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quarta-feira, julho 04, 2012

Portugal, o presente e o futuro

A participação de Portugal no Euro 2012 foi muito boa. Não porque tenha sido uma performance de enorme brilho, coragem e futebol ofensivo e positivo (como, por vezes, se lê), mas porque foi guiada por uma visão pragmática que reconhece superioridade aos adversários que são, de facto, superiores, e porque conseguiu ultrapassar todos os adversários de valia equivalente ou inferior.

Uma análise fria dos números mostra-nos que só Inglaterra, Grécia e República da Irlanda tiveram uma percentagem de posse de bola por jogo inferior a Portugal, o que demonstra uma aposta clara na defesa (com ou sem pressão, mais ou menos alta) e no contra-ataque. A tendência para o passe longo (logo, mais arriscado) influiu também na sua qualidade: 66% de passes certos, um valor superior apenas ao das selecções da República da Irlanda e Grécia e igual ao dos croatas.

Portanto, não assistimos - longe disso - a nenhum espectáculo de ataque e coragem (como a dos italianos contra os mesmo adversários, uma coragem que pode ter resultados e custos), mas sim a um exercício calculista, que não critico, bem pelo contrário, aplaudo, tal como aplaudi há 2 anos, em circunstâncias semelhantes (na valia da equipa, na valia dos adversários e com um calendário extremamente exigente).

Continua a ler-se que estivemos muito perto de ultrapassar os espanhóis - o que não é mentira - mas não nos podemos esquecer que quem fez mais por passar foram eles, mudando inclusivamente o cariz da equipa, abrindo o jogo às alas (faz-me confusão que se invoque o cansaço no prolongamento, quando a outra equipa é formada por jogadores do Real e Barça e teve menos dois dias de repouso desde o jogo dos quartos-de-final).

Por fim, tivemos novamente uma absoluta fixação em Cristiano Ronaldo.  Portugal fez 80 remates durante o torneio, dos quais 35 foram do avançado. Talvez seja inevitável, mas até nisso o jogo nacional se torna demasiado previsível para os adversários - até à exacta medida em que Ronaldo o torne imparável e ele tem armas para o fazer, mas não é todos os dias, como é óbvio.

E o futuro? Ainda há matéria prima para fazer uma selecção competitiva, mas não sei durante quanto mais tempo isso vai durar. Já aqui deixei pistas para o que se está a passar no campeonato português, com um conjunto de sobreviventes portugueses a quem ainda é permitido jogar nos clubes da primeira divisão, deixo agora dados mais específicos relativos a esta realidade.

Estes são os 23 jogadores portugueses, até aos 25 anos de idade (já não estamos só a falar de promessas), que fizeram pelo menos 1350 minutos no campeonato nacional 2011/12, ou seja metade do tempo possível de utilização (com a idade à frente):

João Moutinho (25), Hélder Barbosa (25), Rui Patrício (24), Rúben Ferreira (23), Luís Neto (24), Candeias (24), André Pinto (22), Wilson Eduardo (21), Salvador Agra (20), Daniel Faria (25), Hugo Vieira (23), Yohan Tavares (24), Joãozinho (23), Nuno Coelho (24), Cedric Soares (20), Adrien Silva (23), Ivo Pinto (22), Tiago Pinto (24), Vítor Gomes (24), Yazalde (23), Mika (24), Ludovic (22) e Manel Curto (25).

São estes que vão fazer o futuro? Não me estou a lembrar de muitos jogadores sub-25 que joguem lá fora regularmente, para além de Coentrão e Castro. As equipas B vão ser uma boa oportunidade se não se encherem de jogadores estrangeiros como os maiores formadores nacionais já fizeram nas suas equipas sub-19. Temos uma selecção sub-19 a jogar um Europeu (com grande jogo frente aos papões espanhóis já esta semana) e não sei se são todos titulares nos seus clubes (mas posso tentar saber*). Este panorama, a médio prazo, é ligeiramente deprimente. Era bom que alguém pusesse mão nisto, na Liga, na Federação, nos clubes. Por exemplo, eu acho que seria bem mais interessante que um director da Federação viesse a público alertar para estas questões do que estar constantemente a responder a declarações que não foram feitas ou que jornalistas fizessem o mesmo em vez de alimentarem essa mesma mentira. Mas isso é pedir demasiado.

ps - Uma pesquisa à fase final do nacional de sub-19 mostra que a esmagadora maioria dos jogadores são portugueses.(*)

master kodro

terça-feira, junho 26, 2012

O caminho espanhol


- Posse de bola insuperável, claro domínio nos remates, defesa quase impenetrável. É o que nos espera no encontro da meia-final. É o retrato da selecção espanhola nas fases finais, desde que iniciou a caminhada vitoriosa no Euro 2008: 28 golos marcados contra 6 sofridos, 287 remates efectuados contra 132 permitidos, em 17 jogos.

