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segunda-feira, maio 10, 2010

Selecção: convocatória oficial

Guarda-Redes: Eduardo, Daniel Fernandes e Beto.
Laterais: Paulo Ferreira, Miguel, Coentrão e Duda.
Centrais: R. Carvalho, B. Alves, Rolando, Ricardo Costa e Zé Castro.
Médios: Pepe, Pedro Mendes, Veloso, Meireles, Tiago, Deco.
Alas/Avançados: Nani, Simão, Ronaldo, Liedson, H. Almeida, Danny.

O núcleo vital está presente, nada a apontar. Mas nas "segundas linhas", Queiroz falha rotundamente. Na baliza, o risco é tremendo: estando Eduardo eventualmente indisponível, não há um valor seguro. Perceberia a convocatória de uma "esperança" (Patrício, Beto, Fernandes, por esta ordem), mas um dos "experientes" (Quim ou Hilário) deveria obviamente estar presente.

O excesso de centrais é inexplicável, mesmo contando que Pepe poderá não estar em condições físicas. E as escolhas em particular de Ricardo Costa ou de Zé Castro são risíveis: dois jogadores medianos, com carreiras estagnadas ou em declínio, e quase sem experiência a nível de selecção. Se a ideia era levar um "quinto" central (nunca um "sexto"), então faria mais sentido Fernando Meira ou até mesmo uma aposta "de futuro" em Carriço.

Com tantos defesas, o miolo está descompensado. Temos quatro jogadores de características defensivas (os correctos, a meu ver), mas apenas dois médios de construção (Tiago e Deco). Um erro crasso. Moutinho e Carlos Martins poderiam ser aqui peças determinantes e foram injustamente esquecidos.

Nota final sobre a ideia dos "24 jogadores". Compreende-se a vantagem de ter alguém "de reserva", mas o efeito psicológico que provocará a desmobilização de um jogador afectará o próprio e o grupo de maneira imprevisível. Mais um erro de palmatória, numa convocatória globalmente desequilibrada.

katanec

quinta-feira, abril 02, 2009

Quem disse que o futebol era complexo?

As discussões sobre o estado da selecção multiplicam-se por blogues, jornais, televisão e afins. Debatem-se os maus resultados e as diversas causas dos problemas. Infelizmente, descubro agora que tudo isto é em vão. José António Saraiva falou. E afinal isto arruma-se em meia dúzia de linhas:

"Qual é o problema da equipa de Carlos Queiroz? Para o percebermos, é necessário compará-la com a de Scolari. O brasileiro seguiu duas regras básicas: formar um grupo e criar uma mística. Pegou em 16 jogadores e disse-lhes: «Vocês são a Seleção, desenvolvam essa mentalidade». Por isso Scolari era tão avesso a mudanças. Aquele era o grupo dele. Os jogadores criaram rotinas dentro e fora do campo. E, dado não jogarem todo o ano juntos, esse conhecimento mútuo era fundamental."

"Scolari criou também uma mística de Seleção. Que envolvia os jogadores e os portugueses em geral, gerando um ambiente próprio à volta da equipa. «Um grupo e uma mística» - é isto que explica os êxitos de Scolari. Ora Queiroz destruiu ambas as coisas. Convocando hoje uns jogadores e amanhã outros, não criou um espírito de grupo; e o seu discurso soit disant «científico» não chega ao coração das pessoas".

Grupo. Mística. Metam isso na cabeça. Pois...

