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quarta-feira, abril 24, 2013

Com João Capela é limpinho

Ponto prévio: eu acredito em coincidências. João Capela apitou 8 jogos oficiais do Benfica, que valeram 7 vitórias e 1 empate aos encarnados e uma diferença de golos de 15-0. Sim, em 8 jogos apitados por João Capela, o Benfica não sofreu qualquer golo. Não consigo imaginar porquê.

quinta-feira, maio 03, 2012

O legado de Vieira, Jesus e Costa

O sucesso desta tripla pode ser medido em várias vertentes, mas existe uma que tem reflexos inclusivamente na selecção nacional, para além de um significado interno que poucos querem reconhecer: o Benfica empregou apenas 3,13% do tempo de utilização disponível com jogadores portugueses, em 28 jornadas da liga portuguesa. É uma utilização de cerca de um terço de jogador português por jogo. Muito se teoriza sobre a inevitabilidade desta condição, contudo uma análise mais vasta à utilização de portugueses por parte dos clubes da liga mostra a enorme distância a que os outros clubes se encontram: Porto e Marítimo estão nos 18%; o Sporting nos 26%; o Braga nos 38%. Pode haver uma tentativa de indexar esta percentagem ao rendimento desportivo (de facto os dois primeiros estão abaixo dos 20%), mas os 23% da União comparados aos 67% do Beira-Mar ou os 33% do Vitória ao lado dos 24% do Nacional mostram que não se trata de uma correspondência directa ou decisiva (existem mais 7 equipas com percentagens entre os 36 e os 68% e a excepção Marítimo com 18%).

O drama desta realidade, para lá das consequências para a selecção, está em questões de identidade e de respeito para com a história do clube - algo que se estende ao Porto, embora, neste caso, a realidade seja ligeiramente diferente. Estamos a falar do oposto do que Vieira diz defender. Não basta olhar para a história e promovê-la; é preciso aprender com ela. E a história diz que o Benfica jogou a final da Taça dos Campeões em 1988 com 7 portugueses no onze; a história diz que o Benfica jogou a final da Taça dos Campeões em 1990 com 6 portugueses no onze, já para não falar nas conquistas de 60, com outro enquadramento.

Juntando a realidade do Porto (que com 18% de utilização segue um caminho idêntico, com as mesmas repercussões), a Taça dos Campeões de 1987 foi ganha com 8 portugueses no onze e a Liga dos Campeões de 2004 (há apenas 8 anos) com 9 portugueses de início (e poucos meses depois metade dessa equipa foi a base da selecção que ficou em segundo no Europeu).

Está na hora de alguém perceber que há variáveis como o sentimento, como o compromisso com uma camisola e um símbolo, como a mecanização de uma estrutura e de relações entre jogadores que dezenas de milhões de euros não compram (e que não pesam no passivo e muito menos nos montantes - mais de 400 milhões - que a SAD do Benfica construiu nos últimos anos). Quando perceberem isso, dirigentes e adeptos do Benfica (e dos outros) vão deixar a triste (e falsa) ladainha dos árbitros e assumir as suas próprias responsabilidades e, com sorte e trabalho, voltar a finais da Champions e, aí sim, respeitar a história do clube.

master kodro

domingo, janeiro 22, 2012

Jogadores locais em vias de extinção?

Dizia-me alguém que era uma fatalidade, um destino traçado pelo acórdão Bosman e que o caso português era apenas um exemplo de vários por toda a Europa, em que a qualidade é mais importante para todos do que as ligações naturais (incluindo adaptação e continuidade). O exemplo português era o seguinte: os três primeiros classificados da liga portuguesa, nas primeiras 15 jornadas, usaram, em conjunto, 2 jogadores portugueses sub-23 (Nélson Oliveira, 13 minutos, e Pizzi, 178 minutos); em 15 jogos, o Benfica utilizou 2 jogadores portugueses (Oliveira e Amorim), o Porto usou 4 (Rolando, Moutinho, Micael e Varela) e o Braga utilizou 7 (Quim, Nuno André Coelho, Custódio, Viana, Barbosa, Nuno Gomes e Pizzi). E os primeiros do resto da Europa? Temos que ver como se comportam pois são os clubes que podem comprar quem quiserem no planeta.

