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quinta-feira, novembro 07, 2013

Vontade só não chega

Sim, é verdade que o Porto fez uma boa primeira parte, comandou o jogo, Lucho marcou o golo desejado, mas todo o esforço feito (com o previsível preço, pago mais tarde), foi deitado a perder por mais uma desconcentração defensiva que Hulk não perdoou. Na segunda parte, o Zenit ligou o turbo e Paulo Fonseca ficou a ver. Já sei que uma coisa é ter Kerzhakov e Arshavin no banco, outra é ter Licá e Ghilas, à espera de um milagre, sacrificando um médio, quando os três que havia em campo já não chegavam para as encomendas. Ficaram a nu as debilidades deste Porto: não há pernas para um jogo inteiro, não há banco (a lesão de Quintero retirou-lhe o único trunfo que havia), não há estratégia. Helton adiou as contas para mais tarde, mas depender dos outros não é a mesma coisa.

quarta-feira, outubro 23, 2013

Defour, um acto de coragem

Hoje acordei com esta: «o treinador foi corajoso porque retardou a entrada de Defour». A sério? Depois de perder em casa, com o At. Madrid, o treinador deveria ter trocado Jackson pelo belga e abdicado da vitória (e, provavelmente, antecipado a derrota), logo aos 6 minutos. É isso? E quando assistiu, ou melhor, resistiu ao crescimento do Zenit, já na segunda parte, também foi por coragem?

Paulo Fonseca não age nem reage em tempo útil. Perde-se em indecisões e, quando decide, joga quase sempre pelo seguro. Trocar Licá por Varela, Josué por Defour e meter Ghilas quando o jogo está perdido (vá lá, desta vez conseguiu colocá-lo em campo, antes do minuto 90) não é revelador de coragem. Coragem seria lançar Quintero ou Ricardo, mesmo em inferioridade numérica.

Muito me custa olhar para um onze de tantos milhões e não ver um único jogador capaz de sozinho desequilibrar uma partida. Um jogador cerebral como James ou rápido, para o contra-ataque, forte nos lances individuais, e que ontem tinha feito tanto jeito. Iturbe foi embora. Atsu foi embora. Quintero não joga. Têm deficiências defensivas, dizem. Pois, vão dizer isso a Hulk...

terça-feira, outubro 22, 2013

Por linhas tortas

Pois é, o Porto guarda o melhor futebol para a Champions, mas é traído pela sorte e por um disparate de Herrera.

Mesmo com 10, a equipa fez uma primeira parte de bom nível (Fernando fez uma exibição perfeita), superiorizou-se ao Zenit e Lucho estourou no poste a hipótese do Porto sair para o intervalo a vencer. Na segunda parte, veio a erosão do tempo com menos um para lutar, das investidas e dos mísseis de Hulk (que estranho é vê-lo do outro lado), mas também uma bola de Varela desviada pela barra. O nulo, dadas as circunstâncias, não era mau nem rematava mal a história do jogo.

Mas há alguém que não dorme. Aquele golo aos 86 minutos, após um cruzamento teleguiado de um daqueles jogadores que tão pouco agradam a quem passa dia e noite a fazer contas aos equilíbrios defensivos, é uma mensagem dos céus para uma só pessoa, que gere com preguiça, sem rasgo de audácia, que está sempre atrás dos acontecimentos, que se contenta com nada. Pois que se console, agora, com a injustiça que é perder no jogo errado.

segunda-feira, julho 01, 2013

A liberdade que Hulk não tem para errar

Hulk teve um desempenho discreto na Taça das Confederações. É verdade que foi sempre titular e que esteve presente em dois dos três golos da final, contra a Espanha. Mas do Incrível espera-se mais.

Uma das explicações para este menor rendimento é a margem de manobra reduzida que Hulk tem na selecção brasileira. Não só da parte de Scolari (e, em certa medida, percebe-se porquê: dois dos lances mais perigosos da Espanha surgem após perdas de bola de Hulk e de Neymar), mas também dos adeptos para os quais não é sequer consensual a titularidade do Incrível, quanto mais o estatuto de estrela da companhia (entregue a Neymar), como acontecia no Porto.