- São poucas as excepções a esta realidade: uma única derrota, contra a Suíça, no primeiro jogo para o Mundial 2010; apenas dois jogos com menos posse de bola (ambos durante o Euro 2008); uma única partida em que o adversário conseguiu fazer tantos remates como a Roja, contra o Chile.

- Só há aqui uma boa notícia para nós: o melhor marcador espanhol no período 2008-2010, David Villa, com 9 dos 20 golos marcados nesse período, não está cá e não tem substituto à altura (a má notícia é que marcam todos). Sim, porque com estes tipos raramente há boas notícias.

- Talvez, Ronaldo...

4x1 Rússia 17-10 46%
2x1 Suécia 13-7 63%
2x1 Grécia 17-9 56%
0x0 Itália 22-10 57%
3x0 Rússia 18-6 52%
1x0 Alemanha 12-3 48%
0x1 Suíça 24-8 63%
2x0 Honduras 22-9 56%
2x1 Chile 9-9 59%
1x0 Portugal 19-9 60%
1x0 Paraguai 16-9 60%
1x0 Alemanha 13-5 52%
1x0 Holanda 18-13 57%
1x1 Itália 18-10 60%
4x0 R. Irlanda 26-6 66%
1x0 Croácia 14-5 64%
2x0 França 9-4 55%

master kodro

terça-feira, setembro 07, 2010

Uma por dia (4)

A opinião de dois treinadores sobre a prestação de Portugal no Mundial 2010. Nos últimos tempos um dedica-se à agricultura, o outro a ganhar a Champions. O primeiro tem sido um dos preferidos dos media para falar dos assuntos da selecção. O segundo opinou sobre o assunto mas foram outras frases que interessaram mais os jornalistas como "Fiquei com a sensação de que as coisas nunca estiveram muito bem. O ambiente na Seleção não era o mais propício."

Octávio Machado: "Os piores cenários confirmaram-se, para mal do futebol português. Desde que chegou ao comando técnico da Selecção, Queiroz mantém um discurso contraditório e, em mais de dois anos, nunca conseguiu implementar um modelo de jogo que tire partido das características dos jogadores (...) Teve uma segunda oportunidade e voltou a falhar em toda a linha. É, claramente, um homem desorientado no seu discurso. Se for sensato, deve colocar o seu lugar à disposição"

José Mourinho: "Sinceramente, a Seleção não foi uma desilusão para mim. Quando soube do sorteio, disse que Portugal até podia não passar da primeira fase. Tinha no mesmo grupo um dos grandes favoritos ao título e uma equipa africana forte, a jogar no seu habitat natural. Não seria surpresa se fosse eliminado. Acabou em segundo no grupo. Não me parece que tenha sido um problema de maior jogar a seguir com a Espanha, que até foi campeã do Mundo, e ser eliminado. Não é um drama nem uma vergonha. Não me parece que tenha acontecido nada de anormal em termos de resultados."

master kodro

segunda-feira, julho 12, 2010

Palavra de karateca

Ou uma estratégia peculiar:
"É uma final e queriamos ganhar a todo o custo. Lutámos muito para chegar aos penáltis pois tínhamos esperança que o nosso guarda-redes defendesse um ou dois."

Nem que para isso fosse preciso mandar Xabi Alonso para o hospital ou transformar uma devolução de bola num remate enquadrado com a baliza. É a nova Holanda.

ps - "Feio, vulgar, duro e fechado", diz um holandês qualquer.

master kodro

Espanha 1 x Holanda 0 (a.p.)

Vitória justa da melhor equipa do mundo. Do lado holandês, Van Marwijk fez o que todos os treinadores do planeta - chamem-se ou não Queiroz - fazem contra esta máquina chamada Espanha: jogou na expectativa, com um bloco baixo, e apostou em transições rápidas (numa delas Robben desperdiçou a única efectiva oportunidade de golo holandesa). Como Portugal, Paraguai ou Alemanha, e mesmo tendo Robben, Sneijder, Kuyt, Van Persie, Huntelaar ou Van der Vaart - a Holanda foi, como agora se diz, "defensiva". I wonder why...

A Espanha até nem foi especialmente dependente do tiki-taka, recorrendo por vezes ao jogo directo ou a variantes no processo ofensivo, mas nem por isso deixou de ser dominadora (18-13 em remates, 57% de posse de bola). Particularmente na primeira parte e no prolongamento esteve sempre por cima do jogo, tendo Del Bosque agitado as águas com as entradas de Navas (excelente!), Fabregas e Torres (decisivos no golo). Para além deste "banco" fraquíssimo, a Espanha ainda teve um super-Casillas e um brutal Iniesta (talvez o jogador mais subvalorizado do mundo).

Três notas suplementares: 1. De registar a distribuição de fruta holandesa, que Howard Webb não considerou suficientemente podre. Ainda assim, depois da entrada assassina de De Jong e do sistemático jogo faltoso de Van Bommel &Ca., ainda há quem tenha a lata de dizer que a Holanda foi prejudicada...