Serie A Em Itália, confirma-se a tendência de não se apostar em jovens italianos. Os três primeiros, Juventus, Milan e Udinese deram, em conjunto, como os clubes portugueses, utilizações secundárias, ridículas, apenas a 3 jogadores sub-23 italianos, Marrone, Battochio e Fabbrini. No entanto, quando chega a hora da utilização de jogadores italianos, as coisas são um pouco diferentes: a Juventus usou 16 italianos, o Milan utilizou 13 e a Udinese 7.

Premier League Um dos exemplos usado para ilustrar o fim do jogador local foi o Tottenham (estranhamente, dado que se trata de um regular fornecedor da selecção inglesa, mesmo quando esta passou tempos duros por não haver base de recrutamento a jogar ao mais alto nível). O "exemplo" usou até agora, na liga inglesa, 10 jogadores ingleses, 3 deles sub-23 ingleses (Kyle Walker, que é titular indiscutível, Jake Livermore e Danny Rose), e qualquer deles jogou mais tempo do que Pizzi e Nélson Oliveira juntos. O Manchester City que compra tudo o que mexe, às dezenas de milhões de euros de cada vez, usou 8 ingleses, sendo um deles sub-23, o titular Micah Richards. O United usou 14 jogadores ingleses, sendo 7 destes sub-23 (Jones, Evans, Welbeck, Smalling, Cleverly, Fryers e Keane). Portanto nos três primeiros classificados foram utilizados 11 ingleses sub-23, que fizeram, em conjunto, 122 jogos, sendo que 6 são utilizados com enorme regularidade.

Ligue 1 Em França optei por retirar todos os jogadores com dupla nacionalidade (porque não queria perder tempo a ver em que selecção jogavam). Do universo dos 3 primeiros, PSG, Montpellier e Lille, tirei mais de 5 jogadores, muitos deles sub-23. Qual foi o resultado final, mesmo assim? O PSG utilizou 12 jogadores franceses (sendo 2 deles sub-23, Sakho e Bahebeck, durante 1006 minutos). O Montpellier usou 15 franceses, 7 deles sub-23 (Yanga-Mbiwa, Bocaly, Cabella, Stambouli, Tinhan, Fana e Fodé Koita), dando a estes últimos 2849 minutos. Por fim, o Lille quase ignora o sub-23 francês (deu apenas 96 minutos de utilização a Rodelin), mas utilizou 9 franceses.

La Liga É a melhor liga do mundo. Não choca dizer que tem as duas melhores equipas do mundo. Muita gente defende mesmo que tem a melhor equipa da história do futebol. O que é que faz, garantidamente, uma das melhores equipas da história do futebol? Usa 13 espanhóis, 5 dos quais sub-23, um chama-se Busquets (os outros Cuenca, Fontas, Thiago Alcântara e Deulofeu). Todos juntos fizeram 2534 minutos. O Real, provavelmente para combater isto (e falhar até agora), porque não costuma ser assim, não usou sub-23 espanhóis. Mas usou 7 espanhóis (mais do que Porto e Benfica juntos relativamente aos portugueses). O Valência, terceiro, para além de usar 13 espanhóis, deu 3088 minutos a 6 jogadores sub-23 que podem representar a selecção: Jordi Alba, Alcacer, Bernat, Canales, Parejo e Victor Ruiz.

Bundesliga Para terminar, o verdadeiro exemplo. Estava há pouco a discutir na caixa de comentários se o Caetano era bom ou não para jogar no Paços. Se os portugueses são ou não são bons. Na dúvida nãos e utilizam e ficamos sem saber. Na Alemanha, na dúvida, utilizam-se os jogadores alemães, os jovens jogadores alemães e ganham-se fornadas atrás de fornadas de selecções de topo mundial. Muitos já são estrelas do futebol mundial. Porquê? Só porque são todos muito bons? Porque são melhores do que os outros? Não. Porque jogam. É impressionante: no Bayern, jogaram 8 alemães, 6 dos quais sub-23 a quem se deram 5638 minutos (Boateng, Contento, Badstuber, Thomas Muller, Kroos, Petersen); no Moenchengladbach jogaram 9 alemães, 7 dos quais sub-23, a quem foi possível jogar 7200 minutos (Stegen, Zimmerman, Jantschke, Herrmann, Rupp, Marco Reus e Neustadter); no Dortmund jogaram 11 alemães, dos quais 8 sub-23, que jogaram 7293 minutos (Hummels, Lowe, Schmelzer, Leitner, Gotze, Grosskreutz, Gundogan e Bender). Como a jornada ia a meio e podia não ficar com os 3 primeiros, fiz também o Schalke: 9 alemães, dos quais 7 sub-23, com 5813 minutos.

