segunda-feira, março 30, 2009

Bookmarks # 5 - Herman Melville (1819-1891)


Título: "Bartleby"

Original: "Bartleby the Scrivener: a Story of Wall Street" (1853)

Tradução: Gil de Carvalho

Editora: Assírio & Alvim, aqui


"- As cópias! As cópias! - exclamei eu, apressadamente. - Vamos conferi-las.
- Ali! E estendi-lhe uma quarta cópia.
- Preferia não o fazer - respondeu, desaparecendo calmamente por trás do biombo.
(...)
-Por que se recusa?
- Preferia não o fazer.
(...) Comecei a argumentar com ele.
- São as suas próprias cópias que vamos conferir. É trabalho que lhe poupamos, visto que bastará conferir uma vez. É prática comum. Todo o copista é obrigado a ajudar a conferir as suas próprias cópias. Não é assim? Mas não fala? Responda!
- Preferia não o fazer - respondeu numa voz aflautada. Pareceu-me que, enquanto eu lhe falava, ele ia considerando cuidadosamente tudo quanto eu dizia; apreendendo completamente o sentido; e sem poder negar a inevitável conclusão; mas, ao mesmo tempo, uma qualquer consideração suprema o levava a responder como tinha feito."

O que é que Carlos Queiroz pode fazer quando o melhor jogador do Mundo FIFA 2008 e melhor marcador da Premier League 2007/2008 (aquele rapaz modesto que usa a braçadeira de capitão e que acha que faz mais do que os outros), Hugo Almeida, Nani, Ricardo Quaresma, Simão Sabrosa, Danny e Nuno Gomes (todos os avançados utilizados neste período) não conseguem ter um rasgo decisivo que os leve a marcar um golo nos últimos três jogos de qualificação? O que fazer quando os avançados que o fazem há anos regularmente em todo o lado por onde passam, parecem preferir não o fazer apesar da quantidade e qualidade das oportunidades criadas? Desta vez, Danny, magistralmente isolado por Tiago, disparou para as núvens. Ronaldo, a meio metro da linha de golo, cabeceou por cima. Deco falhou o alvo por centímetros. O que fazer? Sinceramente, não sei.

Sei o que Queiroz não devia ter feito. Sei que não devia ter tirado Tiago do campo, precisamente quando este evidenciava ser o jogador mais inspirado para furar a muralha adversária. Sei que, quando o jogo de Portugal foi canalizado pelos laterais e extremos e acabou na maior parte das vezes com cruzamentos para a área (depois de jogadas muito bem trabalhadas), Danny não era o homem para terminar esse serviço. Sei que, com a lesão de Bosingwa, colocando Rolando em campo e Ricardo Carvalho à direita (quando havia Nélson para lançar), não podia haver a mesma intensidade ofensiva no flanco direito.

Sei também que era prudente tentar um plano B, que não se limitasse a trocar peça por peça sem abanar, de alguma forma, a estrutura. Queiroz fez uma abordagem tipicamente scolariana, perante um cenário de dificuldades, pelo que me custam a compreender algumas críticas quando acompanhadas de saudosismos.

Mas o que me interessa mais é que Portugal jogou bem contra a Suécia e isso é um bom sinal para o futuro. Defrontou uma selecção física e tacticamente forte - que não pensou duas vezes em colocar oito/nove jogadores dentro e em torno da área - e teve a paciência suficiente para trocar a bola criteriosamente e usar os flancos (muito bem Bosingwa e Duda) para criar algumas oportunidades de golo flagrantes (tal como acontecera contra os albaneses), suficientes para ganhar merecidamente. E jogou bem. Jogou bem e chegou a entusiasmar (embora tenha também apresentado períodos de um tédio incompreensível) como naquela jogada de entendimento entre Ronaldo, Danny (ou Tiago?) e Simão, nos passes longos de Meireles na primeira parte (à qual se seguiu uma exibição ofensiva desastrada na segunda), nos passes à Deco de Tiago (que o próprio Deco não conseguiu fazer, depois) ou em cada arrancada de Bosingwa na primeira parte.

Agora acabou a margem de erro. E acabou cedo, tal como na anterior qualificação (relembram-se os mais esquecidos que, ao fim de 10 jogos, na qualificação passada, Portugal estava atrás da Polónia e da Finlândia, a jogar miseravelmente mal, depois de empates com a Arménia, Polónia e Sérvia), face à incapacidade de ganhar às equipas mais fortes do grupo. Apesar do que se vai escrevendo, a qualificação ainda não acabou. E não é preciso assim tanto. Basta que prefiram fazê-lo.

master kodro

39 comentários:

cparis disse...

1. Podia ter colocado em campo o melhor marcador da equipa nesta fase da qualificação.

2. Podia ter convocado e posto a jogar o o avançado português com mais golos marcados na Liga.

Tanta coisa seria possível, sem ter acabado um jogo que se precisa de ganhar com 4 centrais em campo.

P.S. Gostei da abordagem scolariana. Olhas para a convocatória e vês uma abordagem Scolariana por tudo quanto é lado.
Sim, se repetires isso muitas vezes, és capaz de vir a acreditar que é verdade.

Bruno Ribeiro disse...

