DESCULPA-ME. A curva perfeita de 180 graus, desde as declarações de pré-época na Academia -
"partimos à frente", ouvia-se aos jogadores nas conferências - até ao recuo com o rabo entre as pernas consumado ontem por Paulo Bento, o líder:
"O Sporting não tem dinheiro para competir com o Benfica e o FC Porto". Quatro temporadas depois - ou seria melhor dizer 15 anos depois? - é neste ponto que estamos. O mesmo.
Paulo Bento diz que a pressão é grande, mas parece que ele próprio já não aguenta a pressão. Só assim se entende que tenha recuperado
as estafadas desculpas do orçamento e da juventude do plantel.
"O Sporting tem lutado com adversários com orçamentos superiores, que têm gasto muito mais e têm conseguido alguns objectivos. E são muitas as limitações!", afirmou ontem, antes de sublinhar que
"não é fácil para uma equipa com gente jovem lutar contra esta pressão". Barbosa, amigo, o Bento está contigo.
Pergunto-me, honestamente,
o que é feito da promessa de JEB - acabar com o discurso das contas e do coitadinho - e até quando a desvalorização da formação vai servir de rede de salvação para determinadas incompetências. Acabe-se de vez com a Academia e contratem-se todos os derleis em fim de contrato deste mundo.
E, já agora, não convém perguntar até que ponto as constantes referências à incapacidade para contratar qualidade influenciam a moral das tropas?
Alguém acredita que o pior arranque do Sporting em 75 anos de competições oficiais se deve em exclusivo à pobreza da conta bancária? Não, niguém acredita. Nem quem está lá dentro, certamente. Principalmente porque, dos quatro adversários, só a Fiorentina ostenta maior riqueza.
Todo este discurso da vitimização é, aliás, um disparate pegado. O Sporting tem hoje uma equipa tão jovem assim? Com que atletas conta Jesualdo Ferreira, afinal?
Falcão tem 23 anos, Hulk também, Rodriguez idem. Entretanto, o tridente mais utilizado até agora por Paulo Bento é composto por Liedson (31), Postiga (27) e Matias (23). Ontem na Figueira da Foz o onze titular do Porto contava 25,2 de média de idades. Tirem-se Mariano e Varela pelos prováveis titulares Rodriguez e Hulk e a média seria de 24,9. Na quarta-feira, em Florença, um Sporting de recurso contava 24,09 de média de idades. Com Postiga em vez de Djaló teria sido de 24,5.
Como se vê, dificilmente a juventude pode ser um argumento de peso. A não ser que estejamos a falar dos treinadores. Aí, sim, a experiência de Jesualdo tem sido, aparentemente, uma vantagem.
VARICELA. Foi dispensado por não servir os interesses do Sporting. Livre. Imagino que é mais um daqueles casos de atletas sem mercado, uma doença muito comum em Alvalade. Agora que até marca pelo FC Porto, vai-se dizendo do Sporting que sofre por não ter extremos no plantel.
Rochemback regressa ao Brasil e, tal como Varela, deixa o clube sem que o clube receba um único euro à cabeça.
Desde o Verão de 2006 foram embora Rochemback, Romagnoli, Derlei, Tiuí, Ronny, Purovic, Stojkovic, Celsinho, Miguel Garcia, Carlos Martins, Custódio, João Alves, Tello, Paredes, Farnerud, Douala, Ricardo, Deivid, Nani, Rogério, Beto, Sá Pinto, Luís Loureiro, Pinilla, Silva, Paíto, Edson, Wender, Hugo, Varela.
São 30 jogadores. Saíram 21 por rescisão, sem custos para os clubes que os contrataram e portanto sem retorno para o Sporting. Acresce que Ronny, Stojkovic e Purovic vão aparentemente pelo mesmo caminho.
Em três anos e 30 atletas, só geraram receitas Carlos Martins, Custódio, Douala, Ricardo, Deivid e Nani.
Presentemente,
há 5 milhões de euros empatados em Ronny, Tiui, Celsinho, Romagnoli, Purovic e Stojkovic, conforme lembra
A Norte o Leão de Alvalade, num texto que vê as coisas pela perspectiva certa: o que se gasta é tão importante como a receita que (não) se tem.
O que faria Pedro Barbosa agora com 5 milhões?
OBTUSO. Uma contratação aparentemente inteligente, a de Angulo, mas, na verdade, impossível de avaliar com rigor. O que vale nesta fase da carreira? Para quê seis avançados? Por quê Caidedo, então? Para quando laterais?
kovacevic