2. Pergunto-me se o momento decisivo deste Mundial não terá sido a derrota com a Suíça. Foi com esse surpreendente deslize que a Espanha deixou para trás a sua proverbial arrogância, recebendo um importante banho de humildade - talvez o único ingrediente que lhe faltava para ser a melhor equipa do mundo...

3. Müller, melhor jogador jovem. Casillas, melhor guarda-redes. Forlán, melhor jogador. Nada a apontar quanto às escolhas da FIFA. O meu onze (em 442, claro): Casillas; Lahm, Puyol, Paulo da Silva, Coentrão; Xavi, Iniesta, Müller, Sneijder; Forlán, Villa.

katanec

quarta-feira, julho 07, 2010

Alemanha 0 x 1 Espanha

A Espanha tratou mesmo da saúde à Alemanha. A Alemanha, que marcou quatro a Inglaterra e Argentina, fez cinco remates. A Alemanha passou boa parte do jogo enfiada na área e redondezas (porque ninguém tem pernas para correr atrás do tiki-taka, excepto alguns sul-americanos que depois não sabem o que fazer à bola). Ainda bem para a Alemanha que os caprichos do sorteio não a fizeram defrontar Espanha nos oitavos-de-final.

ps - O onze do mundial mantém-se, embora talvez seja injusto para Xavi. Mas também o é para muitos outros.

master kodro

Onze do Mundial

Mesmo correndo o risco de os espanhóis tratarem da saúde dos alemães - não me parece, mas a este nível tudo é possível -, já não mudo de ideias. E o MVP dou-o a Lahm. Experimenta o teu onze.

G - Neuer
LD - Lahm
LE - Salcido
DC - Lugano
DC - Ricardo Carvalho
MD - Schweinsteiger
MO - Snejder
MO - Ozil
ED - Muller
EE/AV - Villa
AV - Forlan

Coach - Low

master kodro

sexta-feira, julho 02, 2010

Brasil 1 x Holanda 2

Embora viesse de quatro vitórias consecutivas, a Holanda ainda não fora devidamente testada neste Mundial. Quanto tal sucedeu, respondeu com enorme sucesso, operando uma reviravolta notável contra uma grande equipa. Este êxito alicerça-se, sem surpresas, no enorme poderio ofensivo dos holandeses, com dois avançados móveis e muito batalhadores (Van Persie e Kuyt), um organizador de jogo sensacional (Sneijder, porventura o jogador do ano) e um desequilibrador nato (Robben, em partida memorável). O restante panorama é apenas razoável, mas este quarteto consegue empurrar sozinho qualquer equipa.

Do outro lado, o Brasil pareceu mais forte durante quase uma hora. Dominou na primeira parte, saía rápido para o contra-ataque e conseguiu manter o tal "quarteto fantástico" longe de Júlio César. Talvez por excesso de confiança - ou simples incapacidade dos seus médios de contenção- a equipa recuou em demasia e foi vítima de sucessivos erros defensivos. O empate é inaceitável a este nível e no 2-1 há uma apatia geral na área brasileira. Depois, o descontrolo emocional não permitiu uma reacção adequada. A "canarinha" é eliminada pela segunda vez consecutiva nos quartos-de-final, o que não deixará de provocar mudanças no comando técnico. Pobre Dunga, vai ouvir das boas...

katanec

terça-feira, junho 29, 2010

O Mundial dos 7 a 1

Derrota normal, frente a uma selecção melhor. Portugal esteve dentro da eliminatória durante uma hora, sobrevivendo a dez minutos iniciais fortíssimos do adversário. A seguir, as ocasiões para marcar repartiram-se, mas parece-me que as melhores foram nossas. Os espanhóis praticamente só remataram de fora da área. Depois do golo, contudo, os navegadores afundaram-se imediata e irremediavelmente, deixando uma pálida última imagem.

O que marca o rumo dos acontecimentos não é a substituição de Hugo Almeida, com zero zero, como já se anda por aí a propagar, é mesmo a entrada de Llorente - responsabilidade de Del Bosque - e o tiro certeiro de Villa.

Queiroz tinha uma estratégia para este Mundial, a qual, face às características dos jogadores convocados, mais aptos a jogar em contra-ataque, me parece a mais certa. Falhou ao minuto 63 do quarto jogo, num momento em que os erros já eram potencialmente fatais.

Para uns será o Mundial em que só marcámos à Coreia, para outros o Mundial em que só sofremos um golo. Não houve milagres, nem Ronaldo, ficámos por um Mundial normalzinho, em que se perdeu o número dez (Deco) e um dos pontas-de-lança (Liedson), mas se ganhou guarda-redes (Eduardo) e lateral-esquerdo (Coentrão) para muitos anos.

kovacevic

segunda-feira, junho 28, 2010

Portugal (de Queiroz), o hiper-defensivo

Confesso que estou baralhado com alguns conceitos que me têm aparecido à frente. Expressões como "autocarro", "retranca" e "à grega" foram usadas na caixa de comentários do 442 (nem imagino o que andará por aí fora) para ilustrar a exibição de Portugal contra o Brasil - e não só. Paralelamente, li elogios à mestria táctica de Eriksson (obviamente em contraponto à inépcia queiroziana) no jogo da Costa do Marfim contra Portugal.