Hulk é um jogador com capacidade suficiente para sozinho desequilibrar e decidir um jogo. Mas precisa de liberdade para errar, nas várias tentativas de que necessita para obter o sucesso. Faltando-lhe isso, não podendo arriscar, é apenas mais um, o que não sendo necessariamente negativo, numa selecção recheada de estrelas, é pouco para quem já mostrou ser bem mais do que mais um.

Isto é algo que, por vezes, os jogadores do Porto que já atingiram um determinado nível não percebem: que, mesmo sendo criticados e, até, assobiados, dificilmente terão noutro lugar tanta tolerância dos adeptos, tanta margem de manobra como têm por cá. A não ser que dêem o salto para baixo e/ou vão descansar para as arábias...

Tivemos, há relativamente pouco tempo, o exemplo de Quaresma, incapaz de acompanhar o elevado grau de exigência que um campeonato como o italiano, inevitavelmente, lhe trouxe. Espero que não seja o caso de Hulk.

PS - Um exemplo interno e um pouco contracorrente: Danilo. O elevado investimento na sua aquisição é algo que lhe retira margem de manobra. Porque, como é evidente, a expectativa gerada nos adeptos (e nos próprios colegas de equipa) é muito superior àquela que, por exemplo, gerou Sissokho, comprado por meia dúzia de feijões. E este é um obstáculo que, até ao momento, o lateral direito do Porto não conseguiu ultrapassar. Mais: só o conseguirá sendo excelente, que é o que se espera de um jogador que custou 18 milhões de euros.

segunda-feira, novembro 05, 2012

Cardozo e o conforto dos penalties

É fascinante como é que um post sobre um jogo, com muletas estatísticas acessórias, se transforma num Benfica x Porto na caixa de comentários, a propósito de penalties. Depois, claro, a cobrança dessa abrangente falange de polícias contra o "anti-benfiquismo", esse mal dos tempos modernos, que Luis Filipe Vieira tão bem acicata e que lhe garante  maiorias esmagadoras em eleições.

Subitamente, Hulk é (foi) penalty-dependente (ou pelo menos mais do que Cardozo) e marcou muitos mais penalties do que Cardozo nos últimos dois anos. Dois, porque sim, porque foram os dois anos que Hulk foi o jogador com mais penalties no campeonato. Claro que não interessa pegar em estatísticas mais abrangentes, como a dos 3 anos em que Cardozo foi o jogador com mais penalties marcados ou como a do zerozero, que mostra os melhores marcadores de penalties no campeonato desde a época de 1985, não fosse alguém encontrar uma classificação liderada por Simão Sabrosa (28), seguido de Mário Jardel (26) e Óscar Cardozo (23), com Hulk em quinto (16). Ou descobrir que a média por ano dos dois é semelhante. Claro que é muito mais interessante comparar os dois últimos anos e o peso dos penalties nos golos de um ponta-de-lança e de um extremo.

Nestas alturas interessa pouco comparar o peso dos 26 de penalties de Jardel (e tanto se falou nos penalties de Jardel...) nos 185 golos marcados, ou os 14 de Fernando Gomes em 98 golos, ou os 12 de Paulinho Cascavel em 85 golos, ou os 12 de Nuno Gomes em 154 golos, todos eles pontas-de-lança, que estão lá essencialmente para isso, marcar golos, com os 23 penalties em 94 golos de Cardozo, cerca de um quarto dos golos marcados no campeonato. Ou comparar o peso dos penalties de Hulk com jogadores que não jogam no centro de ataque (e encontrar um padrão semelhante nestes casos).

Pode ser que os polícias continuem a não reparar que sem os 3 penalties marcados, Cardozo teria 3 golos marcados no campeonato e que Lima, por exemplo, se os tivesse marcado teria entre 5 e 8 golos na competição. Eu aposto que não vão reparar.

ps - Resta acrescentar que, sem os penalties, nem Cardozo (duas vezes), nem Hulk (uma) teriam conquistado os seus títulos de melhores marcadores do campeonato. É um conforto.

