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terça-feira, dezembro 08, 2009

Uma espécie de blind date

1. O Benfica passeou-se este fim-de-semana com golos de Saviola e Cardozo, dois jogadores observados em tempos pelo gabinete de scouting leonino, segundo revelou Paulo Bento nas entrevistas à televisão e à imprensa que usou para se despedir, defender e atacar. É interessante que o Sporting, sem dinheiro para mandar cantar um cego, alegadamente observe sujeitos como Saviola, nos últimos oito anos vinculado ao Barcelona (primeiro) e ao Real Madrid (depois), com empréstimos a Mónaco e Sevilha pelo meio. Era uma contratação provável, está bom de ver.

Quanto a Cardozo, sem dúvida seria impensável resgatá-lo por 9 milhões de euros (actualmente 12) como fez o Benfica -- dificilmente o Sporting terá a possibilidade de contratar o melhor marcador do campeonato argentino --, mas já não seria tão impensável assim contratá-lo por 900 mil euros em 2006, quando Cardozo marcou 17 golos pelo Club Nacional no Paraguai e saltou para o Newell's. Em 2006, de resto, também Dátolo e Denis, outros exemplos apontados por Paulo Bento para elogiar o gabinete de scouting e proteger Pedro Barbosa, desculpados com a falta de orçamento, eram jogadores perfeitamente acessíveis no Banfield e no Colón.

Para identificar craques no Boca Juniors, na primeira liga espanhola ou na série A italiana, podem contar connosco. Para descobrir diamantes em bruto, ainda por cima baratos, é realmente necessário um gabinete de scouting.

2. Quem também brilhou, com um passe magistral para o primeiro de Liedson em Setúbal, foi Matias Fernandez. A história da sua contratação contou-a Miguel Ribeiro Telles ao i, em mais uma entrevista de despedida. Segundo Ribeiro Telles, o Sporting queria mesmo era contratar Damian Escudero, presentemente emprestado pelo Villarreal ao Valladolid. Acontece que do outro lado alguém perguntou: "Não querem o Matias Fernandez?". E assim se consumou o único verdadeiro reforço leonino para 2009/10.

3. Não tem sido fácil sobreviver no mercado com um orçamento diminuto. Liedson, de regresso aos golos, e logo dois, veio do Corinthians praticamente de borla, tal como Tinga (Grémio), Rogério (Corinthians) e Anderson Polga (Grémio), num período em que realmente havia capacidade em Alvalade, a mal ou a bem, para identificar negócios vantajosos.

De borla estaria Silvestre Varela, se o Sporting não o tem libertado -- ainda por cima pagando -- quando era o destaque do Estrela da Amadora. Varela chega ao FC Porto com 75 jogos na primeira liga portuguesa e 21 na primeira liga espanhola, além de dezenas de internacionalizações nos vários escalões etários. Não sendo um Quaresma, era um caso raro de adaptação ao futebol profissional. A sua não inclusão em plantéis com Caicedo, Saleiro, Tiuí e Purovic, por exemplo, é um acto negligente de gestão, para não escrever pior. Dizer que não servia os interesses tácticos da equipa, um absurdo. Conclui-se que o Sporting jogava em losango por falta de extremos - apesar de Vuk, Izmailov, Pereirinha, Djaló - e não contratava extremos porque jogava em losango.

4. E assim se chega a Angulo, outro dos nomes da última semana, um caso de blind date catastrófico: quando a dispensa de um indivíduo, dois meses após a sua chegada, não suscita senão silêncio, está tudo dito sobre o acerto da contratação.

kovacevic

domingo, agosto 30, 2009

Coragem ou o rabo entre as pernas

DESCULPA-ME. A curva perfeita de 180 graus, desde as declarações de pré-época na Academia - "partimos à frente", ouvia-se aos jogadores nas conferências - até ao recuo com o rabo entre as pernas consumado ontem por Paulo Bento, o líder: "O Sporting não tem dinheiro para competir com o Benfica e o FC Porto". Quatro temporadas depois - ou seria melhor dizer 15 anos depois? - é neste ponto que estamos. O mesmo.