Li, novamente nos comentários do 442, que jogámos com quatro centrais, dois laterais esquerdos e dois trincos contra o Brasil. Confesso que esta última foi a minha leitura preferida, principalmente a parte dos laterais, porque a dos centrais já tem barbas e a do Tiago-médio-de-contenção já se sabia que ia funcionar, assim que foi lançada num jornal, como aqui descrevi. Devo, desde já, eleger Tiago como o melhor trinco que passou pelo futebol português, quando marcou 13 golos numa época no Benfica, mas isso é só um pormenor certamente insignificante.

Do que gostei mesmo foi dos laterais Fábio Coentrão e Duda (por esta ordem de ideias, com 8 golos e 7 assistências na Liga espanhola desta época, estamos diante de um sério rival de Roberto Carlos na história do futebol espanhol), que, por acaso, se bateram no flanco com Maicon e Daniel Alves. Extremos, por certo (como se isso interessasse para alguma coisa).

Mas o que me intriga é se toda esta neblina defensiva tem suporte em algo de palpável. Presumindo que ninguém está triste por estarmos numa série respeitável de jogos sem perder e sem sofrer golos, presumindo que sabemos todos o que é que quer dizer jogar contra o Brasil, em competição, e fazê-lo com necessidade de pontuar para passar sem sobressaltos, vamos a alguns dados estatísticos. Podemos discordar da forma como são medidos e apreciados, mas sabemos que o são de igual forma para todos. Podemos dizer que não são a melhor forma de ilustrar a realidade, ao que respondo que são uma das únicas em que o preconceito não entra. Por favor, façam uma leitura de todos os dados em conjunto e não de apenas um.

Golos marcados Portugal acabou a fase de grupos como o melhor ataque do Mundial, a par com a Argentina. A meio dos jogos dos oitavos-de-final, sem termos jogado, ainda somos a terceira selecção com mais golos marcados. Foram todos com a Coreia do Norte? Foram. Fomos os únicos a jogar contra a Coreia do Norte? Não.

Remates No fim da fase de grupos (para nós), 14.º lugar entre 32 selecções, lembrando que oito já fizeram o jogo dos oitavos-de-final (não tive tempo para fazer as contas). Das 24 que ainda não jogaram (ou não jogarão) os oitavos-de-final, 5 têm mais remates do que nós, incluindo o ofensivo Chile (com mais três) ou a deliberadamente ofensiva Espanha (com mais 9, 3 por jogo). A Holanda tem menos quatro e, por exemplo, o Paraguai tem menos 10 (isto para não falar nos também qualificados Japão e Eslováquia, com menos 16 e 17, respectivamente).

Ataques Novamente 14.º, novamente com oito selecções que já fizeram os jogos dos oitavos (aqui, com a particularidade de os Estados Unidos, mesmo com mais 120 minutos, não terem feito mais ataques do que nós). O atacante Chile continua com mais 3, a Holanda tem menos 7 que nós.

Bolas entregues na área (jogáveis, obviamente) 10.º lugar, ou 5.º se apenas considerarmos as selecções que ainda não jogaram nos oitavos (atrás de Espanha, Itália, Camarões e Chile). Chamo a atenção que não estamos a tentar medir se elas são imprescindíveis, aproveitadas, de qualidade, ou não, mas apenas se Portugal joga à defesa, ou não.

Porrada Autocarro que se preze, dá traulitada (tirando os rapazes da Coreia do Norte). Alerto para um raciocínio inverso ao das anteriores variáveis, para as oito selecções que têm um jogo a mais - e aqui destaco a Alemanha que, mesmo assim, tem menos faltas cometidas do que nós. Das 24 que ainda não jogaram, cinco fizeram menos faltas do que nós. A Holanda fez mais 4 e o Chile mais 19, para usar as selecções que serviram de modelo nos índices anteriores (uma por ser tradicionalmente ofensiva, outra por ser quase unanimemente considerada uma das mais ofensivas deste Mundial).

E deixo uma pergunta: considerando que, tal como os outros, não jogamos sozinhos; considerando que nos devemos comparar aos outros, porque é com eles que competimos; considerando que nem todos jogaram contra a Coreia do Norte e que nem todos jogaram contra o Brasil; onde é que está a retranca?