Os exemplos Resumindo, os três primeiros de Portugal usaram 13 portugueses. Os de Itália usaram 36, os de Inglaterra 32, os de França 36, os de Espanha 33 e os da Alemanha 28. Quanto aos sub-23 locais, 2 em Portugal, 3 em Itália, 11 em Inglaterra, 10 em França, 11 em Espanha, 21 na Alemanha. São campeonatos menos competitivos ou com menos qualidade do que o português? Bosman? O acórdão sobre jogadores comunitários (que quase não temos)? Experimentem todas as outras perguntas agora. Juntem-lhe os valores crescentes dos passivos e dos emprésimos bancários das maiores SAD, as fases finais de juniores jogadas por estrangeiros e vão ver como isto vai ser lindo.

master kodro

sábado, janeiro 21, 2012

Os 50 sobreviventes

Apresentamos a lista dos 50 jogadores sub-23 portugueses a quem ainda é permitido jogar na primeira liga do seu país, depois de decorrida meia competição, ou seja 15 jornadas. Atenção que não estamos a falar (só) de juniores ou ex-juniores. São jogadores que tinham, no máximo, 23 anos em 31 de Dezembro de 2011. 23 anos. Alguns não têm sequer 100 minutos de utilização, outros já foram vendidos, a maior parte deles são absolutos desconhecidos do público em geral. Porto e Vitória são os dois clubes que não dão 1 único minuto de jogo a jogadores com estas características (o que é particularmente interessante, sabendo que são duas das mais importantes fontes da formação nacional). Destaque ainda para a preferência dos clubes não-grandes para valorizarem os jovens jogadores dos clubes grandes. É isto que os clubes querem para o seu futuro: os que têm não apostam; os que deviam apostar para ter fontes de rendimento preferem valorizar os dos outros. No total, o tempo utilizado por clubes da primeira liga com portugueses sub-23 é de 10,34%. Aqui ficam os heróis, por clube e minutos totais:

Benfica (13) Nelson Oliveira
Porto (0)
Braga (178) Pizzi
Sporting (2540) Rui Patrício, Carriço, André Santos, André Martins, Pereirinha
Marítimo (1105) João Diogo, Ruben Ferreira
Vitória G. (0)
Académica (2264) Cédric, Flávio Ferreira, Adrien
Olhanense (2939) André Micael, André Pinto, Wilson Eduardo, Salvador Agra
Nacional (1945) Luís Neto, João Aurélio, Candeias
Beira-Mar (3111) Bura, Yohann Tavares, Joãozinho, Jaime, Tiago Barros, Ricardo Dias, Serginho
Gil Vicente (1777) Pedro Moreira, Tó Barbosa, Hugo Vieira
Feirense (2300) Ludovic, Diogo Rosado, Jonathan, Rabiola
Vitória S. (1808) Kiko, Tengarrinha, Pedro Mendes, Rafael Lopes, João Silva
Rio Ave (2247) Rafael, Tiago Pinto, André Dias, Mendes, Yazalde
Leiria (2198) Ivo Pinto André Almeida, Ruben Brígido
Paços Ferreira (1490) Fábio Faria, Diogo Figueiras, Josué, Caetano

ps - Obrigado, Férenc!

master kodro

quarta-feira, outubro 26, 2011

Conspiração Estatística - O lobito esfomeado

Proposta de estudo: pontas-de-lança/avançados-centro, estrangeiros, em ano de estreia na liga portuguesa ao serviço do Sporting, nas dez épocas que antecederam a época de 2011/12. Medido em golos, obviamente, que é o que de essencial se espera de um ponta-de-lança, excepto no caso de alguns filósofos que até pela própria musa são desmentidos.

O provocador: Van Wolfswinkel, o holandês de 22 anos que se estreou em Alvalade esta época e que, no final do 10 .º jogo oficial pelo clube, contra o Vaslui, trazia um saco cheio de 8 golos, sendo um deles obtido através da marcação de uma grande penalidade.

Aviso: este exercício de memória pode ser extremamente penoso para sportinguistas menos preparados psicologicamente (diz o adepto do último classificado da liga).