Concordo com praticamente tudo o que dizes. É bem mais fácil criticar Queiroz (ou Queirós, ou seja lá como se escreve) do que os jogadores; mas a verdade é que estamos nesta situação por culpa destes últimos e não do treinador. Portugal joga bem, cria ocasiões, mas falha golos de formas verdadeiramente imbecis!

Criar ocasiões sérias de golo perante uma equipa bem montada defensivamente como é a Suécia é complicado, pelo que não se pode desperdiçar aquelas que se conseguem. A de Danny é péssima, mas o falhanço de Ronaldo é absolutamente inadmissível! Principalmente vindo de quem apresenta uma arrogância e desconsideração pelos companheiros de selecção como ele o fez!

Queiroz esteve mal ao permitir que continue com a braçadeira. Não é por ser a principal figura que deva ser o capitão. Há jogadores que tem mais perfil de líder, como é o caso de Ricardo Carvalho, Deco ou mesmo Simão (outra nulidade no sábado).

A verdade é que precisámos de um outro Pauleta, de um jogador que saiba rematar à baliza e tenha presença na área. Hugo Almeida não tem qualidade para ser a referência no ataque e a Danny falta-lhe capacidade de choque para ocupar aquela posição. Tendo em conta que Nuno Gomes e Postiga, sendo melhores jogadores do ponto de vista técnico, têm alguma dificuldade em perceber onde fica a baliza, a coisa fica complicada.

A campanha anti-Queirós é habitual por parte de uma comunicação social patética. O apuramento é complicado, mas acho que o vamos conseguir à rasca, como aliás o fizemos para o último europeu.

pitons na boca disse...

Concordo com quase tudo do que foi escrito neste post e no anterior.
Apenas com um ou outro detalhe não concordo.
E, ao contrario do que escreves no texto, não havia Nelson para lançar pelo simples facto que... não estava no banco.
Não se percebe para que leva Rolando e G.Brandão para o banco, se não conta com nenhum dos dois para a lateral, nem há grande solução para essa eventualidade.

Para a entrada de Deco continuo a achar que o mais indicado teria sido tirar Pepe (ou um central e passar Pepe para essa posição) e ficar com R.Meireles e Tiago a dividirem o meio campo atrás de Deco, visto que esses 2 estavam a conseguir encarrilar muito jogo. A saída de Tiago é incompreensivel.

Por um lado compreendo (mas não concordo) com a colocação do Danny na frente. Mas o que é certo é que a selecção, na 1ª parte, jogou quase sempre para um avançado como o H. Almeida. Só no inicio da 2ª parte se viu jogo para o Danny, com a bola a ser colocada em passes directos para ele, pelo chão, para dentro da area. Na primeira parte viram-se demasiados centros para a area (apesar de algum preocupação em fazê-lo pelo chão) que pecam por não ter tanta precisão como um passe directo e intencional para o jogador, além da clara vantagem que isso dava aos centrais adversários.

Compreendi a não entrada do Moutinho. Trata-se de um jogador que não pode lutar de igual para igual com medios fortes e corpolentos, como se viu na derrota 2-0 na Polónia, onde Portugal nunca ganhou o meio campo. Não nos podiamos dar ao luxo de arriscar outro descalabro igual.

E acho que a convocatória foi mal feita, não precavenco algumas necessidades que se vieram a notar no jogo em si.

Portugal está numa posição muito má, e não acho que seja comparavel à ultima qualificação. Estás a comparar um cenário mau à 10ª jornada com um cenário péssimo à 5ª. E não acho que a abordagem fosse tipicamente scolariana, nem de perto nem de longe.

cparis disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
cparis disse...

Bruno Ribeiro,

A verdade é que precisámos de um outro Pauleta

E Queiroz convocava esse Pauleta?
Nuno Gomes não foi convocado porque tem alguma dificuldade em perceber onde fica a baliza, ou por ser (para Queiroz) velho?

Nuno Gomes, está a marcar um golo a cada 151 minutos (pelo menos sabe onde é a baliza para a ir buscar lá dentro). Não será brilhante, mas Pauleta em 2008 marcava um golo a cada 217 minutos. Em 2007 a cada 173. Uma abordagem scolariana escolheu Pauleta, escolheria Nuno Gomes.

Bruno Ribeiro disse...

cparis,

quanto aos motivos, terás de perguntar ao seleccionador. Mas é verdade que tanto o Nuno Gomes como o Postiga são jogadores tecnicamente muito bons e que sabem jogar bem de costas para a baliza, mas que têm dificuldade em acertar com a mesma. São basicamente os Renteria portugueses.

Não digo que não sejam úteis, pelo contrário, mas não são a solução para o nosso problema com os golos. A verdade é esta, está mais do que visto que o regresso ao 4-4-2 com dois avançados móveis deveria ser uma solução a ter em conta. Quem andou anos com JV Pinto, Sá Pinto e Domingos nessas condições, pode muito bem fazer o mesmo com combinações Ronaldo+Danny ou outro qualquer.

Yazalde74 disse...

Selecção com Queiroz: regresso ao passado, em todos os sentidos.

Não sei se rio ou se choro quando vejo dizer que é animador o que estamos a fazer porque a selecção "jogou bem" e, pasme-se, "entusiasmou"!!! Afinal, há mesmo quem se contente com pouco, com as vitórias morais, com o "futebol sem balizas"... Regresso total aos anos 80 e início dos 90.

