domingo, janeiro 22, 2012

Jogadores locais em vias de extinção?

Dizia-me alguém que era uma fatalidade, um destino traçado pelo acórdão Bosman e que o caso português era apenas um exemplo de vários por toda a Europa, em que a qualidade é mais importante para todos do que as ligações naturais (incluindo adaptação e continuidade). O exemplo português era o seguinte: os três primeiros classificados da liga portuguesa, nas primeiras 15 jornadas, usaram, em conjunto, 2 jogadores portugueses sub-23 (Nélson Oliveira, 13 minutos, e Pizzi, 178 minutos); em 15 jogos, o Benfica utilizou 2 jogadores portugueses (Oliveira e Amorim), o Porto usou 4 (Rolando, Moutinho, Micael e Varela) e o Braga utilizou 7 (Quim, Nuno André Coelho, Custódio, Viana, Barbosa, Nuno Gomes e Pizzi). E os primeiros do resto da Europa? Temos que ver como se comportam pois são os clubes que podem comprar quem quiserem no planeta.

Serie A Em Itália, confirma-se a tendência de não se apostar em jovens italianos. Os três primeiros, Juventus, Milan e Udinese deram, em conjunto, como os clubes portugueses, utilizações secundárias, ridículas, apenas a 3 jogadores sub-23 italianos, Marrone, Battochio e Fabbrini. No entanto, quando chega a hora da utilização de jogadores italianos, as coisas são um pouco diferentes: a Juventus usou 16 italianos, o Milan utilizou 13 e a Udinese 7.

Premier League Um dos exemplos usado para ilustrar o fim do jogador local foi o Tottenham (estranhamente, dado que se trata de um regular fornecedor da selecção inglesa, mesmo quando esta passou tempos duros por não haver base de recrutamento a jogar ao mais alto nível). O "exemplo" usou até agora, na liga inglesa, 10 jogadores ingleses, 3 deles sub-23 ingleses (Kyle Walker, que é titular indiscutível, Jake Livermore e Danny Rose), e qualquer deles jogou mais tempo do que Pizzi e Nélson Oliveira juntos. O Manchester City que compra tudo o que mexe, às dezenas de milhões de euros de cada vez, usou 8 ingleses, sendo um deles sub-23, o titular Micah Richards. O United usou 14 jogadores ingleses, sendo 7 destes sub-23 (Jones, Evans, Welbeck, Smalling, Cleverly, Fryers e Keane). Portanto nos três primeiros classificados foram utilizados 11 ingleses sub-23, que fizeram, em conjunto, 122 jogos, sendo que 6 são utilizados com enorme regularidade.

Ligue 1 Em França optei por retirar todos os jogadores com dupla nacionalidade (porque não queria perder tempo a ver em que selecção jogavam). Do universo dos 3 primeiros, PSG, Montpellier e Lille, tirei mais de 5 jogadores, muitos deles sub-23. Qual foi o resultado final, mesmo assim? O PSG utilizou 12 jogadores franceses (sendo 2 deles sub-23, Sakho e Bahebeck, durante 1006 minutos). O Montpellier usou 15 franceses, 7 deles sub-23 (Yanga-Mbiwa, Bocaly, Cabella, Stambouli, Tinhan, Fana e Fodé Koita), dando a estes últimos 2849 minutos. Por fim, o Lille quase ignora o sub-23 francês (deu apenas 96 minutos de utilização a Rodelin), mas utilizou 9 franceses.

La Liga É a melhor liga do mundo. Não choca dizer que tem as duas melhores equipas do mundo. Muita gente defende mesmo que tem a melhor equipa da história do futebol. O que é que faz, garantidamente, uma das melhores equipas da história do futebol? Usa 13 espanhóis, 5 dos quais sub-23, um chama-se Busquets (os outros Cuenca, Fontas, Thiago Alcântara e Deulofeu). Todos juntos fizeram 2534 minutos. O Real, provavelmente para combater isto (e falhar até agora), porque não costuma ser assim, não usou sub-23 espanhóis. Mas usou 7 espanhóis (mais do que Porto e Benfica juntos relativamente aos portugueses). O Valência, terceiro, para além de usar 13 espanhóis, deu 3088 minutos a 6 jogadores sub-23 que podem representar a selecção: Jordi Alba, Alcacer, Bernat, Canales, Parejo e Victor Ruiz.