master kodro

segunda-feira, outubro 29, 2012

Jackson Martinez

O futebol do Porto continua a ser demasiadas vezes lento, previsível e pouco interessante. A primeira parte do jogo contra o Estoril foi muito má. A segunda foi de serviços mínimos. Na época passada, era a inspiração de Hulk que resolvia estes jogos. Quando ela não aparecia, o Porto perdia pontos. Agora, é Jackson Martínez quem faz a diferença. Em época de estreia, o colombiano leva já 9 golos, em 11 jogos. Ontem, juntou a este registo uma assistência para o golo de Varela. É, até ao momento, a principal figura do Porto.

littbarski

quarta-feira, setembro 19, 2012

Dádivas, vilões e artistas

40 minutos da primeira parte, em Zagreb. O que está para trás só tem relevância para quem tem problemas de insónia. Jackson não tem problemas de insónia: aceita a oferta do guarda-redes e, dois segundos depois, adormece no relvado a sonhar que acaba de marcar um golo na Champions.

Tenho para mim que o principal candidato a acordar as bancadas do Dragão, depois da saída de Hulk, é Atsu. Claro que é jovem, erra (porque arrisca) mais vezes, precisa de tempo para evoluir e o todo ainda tem mais potencial do que valor demonstrado. Mas é artista. E isto é um problema para alguns treinadores, que preferem operários a artistas. Que pelo menos não tentem transformar o artista em operário, porque há lugar para todos. A prova disso é o segundo golo do Porto, marcado de forma artística pelo operário Defour, depois de uma assistência perfeita do artista ganês.

Mas falava eu do sonho de Jackson, mais tarde transformado em sonho de Kléber, uma história de dádivas e de vilões, com Tonel a aproveitar a dádiva do árbitro que o deixou permanecer em campo para agitar o Dínamo e com um Carrasco simpático que prefere matar a bola no peito (à Postiga) do que fuzilar a baliza deserta. James ainda fez voar Kelava, mas uma história assim só podia terminar a meio com a intervenção divina de Lucho.

E Moutinho? Alguém viu Moutinho?

littbarski

sexta-feira, setembro 07, 2012

Vitória, Sporting, Porto, Benfica

Vitória Em ano de contenção e aposta na juventude própria, saem duas lesões de vários meses para João Amorim e Dinis. Entretanto Bruno Teles também foi para a Rússia, mas por 300.000 euros, porque pelos vistos só 30% do seu passe era do Vitória. Mais dois meses de Emílio Macedo e ficávamos a dever o Afonso Henriques ao António Salvador.

Sporting Estava a testar uma tese, olhando para a equipa do Sporting na primeira jornada da época passada (uma defesa com João Pereira, Polga, Rodriguez e Evaldo), mas desviei a atenção para o ataque: o Sporting jogou com Postiga e Djaló. Foi uma pena que o Benfica não tivesse emprestado Djaló ao Nice.

Porto Com a saída de Hulk, James Rodriguez pensa que vai finalmente ser titular. Mas na cabeça de Vitor Pereira ainda há Atsu, Varela, Kelvin, um juvenil de primeiro ano, e um tratador de relva que faz maravilhas à linha... Iturbe mantém o objectivo de ser convocado uma vez por mês.

Benfica Não vejo grandes razões para tanta preocupação com a falta de médios defensivos. Qualquer jogador que esteja lá e a quem seja permitido o que deixavam fazer a Javi Garcia sem sanção é mais do que suficiente.

master kodro


terça-feira, setembro 04, 2012

Play it again, Sam # 115 - Let's Buy Happiness

Primeiro, acreditamos que alguém com uma generosidade do tamanho das barbas do Pai Natal vem colocar, no sapatinho do nosso clube, um cheque gordo que outrem repartirá, ponderadamente, entre as necessidades prementes e o investimento em novos sonhos. Vibramos sempre que ouvimos falar em recorde de vendas, porque imaginamos o potencial de crescimento que isso trará ao nosso clube, imaginamos um clube tão grande como a venda acabada de realizar, a bater recordes dentro de campo.

Depois, começamos a ouvir falar de coisas esquisitas como proporção no valor de venda ou efeito de actualização financeira e em nomes como Financieringsmaatschappij que são tão difíceis de pronunciar como é encontrar quem está por detrás deles a tratar da dieta do cheque gordo que, afinal, não é assim tão gordo, pesa metade, e não vem já neste Natal, talvez no próximo, se correr bem.