E qualquer tipo de comparação com a era Scolari é simplesmente inconcebível. Com este, qualificámo-nos facilmente para o Mundial e fomos às meias-finais da competição. Agora, preparamo-nos para nem sequer estar presentes na África do Sul... Mas, enfim, sou eu que devo ser um saudosista cego de Scolari e estar a inventar factos objectivos.

A verdade é esta, com Scolari, final e quartos de um Euro e meias-finais de um Mundial, ou seja, os melhores resultados de sempre. Com Queiroz, a coisa está preta, muito preta... Ainda quero acreditar e espero que consigamos o apuramento, vou estar a apoiar muito para que tal aconteça, mas não me peçam que me conforme ou simplesmente minta, dizendo que antes estávamos igual ou pior... Por favor!

Aliás, toda a argumentação dos que ferozmente atacavam o brasileiro era que este era muito fraco e que com os jogadores que tinha, havia a obrigação de fazer muito melhor (ou seja, com isso depreende-se que a obrigação era de ganhar títulos). Agora, provavelmente, nem sequer vamos ao Mundial, falhando a primeira grande competição desde 1998! Sem dúvida, muito melhor...

Agora, não faz sentido estar aqui a falar do Scolari, cujo ciclo já terminou, já foi. Queiroz é o treinador e tem de ter todo o espaço de manobra para fazer o seu trabalho. Só peço é que tenham a seriedade de serem coerentes e não fazerem revisionismos da história, só isso.

Yazalde74 disse...

Ah, só mais uma coisa: é óbvio que dizer que Queiroz é o principal culpado da situação em que nos encontramos não faz sentido. Muitos dos problemas decorrem das (limitadas) escolhas à disposição e também das más performances (e por vezes atitude) de jogadores-chave. Mas anteriormente, parece que certas pessoas não tinham muito isso em consideração e agora já importa muito.

Lembro-me bem dos comentários de que tínhamos uma das melhores selecções do mundo e que era obrigatório fazer melhor, para além de que quase todas as críticas tinham o mesmo destinatário: o seleccionador.

Agora, simplesmente, acontece a mesma coisa, como, aliás, é costume no futebol. A única diferença é que cada um coloca mais ou menos peso nessa responsabilidade do técnico consoante se goste (ou desgoste) mais ou um de outro.

Falar em "campanha vergonhosa contra Queiroz" é tão adequado quanto falar-se de "campanha vergonhosa contra Scolari" anteriormente.

Bruno Ribeiro disse...

"Falar em "campanha vergonhosa contra Queiroz" é tão adequado quanto falar-se de "campanha vergonhosa contra Scolari" anteriormente."

Estás a falar do mesmo Scolari? Da mesma comunicação social?

Claro que Queiroz tem as suas culpas, mas a verdade é que Portugal não tem empatado ou perdido por falta de futebol. Tem sido por falta de golos em jogos em que não têm faltado oportunidades de golo claras, e aí a responsabilidade é dos jogadores.

No sábado falharam-se golos escandalosamente, como já havia acontecido frente à Albânia e frente à Dinamarca. A isso não há treinador que sobreviva. Uma coisa é empatar ou perder jogos em que não se conseguem mostrar futebol para mais; outra coisa é empatar ou perder jogando bem, criando oportunidades e acertar em tudo o que mexe menos na baliza.

luissm disse...

"A verdade é esta, está mais do que visto que o regresso ao 4-4-2 com dois avançados móveis deveria ser uma solução a ter em conta. Quem andou anos com JV Pinto, Sá Pinto e Domingos nessas condições, pode muito bem fazer o mesmo com combinações Ronaldo+Danny ou outro qualquer."

Enfim...o que é que fizémos de jeito nesta altura?

Continuemos a brincar aos futebóis de 6 médios, a fazer muita troca de bola bonita e inconsequente e a desculpar o CQ com os fracos recursos.

Boa sorte! Eu já não tenho paciência para continuar a dizer mal do Queiroz.

Bruno Ribeiro disse...

"Enfim...o que é que fizémos de
jeito nesta altura?"

Qual a dificuldade em perceber que o facto de se usar uma táctica similar à do passado não significa repetir os seus resultados? Ou achas que é a táctica que define o resultado e não os jogadores?

Diz-me lá a tua solução maravilhosa para uma selecção que não tem um ponta-de-lança que se aproveite? Continuar a colocar lá jogadores a ver qual deles resulta?

Quem não tem cão, caça com gato! Se não temos um ponta-de-lança de que adianta estarmos a jogar em 4-3-3? Criamos espaços nas alas, cruzamos e ficamos à espera que um defesa se engane?

luissm disse...

Dava jeito começar por convocar os menos maus.

Deixar Nuno Gomes e Postiga de fora é risível.

cparis disse...

Bruno Ribeiro,

Repetes-te a dizer que Nuno Gomes tem dificuldade em acertar na baliza, mas a realidade é acerta mais vezes do que acertava Pauleta e desejavas um Pauleta.

Repito para ver se percebes:
1. Nuno Gomes é o avançado português com mais golos na Liga.
2. Além de marcar muitos, fa-lo com frequência.
Média de minutos para marcar um golo: 151
Média de Pauleta(2007): 173

Se isto é o Renteria (média superior a 300), enfim....

Bruno Ribeiro disse...

"Deixar Nuno Gomes e Postiga de fora é risível."