Bundesliga Para terminar, o verdadeiro exemplo. Estava há pouco a discutir na caixa de comentários se o Caetano era bom ou não para jogar no Paços. Se os portugueses são ou não são bons. Na dúvida nãos e utilizam e ficamos sem saber. Na Alemanha, na dúvida, utilizam-se os jogadores alemães, os jovens jogadores alemães e ganham-se fornadas atrás de fornadas de selecções de topo mundial. Muitos já são estrelas do futebol mundial. Porquê? Só porque são todos muito bons? Porque são melhores do que os outros? Não. Porque jogam. É impressionante: no Bayern, jogaram 8 alemães, 6 dos quais sub-23 a quem se deram 5638 minutos (Boateng, Contento, Badstuber, Thomas Muller, Kroos, Petersen); no Moenchengladbach jogaram 9 alemães, 7 dos quais sub-23, a quem foi possível jogar 7200 minutos (Stegen, Zimmerman, Jantschke, Herrmann, Rupp, Marco Reus e Neustadter); no Dortmund jogaram 11 alemães, dos quais 8 sub-23, que jogaram 7293 minutos (Hummels, Lowe, Schmelzer, Leitner, Gotze, Grosskreutz, Gundogan e Bender). Como a jornada ia a meio e podia não ficar com os 3 primeiros, fiz também o Schalke: 9 alemães, dos quais 7 sub-23, com 5813 minutos.

Os exemplos Resumindo, os três primeiros de Portugal usaram 13 portugueses. Os de Itália usaram 36, os de Inglaterra 32, os de França 36, os de Espanha 33 e os da Alemanha 28. Quanto aos sub-23 locais, 2 em Portugal, 3 em Itália, 11 em Inglaterra, 10 em França, 11 em Espanha, 21 na Alemanha. São campeonatos menos competitivos ou com menos qualidade do que o português? Bosman? O acórdão sobre jogadores comunitários (que quase não temos)? Experimentem todas as outras perguntas agora. Juntem-lhe os valores crescentes dos passivos e dos emprésimos bancários das maiores SAD, as fases finais de juniores jogadas por estrangeiros e vão ver como isto vai ser lindo.

master kodro

20 comentários:

LC disse...

Kodro,

eu não vou discutir se tens ou não razão, apenas acho que para este caso o racio entre portugal e os países que enumeras é de 1/5 logo a média de utilização está nivelada.

Fredy disse...

parabéns. trabalho muito bem feito!

vamos é ver o que eles inventam agora só para te criticar e dizer mal de ti :)

master kodro disse...

Claro, ainda havia o "racio que nivela a média de utilização".

Eu não tenho, nem quero ter razão. Isto é assim.

Rearviewmirror disse...

Temos quase 400 jogadores portugueses no estrangeiro.
Se calhar uns 100, são jogadores de imensa qualidade, que são ou já foram internacionais portugueses.

Agora imaginemos que Portugal tem a capacidade financeira para ter cá um Quaresma, um Simão, um Tiago, um Manuel Fernandes (Simão fala-se que ganha 3M€ ao ano). Não a temos.

Quantos jogadores da selecção alemã jogam fora da Alemanha?
Quantos jogadores da selecção italiana jogam fora de Itália?
E Espanhóis. Silva, e mais?
E Ingleses?

Esses países têm dinheiro para manterem os seus melhores jogadores nacionais, e vão buscar outros de qualidade a países periféricos, que não conseguem competir em termos salariais com estes grandes (Portugal, Holanda, Bélgica,Polónia, Bulgária, etc)

Rearviewmirror disse...

http://static.publico.clix.pt/infografia/desporto/demografiafutebol.swf

Um estudo que saiu hoje no público. A ver.
Aqui o Guimarães está em 1º

master kodro disse...

Esses países, pelos vistos, têm dinheiro para manter os melhores e os piores nacionais. Nós só não temos dinheiro para os melhores.

master kodro disse...

Mas a culpa era do Bosman. Portanto temos 8 nos 10 primeiros. Obrigado, rearview.

Rebello disse...

Este Blog é um caso de estudo.
Mais precisamente o Blogger master kodro.
É o Blogger mais referido e criticado pela blogosfera nacional futebolística.
Não existe post, que ele escreve, onde não seja criticado e muitas vezes insultado.

E isto tudo porquê?

Eu aposto na fraca eficácia do nosso sistema de ensino na língua Portuguesa. Não é que as pessoas não saibam ler, apenas têm uma enorme dificuldade em interpretar um texto.

Um tipo diz que um avançado está a fazer uma boa época de estreia em Portugal.
Os "entendidos" dizem que é banal e só marca aos pequenos ou de penalty.
O mk mostra números e diz que comparado com vários bons (concensuais) avançados na época de estreia ele até fez melhor. Isto para apenas dizer que o holandês está a fazer uma boa época de estreia.
É acusado de dizer que o holandês é melhor que o Cardozo. Chegaram mesmo a chamar-lhe "estúpido" noutro blog, por um "entedido".
Ele nunca o disse, mas não interessa, é acusado na mesma.

O mk crítica a comunicação social de endeusar certas pessoas de um certo clube que não fizeram nada de mais (as pessoas).
Criticou a comunicação social, não o clube. É criticado de ser anti desse clube.

o mk fala sobre o que lhe apetece. É criticado de não falar sobre o que os "entendidos" "querem".

