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terça-feira, setembro 10, 2013

Uma questão sérvia

Esta aposta do Benfica no mercado sérvio é algo que agrada à malta do 442, dado que somos apreciadores da mão de obra que vem daqueles lados. Contudo, e apesar das capas de jornais, desconfio que o timing não terá sido o mais acertado.

Para começar, estamos a falar de um grupo de jogadores que já está fora do Mundial, o que não se enquadra na política de vendas da SAD, por ser extremamente dependente da visibilidade que estes palcos possibilitam. Depois, há indicadores que merecem uma leitura atenta:

- esta Sérvia está a 14 pontos da Bélgica e a 9 da Croácia;

- tem mais 1 ponto do que a Macedónia e 2 do que o País de Gales (que têm menos 1 jogo);

- a defesa da Sérvia na qualificação foi composta por Ivanovic (Chelsea), Nastasic, Kolarov (ambos do Manchester City) e Bisevac (Lyon) ou Subotic (Dortmund), o que não é propriamente um enquadramento fraco;

- do meio campo para a frente, os mais utilizados foram Tosic, Tadic, Fejsa, Djuricic, Ignjovski e Markovic (a larga distância dos outros);

- a estes juntou-se, no último jogo, Matic, até agora afastado por questões de relacionamento, que fez questão de celebrar com uma expulsão.

Pode ser tudo um conjunto de infelizes coincidências, mas não é descabido ponderar se não terá sido um grande disparate. Mesmo que o fora-de-série, novo Messi e novo Eusébio vá disfarçando a coisa.

domingo, outubro 14, 2012

Notas sobre a qualificação para o Mundial 2014

A primeira jornada da ronda de qualificação mostrou-nos alguns dados interessantes:

- Parece que, finalmente, teremos Bélgica. Uma vitória por 3x0 na Sérvia não deixa grande margem para dúvidas.

- Também temos Bósnia. Depois de duas goleadas, um empate na Grécia também são um bom indício.

- Aquele massacre que os alemães fizeram na Irlanda é algo assustador. Com dois golos de Reus (23 anos), mais dois de Kroos (22 anos), um de Ozil (faz amanhã 24) e um do veterano Klose. É a vantagem da aposta em jovens caseiros. Reus tem 160 jogos de clube como sénior (sem Europa até este ano), Kroos tem 176 (a maior parte no Bayern!). Para termos uma ideia do que isto significa, Coentrão, 24 anos, chegou este ano aos 200 jogos (contando com jogos de segunda divisão, que descontei a Kroos).

- Afinal o Luxemburgo continua a ser extremamente goleável. Fora de casa e por Israel.

master kodro

quinta-feira, junho 24, 2010

Dos EUA ao Gana

Grupos C e D resolvidos hoje, com muita emoção (e bom futebol) à mistura. Os EUA apuraram-se com todo o mérito, apesar das arbitragens deficientes e de alguma falta de sorte (poderiam ter ganho perfeitamente os três jogos). É uma equipa compacta, com enorme coração e transições rápidas, cujas únicas pechas me parecem ser a ausência de um "10" e alguma incapacidade para jogar eficazmente em ataque organizado. De qualquer forma, quem tem aquele Donovan (bem secundado por Bradley, Altidore e Dempsey), tem tudo. No outro confronto, a Inglaterra ganhou e segue em frente, mas pelo que vi no resumo, voltou a ter uma prestação pobre. Será que Capello pretende aplicar a fórmula italiana e assim chegar longe?

No Grupo D, a Alemanha confirmou o favoritismo e mostrou que o desaire com a Sérvia foi um azar de percurso. Os alemães continuam a ser uma das equipas mais entusiasmantes da prova, com um super-Özil a comandar um onze cheio de automatismos, combinações rápidas e pleno envolvimento dos laterais nas manobras atacantes. Grande jogo em perspectiva contra a Inglaterra (terei a sorte de estar em Berlim nesse dia).