O exemplo: Nos últimos 10 anos, se pensarmos no Sporting e em golos marcados com consistência, só nos lembramos do nome de Liedson. O brasileiro, na sua época de estreia em 2003/04, marcou 7 golos nos primeiros 10 jogos de leão ao peito, tendo 25 anos na primeira partida. Essa época terminou com 19 golos marcados em jogos oficiais pelo clube.

Os pesadelos: Começa a festa. Lembram-se de Nalitzis? O grego estreou-se na época de 2001/2002, aos 26 anos, sem conseguir marcar qualquer golo nos primeiros dez jogos pelo Sporting. Tiuí, com 22 anos, imitou-o em 2007/2008 e Caicedo, com 21 anos, não fez melhor na época 2009/2010. Nota ainda para Mota, que nem aos 10 jogos conseguiu chegar em 2004/2005 (fez 6 e também não marcou).

As promessas: Deivid (aos 25 anos) marcou 4 golos em 2005/2006 (antes de rumar à Turquia); o bielorrusso Kutuzov (com 22 anos) também marcou 4 golos nos primeiros 10 jogos na época de 2002/2003; por fim, o mais prometedor de todos, Marius Niculae, que com 20 anos de idade, fez sonhar os sportinguistas com 4 golos em 2001/2002.

A banalidade: Purovic (22 anos em 2007/08), Alecsandro (25 anos em 2006/07) e Pinilla (20 anos em 2004/05), chegaram aos 2 golos. Carlos Bueno só marcou 1 golo, nos seus primeiros dez jogos de 2006/2007. Outro que aqui cabe é Koke, o espanhol que só fez 7 jogos e até tem uma marca bem interessante de 3 golos marcados nessas partidas. Mas que, se bem me lembro, não deixou muitas saudades.

Inqualificável: Florent Stephane Sinama-Pongolle. Também, mas não só, pelo preço que custou. Só fez 8 jogos pelo Sporting e marcou apenas 1 golo. De penalty. Num jogo em que já tinha feito um auto-golo… Brilhante.

Os outros: Falcao, com 23 anos, no Porto, estreou-se com números iguais a Wolfswinkel, em 2009/2010, com 8 golos nos primeiros 10 jogos, sendo um marcado de penalty. Lisandro Lopez, a jogar a extremo no início, marcou 4 golos em 2005/2006. David Suazo marcou 3 golos em 2008/09 (um deles após um charuto artístico de Aimar, ao Vitória). Óscar Cardozo, que quer marcar 40 golos esta época, estreou-se com 2 golos nos primeiros 10 jogos, aos 24 anos, na época 2007/08, um deles de penalty. Ninguém, contudo, bate a performance de Benni McCarthy: 11 golos nos primeiros 10 jogos nas Antas, com 8 golos marcados nos últimos 3 jogos da primeira série de 10 que fez pelo Porto. Brutal.

Conclusões: as que quiseres, não foi por isso que fizemos o exercício. Podes olhar para Falcao, para Koke, para Caicedo ou para Cardozo e tirar quatro conclusões distintas. E juntar-lhe uma quinta, pensando nas lesões de Niculae. Agora, que o Wolverine do kovacevic promete muito, isso é inegável.

master kodro

terça-feira, março 08, 2011

Não acham (nem um pouco) estranho?

O Porto lidera um campeonato, que vai na 22.ª jornada, com 11 pontos de avanço sobre o Benfica, com mais 6 golos marcados e menos 12 sofridos do que o seu adversário, tendo mais 3 vitórias e menos 5 derrotas do que o rival e dispõe de vantagem no confronto directo depois de um 5 x 0 na primeira volta.

Ainda assim, há quem defenda que o futebol do Benfica é de muito maior qualidade do que o do Porto (e de toda a gente) e que quem devia estar em primeiro era o Benfica, dada a clara superioridade evidenciada sobre os adversários, incluindo o Porto. Eu aceito todos os argumentos, desde que baseados em algo palpável, onde não cabe - perdão - o conceito do mailindo. Eu acho que uma superioridade tão clara devia estar evidenciada em números complementares aos de cima (que para mim já sao extremamente esclarecedores, mas que pelos vistos não o são para toda a gente).

Eu acho, no mínimo, estranho que uma superioridade tão grande, ao fim de 22 jornadas, produza menos 41 remates do que o ataque do Porto. É uma opinião - aceito - até podem ser remates para o céu, executados do meio-campo (pelo Fernando, de certeza).