É muitas vezes referenciado como o blog do "portista". Os "entendidos" criticam-no em todo o lado, seja na caixa de comentários do 442, noutras caixas de comentários ou mesmo em posts de outros blogs.
Dos entendidos, ninguém "gosta"/"aprecia" o que o mk diz.
Mas todos o passam cá. Todos sabem o que diz, apesar de não saberem interpretar.
Para os "entendidos" o que o mk diz é ridículo, ou mesmo "estúpido", mas continuam a ler o que ele escreve. Continuam a fazer refência ao mk, com ideias que só eles as "interpretam".

No mínimo estranho. Não?

Houve até um "entendido" que chegou a aconselhar o mk a transformar o 442 num blog de pesquisa jornalística. Ou algo parecido. Olha a humildade deste tipo! O "entendido" manda e o mk faz. Tal e qual a relação patrão empregado. Genial.
Desde que não refira um certo clube.

Também existe a "arrogância" dos "entendidos". Mas essa o mk não pode fazer nada.
Essa arrogância é apenas falta de respeito pela opinião dos outros.
Resumindo, se alguém não tiver a mesma opinião que os "entendidos" é porque não percebe nada e/ou é estúpido e/ou é ignorante e/ou é anti o seu clube.

No fundo, no fundo a culpa é do mk.

Ele devia saber no país em que vive. Já tem experiência suficiente para saber que aqui existem imensas dificuldades de interpretação.
Devia escrever com frases curtas. Frases simples. Deixar bem explícito, que estou a dizer "isto" e "não aquilo".

No fundo, no fundo a culpa é do mk.

Infante disse...

Bom trabalho, MK.

Continuo a achar que, em termos de qualidade, a questão é muito mais "bicuda" e que na verdade o campeonato português ganhou bastante com a entrada de estrangeiros. Muitos comentadores gostam da ladainha de que “o jogador português é naturalmente melhor que um estrangeiro”, mas na minha opinião, o campeonato portugés é 1000 vezes melhor do que era no início dos anos 90.

Mas também é verdade que chegámos a um nivel exagerado e como disse no outro post, nunca iremos saber do verdadeiro valor de alguns jogadores portugueses, que praticamente têm que rezar para que um clube estrangeiro repare neles.

É verdade que muitos deles vão ganhar bem melhor lá para fora e que qualquer clube pequeno/médio dos campeonatos de primeiro plano (e de muitos de segundo) oferece muito melhores condições do que os nossos pequenos/médios. Mas estes bem podiam lucrar alguma coisa com isso…

Para mim, mais até do que (só) apostar nos portugueses (já que muitos dos estrangeiros até vêm a custo zero) os clubes deviam era acabar com a dependência dos empréstimos dos grandes. Mas isso é que é mesmo pedir muito. Depois, onde é que os “nossos meninos” vão ganhar experiência?!!!

master kodro disse...

Também acho que a culpa é minha, Rebello. Quem é que me chamou estúpido, já agora? É um insulto semi-gay para o que estou habituado aqui. Já devia ter acabado com isto há muito tempo. Obrigado.

Infante, eu também não concordo que o português seja naturalmente melhor, como é óbvio. Mas está adaptado e não sai mais caro (pelo menos isso) na maior parte dos casos. E como é óbvio acabava já com os empréstimos. Mas isso somos nós adeptos de não grandes.

O que aqui alguns amigos não compreenderam é que dois dos (infelizmente) naturais fornecedores da selecção usaram 6 portugueses esta época, dois já foram embora, um marginalmente e o outro jogou 13 minutos. Não querem compreender o que isto quer dizer? Azar.

Filipe disse...

Os miúdos não são todos cristianos ronaldos, moutinhos ou coentrões. Se um jogador mediano como o Ruben Micael consegue dar nas vistas e chegar mesmo ao Porto, os bons acabarão por se impor. Não vejo razão para dramas, na catrefada de júniores que chegam a séniores todos os anos a esmagadora maioria é fraquita, alguns poucos são sofríveis. Realmente bons não aparece um por ano.


Ao contrário do que alguns aqui defendem não somos um país de superhomens. Os portugueses não são mais dotados para o futebol que os italianos ou espanhóis. Logo sendo a população 5 a 6 vezes menor os 3 clubes de topo em Portugal se querem ser competitivos na europa têm que contratar mais estrangeiros que espanhóis ou italianos.

A situação é exagerada pela lei Bosman, pois os poucos jogadores portugueses de valor, sendo comunitários, acabam por ir parar a clubes de fora. Espanhóis e italianos têm mais facilidade em reter jogadores dos seus países.

Felizmente temos poucas restrições quanto a brasileiros e argentinos. O campeonato português está melhor posicionado a nível europeu exactamente por ter acesso a esses jogadores, e não estar dependente de jogadores portugueses de fraco nível.

