sábado, janeiro 21, 2012

Os 50 sobreviventes

Apresentamos a lista dos 50 jogadores sub-23 portugueses a quem ainda é permitido jogar na primeira liga do seu país, depois de decorrida meia competição, ou seja 15 jornadas. Atenção que não estamos a falar (só) de juniores ou ex-juniores. São jogadores que tinham, no máximo, 23 anos em 31 de Dezembro de 2011. 23 anos. Alguns não têm sequer 100 minutos de utilização, outros já foram vendidos, a maior parte deles são absolutos desconhecidos do público em geral. Porto e Vitória são os dois clubes que não dão 1 único minuto de jogo a jogadores com estas características (o que é particularmente interessante, sabendo que são duas das mais importantes fontes da formação nacional). Destaque ainda para a preferência dos clubes não-grandes para valorizarem os jovens jogadores dos clubes grandes. É isto que os clubes querem para o seu futuro: os que têm não apostam; os que deviam apostar para ter fontes de rendimento preferem valorizar os dos outros. No total, o tempo utilizado por clubes da primeira liga com portugueses sub-23 é de 10,34%. Aqui ficam os heróis, por clube e minutos totais:

Benfica (13) Nelson Oliveira
Porto (0)
Braga (178) Pizzi
Sporting (2540) Rui Patrício, Carriço, André Santos, André Martins, Pereirinha
Marítimo (1105) João Diogo, Ruben Ferreira
Vitória G. (0)
Académica (2264) Cédric, Flávio Ferreira, Adrien
Olhanense (2939) André Micael, André Pinto, Wilson Eduardo, Salvador Agra
Nacional (1945) Luís Neto, João Aurélio, Candeias
Beira-Mar (3111) Bura, Yohann Tavares, Joãozinho, Jaime, Tiago Barros, Ricardo Dias, Serginho
Gil Vicente (1777) Pedro Moreira, Tó Barbosa, Hugo Vieira
Feirense (2300) Ludovic, Diogo Rosado, Jonathan, Rabiola
Vitória S. (1808) Kiko, Tengarrinha, Pedro Mendes, Rafael Lopes, João Silva
Rio Ave (2247) Rafael, Tiago Pinto, André Dias, Mendes, Yazalde
Leiria (2198) Ivo Pinto André Almeida, Ruben Brígido
Paços Ferreira (1490) Fábio Faria, Diogo Figueiras, Josué, Caetano

ps - Obrigado, Férenc!

master kodro

15 comentários:

Gandaia disse...

Para se apostar nos jovens é preciso que haja qualidade, e a ver pela amostra aqui apresentada é fácil perceber porque não há mais jovens portugueses a serem utilizados.

O problema é a qualidade da formação em Portugal.

Pegando num exemplo:

O Nelson Oliveira e o Rodrigo nasceram no mesmo ano (1991) e têm os 2 potencial.

Mas a diferença entre um e outro é enorme.

Depois vêm dizer que Portugal foi vice campeão do mundo.

Mas eu digo que os jogadores que representaram a Espanha nesse mundial irão ter muito mais sucesso que os jogadores da selecção portuguesa.

Hugo disse...

Destes destaco Neto,Yohan Tavares,Joaozinho,Cedric,Adrien e Nelson Oliveira

Joao disse...

Interessante é perceber que os casos de sucesso dos jogadores sub-23 são exactamente aqueles em que se dão mais minutos de jogo...

LDP disse...

Igualmente interessante seria também saber quantas das principais equipas europeias dao a titularidade a sub-23 dos respectivos paises.

Férenc Meszaros disse...

Mk, não falta o Rui Patricio? Abraço.

master kodro disse...

Tens razão, Férenc, obrigado. Quando passeim pelo Sporting vi que estava nos 23 mas não sei porquê não apareceu (nem os seus significativos minutos...). São 50 (salvo qualquer outro erro), faz conta certa.

master kodro disse...