Quem ler isso pensa que tanto um como outro estão em excelente forma, são opções regulares nos seus clubes, e têm um historial de grande sucesso na selecção.

Bruno Ribeiro disse...

"Repetes-te a dizer que Nuno Gomes tem dificuldade em acertar na baliza, mas a realidade é acerta mais vezes do que acertava Pauleta e desejavas um Pauleta."

Na selecção, Nuno Gomes tem 29 golos marcados em 74 presenças (uma média de 1 golo a cada 2,6 jogos); Pauleta marcou 47 golos em 88 jogos (uma média de 1 golo por 1,9 jogos).

Em termos de clubes, Nuno Gomes leva 155 golos em 392 jogos (média de 2,5 golos por jogo). Pauleta marcou 212 golos em 425 jogos (média de 1 golo cada 2 jogos).

Já agora Postiga marca 1 golo a cada 3,1 jogos na selecção (34 jogos, 11 golos) e 1 golo a cada 4 jogos nos clubes (174 jogos e 44 golos).

Tanto Almeida como Danny não têm ainda jogos suficientes na selecção para terem representatividade estatística. Acrescento que Ronald tem uma média de 1 golo a cada 2,8 jogos na selecção, e de 1 golo a cada 2,4 jogos no Man Utd.

david disse...

«Na selecção, Nuno Gomes tem 29 golos marcados em 74 presenças (uma média de 1 golo a cada 2,6 jogos); Pauleta marcou 47 golos em 88 jogos (uma média de 1 golo por 1,9 jogos).»

Julgo que estes números são falaciosos porque numa parte das 74 presenças o Nuno Gomes não foi titular, mas sim suplente utilizado, tendo jogado menos de 45 minutos. Se se quiser fazer análises destas, há que ir buscar os minutos jogados e não o número de jogos.

Além disso, seria interessante comparar a relação entre golos marcados/minutos jogados dos dois jogadores em fases finais.

De qualquer forma parece-me que estas comparações não levam a lado nenhum. Eu acho que o Nuno Gomes ainda seria muito util à selecção, nem que fosse pela experiência. Lembrem-se que ele esteve em todas as fases finais desde 2000, passou pelos bons momentos e também pelos maus momentos da nossa história recente e podia ser muito importante num grupo tão inexperiente como o de Queiroz. Por outro lado tenho a convicção pessoal que o Nuno Gomes podia ter numeros semelhantes aos do Pauleta se tivesse feito os jogos que o Pauleta fez. Também era gajo para marcar 2 ou 3 golos a equipas como o Luxemburgo e talvez marcasse mais um ou outro nas fases finais... se calhar à conta disso hoje podíamos ter algum caneco, em vez de termos ficado no quase! Mas isto são tudo suposições baseadas em opiniões pessoais acerca da valia dos jogadores.

No mais, concordo a 100% com os posts do Katanec e do Master Kodro acerca do Portugal-Suécia e do actual momento da selecção. Excelentes análises!

Na minha opinião, Queiroz tem tido alguns sinais de incompetência (há alguns exemplos disso no post) mas mais do que incompetência, tem tido infelicidade.

E é bom lembrar que o Scolari também mostrou inúmeros sinais de incompetência... a memória das pessoas é muito curta.

Os defensores de Scolari agora andam por aí felizes porque, dizem eles, assim prova-se que o Scolari é que era bom. Mas é óbvio que há um erro lógico nesta ideia. Por um lado, talvez o Queiroz seja pior treinador do que muitos de nós pensavamos (eu incluído). Os próximos tempos vão responder a isso. Mas a possível incompetência do Queiroz não torna o Scolari nem mais, nem menos competente. Imaginem que em vez do Queiroz estava lá o Luis Campos a coleccionar derrotas... será que as derrotas do Luis Campos tornavam o Scolari mais competente? Óbvio que não. Tudo isto para dizer que a avaliação dos méritos e dos defeitos de Scolari tem que ser feita olhando para os factos do passado e de modo independente do trabalho de Queiroz.

Nuno disse...
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Nuno disse...

Master, estas apropriações de passagens de livros, quase sempre descontextualizadas e sem qualquer tipo de conexão lógica entre elas e a analogia que fazes com elas, dão um traço pedante e ridículo às coisas que dizes.

Se querias usar a frase emblemática do Bartleby de Melville, deverias, em primeiro lugar, ter usado apenas a asserção "Preferia não o fazer", dita pelo próprio Bartleby e não uma passagem na qual tudo o resto é supérfluo, tendo em conta o uso que lhe dás. Citar uma passagem do livro, nesse sentido, é apenas uma tentativa deprimente de se mostrar inteligente. O mais deprimente, contudo, é o teres usado essa frase, mas nem sequer estares informado acerca dela. A tradução portuguesa não faz justiça ao original e este encerra uma diferença importante. Ao contrário do que seria expectável em inglês, Bartleby não usa a construção "I would rather not", mas sim "I would prefer not to". Esta é, aliás, uma das frases mais célebres da História da Literatura. É no uso excêntrico desta construção em inglês que reside a principal peculiaridade da frase, acentuando a estranheza da reacção mecânica da personagem ao longo de toda a história, a distinção abismal entre o comportamento de Bartleby e os padrões comportamentais da sociedade que o envolve e a preferência pela indiferença, pela passividade, que conduzirá à morte por inanidade. Bartleby representa, provavelmente, a mais perfeita oposição à poesia triunfal de Whitman, o desinteresse absoluto, a irrelevância das coisas, uma espécie de não sentir nada de maneira nenhuma. E esta frase contém nela tudo o que Bartleby representa. Ao usá-la da forma leviana como o fazes negligencias tudo aquilo que está por trás dela. É, ao mesmo tempo, um uso desacertado e uma postura de filisteu flaubertiano que acha que, por ter lido determinada coisa, pode falar dela como bem entender.