Joao disse...

Nos últimos 20 anos apenas me lembro de João Vieira Pinto como o único jogador de nível mundial a fazer carreira apenas em Portugal...

LDP disse...

kodro, é um bom estudo e que ajudarà muita gente a abrir os olhos. Com muitas falhas tanto na pesquisa como na interpretaçao dos dados, é um facto, mas hà que dar valor ao teu esforço.

Percebo que a escolha recaiu nos tres primeiros classificados dos principais campeonatos europeus, mas quando se fala nas equipas mais importantes da Europa (penso que era a esse meu pedido que te referias) seguramente o Montpellier, o Lille, a Udinese ou o Moenchengladbach interessam muito pouco.
Seria obrigatòrio ver ali um Marselha, Lyon, Chelsea ou Roma mas essa nao foi a tua escolha.

Simultameamente a questao importante sobre a titularidade (dos sub-23 ou outros) jogadores nacionais foi substituida pela visao sobre a utilizaçao global de jogadores dos respectivos paises. O que te levou finalmente a concluir que sao na sua maioria utilizaçoes "secundàrias e ridiculas". Facto.

Pareces ser um tipo que acompanha o futebol com redobrada atençao e sempre que tenhas tempo procura seguir jogos de outras equipas que nao o Guimaraes, o porto, o Tottenham ou o Montpellier. Ajudar-te-à a solidificar ainda mais a visao global sobre o futebol que procuras.

PS: Esse link com um artigo do Publico...é simplesmente coincidencia que precisamente nestes dias tenhamos vindo a falar destes temas aqui no 442 ou é algo mais?

Agente Duplo disse...

Caramba, grande trabalho de pesquisa. Muito elucidativo, parabens master kodro.

Rearviewmirror disse...

LDP

O link é de um estudo que ainda vai ser publicado esta semana em Portugal, salvo erro feito em Itália.

Fredy disse...

o LDP não existe lololol nem vale a pena dizer mais nada

LDP disse...

Nao seguiste a conversa até agora, pois nao Fredy? Muitas letras juntas e paràgrafos longos e coiso e assim... nao sao o teu passatempo. Nao faz mal.

Fredy disse...

ldp, abre os olhos e deixa de ser ridiculo pah!

LDP disse...

...pensava que jà nao fosses dizer mais nada lololol

ChuckE disse...

Master, é tudo puro e vero, mas explicado com a economia. Contrariamente ao que alguém referenciou, o júnior formado em portugal é muito, mas muito mais caro de manter do que um borra-botas do Iguaçu de 22/23 anos (ou mais novo, não é esse o meu ponto) que por ano vem fazer 3 testes à europa com o seu empresário/protector. O Porto tem geralmente uma ficha de salários mega elevada em relação aos outros não pelo camião de brasileiros que tem, mas pelo camião de jogadores formados e emprestados por aí.

Pessoalmente não acho que a má qualidade ou fraca escolha da selecção tenha a ver com as condições que se (não) dá aos jogadores tugas. Penso que tem a ver mesmo com a qualidade do que há à escolha. Sejamos francos. Grandes gerações tem aparecido de 10 em 20 anos. Quantas grandes equipas tivemos desde a perda das colónias? E se me disserem que fomos a não sei quantas provas nos últimos 15 anos, eu digo-vos que consigo nomear mais umas quantas selecções medianas no mesmo saco, e que isso tem mais a ver com factores externos como a guerra da jugoslávia ou o desmembramento da URSS. Somos um país de 20 Nelos para um Cristiano Ronaldo e sem Eusébios mais para roubar. Sejamos francos, somos medianos.

É sintomático do que referi que os meninos das canteras dos grandes ou acabem a carreira cedo com lesões ou que vagueiem pela europa do leste. Essa gente não quer baixar o salário, e vai à procura do mini-el-dorado mais à mão que existe para manter esse estilo de vida, chame-se ele Metallurg de Kiev (ou lá como se chama), Steaua de Bucareste, Dinamo de Moscovo ou Chelsea (tou a olhar pra ti, Paím!) , enquanto as pernas durarem (tou a olhar outra vez pra ti, Paim!). As condições para manter estes jogadores não foram criadas porque os jogadores não criaram as condições necessárias para serem mantidos. Quando o primeiro contrato profissional é negociado por um pseudo-mendes que salvaguarda os interesses do seu protegido tendo em conta os níveis exigidos pela europeidade + a sua comissão, rende muito mais, do ponto de vista do gestor do clube, safar uns sul-americanos que correm muito e recebem pouco, pagando um pouco mais pela transferência mas arrecadando uns soldos para o bolso daí.

Sejamos sinceros e falemos sem rodeios, o jogador português morreu. Até ao próximo Cristiano Ronaldo, fiquem.