Começámos o Mundial contra o nosso adversário directo para a qualificação, que apresentou uma estratégia defensiva que nos criou dificuldades e mostrou valor para nos estragar a estreia e o Mundial. Queiroz concedeu o empate pretendido pelo adversário e devolveu, como favorito: agora façam melhor do que nós contra a Coreia e contra o Brasil. Faz o melhor resultado da selecção em fases finais e anula o jogo contra um real favorito ao título (que acabou o jogo com tantas dificuldades como nós sentimos contra a Costa do Marfim). Isto não é retranca. Isto é estratégia. Aliás, a única possível, dada a conjuntura, se o objectivo for ter algum tipo de sucesso. Com a mitologia agregada a algumas das intervenções que vou lendo, fico na dúvida se é esse o objectivo, porque não são opções que são criticadas.

ps - Aqui no 442, sentimo-nos - os três - muito confortáveis com as nossas posições sobre os dois últimos seleccionadores. Foram sempre criticadas as opções e os critérios, ferozmente criticadas em ambos os casos, quando foi caso disso. Mas esta conversa fica para outra altura, apesar do que também se vai lendo a este propósito. A seu tempo.

master kodro

domingo, junho 27, 2010

Alemanha 4 x Inglaterra 1

Bom jogo, com vitória do mais forte. A Alemanha continua a mostrar o melhor futebol do Mundial, com um colectivo muito organizado, contra-ataque letal e consistência defensiva q.b. (sobretudo atendendo à fragilidade dos centrais). Vimos boas e rápidas trocas de bola, um miolo abnegado e prático, e uma sede de baliza apreciável. Magnífico jogo de Özil e Müller, duas figuras deste campeonato. Do lado inglês, a pobreza dos últimos dias repetiu-se e nem um erro de arbitragem desculpa o desastre. Com Rooney muito longe da baliza e sem objectividade nos movimentos ofensivos, a Inglaterra caiu também pelo comportamento patético da sua retaguarda.

Vi o jogo em Berlim, na Schiffbauerdam (obrigado LMGM), numa simpática esplanada acompanhado de excelente cerveja. Os alemaes festejaram timidamente os primeiros dois golos, riram da ironia histórica do "golo que nao foi" e acabaram em loucura generalizada depois do bis de Müller. Já só se fala na conquista do título. Eu era um descrente, mas agora nao tenho a certeza. Esta malta joga muito à bola...

katanec

sábado, junho 26, 2010

Portugal, os cínicos e o Mundial

Pensava que os mais recentes acontecimentos iriam travar os cínicos, mas a julgar pelo que se vai lendo, enganei-me. Tinha boas razões para ter essa convicção. Afinal de contas, falo de gente que passou meses a anunciar a morte da selecção nacional, depois da derrota com a Dinamarca, depois do empate com a Albânia, depois do empate com a Suécia (com o mítico "Adeus África"), que não acreditava na ida ao playoff (íamos ser "o pior segundo"), que não acreditava na vitória contra a Bósnia. Que não acreditava, até ter de acreditar, porque Portugal apurou-se mesmo.

Refeitos da desilusão, os cínicos regressaram em força. Que o Mundial ia ser uma vergonha. Que o Drogba mete uns cinco ao Eduardo. Que saía goleada contra o Brasil. Que caminhávamos para mais um "2002". Pior, que ia ser uma repetição de Saltillo! Ao primeiro jogo (natural empate com um adversário directo), readquiriram força: "perdemos margem de manobra", eliminação à vista, nem um milagre nos salva. "Estou a cair para o lado daqueles que já pouco ou nada acreditam nas nossas possibilidades", escreveu o campeão do cinismo blogosférico português (num post de antologia). Dias depois, 7-0 à Coreia. Chatice. Mas contra o Brasil, ai contra o Brasil, abandonem os barcos, protejam mulheres e crianças, que vai ser um descalabro! Olha, deu empate...

E agora, que Portugal se apurou, sem derrotas, sem golos sofridos, cumprindo plenamente o mínimo exigível? Agora, claro, malha-se no miserável do Queiroz que "nos pôs a jogar à defesa" e que por isso nos levou a encontrar a poderosa Espanha. Repare-se na incoerência do argumento: tínhamos de ter arriscado, para ganhar ao Brasil e assim evitar a Espanha. É como dizer que para aguentarmos água a ferver o melhor é dormirmos numa lareira acesa...

Deixemo-nos de brincadeiras. Primeiro: Portugal não sabia quem ganharia o grupo H, pelo que não era possível "escolher" o adversário. Segundo: actuávamos contra uma das melhores equipas do mundo (tão favorita quanto a Espanha, caramba!), que há um ano e meio nos ganhou 6-2. Terceiro: nestas circunstâncias, Portugal adoptou o único plano de jogo lógico na sua situação - apostar na contenção, manter o Brasil longe da nossa baliza, jogar com o resultado do outro encontro e garantir o apuramento. Objectivo bem traçado e bem cumprido. O que diriam os cínicos se Portugal arriscasse, perdesse por 3 ou 4 e a Costa do Marfim se tivesse apurado num forcing final? Nem quero imaginar.