Resumindo, poderias ter utilizado a obra de Melville para dar ênfase ao ridículo das opções de Queiroz ou para dar ênfase à incompreensão de que o seleccionador está a ser alvo; poderias ter utilizado a obra para reforçar a teimosia do Queiroz ou a sua persistência num discurso estranhamente optimista ou despreocupado; poderias ter utilizado a obra para fazer uma comparação entre o abismo em que se afunda gradualmente a vida da personagem e o percurso da selecção neste apuramento. Não fizeste nada disto. Como diria o Bartleby, preferiste citar uma passagem inteira da qual retiraste apenas uma frase, desconhecendo que essa mesma frase encerra uma estranheza bem maior que aquela instanciada pelo seu significado, e com ela fizeste algo que poderias ter feito sem o recurso à citação, com efeitos idênticos. Eu teria preferido que não o fizesses.

Bruno Ribeiro disse...

david,

o Nuno Gomes tem menos minutos e menos golos na selecção por um simples motivo: Pauleta! Não jogou mais porque Pauleta era melhor e nada garante que teria mais ou menos golos do que Pauleta com os mesmos jogos/minutos. Isso não é argumento.

Como não é dizer que é o melhor marcador português do campeonato nacional. Nenhum dos outros avançados joga na nossa Liga, por isso não se pode comparar. Nada garante que o Danny tivesse mais ou menos golos do que o Nuno Gomes se jogasse no Benfica.

Não faço a mínima se o Nuno Gomes ou o Postiga marcariam os lances que os outros falharam. Se tivesse que apostaria diria que não, mas não posso dar certezas. Daria uma maior hipótese de sucesso ao Liédson, mas ao contrário de Deco e Pepe não sou favorável à sua chamada porque estes dois iniciaram a carreira profissional em Portugal antes dos 20 anos e Liédson não.

O problema dos avançados portugueses não é individual, é de formação. Os avançados portugueses não sabem rematar à baliza. Limitam-se a, como diria o outro, a chutar com o pé que têm mais à mão. Uns são melhores do que a maioria, mas em termos gerais o material à disposição é fraco. Pauleta foi a excepção que confirma a regra.

leaoconselheiro disse...

Acho que estás a ser injusto, MK, apesar da visão lucida e nada tendenciosa do post.

Se há coisa de que Queiros não pode ser acusado é de tentar copiar Scolari. Pelo contrário, começou logo por deixar criticas indirectas aos métodos anteriores, anunciando uma nova era.
O resultado está à vista.

Outra coisa que tem toda a lógica é comparar uma Selecção que teve essa massada de poder empatar o último jogo em casa para se poder apurar directamente, com outra que conquistou por mérito próprio o privilegio de precisar de ganhar os 5 últimos jogos para poder ter acesso a um playoff de apuramento.

Já agora, se calhar é melhor dispensar também o Ronaldo. É que o tipo anda um bocado a mais nesta causa Queiroziana (ou talvez seja "anti-Scolariana"). Então não é que Portugal tem o melhor marcador da Europa e uma máquina de golos ao seu dispor e não faz um golo?! Isto é péssimo porque retira aquela velha desculpa de que nos falta um "homem-golo".

A culpa só pode ser do Ronaldo!

cparis disse...

Bruno Ribeiro,
1. Falo de minutos/golos. Tu falas de jogos/golos. Se achas que é minimamente relevante esse racio tenho pena. Não vale a pena avançar.

2. Já agora que usas números certifica-te que os usas bem. Dizer que Nuno Gomes tem média de 2,5 golos por jogo é absurdo.

3. Digo que é o melhor avançado a jogar em Portugal, porque o é, não como argumento. Não digo que é melhor nem pior do que Hugo Almeida. Apenas digo que existe e com melhor racio do que Pauleta. O que me faz supor que Pauleta, se ainda jogasse, não seria convocado porque aparentemente Queiroz acha que se deve alimentar a vaca em vez de lhe tirar o leite.

Yazalde74 disse...

"Mas a possível incompetência do Queiroz não torna o Scolari nem mais, nem menos competente."

Final e quartos de final de um Euro, meias-finais de um Mundial. Santa incompetência!!! (E nem falemos de todos os restantes títulos que conquistou ao longo da carreira noutros lugares...) Seguindo essa mesma lógica, se Scolari era incompetente, o que dizer de todos os outros seleccionadores que por lá passaram? Enfim...

Além disso, dizer-se que Queiroz é incompetente também não faz sentido. É esta facilidade com que se passa atestados de estupidez a pessoa com todo um percurso profissional de respeito em Portugal (particularmente no futebol) que me deixa perplexo...

Falo com toda a tranquilidade e e convicção, porque na impossibilidade de podermos contar com um grande treinador estrangeiro, como Gus Hiddink, ou com Mourinho, apoiei Queiroz como a escolha lógica e mais acertada. Queiroz tem várias qualidades que podem ser muito benéficas, principalmente num projecto de médio-longo prazo.