O que é um treinador de futebol? Uma espécie de leitor d"O Segredo" misturado com aqueles senhores de abdominais tonificados do TV Shop a impingirem-nos o "Butterfly Abs". O que interessa é acreditar. Essa coisa da táctica e dos discursos científicos são um aborrecimento de todo o tamanho.

katanec

segunda-feira, março 30, 2009

Bookmarks # 5 - Herman Melville (1819-1891)


Título: "Bartleby"

Original: "Bartleby the Scrivener: a Story of Wall Street" (1853)

Tradução: Gil de Carvalho

Editora: Assírio & Alvim, aqui


"- As cópias! As cópias! - exclamei eu, apressadamente. - Vamos conferi-las.
- Ali! E estendi-lhe uma quarta cópia.
- Preferia não o fazer - respondeu, desaparecendo calmamente por trás do biombo.
(...)
-Por que se recusa?
- Preferia não o fazer.
(...) Comecei a argumentar com ele.
- São as suas próprias cópias que vamos conferir. É trabalho que lhe poupamos, visto que bastará conferir uma vez. É prática comum. Todo o copista é obrigado a ajudar a conferir as suas próprias cópias. Não é assim? Mas não fala? Responda!
- Preferia não o fazer - respondeu numa voz aflautada. Pareceu-me que, enquanto eu lhe falava, ele ia considerando cuidadosamente tudo quanto eu dizia; apreendendo completamente o sentido; e sem poder negar a inevitável conclusão; mas, ao mesmo tempo, uma qualquer consideração suprema o levava a responder como tinha feito."

O que é que Carlos Queiroz pode fazer quando o melhor jogador do Mundo FIFA 2008 e melhor marcador da Premier League 2007/2008 (aquele rapaz modesto que usa a braçadeira de capitão e que acha que faz mais do que os outros), Hugo Almeida, Nani, Ricardo Quaresma, Simão Sabrosa, Danny e Nuno Gomes (todos os avançados utilizados neste período) não conseguem ter um rasgo decisivo que os leve a marcar um golo nos últimos três jogos de qualificação? O que fazer quando os avançados que o fazem há anos regularmente em todo o lado por onde passam, parecem preferir não o fazer apesar da quantidade e qualidade das oportunidades criadas? Desta vez, Danny, magistralmente isolado por Tiago, disparou para as núvens. Ronaldo, a meio metro da linha de golo, cabeceou por cima. Deco falhou o alvo por centímetros. O que fazer? Sinceramente, não sei.

Sei o que Queiroz não devia ter feito. Sei que não devia ter tirado Tiago do campo, precisamente quando este evidenciava ser o jogador mais inspirado para furar a muralha adversária. Sei que, quando o jogo de Portugal foi canalizado pelos laterais e extremos e acabou na maior parte das vezes com cruzamentos para a área (depois de jogadas muito bem trabalhadas), Danny não era o homem para terminar esse serviço. Sei que, com a lesão de Bosingwa, colocando Rolando em campo e Ricardo Carvalho à direita (quando havia Nélson para lançar), não podia haver a mesma intensidade ofensiva no flanco direito.

Sei também que era prudente tentar um plano B, que não se limitasse a trocar peça por peça sem abanar, de alguma forma, a estrutura. Queiroz fez uma abordagem tipicamente scolariana, perante um cenário de dificuldades, pelo que me custam a compreender algumas críticas quando acompanhadas de saudosismos.

Mas o que me interessa mais é que Portugal jogou bem contra a Suécia e isso é um bom sinal para o futuro. Defrontou uma selecção física e tacticamente forte - que não pensou duas vezes em colocar oito/nove jogadores dentro e em torno da área - e teve a paciência suficiente para trocar a bola criteriosamente e usar os flancos (muito bem Bosingwa e Duda) para criar algumas oportunidades de golo flagrantes (tal como acontecera contra os albaneses), suficientes para ganhar merecidamente. E jogou bem. Jogou bem e chegou a entusiasmar (embora tenha também apresentado períodos de um tédio incompreensível) como naquela jogada de entendimento entre Ronaldo, Danny (ou Tiago?) e Simão, nos passes longos de Meireles na primeira parte (à qual se seguiu uma exibição ofensiva desastrada na segunda), nos passes à Deco de Tiago (que o próprio Deco não conseguiu fazer, depois) ou em cada arrancada de Bosingwa na primeira parte.