Ah, e tal, mas podíamos ter arriscado mais porque a Costa do Marfim só estava a ganhar por 2-0. Mas foi isso que aconteceu! Depois de uma primeira parte ultra-defensiva, Queiroz lançou Simão, Portugal subiu linhas, dominou o jogo durante 15-20 minutos e teve uma ocasião flagrante (Meireles) para marcar. Falhou e depois não foi capaz de voltar a acelerar, mas repito: cumpriu plenamente o plano estratégico e o objectivo traçado. Ninguém está a dizer que foi perfeito (muitos passes falhados, erros de casting de Danny e Duda, mau jogo de Pepe, Ronaldo com remates insanos, etc.). Mas foi claramente suficiente. Para mal dos cínicos.

E agora, com a Espanha? Os cínicos, naturalmente, anunciam desde já um massacre de proporções épicas. Pode acontecer? Pode. A Espanha é a melhor equipa europeia da actualidade e tem uma selecção fortíssima. E os cínicos têm do seu lado a vantagem de que, se falham o prognóstico, "não conta", se acertam, dizem "estão a ver" (lembra a história do cínico que passava a vida a dizer aos amigos que estava prestes a morrer, embora fosse sobrevivendo ano após ano; quando, por fim, morreu, aos 105 anos, lia-se na sua lápide "eu não dizia?"). Em todo o caso, se isso acontecer - se formos goleados - serei o primeiro a escrever aqui: para mal de muita gente, Portugal já cumpriu os seus objectivos fundamentais neste Mundial. No entretanto, vou lanchar a Aljubarrota. Just in case.

katanec

quinta-feira, junho 24, 2010

Dos EUA ao Gana

Grupos C e D resolvidos hoje, com muita emoção (e bom futebol) à mistura. Os EUA apuraram-se com todo o mérito, apesar das arbitragens deficientes e de alguma falta de sorte (poderiam ter ganho perfeitamente os três jogos). É uma equipa compacta, com enorme coração e transições rápidas, cujas únicas pechas me parecem ser a ausência de um "10" e alguma incapacidade para jogar eficazmente em ataque organizado. De qualquer forma, quem tem aquele Donovan (bem secundado por Bradley, Altidore e Dempsey), tem tudo. No outro confronto, a Inglaterra ganhou e segue em frente, mas pelo que vi no resumo, voltou a ter uma prestação pobre. Será que Capello pretende aplicar a fórmula italiana e assim chegar longe?

No Grupo D, a Alemanha confirmou o favoritismo e mostrou que o desaire com a Sérvia foi um azar de percurso. Os alemães continuam a ser uma das equipas mais entusiasmantes da prova, com um super-Özil a comandar um onze cheio de automatismos, combinações rápidas e pleno envolvimento dos laterais nas manobras atacantes. Grande jogo em perspectiva contra a Inglaterra (terei a sorte de estar em Berlim nesse dia).

Apurado também um sortudo Gana, que pouco tem mostrado. Venceu uma Sérvia disparatada (aquele penalty...), empatou contra uma Austrália reduzida a dez uma hora, e foi derrotada pela Alemanha. Será (provavelmente) a única equipa africana apurada para a fase seguinte, comprovando o desastre do continente negro nesta prova (apesar dos prognósticos favoráveis - cheguei mesmo a ouvir David Borges a apostar num triunfo africano neste ou no próximo Mundial): 2 vitórias em 16 jogos e um rol de eliminações precoces.

Nota breve para os quatro eliminados do dia. Da Argélia, gostei do lateral-esquerdo Beladjh (o resto é fraquíssimo). Da Eslovénia, gostei do contra-ataque (não justificava mais que um terceiro lugar no grupo). Da Austrália, destaque-se a combatividade (mas também a desorganização defensiva). A Sérvia desiludiu profundamente, nunca mostrando regularidade para estas andanças (apesar de um magnífico Krasic).

katanec

quarta-feira, junho 23, 2010

Oitavos-de-final - o caminho aclara-se

Grupo A/B - Passei o dia longe de jogos (só consegui ver um pouco do Coreia do Sul x Nigéria). Aconteceu mais ou menos o que se estava à espera: a Argentina a rodar plantel e a bater e eliminar a Grécia; a Coreia a aguentar a vantagem que detinha sobre os adversários directos; o Uruguai a bater o México e a garantir a fuga ao cruzamento com Messi; e, finalmente, menos esperado, derrota de França com África do Sul (estava convencido que os franceses ainda passavam,apesar de tudo), a que não foi alheia a expulsão, logo aos 25 minutos, de Gourcuff, certamente (já vi bem pior, sem sanção). Como se não houvesse já problemas de sobra. Tudo resultou num Argentina x México e num Uruguai x Coreia do Sul.