Agora, da mesma forma, sabia que a questão psicológica e de união do grupo seria um problema, assim como já esperava que num futuro próximo não fossemos repetir as classificações obtidas com Scolari. Não esperava é que as coisas estivessem a correr tão mal como estão...

Infante disse...

Desculpem, mas dizer que o Scolari era incensado pela imprensa é uma meia-verdade. Sim, os directores que faziam as capas adoravam o gajo e toda a histeria das bandeirinhas caiu que nem ginjas num país que acabara de "descobrir" o patriotismo.

Mas em relação aos comentadores a divisão era tão grande como acontece neste momento com o Queirós. A verdade é que o Scolari também levava muita pancada. Alguém se lembra dos Trios de Ataque ? Hora e meia de pancada no homem, por tudo e por nada.

O que se passa aqui é simples, MK: tu não gostas do Scolari, é tão simples como isto.

Eu também não gosto, ele era estupidamente populista, usava metáforas bélicas idiotas, achava que os fins justificavam sempre os meios, era um tipo irritante. O problema é que ele conseguiu resultados. Conseguiu alguns dos melhores resultados de sempre na selecção. E contra isso não há muito a dizer. Eu também tive que comer e calar muitas vezes.

Quando ele saiu, eu fiquei contente, achei que era o fim natural dum ciclo, que ele já não tinha condições para continuar. Mas quando falaram do Queiros (ou do Manel José) até tremi, porque já sabia que algumas destas coisas iam acontecer: que ia ser o regresso às nojentas vitórias morais, ao "jogámos bem, mas os deuses não quiseram", "vulgarizámos o adversário, mas faltou o golo". O Queirós representa o pior dos anos 90, esta mentalidade idiota.

E isto é ridículo. O futebol é um desporto de comeptição, não é patinagem artistica amadora. E custa encarar a possiblidade de termos que ver esta selecção fora do Mundial. espero que ainda lá cheguemos, eu ainda acredito. Mas não me peçam para bater palmas pelo "bom futebol", quando os resultados são a miséria que são, mesmo que a culpa não seja exclusivamente dele.

Cumps.

Infante disse...

E já agora: como é que alguém pode dizer que o "mais importante é que jogámos bem" ? Que raio de mentalidade romanticazinha da treta é que leva alguém a dizer isto ?

Mas isto é um anúncio da Nike, "joga bonito", ou é uma competição em que passa quem fizer mais pontos ?

Temos que mudar esta mentalidade. O mais importante seria jogar bem e ganhar. A 2ª mais importante, seria ganhar, independentemente da qualidade e só por último deviam vir as vitórias morais, e o "jogámos bem mas não ganhámos".

Isto além do facto de que "jogar bem" é uma coisa bastante subjectiva. Eu não vi "jogo bonito" praticamente nenhum. Vi, sim, uma selecção a empurrar outra para defesa, COMO ERA SUA OBRIGAÇÃO já que jogava em casa, precisava mais da vitória (a Suécia ainda joga com albania, corrijam-me se estiver enganado) e tem melhores jogadores, mais tecnicistas.

Atacar muito não é o mesmo que jogar bem e só neste país das vitórias morais é que se pode achar o contrário.

Bruno Ribeiro disse...

"Digo que é o melhor avançado a jogar em Portugal, porque o é, não como argumento."

Isso não é um argumento válido! Isso é uma opinião!

Quanto ao rácio, estás à vontade de apresentares um de golos por minutos, ou segundos. Só tens de calcular o número de minutos que cada um actuou ao serviço da selecção e o número de golos apontados.

Obviamente que o 2,5 golos por jogo foi um erro de escrita da minha parte. Precisa de 2,5 jogos para marcar um golo. O que nos leva ao mesmo: Pauleta é mais eficaz do que Nuno Gomes!

Zé Luís disse...

Obviamente, a discussão descai para o ridículo e tem um ponto em comum: cada qual gostaria de ver a jogar o ponta-de-lança português e aproveitável do seu clube.

Nem que actualmente sejam suplentes, como Nuno Gomes e Postiga. Cada qual puxa a brasa à sua sardinha.

Até aqui vinha-se a falar se deveria ter saído Tiago ou Meireles ou Pepe ou...

Ninguém pôs em causa porque jogou Simão, que nunca enche as medidas na selecção, e não Nani, por exemplo. Nani não é titular do United, mas vem jogando com regularidade e a marcar alguns golos, tem um pique que Simão já conheceu noutros tempos mas agora não foi à linha uma só vez...

É tão lindo falar das preferências clubísticas quando joga a selecção. Aí é que Scolari era... consensual.

Da mesma forma, vai aí uma confusão entre alcançar resultados e obter êxitos, títulos, conquistas. Porque melhor que o 4º lugar do Mundial-2006 foi o 3º em 1966 e o 3º em 2000 (Europeu), com futebol de grande categoria, estes só superados pelo 2º de 2004.

E 2004 foi um resultado ou um triunfo?

Isto para não falar do que lhe deu origem: quer um ano e meio falhado na preparação, quer a excomunhão do melhor guarda-redes europeu dessa época com reflexos no golo da final perdida.

O futebol é bem mais simples de explicar. Se as bolas entram...