Começa a ficar mais estranho que uma superioridade tão grande produza menos remates (9) do que o ataque de um dos piores Sporting 's de sempre - atenção que não está aqui em causa a infabilidade das evidências estatísticas, porque não está a ser defendida, mas sim a subjectividade de quem defende uma superioridade clara, tão clara que supere 11 pontos e 18 golos de diferença.

Mais estranho ainda é que uma superioridade tão clara produza, em 22 jornadas, apenas mais 30 remates do que o ataque do Vitória, pouco mais do que 1 por jogo a mais do que uma equipa que joga devagar e parado, que desespera os seus adeptos pela falta de qualidade (estética) do seu jogo, uma equipa, dizem os especialistas, "sem nível competitivo". Eu acho isto estranho.

Mas há um capítulo estatístico em que o futebol encarnado domina: é nos golos de canto, com 7, mais 2 do que Nacional e Académica e mais 6 do que, por exemplo, Porto e Sporting. Não me consigo lembrar de nada mais espectacular e demonstrador de superioridade do que um golo de canto.

master kodro

segunda-feira, agosto 09, 2010

A supertaça e o sismógrafo

Vitória justa da melhor equipa. O Porto foi superior em praticamente todos os capítulos do jogo; com excelente pressão alta aniquilou a construção benfiquista; explorou bem as alas (onde Amorim e Peixoto estiveram sempre sem apoio); revelou grande eficácia; foi mais forte mentalmente e foi fisicamente mais disponível. Óptimas prestações de Varela e Falcão. Moutinho entrosado e lutador. Hulk entreteve com vários remates próximos da bandeirola de canto; como jogador de futebol, foi pouco interessante.

No lado encarnado, muita gente abaixo do exigível (Luisão, Carlos Martins, Roberto), meio-campo desequilibrado, pouca ligação entre sectores e uma estranha apatia. Jesus, talvez movido pela sua célebre arrogância, inventou (onze nunca testado na pré-época...) e deu-se mal. Fica a lição: nunca, mas nunca, menosprezar o FC Porto.

Embora o troféu tenha sido bem entregue, talvez não seja pior contextualizar o dito cujo, pois não falta quem pretenda retirar deste jogo ilações para o resto da época, fazendo equivaler a Supertaça a um sismógrafo futebolístico. Em primeiro lugar, é ridículo antecipar os acontecimentos de uma longa temporada a partir de um único encontro. Por outro lado, os factos recomendam alguma parcimónia. É ver os dados abaixo, com a correlação "vencedor da Supertaça"-"posterior campeão nacional", tomando a última década como amostra:

2000 Sporting / Boavista
2001 Porto / Sporting
2002 Sporting / Porto
2003 Porto / Porto
2004 Porto / Benfica
2005 Benfica / Porto
2006 Porto / Porto
2007 Sporting / Porto
2008 Sporting /Porto
2009 Porto / Benfica

katanec

quarta-feira, maio 19, 2010

Velhos são os trapos

Os nomes falados para o Sporting vêm com legenda: o plantel precisa de jogadores experientes. É uma ideia que convence muitos adeptos leoninos, diria mesmo que convence a maioria dos adeptos leoninos, para quem o Sporting não ganha, entre outras coisas, porque joga com uma equipa de miúdos. Será mesmo assim?

De acordo com o site zerozero.pt, são estes os 'onzes-tipo' de Benfica, Braga, Porto e Sporting em 2009/10, com base nos minutos jogados no campeonato, tendo entre parêntesis a idade do jogador à data do início da época:

Benfica
Quim (33 anos), Maxi (25), David Luiz (22), Luisão (28), Coentrão (21), Javi (22), Ramires (22), Aimar (29), Di Maria (21), Saviola (27), Cardozo (26)
média de idades 25,09

Braga
Eduardo (26), Filipe Oliveira (25), Rodriguez (25), Moisés (30), Evaldo (27), Vandinho (31), Viana (26), Mossoró (26), Alan (29), Meyong (28), Paulo César (29)
média de idades 27,45

Porto
Helton (31), Fucile (24), Rolando (24), Alves (27), Álvaro (24), Fernando (22), Meireles (26), Belluschi (25), Falcão (23), Hulk (23), Varela (24)
média de idades 24,81

Sporting
Patrício (21), Abel (30), Carriço (21), Tonel (29), Grimi (23), Moutinho (22), Veloso (23), Matias (23), Djaló (23), Liedson (31), Postiga (27)
média de idades 24,81