Um dia, ouvimos alguém anunciar: sessenta!, são sessenta milhões!, recorde histórico, uma coisa nunca antes vista em Portugal e poucas vezes registada no mundo inteiro!, e imediatamente pensamos: não deve ser bem assim. E não é. Os sessenta são a soma das partes. E já se sabe que o nosso clube nunca é dono de todas as partes. O nosso clube é dono de uma percentagem que há-de emagrecer com o tempo, depois de subtraídas outras percentagens.

Sabemos, desde o tempo de Álvaro de Campos, que o coração do namorado não volta para a costureira. Agora percebemos porquê: foi retalhado em pedaços cada vez mais pequenos, até não sobrar mais do que um minúsculo, inanimado objecto, utilizado para pagar o mecanismo de solidariedade da FIFA.

Resta-nos, portanto, abrir uma garrafa de Vodka, sintonizar o futebol russo e esperar que, até ao próximo Natal, nevem mais golos do Incrível.

E música, claro, para aquecer o Inverno que fica cá dentro.

Música: "Fast Fast 
Interpretação: Let's Buy Happiness



littbarski

domingo, setembro 02, 2012

Olhanense 2 x 3 Porto

Vítor Pereira não esperou pelo intervalo para enviar a mensagem aos jogadores: era pouco. Lucho, Hulk e Jackson tiveram o golo nos pés, mas faltava dinamismo e o Olhanense já vencia, desde os 13 minutos - aproveitando o corredor aberto por Alex Sandro e a falha na dobra de Maicon, Luis Filipe cruzou e Abdi fez o resto. Estes 9 minutos extra que James levou para o relvado, antes do intervalo, foram utilizados assim: aos 38 minutos isolou Moutinho e aos 43 marcou, fazendo o chapéu a Ricardo. Tempo é dinheiro e aos 22 segundos da segunda parte Jackson cabeceou ao poste, depois de um cruzamento de Hulk. Estava escrito o que aconteceria 3 minutos depois: passe de James a isolar Jackson e desta vez o colombiano não falhou. Hulk, que passou uma boa parte do jogo a ser assobiado por culpa própria, procurava insistentemente o golo e acabou por consegui-lo - uma bomba, como não podia deixar de ser. A equipa de Sérgio Conceição não se rendeu e Targino ainda conseguiu reduzir, mas a vitória estava entregue. Bem entregue.  

littbarski

segunda-feira, agosto 27, 2012

Porto 4 x 0 Vitória

Domínio absoluto do Porto, com um pequeno intervalo no início da segunda parte. Soudani avisou que se o bicampeão nacional adormecesse à sombra do golo de Lucho podia ter problemas e, pouco depois, Hulk acordou toda a gente com uma daquelas bombas que vão deixar saudades, um dia destes. Desfeitas as dúvidas, quebrada a resistência do Vitória, a equipa de Vítor Pereira foi para a frente e ofereceu aos 35 mil adeptos nas bancadas do Dragão um final de jogo entusiasmante. Lucho, que fez provavelmente a sua melhor exibição desde que regressou ao Porto, aproveitou a sobra de um remate de Atsu para fazer o 3-0 e Jackson fechou as contas com um toque checo, de penalty.

É bem possível que o próximo adversário do Porto se chame mercado. E é uma pena, porque esta equipa que mistura a experiência de Helton e de Lucho com a juventude de Atsu, Danilo e Alex Sandro (e ainda há Kelvin e Iturbe), que junta a consistência de Moutinho à imprevisibilidade de Hulk, com ponta-de-lança, com suplentes de luxo, com é o caso de James, se bem aproveitada, teria potencial para fazer uma grande época.