Zé Luís disse...

Se é preciso tempo para fazer uma equipa num clube, a trabalhar diariamente, por maioria de razão uma selecção requer mais tempo - e não tem mercado a que recorrer que não seja o que sobra da sua Liga.

Filipe disse...

Bruno sem querer prolongar demasiado a conversa, o Pauleta nunca marcou em fases finais, o Nuno se não me engano marcou em todas a que foi. O Pauleta era particularmente eficaz contra equipas de segundo plano, algo que nos faz uma falta tremenda agora. Nas fases de qualificação o Pauleta era uma mais valia tremenda. De qualquer forma nós costumamos ser injustos para com o Nuno e o Pauleta que possuem números mais interessantes na selecção que Rui Águas, Gomes, e Nené.

Para este jogo eu até acho que se devia ter metido o Orlando Sá junto com o Hugo Almeida. Estamos a falar de jogadores bastante altos.

luis disse...

Filipe, o Pauleta marcou em fases Finais, e por cinco vezes, pelo menos (4 Polónia, 1 Angola).

"O Pauleta era particularmente eficaz contra equipas de segundo plano", verdade. Mas também marcava contra boas equipas, como os dois na Holanda, por exemplo.

cparis disse...

Bruno Ribeiro.

Se Pauleta levava 173 minutos para marcar um golo e Nuno Gomes leva 151, o mais eficaz é quem tu quiseres que seja.


P.S. Quando digo que Nuno Gomes é o avançado português, a jogar em Portugal, com melhor racio de golos, é um facto. Não é uma opinião.

cparis disse...

Zé Luís,

Sabes quantos minutos jogou Tiago este ano na Serie A? 766
E Nuno Gomes na SuperLiga 759. Mas os 7 minutos de diferença devem fazer de um titular absoluto e de outro suplente.

E sim já coloquei em causa, logo no primeiro comentário, porque é que o melhor marcador da Selecção nesta fase de apuramento (Nani) não saiu do banco. Mas parece que havia centrais que tinham de jogar.

luissm disse...

Em jeito de conclusão:

Vão torcer pelo Brasil ou pela Espanha? ;)

Zé Luís disse...

cparis, não vale confundir e misturar o que não deve ser misturado.

1) o seleccionador tinha um plano e propôs-se executá-lo, com certos jogadores;
2) queria versatilidade, movimento,criatividade, logo abdicava de jogadores altos e fixos na área
3) nesta medida, Tiago entrava para o lugar de Deco (vinha de 2 meses de paragem), não podia ser Nuno Gomes a jogar por Deco ou em vez de Deco
4) quando muito escolhia-se entre Nuno Gomes, Hugo Almeida e Danny ou Orlando Sá
5) mas quem é o único suplente no seu clube? E a selecção deve ter suplentes dos seus clubes a titulares?
6) a questão Nani coloca-se quanto a Simão, o treinador optou por este
7) não me lembro de um jogo bom do Simão na selecção, não treino com os jogadores e Queiroz conhece Nani de sobra - portanto, se escolheu Simão, é por não ter sentido em Nani as condições para triunfar
8) acredito que CQ quisesse trocar Simão por Nani durante o jogo, mas queimou uma substituição (Bosingwa) e tinha em mente fazer duas trocas directas (Danny-H. Almeida e Tiago-Deco) se as coisas não funcionassem.

Isto ficou claro para mim durante e no fim do jogo.

Não é preciso contabilizar eficácia (que se diria, então, de CR7?), apontar os minutos jogados e agitar a bandeira do passado de a) e b) na selecção.

Tivesse uma bola entrado, e houve-as em quantidade para aproveitar uma, e nada desta discussão tinha sentido. Muito menos enviesada como ficou. Mas isso são maus hábitos. E péssimos raciocínios, à base de clubismo doentio.

Filipe disse...

Por alguma razão não me lembrava que tinhamos ido ao mundial da Coreia. Foram 3 golos frente à Polónia. Era um jogador extremamente útil para as partidas em que tínhamos o domínio do jogo com adversários fechados lá atrás.

Em fases finais o Pauleta fez:
Euro 2000. 1 jogo, 0 golos
Mundial 2002. 3 jogos 3 golos
Euro 2004. 5 jogos 0 golos
Mundial 2006. 6 jogos 1 golo

Nos jogos em que éramos nós na retranca não era muito eficiente.

cparis disse...

Zé Luís,

Não confundo nem misturo nada.

1. Concordo
2. Convinha ter dito isso aos jogadores na primeira parte. Evitavam-se os centros sem sentido para a área.
3. Se admitires que podes ter suplentes no clube como titulares na selecção, sim.
5. Define suplente. E alguém falou que Nuno Gomes deveria ser titular? Acaso Hugo Almeida jogou a titular? Agora se queres acabar o jogo com 4 centrais em campo, não vale a pena ter NG no banco
6. Achas? E eu que pensava que podiam jogar juntos.
7. Se Nani não tinha condições para triunfar o que fazia no banco? Teria sido mais útil ter lá o Nelson, não?
8. Um treinador experiente como CQ nunca iria para um jogo com 2 substituições queimadas, por isso não deve ter sido isso. Ou terá sido.