Também me parecia óbvio, João. Mas pelos vistos não era.

LDP, estes não são titulares, como sabes, mas também se arranja. Depois vais falar de quê? Juniores totalistas? Ainda hás-de perceber que o objectivo do posts são o fornecimento de jogadores para a selecção. Tenho esperança que sim.

LDP disse...

Eu tenho a certeza que defender o màximo de 3 estrangeiros nas equipas juniores assim como nas B nao merece uma frase como "depois assobiem a selecçao", mantenho a esperança que tu tenhas percebido o meu ponto de vista.

Quanto aos titulares, era sò para te ajudar.
Mas se queres coisas complicadas faz entao um apanhado de sub-23 utilizados pelas equipas que jà referi.

PS: Abrindo um parentesis, ainda que fale de um sub-23, o Atsu jà debelou a arreliadora lesao da semana passada e jà voltou aos convocados do Rio Ave. Uma boa noticia para a sua casa-mae pois assim poderà continuar a acompanhar a evoluçao deste jovem promissor.

Infante disse...

Depois lembremo-nos também do Boavista, um dos poucos clubes que lançava consistentemente jogadores jovens, e do jubilo mal contido dos comentadores quando o clube foi atirado para a segunda divisão.

(ainda no outro dia estava um comentador a dizer que o Raul Meireles era das escolas do Porto...)

Sobre o assunto em si, continuo na minha, deve ser protestado, sem dúvida. O que não se pode é continuar com a treta de que todos os portugueses juniores são CRs em potência enquanto os estrangeiros são todos "de qualidade duvidosa", que é a ladinha que se ouve sempre que se fala disto.

Por uma questão de princípio sem dúvida que o MK tem razão. Por uma questão de qualidade... já é mais complicado.

Infante disse...

"É isto que os clubes querem para o seu futuro: os que têm não apostam; os que deviam apostar para ter fontes de rendimento preferem valorizar os dos outros"


E nisto, o MK tem toda a razão, também já ando a dizer isto há séculos. Mas convém andar "nas boas graças" dos grandes, além de que os clubes acham "eh pá, se este é das escolas do FCP/SLB/SCP tem que ser muita bom".

Não acredito que as equipas B mudassem muito isto. Para já porque as equipas B dos grandes iriam limpar a Liga de Honra com uns 15 pontos de avanço. E aí teríamos os adeptos dos grandes a dizer: "ah, isto assim não dá, os nossos meninos precisam de futebol mais competitivo, têm de ir para a primeira divisão...".

Rearviewmirror disse...

Bem, se estes são os 50 jogadores com menos de 23 anos que jogam na nossa liga, salta logo uma coisa á vista: De cor sei que Cedric, Adrien, Wilson Eduardo, Ivo Pinto, João Silva, Yazalde, André Almeida, Fábio Faria e Josué são jogadores emprestados. Os outros não sei, mas pode haver mais um ou outro.

Que rendimento financeiro terá um clube ao dar minutos de jogo a um jogador, que se tiver rendimento, no final da época volta ao seu clube de origem?
Por exemplo, o que ganhou financeiramente o Paços de Ferreira a época passada ao dar minutos na 1ª Liga ao Pizzi, que está agora no Atlético de Madrid?
O que ganhará o Rio Ave, se o Yazalde for transferido por 3M€, como se tem falado, para uma equipa estrangeira?

Financeiramente falando,não vale a pena a um clube apostar num brasileiro um pouco pior que um português, mas sabendo que se no final da época esse jogador valorizar, poderá dar dinheiro ao clube, ao contrário do outro?

master kodro disse...

Oh Rearview, experimenta ver de frente em vez de olhares para o retrovisor: e se o Paços de Ferreira, em vez de apostar no Pizzi, no Melgarejo ou no Evanivanilson, desse 90 minutos por jogo ao Caetano?

Amanhã vão adorar os números que me pediram, acreditem. Logo de manhãzinha, para começar bem o dia.

Rearviewmirror disse...