littbarski

segunda-feira, agosto 20, 2012

Agarra-me se puderes

Um minuto depois de Fernando sair, deixando o meio-campo do Porto reduzido a 50% de Moutinho, ainda em ritmo de pré-temporada, e 10% de Lucho (a idade não perdoa e as pilhas duram cada vez menos), o Gil Vicente teve a sua primeira oportunidade de golo. A ideia foi colocar mais gente na área, juntando Kléber (que pareceu jogar agarrado, mas agarrado, mesmo, durante o tempo todo) a Jackson e apostando na irreverência de Atsu no lado esquerdo do ataque. Eu preferia ter visto James no lugar de Lucho, mantendo Fernando em campo e reduzindo as hipóteses de o Porto ser surpreendido em contra-ataque. Quem não precisa de férias nem de pré-temporada é Hulk. Chegou, fez dois treinos e entrou no onze para render mais do que todos os outros. Foi pouco (e, se até o dia 31 o Incrível sair, vai ser ainda menos). O Porto perdeu uma boa oportunidade de se desgarrar da concorrência, logo na jornada inaugural da Liga.

littbarski

quarta-feira, maio 30, 2012

O balanço de Vítor Pereira

No jornal O Jogo, num tom moderado, dizendo que era normal o mercado mexer com a cabeça dos jogadores, e humilde, reconhecendo não ter um discurso mediaticamente forte e que, inclusivamente, se excedeu em palavras que dirigiu a Jorge Jesus. Uma entrevista ao homem que prefere estar junto aos pescadores de Espinho do que nos Globos de Ouro. Uma imagem simpática, mas que não apaga o mais importante.

Segundo o treinador do Porto, uma das razões pelos jogos menos conseguidos da equipa foi a expectativa de transferência dos jogadores para campeonatos mais competitivos. Algo que aconteceu no início da época, se prolongou (não se sabe muito bem até quando) e que regressou em Janeiro. Ora, em primeiro lugar, isto não é novidade no Porto. Todas as épocas, saem os melhores jogadores para equilibrar as contas da SAD e os treinadores têm de saber lidar com isso e com as expectativas dos que ficam. O próprio Vítor Pereira diz, agora, que tem de estar preparado para a saída de Hulk. E se as partidas de Alvalade e de Barcelos aconteceram, de facto, em Janeiro, os jogos com o APOEL foram em Outubro (o primeiro) e em Novembro (o segundo). Será que nesta altura os jogadores ainda não tinham ultrapassado o trauma de não terem o mesmo destino de Falcao?

A saída do colombiano foi outro motivo invocado por Vítor Pereira para justificar as oscilações da equipa, porque retirou qualidade de jogo na área. Aceito que sim, que Falcao é um jogador de eleição e que não é fácil encontrar um substituto que garanta um desempenho próximo do melhor marcador da Liga Europa. Mas a verdade é que o treinador do Porto passou a época toda sem saber como resolver este problema. Podia ter insistido em Kléber, que fez 5 golos nas 10 primeiras jornadas do campeonato, e deixado Hulk onde ele próprio reconhece que o brasileiro rende mais. Podia ter feito como Mourinho em 2003/2004 e apostado num 4x4x2 (o Porto fez os 2 últimos jogos da caminhada para o título europeu sem McCarthy, jogando com Derlei e Carlos Alberto na frente). O que não devia ter feito, na minha opinião, era passar a época inteira a mudar o ataque. E, ao contrário do que sugeriu Vítor Pereira, Hulk não foi para o meio só nos jogos decisivos. E não foi para o meio em todos os jogos decisivos (o Porto ganhou na Luz, com Janko no centro do ataque e Hulk na direita). Não houve coerência, uma ideia clara de como resolver o problema. Termina a época e o treinador do Porto diz que falta um ponta-de-lança. Mas isso já sabíamos desde o início, não já? «Quando o barco navega em águas calmas, qualquer um é líder. O problema é ter liderança em contextos de adversidade.» - Palavras de Vítor Pereira, algumas linhas antes.

O maior problema, para Vítor Pereira, foi o factor motivacional. Porque não se conseguiu dar uma dimensão mais desafiante aos jogos teoricamente menos complicados. Mas então o discurso para dentro não é forte? Se é, porque não conseguiu motivar os jogadores para jogos em que nem sequer devia ser preciso motivação extra, como o jogo com a Académica, logo após a vitória na Luz e a recuperação de um primeiro lugar que, 3 jornadas antes, estava a 5 pontos de distância?