Tivesse uma bola entrado e teríamos sido campeões europeus. Mas gosto do teu raciocinio - eu queixo-me da não entrada de Nani e do avançado português com melhor registo da Liga e sou acusado de clubismo doentio. Isso é que é uma discussão enviesada. Fala-me dos méritos se queres usar argumentos. Fala-me da necessidade de meter Rolando à direita, de não ter Nelson no banco, de Hugo Almeida estar no banco. Fala-me das virtudes todas que encontras na acção de CQ na preparação e durante o jogo, e eu mostro-te as estatísticas - nº de golos, nº de remates perigosos, nº de defesas do guarda redes adversário e tu depois podes dizer-me que jogámos um futebol bonito, daquele sem balizas.

Zé Luís disse...

ó cparis, és muito curto de vistas, francamente.

a) quantos jogadores vão para o banco?
b) isto não é uma fase final, em que tens mais jogadores no banco do que em campo!
c) ao meteres 7 no banco, 1 é g.r., pelo menos 2 médios, 2 avançados e 1 central mas podem ser dois
d) há que sacrificar alguma posição e no banco ter jogadores que possam jogar em mais de uma posição, o Nélson não pode e de resto nem tem nível para ser seleccionado, quanto a mim.

As contas continuar a ser mal feitas. E se Nani não entrou, e acho que faria melhor do que Simão, é porque CQ, que o conheço melhor que ninguém, achou assim, quem sou eu e tu para discutir se ele está bem ou não? Se não se tivesse perdido o Bosingwa, acredito que Nani entraria. As outras 2 substituições são normalíssimas, para mim. Uma delas, aliás, era previsível que fosse Deco de início e Tiago no banco, portanto a troca não é do outro mundo. Tal como optar por jogar de forma diferente entre os pinheiros escandinavos, com jogadores baixos e jogo rasteiro.

Não sei onde viste centrar sem nexo na 1ª parte. Quase não houve cruzamentos e nenhum por alto, tentou-se sempre jogar baixo, logo a abordagem ao jogo era aquela.

O avançado português com melhor registo na Liga prefere morrer lentamente no clube que não o utiliza, por conveniência própria em final de carreira. Está acomodado e a História mostrou-nos que outros não se acomodaram e partiram para clubes deixando a História com o seu clube de sempre para trás.

É preciso encarar de frente as coisas.

O Postiga acha que tem lugar na selecção e não digo o contrário, mas também vem de uma lesão e não era titular antes de se lesionar. Acabou de mostrar que nem um penálti sabe marcar, apesar daquele à Panenka em 2004.

O que podes criticar no CQ é ter desprezado algum capital que podia ser convertível, por experiência e lastro de selecção, numa fase de qualificação num grupo difícil e curto em que os erros contam muito. Arriscou-se demais, concordo. Mas CQ achou que ia à selva com estes e ninguém garante que com NG ou HP as coisas seriam melhores.

Temos o exemplo do CR7 que não marca como na época passada e parece-me acusar a pressão que lhe colocam em cima. Há quem ache que ele tem de aguentar, eu acho que é humano se não aguentar mas Portugal também pouco tem beneficiado com ele nos últimos tempos, se quisermos ser objectivos. Mas CR7 é indispensável. Já NG ou HP é discutível, há boas razões para o "sim" e boas para o "não".

Aliás, a veia goleadora de NH no Benfica, quando entra, confirma a sua apetência para falar golos feitos, de caras. Isto pesa a todos, não há milagres.

Zé Luís disse...

Essa dos 4 centrais em campo é de uma estupidez a toda a prova. Se entrassem 6 avançados, seriam todos avançados mesmo?

Quando Meira jogava a trinco, na selecção, era considerado central?

Já se sabe, e penso que esta noite se verá isso, que CQ conta com Gonçalo Brandão para experimentar à esquerda. Vai contar como central ou como lat. esq. onde vai jogar.

É um argumento de quem não tem mais por onde pegar, sinceramente.

O Sergio Ramos era central, habituou-se a jogar à direita no RM e foi campeão europeu a jogar a lat. dir. Conta como central?

Não há pachorra para tanta idiotice.

cparis disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
cparis disse...

Zé Luís,

Lamento ser curto de vistas, mas vou passar a usar óculos.

i) Se tens 3 centrais em campo, precisas de ter um quarto no banco para quê? Se houvesse problemas nos centrais, Pepe descia e metias um jogador no meio campo.
Idiotice é pensar que se vai a jogo com 2 substituições queimadas, mas não te quis ofender mais cedo.

ii) No banco tens de ter alternativas para caso se lesione algum jogador de qualquer posição. Obviamente que a situação de um lateral se aleijar não estava prevista.

iii) Se Nelson não tem qualidade (opinião tua, não partilhada) não era pré-convocado. Simples. Mas quanto à qualidade, parece-me que joga melhor que quem jogou na posição.Espero que tenhas visto o jogo de ontem.

iv) Se CQ achou que Nani não podia entrar, não o punha no banco. Simples.

v) O avançado português com melhor registo na Liga faz o mesmo que Pauleta. Sim, Pauleta era um senhor, este está acomodado. Ainda bem que não há clubismos a enviesar a história.

vi) É óbvio que CQ quer alimentar a vaca em vez de lhe tirar leite. É uma opção que respeito, apesar de ser passível de crítica. Só não admito que depois se diga que não podia ter sido feito de outra maneira. Podia. Com garantias que seria melhor? Não.