De ti não esperava outra resposta.

Já te passou pela cabeça que o Caetano, se calhar, não é assim tão bom como pensas?
Que por alguma razão o jovem rapaz tenha sido dispensado do FCP há 2 anos, e que nos ultimos 30 jogos do Paços, fez 4 a titular, e em 1000 minutos tenha marcado um golo?

Tu é que não estás a ver mesmo nada bem a "big picture"

Na Escócia discute-se a abertura do mercado a jogadores não internacionais pelos seus países, por se sentirem prejudicados em comparação com mercados com pouca capacidade financeira como o nosso (imagine-se lá), por termos formado jogadores como David Luiz, Hulk, Deco, Pepe, etc.
Cá quer-se limitar o mercado de forma a lançar mais jogadores portugueses (embora joguem quase 400 no estrangeiro) mas a factura a pagar seria a competitividade das equipas! O que é que acontecia ás super competitivas equipas do Braga? Do Nacional? Do Marítimo?

Só um exemplo, cabe na cabeça de alguém que com as regras da taça da Liga o Benfica seja obrigado a jogar com 2 portugueses no 11, sendo sacrificado Rodrigo para jogar Nelson Oliveira? Por muitas capacidades que reconheça ao Nelson, neste momento Rodrigo encontra-se num patamar bem a cima do português, e sendo assim o Benfica seja "obrigado" a jogar com uma equipa menos competitiva, devido a regras que atentam contra a livre circulação de pessoas na UE, e direitos adquiridos, como é a igualdade de oportunidades entre todas as pessoas?

Infante disse...

OK, posso dizer que tanto o MK como o Rearviewmirror têm razão?

É óbvio que em termos de qualidade, o campeonato português iria sofrer um grande golpe com um limite de estrangeiros. Eu sei que o pessoal adora usar a expressão "estrangeiros de qualidade duvidosa" (quase se tornou uma frase fixa), mas muita da nossa qualidade se deve aos estrangeiros, goste-se ou não.

Juntemos a isto o facto dos jogadores brasileiros (uma das maiores minas de talento no mundo) se adaptarem mais facilmente, por razões óbvias, ao futebol português do que a outros campeonatos de segundo plano (Holanda, Grécia, Turquia) e percebemos que esse é um dos maiores trunfos do nosso futebol.

Mas por outro lado também percebo a dor do MK e dos outros. Por muito que sejamos a favor da liberdade de circulação e igualdade de oportunidades, etc, é claro que faz confusão vermos que os principais clubes portugueses chegam a ter onzes iniciais sem UM ÚNICO jogador português.

É que nem 8 nem 80. Nem os jovens jogadores portugueses são essa maravilha, CRs em potência que muita gente pensa (gente que nunca viu os horríveis jogos de juniores ou de divisões secundárias); nem são também assim tão maus que não possam chegar ao maior patamar dentro do seu país.

Os "Caetanos" podem não ser tão bons como o MK pensa, rearviewmirror, mas se calhar também são melhores do que tu pensas. O que parece é que nunca saberemos...

master kodro disse...

Não sabemos se são, infante e rearview. E assim nunca vamos saber. Mas sabemos que o Melgarejo nunca vai valer dinheiro ao Paços e que nem assim o Paços sai do último lugar. Mas com isso o rearview nãos e importa, infante. Nem com o que vai acontecer daqui a uns anos. Mas daqui a bocado podem ler um post em que se vê o que acontece nas grande potências do futebol.

Parece que ainda não perceberam o que o que fez a geração de ouro foi apostar em jogadores que até então não eram nada. Foi dar-lhes a titularidade. Foi dar-lhes jogos internacionais. Foi dar-lhes experiência e maturidade. Enquanto não perceberem isso, vai continuar a haver alguém a falar em big picture ou na minha visão redutora. Talvez os melhores de Espanha, Alemanha, França e Inglaterra sirvam de exemplo. E mesmo assim desconfio que não.