Para Vítor Pereira, o seu principal papel táctico, como treinador, é manter a equipa equilibrada. O jogador é que tem de procurar o seu caminho, explorar o seu talento, aproveitar as oportunidades, desde que não ponha em causa o equilíbrio da equipa. Ao ler isto, percebe-se porque é que muitas vezes havia jogadores perdidos no campo, sem saber que destino dar à bola. E porque é que, dos novos jogadores, nenhum conseguiu afirmar-se na equipa. Além disso, mais uma vez, a teoria choca com a prática. Maicon na direita, como o próprio Vítor Pereira reconhece, retira profundidade atacante ao lado direito. Se juntarmos a isto a desvio de Hulk da direita para o meio, temos uma equipa que manca. E lá se vai o equilíbrio, por intervenção directa de quem acha que só deve intervir quando há desequilíbrios.

Demasiadas contradições e sinais claros de que o treinador do Porto não aprendeu muito com os erros desta época. Na próxima, provavelmente, não haverá Hulk para resolver jogos, o que dificultará ainda mais as coisas. Veremos como estará a concorrência por cá. Na Champions não vai ser mais fraca, com certeza.

littbarski

sábado, maio 12, 2012

Curtas de fim de campeonato

1. O Feirense desceu e a Académica safou-se, depois de ganhar em Guimarães.

2. Não sei quem teve a estúpida ideia de invocar N'Dinga no placard electrónico, na recepção à Académica.

3. Cardozo lá conseguiu marcar um golo e ganhou o prémio de melhor marcador do campeonato, porque jogou menos 60 minutos do que Lima. É a segunda vez que o consegue em cinco épocas.

4. Cardozo também vai bem lançado para ganhar o prémio a que deu nome, a não ser que o fracote se lembre de repetir o hattrick na final da Taça, o que é bastante improvável.

5. Hulk também garantiu o Prémio Ricardo Quaresma, para o jogador com mais assistências na liga.

6. O Sporting é campeão nacional de juniores, depois de uma reviravolta contra o Vitória (3x1).

master kodro

segunda-feira, abril 30, 2012

Parabéns, Porto

Fosse para onde fosse o título este ano, estaríamos sempre a falar dos menos maus. Porto, Benfica (e Sporting) tinham obrigação de produzir muito mais face à estrutura que têm, aos enormes investimentos que têm vindo a fazer e à débil concorrência que inclui equipas com salários em atraso ou em desmembramento. O Benfica chegou a dispor de 5 pontos de avanço (garantidos a 29 de Janeiro) e chega ao momento da decisão do título a 6 do campeão, depois de perder pontos com o Vitória, com a Académica, com o Olhanense, com o Sporting e com o Rio Ave (para além de derrota com o Porto). É verdade que pelo meio teve 4 jogos europeus (3 derrotas e uma vitória), mas quem tem um banco com jogadores de 5 milhões tem que fazer mais contra Vitória, Académica, Olhanense e Rio Ave.

O Porto ganha, na opinião dos seus adeptos, apesar de Vítor Pereira. E aqui há que reconhecer o mérito de quem continuou a acreditar no treinador, quando meia massa adepta exigia a sua substituição a meio da época, mesmo que a direcção tenha responsabilidades pela falha na substituição de Falcao, e na concentração de recursos financeiros em compras faraónicas absolutamente improdutivas para esta época, como as de Danilo e Alex Sandro, principalmente. Por acaso, acabou por correr bem, internamente. Quem tem Hulk, tem (quase) tudo o que precisa para ganhar o campeonato português.

Por fim, o Braga. O Super Braga que o meu caríssimo katanec gosta de tratar como flop, que está a fazer a segunda melhor época da sua história e que nunca vai chegar lá a cima enquanto continuar a ditadura dos grandes. Mas vai continuar a fazê-los tremer (nos últimos 3 campeonatos fez mais 27 pontos do que o Sporting, já deixou o Porto fora da Champions e pela segunda vez entra na penúltima jornada a discutir uma posição com o Benfica). Claro que se trata de uma infeliz coincidência, mas nas duas jornadas os bracarenses tiveram uma expulsão por acumulação de amarelos aos 21 minutos de um jogo e um vermelho directo por palavras aos 75 (quando já perdia com o Olhanense). São situações raras nos nossos relvados, não são?