Paulo Bento diz que a pressão é grande, mas parece que ele próprio já não aguenta a pressão. Só assim se entende que tenha recuperado as estafadas desculpas do orçamento e da juventude do plantel. "O Sporting tem lutado com adversários com orçamentos superiores, que têm gasto muito mais e têm conseguido alguns objectivos. E são muitas as limitações!", afirmou ontem, antes de sublinhar que "não é fácil para uma equipa com gente jovem lutar contra esta pressão". Barbosa, amigo, o Bento está contigo.

Pergunto-me, honestamente, o que é feito da promessa de JEB - acabar com o discurso das contas e do coitadinho - e até quando a desvalorização da formação vai servir de rede de salvação para determinadas incompetências. Acabe-se de vez com a Academia e contratem-se todos os derleis em fim de contrato deste mundo.

E, já agora, não convém perguntar até que ponto as constantes referências à incapacidade para contratar qualidade influenciam a moral das tropas?

Alguém acredita que o pior arranque do Sporting em 75 anos de competições oficiais se deve em exclusivo à pobreza da conta bancária? Não, niguém acredita. Nem quem está lá dentro, certamente. Principalmente porque, dos quatro adversários, só a Fiorentina ostenta maior riqueza.

Todo este discurso da vitimização é, aliás, um disparate pegado. O Sporting tem hoje uma equipa tão jovem assim? Com que atletas conta Jesualdo Ferreira, afinal?

Falcão tem 23 anos, Hulk também, Rodriguez idem. Entretanto, o tridente mais utilizado até agora por Paulo Bento é composto por Liedson (31), Postiga (27) e Matias (23). Ontem na Figueira da Foz o onze titular do Porto contava 25,2 de média de idades. Tirem-se Mariano e Varela pelos prováveis titulares Rodriguez e Hulk e a média seria de 24,9. Na quarta-feira, em Florença, um Sporting de recurso contava 24,09 de média de idades. Com Postiga em vez de Djaló teria sido de 24,5.

Como se vê, dificilmente a juventude pode ser um argumento de peso. A não ser que estejamos a falar dos treinadores. Aí, sim, a experiência de Jesualdo tem sido, aparentemente, uma vantagem.

VARICELA. Foi dispensado por não servir os interesses do Sporting. Livre. Imagino que é mais um daqueles casos de atletas sem mercado, uma doença muito comum em Alvalade. Agora que até marca pelo FC Porto, vai-se dizendo do Sporting que sofre por não ter extremos no plantel.

Rochemback regressa ao Brasil e, tal como Varela, deixa o clube sem que o clube receba um único euro à cabeça.

Desde o Verão de 2006 foram embora Rochemback, Romagnoli, Derlei, Tiuí, Ronny, Purovic, Stojkovic, Celsinho, Miguel Garcia, Carlos Martins, Custódio, João Alves, Tello, Paredes, Farnerud, Douala, Ricardo, Deivid, Nani, Rogério, Beto, Sá Pinto, Luís Loureiro, Pinilla, Silva, Paíto, Edson, Wender, Hugo, Varela.

São 30 jogadores. Saíram 21 por rescisão, sem custos para os clubes que os contrataram e portanto sem retorno para o Sporting. Acresce que Ronny, Stojkovic e Purovic vão aparentemente pelo mesmo caminho.

Em três anos e 30 atletas, só geraram receitas Carlos Martins, Custódio, Douala, Ricardo, Deivid e Nani.

Presentemente, há 5 milhões de euros empatados em Ronny, Tiui, Celsinho, Romagnoli, Purovic e Stojkovic, conforme lembra A Norte o Leão de Alvalade, num texto que vê as coisas pela perspectiva certa: o que se gasta é tão importante como a receita que (não) se tem.

O que faria Pedro Barbosa agora com 5 milhões?

OBTUSO. Uma contratação aparentemente inteligente, a de Angulo, mas, na verdade, impossível de avaliar com rigor. O que vale nesta fase da carreira? Para quê seis avançados? Por quê Caidedo, então? Para quando laterais?

kovacevic