que ponto esse mesmo 'goal average' será melhor do que o de uma equipa que marca 10 e golos e também não sofre nenhum.

Por outro lado gostava de saber por que é que se tem de entender a expressão por rácio entre golos marcados e golos sofridos. Se quer levar a expressão à letra temos média de golos e mais nada. Pode ser média de golos por jogo, média de golos por dia, média de golos por hora, média de golos marcados por golo sofrido, média de golos por espectador, média de golos por seja lá o que for. Ora se é impossível apenas pela tradução literal do termo definir como se calcula essa média, a única solução é apelar para o uso geral dado ao termo. E esse parece-me fácil de determinar, basta ler textos actuais da FIFA, UEFA, FPF e Liga, onde se usa a expressão~.

Muito sinceramente nem percebo a polémica.

Pedro Abreu

Kwame Ayew disse...

O que é certo é que o Belém, para clube vítima do sistema, até que não domina mal os jogos de secretaria...

Ainda não conseguiu perceber bem aquela história do jogador não ser usado 3 vezes na mesma época, mas no resto, conhecem leis como ninguém!

matrafisco disse...

Pedro Abreu,

* o "goal-average" TENDERIA para infinito, o que daria vantagem dessa equipa sobre qualquer outra que tivesse sofrido golos e tivesse o mesmo número de pontos.

* não seria melhor. nessa altura entraria o critério seguinte de desempate que pela norma (e pela lógica), será o número de golos marcados.

* tem de se entender como a FIFA consagrou a sua aplicação no meio futebol (não estou a falar do uso em frases contextualizadas, ex: "...goal average by match..."), em que não estamos a falar da mesma coisa. filosofar sobre o seu cálculo dessa maneira é puro uso de retórica. por alguma razão a norma foi abandonada.

*a polémica (neste caso) está no uso corrente que a expressão tem em Portugal, e num regulamento de competições da lpfp que (querem-nos fazer crer) consagra duas expressões diferentes para diferença de golos, sendo uma delas essa: "goal-average".

cumprimentos,

Pedro disse...

Matrafisco. Obrigado pela explicação, mas estava a ser irónico e estava a tentar provar o absurdo do critério. É evidente que QUALQUER número de golos divido por zero resulta infinito e portanto não pode ser comparável. Terá sido aliás essa uma das razões do abandono do critério.

Estava a tentar também demonstrar que a tradução literal também não resulta num critério completo. No limite, e uma vez que 'média de golos' não especifica se são marcados ou sofridos, teriam de ser incluídos todos os golos registados nos jogos em que jogaram as equipas. No caso do Vitória seriam 5 e no do Belenenses apenas 3. Se dividissemos esses golos por jogo, minutos ou número de jogadores em campo a média do Vitória seria sempre superior.

Além do mais a divisão do número de golos marcados pelos golos sofridos resultaria não numa média mas numa taxa. Isto é a taxa de golos marcados em função dos golos sofridos ou dos golos totais. 60% no primeiro caso e 133% no segundo caso para o Vitória e 66% no primeiro caso e 200% no segundo para o Belenenses. Em ambos os casos superior no caso do Belenenses. Só que aqui a expressão seria qualquer coisa como 'goal rate' ou outra do género.

Estas contas da 'tanga' apenas para dizer que a tentativa de se 'agarrarem' à tradução literal do termo também não colhe. E também não faz sentido dizer que na década de 70 ela queria dizer determinada coisa, pois faz muito mais sentido que sendo a expressão usada nos dias de hoje seja usado o sentido em que hoje é usada comummente.

cumprimentos.
Pedro Abreu

Dom Mikelem I disse...

naoliveira:

Agradeço a analogia ao tema da Média, mas felizmente não necessito de tal, uma vez que tive Estatística até ao 3º ano. Em relação à interpretação: Se por acaso a tal história da diferença de golos marcados e sofridos (que toda a gente assumiu) não for confirmada, então passamos a discutir o significado literal de "goal average". Os pastéis entendem que são os golos marcados a dividir pelos sofridos... ou seja: a média de golos marcados por cada um sofrido, outros podem entender de forma diferente, por exemplo média de golos por jogo...etc (como diz á frente o Pedro).

Fredy disse...

os velhos por exemplo que vivem futebol à anos nem sabem o que quer dizer em português goal-average..eles o goal se calhar ainda chegam ao golo..mas eles lá sabem que average é média em portugues!!

esta expressao sempre foi usada como diferença de golos por TODA a gente desde sempre! e quem disser o contrário é um mentiroso e hipócrita!

e mais nada lol

matrafisco disse...

Pedro e Dom Mikelem I,

sim, podia-se discutir o calculo do "goal average". deve fazer sentido. ou isso, ou usar a formula que a FIFA consagrou, sei lá... essa é que nunca foi usada certo?

Fredy,

TODA a gente? mesmo? eu uso, admito, mas se a FIFA não usa, não achas que haverá pelo menos, sei lá, TODA a comunidade anglófona que não usa?
então porque é que raio o "goal-average" foi abandonado nos regulamentos (excepto estes claro), e a lfpf usa outro termo na liga Sagres e na liga Vitalis?

Jorge disse...

La esta Matrafisco, tanto tu como eu somos mentirosos e hipocritas.

cparis disse...

O gajo quando escreveu o regulamento já sabia que a equipa que tu dizes que é a dele ia sofrer poucos golos na competição. Como é que isso nos escapou a todos?...

Da mesma forma que escapou que o que estava escrito era goal average e não diferença de golos?
Porque o que realmente ninguém consegue explicar é porque se usou um termo que não é usado em mais lado nenhum há mais de trinta anos.
E mais, querem fazer-me acreditar que se usou essstas palavras para significar a mesma coisa que está nos outros regulamentos. Se era para significar o mesmo porque se mudou? Pedantismo?

P.S. Yanez, quando vir escrito tupperware e maple num decreto-lei ou num qualquer regulamento posso considerar dar-te razão. Neste momento o que tenho é a proposta de utilização de um termo (goal average) de forma completamente inovadora e em sentido contrário ao que ele foi usada no passado. Se achas isto comparável ao que se passou com o maple, o problema ultrapassa-me.

Fredy disse...

mata, tamos a falar em portugal. o que passa lá fora é indiferente! apesar de mesmo lá fora quem usa o termo usa da mesma forma que todos nós portugueses usamos até aparecer este caso.

WhiteShadow disse...

Caro master kodro, como a sua opinião conincide em muito com a minha, convido-o a ler também a minha opinião sobre o caso, expressa no Paixão Vitoriana. É que até a FIFA e a UEFA, em crónicas, usam a expressão goal-average para designar diferença de golos!

Pode ler aqui: http://paixaovitoriana.blogspot.com/2009/01/o-caso-do-goal-average.html