Agora acabou a margem de erro. E acabou cedo, tal como na anterior qualificação (relembram-se os mais esquecidos que, ao fim de 10 jogos, na qualificação passada, Portugal estava atrás da Polónia e da Finlândia, a jogar miseravelmente mal, depois de empates com a Arménia, Polónia e Sérvia), face à incapacidade de ganhar às equipas mais fortes do grupo. Apesar do que se vai escrevendo, a qualificação ainda não acabou. E não é preciso assim tanto. Basta que prefiram fazê-lo.

master kodro

domingo, março 29, 2009

Portugal 0 x Suécia 0

Custa sempre não ganhar, mas custa muito mais quando se rubrica uma boa exibição contra uma equipa de indiscutível qualidade como a Suécia (mesmo sem Ibrahimovic). Portugal foi competente na defesa e empenhado no ataque, gozando de uma série de boas oportunidades. Chegou mesmo a vulgarizar o adversário e, convenhamos, merecia ter vencido com tranquilidade.

Por que não ganhou? Ao contrário do que se lê por aí, não há uma resposta fácil. O problema da finalização é central. Uma equipa que dispõe de três ocasiões flagrantes não pode chegar a zeros ao fim do jogo. As perdidas de Ronaldo e Danny são particularmente inaceitáveis quando falamos de dois jogadores com dezenas de golos nos seus currículos. Por outro lado, Portugal tem hoje em emoção o que lhe falta em cinismo. Os ataques são feitos talvez de maneira demasiado sôfrega, sempre com coração mas com pouca objectividade. Não defendo um futebol “frio”, mas esta selecção precisa de ser mais incisiva nos seus movimentos atacantes.

Queirós cometeu todavia vários erros. Se o objectivo era colocar Danny a tabelar com os médios entre os centrais suecos (como aconteceu na segunda parte), então era preferível ter convocado Nuno Gomes, que desempenha muito melhor esse papel. Critico também a saída de Tiago, então um dos melhores jogadores, para a entrada de Deco. Queirós podia ter substituído o incipiente Meireles e arriscar a utilização simultânea dos dois criativos portugueses. Por fim, a gestão do problema do lateral-direito foi simplesmente néscia. Portugal já tinha três centrais em campo, pelo que a presença de Nélson no banco era fundamental para o caso de Bosingwa se ter lesionado (como sucedeu). Fazer entrar Rolando (e que mal jogou) e descair Carvalho para a direita foi uma solução então necessária, mas que resultou de uma má decisão inicial.

Ninguém pode estar contente com esta fase de qualificação. Dois pontos caseiros em três jogos é péssimo. Uma vitória em cinco jogos é ridículo. Porém, observo com verdadeiro nojo a campanha que decorre na imprensa contra Queirós. Desde o primeiro dia, aliás. Criticam-se todas as opções, mesmo quando funcionam (é o caso das felizes adaptações de Pepe e Duda), recordam-se eras pseudo-douradas com Scolari e traçam-se cenários catastróficos completamente a despropósito. A má-fé é tão evidente que o comentador Manuel Queirós dizia ontem na TVI que o jogo tinha sido "equilibrado"...

Atentem bem: eu acho que Portugal tem agora poucas hipóteses de chegar ao primeiro lugar e o apuramento será sempre difícil. Mas o que hoje li, vi e ouvi é vergonhoso. A imprensa afirma EXPLICITAMENTE que Portugal já foi eliminado (“Adeus África”, titula O Jogo) ou que seria necessário um milagre para nos apurarmos quando Portugal tem possibilidades matemáticas de vencer o grupo, podendo até chegar ao play-off mesmo sem ganhar todos os jogos. É isto mau jornalismo? Não tenho dúvidas. É isto uma forma de pressão indecorosa – que nos tem feito muito mal – com o objectivo de chutar Queirós e apelar ao breve regresso do salvador Scolari? Idem.

katanec

quinta-feira, março 19, 2009

Os 21 de Queiroz

Guarda-redes: Daniel Fernandes (Bochum); Eduardo (Sp. Braga) e Beto (Leixões);