Apesar (não de Pereira, mas) de tudo, parabéns Porto.

master kodro

domingo, abril 29, 2012

Melhor é impossível

O Porto dispôs de oportunidades suficientes para fazer a diferença logo na primeira parte, mas Hulk e James desperdiçaram-nas - ou, se preferirem, Rúben Ferreira e Salin anularam-nas. O resultado, esse era o mesmo e só foi alterado depois de um lance infantil de Fidelis. Hulk agradeceu a oferta e não perdoou o respectivo penalty, colocando o Porto em vantagem para a segunda parte. Com a entrada de Benachour o Marítimo cresceu e foi dos pés do tunisino, após ter deixado Sapunaru e Lucho para trás, a melhor oportunidade da equipa da casa. Alguns minutos antes, Helton tinha parado um remate perigoso de Fidelis. Do lado portista, o perigo continuava a vir de Hulk: primeiro, de pé direito, já dentro da área, após um excelente passe de Lucho; depois, com uma grande jogada que deixou El Comandante com a baliza e a bancada escancaradas. Lucho escolheu a bancada. A baliza estava reservada para Hulk que, novamente de penalty, novamente inequívoco, fechou o resultado e deu ao Porto a quarta vitória consecutiva, algo inédito esta época. Merece (eu dou a música) ou não merece festa?

littbarski

domingo, abril 01, 2012

Regresso à liderança...

... depois da derrota (injusta) do Braga na Luz, com Rolando no banco, Maicon no seu lugar e sem sobressaltos na defesa (coisa rara, nos últimos jogos). Fernando é importantíssimo a defender, mas continua a falhar passes, em zona proibida. Lucho, mesmo em baixa rotação e sem pernas para o jogo todo, continua a ser decisivo. James pode fazer a diferença a qualquer momento (e é por isso que deve ser titular). Hulk só não desequilibrou porque Fabiano brilhou do outro lado. Talento não falta. Falta consistência. Ter Moutinho ajuda, mas não chega. Eu apostava no mesmo onze, em Braga.
 
littbarski

segunda-feira, março 26, 2012

Inacreditável?

Vítor Pereira acha que sim. Já foi incompreensível e inexplicável. Agora, é inacreditável. Vai ser assim até ao fim do campeonato. O Porto, quase sempre por intermédio de Hulk, fez o suficiente para desequilibrar a balança para o seu lado. Mas uma enorme falta de eficácia na finalização (que este lance ilustra na perfeição) e uma boa exibição de Cássio mantiveram o perigo de uma vantagem mínima que, com tanto desperdício, só podia chegar através de um autogolo. Melgarejo deu uma mãozinha ao Benfica e outra ao Braga, não na primeira, mas na segunda oportunidade que teve (já tinha ameaçado na primeira parte). Fácil, sem surpresa nenhuma.

littbarski

domingo, janeiro 15, 2012

Golos de James e Cardozo

Deixam tudo na mesma. Os sul-americanos bisaram e ajudaram as suas equipas a ultrapassar as dificuldades que o jogo lhes trouxe - um golo do adversário no caso do Benfica, uma lesão de Hulk no caso do Porto. Tudo muito simples, desta vez, ao contrário do que tem sido hábito.

master kodro

terça-feira, janeiro 10, 2012

Top 100 do Footy Blog

Interessante exercício de quase duas dezenas de jornalistas europeus, sobre os melhores 100 futebolistas do mundo, no final de 2011, que deu os seguintes resultados, entre todos os que podem ser consultados no artigo:

1.º Messi; 2.º C. Ronaldo; 3.º Xavi; 4.º Iniesta; 5.º David Silva (...) 10.º Thiago Silva (melhor defesa); (...) 19.º Casillas (melhor guarda-redes); (...) 24.º Daniel Alves (melhor lateral); 39.º Falcao (...) 41.º Nani (o segundo melhor para Paulo Bento, à frente de Messi); (...) 43.º Hernanes (ui, profeta...); 44.º Di Maria (...) 51.º Hulk (apesar de em algumas latitudes não ser sequer considerado jogador de futebol); (...) 64.º Fábio Coentrão (...) 72.º Danny (...) 99.º Pepe.

Como é óbvio nestas coisas, ninguém fica satisfeito com as escolhas.

master kodro