Apurado também um sortudo Gana, que pouco tem mostrado. Venceu uma Sérvia disparatada (aquele penalty...), empatou contra uma Austrália reduzida a dez uma hora, e foi derrotada pela Alemanha. Será (provavelmente) a única equipa africana apurada para a fase seguinte, comprovando o desastre do continente negro nesta prova (apesar dos prognósticos favoráveis - cheguei mesmo a ouvir David Borges a apostar num triunfo africano neste ou no próximo Mundial): 2 vitórias em 16 jogos e um rol de eliminações precoces.

Nota breve para os quatro eliminados do dia. Da Argélia, gostei do lateral-esquerdo Beladjh (o resto é fraquíssimo). Da Eslovénia, gostei do contra-ataque (não justificava mais que um terceiro lugar no grupo). Da Austrália, destaque-se a combatividade (mas também a desorganização defensiva). A Sérvia desiludiu profundamente, nunca mostrando regularidade para estas andanças (apesar de um magnífico Krasic).

katanec

sábado, junho 19, 2010

Da Sérvia à Inglaterra

1. Os outros também jogam à bola. Analistas, comentadores e treinadores ressentidos (sim, estou a falar de Manuel José) descobriram nos últimos dias que afinal equipas fortes podem empatar (ou até perder, imagine-se) com formações menos cotadas, apesar de não serem treinadas por Carlos Queiroz. Aconteceu assim com a Alemanha, uma das melhores na primeira jornada, mas ontem manietada por uma Sérvia coesa e atrevida q.b., com um irrequieto Jovanovic e um desequilibrador Krasic. Registe-se porém que a arbitragem miserável, os falhanços de Podolski e as defesas de Stojkovic (donde conheço este nome?) ajudaram à festa...

2. Ao fim do dia, outra surpresa (e Queiroz novamente ausente deste filme), depois de prestação degradante da Inglaterra. É verdade que os argelinos foram compactos e muito solidários, que têm um magnífico lateral-esquerdo (Beladjh) e beneficiaram de uma óptima actuação de Yebda (até irritou ver quanto jogo cortou), mas deu pena assistir à total incapacidade dos ingleses em responder a estes desafios. Não há quem planeie manobras ofensivas, não há cruzamentos de qualidade, não há tabelas, não há desequilíbrios colectivos, não há génio individual. E, acima de tudo, não há alma. Quo vadis, Inglaterra?

3. Pelo meio, partida vibrante entre EUA e Eslovénia, com resultado justo. Primeira parte muito boa dos europeus, com um excelente Birsa e um notável aproveitamento do muito espaço concedido pela retaguarda americana. O segundo tempo trouxe uns EUA mais equilibrados no meio-campo e decididos a inverter o resultado - o que foi possível sobretudo pelos méritos de Donovan (ainda um grande jogador) e de Altidore (a forma como domina a bola e arrasta os defesas pode fazer deste avançado um caso sério). Continuo a achar que os americanos vão passar, mas os eslovenos estão claramente na corrida.

katanec

domingo, junho 13, 2010

Gana 1 x 0 Sérvia

Começa a ser um hábito destacar uma ou outra intervenção menos feliz para explicar um resultado final neste Mundial. Começo ao contrário desta vez: Asamoah Gyan atirou duas bolas ao poste; sofreu a falta que valeu a expulsão a Lukovic; e marcou o penalty decisivo. Em mais um jogo em que imperou a prudência e em que faltaram rasgos individuais em quantidade desejável, o ganês fez por merecer o epíteto - efémero - de herói, um dos primeiros da prova. A partida foi dividida, com poucas mas boas oportunidades para os dois lados, mas foi mais um erro estúpido (mais uma vez de um suplente utilizado) a decidir o resultado final. Kuzmanovic meteu a mão à bola na área, a menos de dez minutos do fim, sem que nada o justificasse. Esperava mais destes sérvios, de Jovanovic e Krasic, mas o que não esperava mesmo eram erros deste calibre.

master kodro