Equipa mais experiente
Braga 27,45
Benfica 25,09
Sporting e Porto 24,81

Jogadores de 27 anos ou mais
Braga 6
Sporting e Benfica 4
Porto 2

Jogadores de 30 anos ou mais
Sporting e Braga 2
Benfica e Porto 1

Jogadores de 23 anos ou menos
Sporting 7
Benfica 5
Porto 3
Braga zero

Jogadores de 21 anos ou menos
Sporting e Benfica 2
Porto e Braga zero

Que o Braga é a equipa mais experiente parece-me evidente. Que o Sporting tem mais gente entre os 21 e os 23 anos é indesmentível. Por outro lado, com 27 anos ou acima, apresenta o mesmo número de nomes do que o Benfica e mais do que o Porto. Na prática, as diferenças entre Sporting, Porto e Benfica são tão ligeiras que só por facilidade de raciocínio se pode ver aqui um handicap. Tudo se resume a isto: o Benfica é campeão com Coentrão (21 anos), Di Maria (21), David Luiz (22), Javi (22) e Ramires (22). Meia equipa. E são eles, obviamente, que mais dinheiro podem valer nas transferências de Verão.

kovacevic

quarta-feira, março 31, 2010

Com Hulk, tudo seria diferente

1. Recordemos que Hulk perdeu, devido a castigo, nove jogos do campeonato. Período em que o Porto acumulou 18 pontos em 27 possíveis (5V, 3E, 1D). Sem Hulk, o FCP teve uma taxa de aproveitamento de 66,6%. Nos 15 jogos em que Hulk actuou, o Porto venceu 10, empatou 2 e perdeu 3 (incluindo na Luz, mesmo com a presença de super-Hulk), juntando 32 pontos em 45 possíveis. Com Hulk, o FCP teve uma taxa de aproveitamento de 71,1%.

2. Mesmo que Hulk tivesse evitado os empates com Paços de Ferreira, Leixões e Olhanense, e garantisse por si só que o Porto triunfasse em Alvalade (recordo que o FCP perdeu 3-0...), o Porto teria amealhado mais 9 pontos. Ou seja, mesmo que Hulk tivesse jogado nos 9 jogos que perdeu devido a castigo - e o FCP tivesse ganho todos esses jogos - o Porto estaria ainda em segundo lugar, a dois pontos do Benfica.

3. Olhemos agora para outras competições. Sem Hulk, o Porto chegou à final da Taça da Liga, depois de obter três vitórias e um empate. Sem Hulk, o Porto venceu todos os jogos da Taça de Portugal, está praticamente na final e é favorito indiscutível na competição. Com Hulk, o Porto foi humilhado em Londres e afastado da Liga dos Campeões depois de copiosa derrota por 5-0.

katanec

segunda-feira, outubro 05, 2009

Mais um registo histórico

"É preciso recuar 17 anos para encontrar um começo de Liga do Sporting pior do que o actual. A 4 de outubro de 1992, os leões, na altura sob o comando de Bobby Robson, perdiam em Barcelos, diante do Gil Vicente (0-1) e somavam o 12.º ponto desperdiçado em sete jornadas (do Record, adaptado para português)

Depois de Munique, mais um registo histórico.

kovacevic

domingo, outubro 04, 2009

A pressão da bancada é o que resta ao Sporting

Facto: vencendo hoje o Belenenses, o Sporting conquista 62 por cento dos pontos disputados nas primeiras sete jornadas.

Nos últimos 14 campeonatos, todos a três pontos por vitória, nenhuma equipa foi campeã amealhando 62% ou menos dos pontos disponíveis. Nem o Benfica de Trapattoni, genericamente considerado o pior campeão de sempre.

Desde 95-96, um desempenho de 62% resultou na seguinte classificação final:

- duas vezes o segundo lugar
- quatro vezes o terceiro lugar
- oito vezes o quarto lugar

A mim parece-me preocupante, principalmente com o Braga onde está, mas eu sou o pessimista do costume, já se sabe.

Nesta fase, o problema do Sporting não é exclusivamente exibicional, é também de resultados. E a pressão dos adeptos é tudo o que resta.

Nem duzentos textos amigos como este ou este, com outras tantas desculpas, depois de um par de vitórias sobre o penúltimo do campeonato holandês e o último da campeonato alemão, juntamente com triunfos caseiros tangenciais na Liga Sagres, vão alterar a realidade.

kovacevic