Defesas: Bruno Alves (FC Porto), Gonçalo Brandão (Siena), Pepe (Real Madrid), Ricardo Carvalho (Chelsea), Nélson (Bétis), Bosingwa (Chelsea) e Rolando (FC Porto);

Médios: Deco (Chelsea), João Moutinho (Sporting), Maniche (At. Madrid), Raúl Meireles (FC Porto), Duda (Málaga) e Tiago (Juventus);

Avançados: Danny (Zenit), Simão (At. Madrid), Hugo Almeida (Werder Bremen), Nani (Manchester United) e Cristiano Ronaldo (Manchester United)

ps - O Duda está em itálico porque deve fazer parte da listagem dos defesas, nas contas do seleccionador.

master kodro

terça-feira, março 10, 2009

Os 38 de Queiroz - defesa esquerdo

Depois das críticas, começam as perguntas. Quem é que convocavam para defesa esquerdo (mais do que um, por favor)?

master kodro

segunda-feira, março 09, 2009

Os 38 de Queiroz

Deco, Quaresma, Hilário, Bosingwa e Ricardo Carvalho (Chelsea)
Bruno Alves, Raul Meireles e Rolando (FC Porto)
Hélder Postiga, João Moutinho e Rui Patrício (Sporting)
Simão e Maniche (Atlético de Madrid)
Ruben Amorim e Nuno Gomes (Benfica)
Nelson e Ricardo (Betis)
Orlando Sá e Eduardo (Sp. Braga)
Eliseu e Duda (Málaga)
Nani e Cristiano Ronaldo (Manchester United)
Manuel Fernandes e Miguel (Valencia)
Edinho (AEK)
Varela (Estrela da Amadora)
José Gonçalves (Nuremberga)
Danny (Zenit)
Fernando Meira (Galatasaray)
Tiago (Juventus)
Beto (Leixões)
Pedro Mendes (Rangers)
Pepe (Real Madrid)
Gonçalo Brandão (Siena)
Hugo Almeida (Werder Bremen)
Daniel Fernandes (Bochum)
André Marques (Vitória de Setúbal)

master kodro

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Queiroz, o Louco

Peço desculpa por meter a colher num assunto já lançado pelo caríssimo master kodro, mas o que Carlos Queiroz acaba de fazer, na forma de convocatória, é no mínimo gozar com todos os atletas que trabalham no duro para, algum dia, envergar a camisola da selecção nacional.

Gonçalo Brandão, essa antiga promessa do Restelo, agora no Siena, alinhou esta época em seis (6) partidas da Serie A, campeonato que já cumpriu a jornada 22. Uma pessoa pensa: é azar, uma fase má. Não, não é: em seis épocas como profissional, Gonçalo Brandão (22 anos) apresenta como balanço extraordinário menos de 30 (!) presenças em competições oficiais de clubes.

Depois temos Orlando Sá, um tipo que pode vir a ser o melhor ponta-de-lança do mundo, não faço ideia, mas que Jorge Jesus tem olimpicamente ignorado no Braga, em favor de Renteria, Meyong e do resto da malta que por lá anda.

Junte-se a isto todas as experiências anteriores, os boatos de que os gémeos brasileiros do Manchester United interessam à selecção portuguesa, e honestamente torna-se muito, muito difícil perceber o que pretende Queiroz.

Aproveitando a onda, proponho o treinador do Moita do Boi para próximo seleccionador nacional. Nunca passou dos regionais, mas garantem-me que tem um potencial enorme.

kovacevic

Convocatória de Queiroz

Ainda sem uma equipa, Carlos Queiroz continua a promover testes. Gonçalo Brandão, Eliseu e Orlando Sá são as caras novas, Daniel Fernandes, Rolando e Duda são as insistências. Dado o estado da nação, eu inventava menos, muito menos do que isto, mesmo sendo um particular.

master kodro