Grupo C/D - Hoje é dia de ingleses e alemães mostrarem o que valem. Confiando em vitórias dos Estados Unidos sobre a Argélia e da Sérvia sobre a Austrália, à Eslovénia e ao Gana basta um empate, que deixaria os adversários de fora do Mundial... Vamos ver se Rooney e companhia mostram qualquer coisa que se veja e se os alemães aliam o resultado da primeira ronda àsexibições que conseguiram nos dois primeiros jogos.

master kodro

segunda-feira, junho 21, 2010

Há homens com sorte

Decidi seguir quase à letra o último comentário e fui beber muito mais vinho e esqueci aquela parte de voltar só para a semana.

Este foi talvez um dos dias mais infelizes da minha vida. Antes de mais deixem-me dizer convictamente que ninguém goleia por 7 a 0 sem muita, mas mesmo muita sorte. Depois, realçar que a chuva que ameaçou de manhã fez prever/adivinhar o pior: a equipa mais tecnicista, a coreana, estava em maus lençóis e os portugueses podiam aproveitar aquela brutidade bruno valiana para fazer estragos no último reduto da democracia mais incompreendida do mundo.

Aguentaram-se na primeira parte, quando o relvado ainda estava praticável, mas na segunda parte, com o terreno de jogo mais próprio para um encontro de rugby, a selecção portuguesa apostou nos metros do Hugo Almeida, nas tatuagens do Raul Meireles e nas fífias ofensivas dos avançados portugueses.

É claro que vou derramar tantas lágrimas no hotel da Cidade do Cabo como a BP despejou nas últimas semanas, mas lembro que a esperança é a última a morrer: este é um recorde que antecede a despedida.

o anti-adepto na vossa cidade preferida do mundo, a fazer o que todos
vós would drool for

Jogaços à portuguesa e à chilena

Portugal 7 x 0 Coreia do Norte Não vale a pena escrever grande coisa sobre o jogo, até porque os sete golos escreveram história por eles mesmos. Quero apenas destacar a exibição de Tiago, cuja inclusão no onze valeu este texto da autoria (partilhada) de José Carlos Freitas, o antigo fiel escudeiro, que inclui excertos como "é claramente um meio-campo mais preso de movimentos" ou a "entrada de Tiago para o meio-campo, que passa a ser formado por dois homens de maior contenção". Já o título deve ter sido feito por alguém que não escreveu o texto. Nada de anormal. História, três pontos de avanço e nove de avanço na diferença de golos. Deve chegar para adiar o "Adeus Mundial" que já fez capa de jornal por mais uns dias.

Chile 1 x 0 Suíça Mais uma excelente exibição dos chilenos, coroada com mais uma vitória apenas por 1x0, que fica muito aquém da superioridade apresentada sobre o adversário e do número de oportunidades criadas. Só lhes falta mesmo isso, alguém que transforme emgolos o enorme caudal ofensivo - Suazo voltou, mas não foi convincente. Talvez seja a única selecção que, até ao momento, apresentou duas exibições de grande valia, mesmo que os adversários não estejam entre os melhores (dos 32 melhores) do mundo. O Chile x Espanha da terceira jornada promete vir a ser um grande espectáculo (e um enorme perigo para os espanhóis). Alguém transmitia a ideia, na caixa de comentários do post anterior, que quer Portugal, quer Brasil, poderiam estar com vontade de perder para não calhar com os espanhóis. Eu digo que também não quero calhar com estes. Venha a Suíça, se não for pedir muito...

master kodro

Tenho uma dúvida

Podemos falar num show do caralho ou, como Queiroz é o seleccionador, tal não é permitido?

master kodro

Quase humano

Ontem o anti-adepto tornou-se quase humano. Traduzido para vocês, tristes e patéticos mortais que se vão contentar em ver o jogo nessa pequena caixinha de transmissão de imagens em movimento, significa dizer que a minha veia portuguesa finalmente palpitou. Primeiro pensei que fosse um dos rebentamentos de vento que varre o Cabo da Boa Esperança e que me tivesse sacudido bem forte, mas não. Deitei a prova de vinhos a que estava obrigado nas imediações da cidade do cabo e fui fazer exercícios de aquecimento para o extremo sul-africano, mais coisa menos coisa onde Bartolomeu Dias contornou uns rochedos e não se calou com isso até que os media de então contassem historias de monstros e Bojadores carrancudos.

Junto a mim, um queniano que vive na Cidade do Cabo, que lutou em Angola pela equipa lusitana de então, narrou uma aventura de gente que deu novos mundos ao mundo, de temerosos marinheiros sulcados pela severidade da missão de enfrentar o terror que é sempre a morte e o desconhecido. Perscrutei aquele mar envolto no traiçoeiro nevoeiro que também espantou muitos dos portugueses salgados que habitaram as barcaças que nos deram a dado momento metade do mundo e, lá está, senti um salpico de sangue a bombear este meu coração português. Sim, agora imaginem o meu espanto. O meu frágil dedo mindinho tentou em vão limpar a lágrima pendurada ao canto do olho e eis que dei por mim quase a desejar o empate para Portugal contra os coreanos.

Hoje, depois do jogo visto das bancadas do estádio, prometo mais ternura deste vosso anti-adepto, em exclusivo para o 442.

E amanhã?

Brasil 3 x 1 Costa do Marfim Bem me apetecia falar de alguns excelentes momentos de futebol dos brasileiros, mas perante a gravidade do que se passou em campo, o destaque tem que ir para o árbitro. Um festival de pancadaria dos marfinenses, com o alto patrocínio do francês Stephane Lannoy, acaba com a expulsão de Kaká. Nota também para o segundo golo de Luis Fabiano, com gestos técnicos magníficos, incluindo os dois toques com os braços que o árbitro não conseguiu ver. Não era fácil. Mas parece que os franceses estão mesmo apostados em fazer figura neste Mundial. Triste, mas figura.

Itália 1 x 1 Nova Zelândia Apesar da minha desconfiança sobre o valor desta Itália, se me dessem dinheiro para apostar nesta segunda ronda, iria todo para italianos e espanhóis. E no entanto... Apesar dos resultados miseráveis, o mais normal é que um empate com a Eslováquia chegue para passar, o que, depois do Eslováquia 0 x 2 Paraguai de hoje, parece muito provável. Os paraguaios estiveram sempre por cima e os eslovacos apenas conseguiram enquadrar um remate na baliza.

França E o que dizer mais da selecção de Domenech? Insultos, acusações de traição, greves aos treinos, altercações entre jogadores...

Liga Portuguesa Está animadíssimo este defeso. Acabo de ler que Vukcevic não faz parte dos planos de Paulo Sérgio e que Quim, o guarda-redes que para muitos devia estar na selecção, foi dispensado por Jorge Jesus (essa parte já se sabia, ok) e assinou pelo Braga. Maniche volta para jogar no Sporting, que caça Evaldo e Viana (são tantos que nem me lembro se já está...) em Braga e ainda quer Alan. O Braga até o director desportivo perde para o Panathinaikos e contrata Fernando Couto para o lugar. Em Guimarães, entram os goleadores William e Edgar Silva, talvez Pereirinha, e sai Nuno Assis, graças a um projecto desportivo interessantíssimo no Al-Ittihad. Ah! E enquanto Toldo não se decide, o Sporting quer Nilson e pode despachar Patrício. O Stojkovic é que não, porque um gajo que é irmão do Vladan não pode ser boa pessoa.

Futsal Depois de tudo o que se passou, nem interessa quem ganha. Árbitros e jogadores atingidos pelo público, cargas policiais e um extraordinário testemunho de um treinador, que se queixa de uma decisão de expulsão de um jogador:

"Chamou um nome qualquer a um jogador do Sporting, o árbitro ouviu e expulsou o Ricardinho. O Cardinal ameaçou o Arnaldo e os sogros de morte, o árbitro ouviu tudo e não fez nada. O Ricardinho perguntou-lhe se ele tinha ouvido, ele disse que não e o Ricardinho chamou-lhe mentiroso"

E amanhã?

master kodro

domingo, junho 20, 2010

Em estágio

Três sul-africanos com quem falei adoram a selecção portuguesa e dizem
que está cada vez melhor. Como estava no meu terceiro Merlot estas
ideias peregrinas não me incomodaram e fui tão indulgente com os
comentários como com a gorjeta. Falámos dos velhos e saudosos tempos
do colonialismo e mantivemos o apartheid funcional que nunca acarreta
conflitos: eu tinha rands, eu era o cliente e, portanto, tinha sempre
razão. A saber: Madaíl é um boer que tem de ser despojado do seu
sistema feudal, Carlos Queiroz é um Bicko de obra para o futebol
português. Mandela essa última bebida e esqueça a hora de fecho, ia
regorgitando, após treze horas de viagem que me forçaram a conhecer,
durante duas horas inteirinhas, depois de uma escala técnica, o Gabão
profundo. Os sul-africanos com quem falei foram acenando de mansinho,
na esperança que eu abandonasse a mesa ou o balcão. Eu, do outro lado,
como português desesperançado com o nosso Portugal, azedo com a nossa
selecção e miserabilista perante esta espécie de futebol que mesmo
assim nos faz voar entre continentes, arrastei-me dali para fora antes
que chegasse um daqueles fotógrafos desportivos ou cameramans manhosos
da TVI que só atraem desgraças e, triste com o empate do Gana, vou ao
bar do hotel onde ainda me desconhecem. Acredito que o meu espírito
missionário expurgue destas cabeças sul-africanas a peregrina ideia de
que os portugueses ainda conseguem encontrar na Cidade do Cabo algo
simbólico que devolva a esperança neste Mundial.

Amanhã vou fazer provas de vinho o dia inteiro. Fica algures o vinhedo
e só sei que tenho de me levantar a hora madrugadora que a primeira
videira desperta ainda húmida do orvalho. Peço desculpa aos meus
patrocinadores, mas será certamente melhor que assistir a treinos e
trazer informação inútil desportiva.

da Cidade do Cabo, o anti-adepto, em exclusivo para o 442.