Terminado o Mundial, título entregue à melhor equipa do torneio - apesar de um jogo menos conseguido na final, com erros defensivos pouco habituais que a Argentina não soube aproveitar -, o balanço é positivo. O Brasil 2014 teve os condimentos necessários para o sucesso de um evento desta natureza: estádios cheios, bons espectáculos, emoção e muitos golos. Só faltou uma boa participação portuguesa.
Deixo o meu onze ideal (e idílico, mas recuso-me a tirar James da equipa): Neuer, Lahm, Hummels, Vlaar, Vertonghen, Mascherano, Kroos, Messi, James, Muller, Robben.
E as palavras do treinador vencedor.
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segunda-feira, julho 14, 2014
domingo, julho 13, 2014
Terceiro lugar atribuído
Scolari alterou meia equipa mas, excluindo as cores do pesadelo, que deixaram de ser preto e vermelho e passaram a ser azul e laranja, tudo o resto se manteve igual: as debilidades defensivas, a incapacidade ofensiva, o descontrolo emocional. A boa notícia para o Brasil não é ter acabado o Mundial, é a oportunidade de recomeçar com bases, de abrir as portas e aprender com o que se passa à sua volta.
Depois da final, há quatro anos, a Holanda de Van Gaal consegue um honroso terceiro lugar, sem derrotas. Um desempenho dentro das expectativas. O desafio agora é a renovação, a sucessão de jogadores como Robben, Van Persie e Sneijder, que foram a base do sucesso holandês, nos últimos anos.
Depois da final, há quatro anos, a Holanda de Van Gaal consegue um honroso terceiro lugar, sem derrotas. Um desempenho dentro das expectativas. O desafio agora é a renovação, a sucessão de jogadores como Robben, Van Persie e Sneijder, que foram a base do sucesso holandês, nos últimos anos.
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quinta-feira, julho 10, 2014
O pior jogo do Mundial
Não sei se as equipas se assustaram com aquilo que aconteceu ao Brasil, na véspera, a verdade é que Argentina e Holanda pouco fizeram para avançar para a final. Foi um jogo sem situações de perigo real para as balizas e em que a única emoção veio da entoação de voz do relatador de serviço, que mudava sempre que os três «portugueses» tocavam na bola. Em suma, uma merda, como diria Enzo Perez. Mas tacticamente muito rico, segundo nos garantiu Bruno Prata. Resta acrescentar que a Holanda perdeu nos penalties. Sem Tim Krul.
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quarta-feira, julho 09, 2014
Trabalho, organização, eficácia
Nota-se o dedo de Guardiola na organização da Alemanha, como é natural, uma vez que é ele quem treina, durante a época, metade do onze base alemão, mas também é evidente a manutenção da identidade germânica, o lado prático, o killer instinct de quem tendo a oportunidade de matar o seu adversário com dois passes não hesita em fazê-lo. E isto é trabalho de Low. Além disso, esta é uma selecção com uma base que vem de trás: Lahm, Mertesacker, Schweinsteiger, Klose e Podolski estiveram nas meias-finais do Mundial de 2006 e na final do Europeu de 2008; a eles juntaram-se Neuer, Boateng, Khedira, Ozil (campeões europeus de sub-21, em 2009), Kroos e Muller, no Mundial de 2010, onde a Alemanha chegou às meias-finais; em 2012, entraram Howedes e Hummels (que também foram campeões europeus de sub-21, em 2009), Gotze e Schurrle, para mais uma meia-final de um Europeu com a presença da selecção orientada por Low. Isto é trabalho feito e gente que anda há muito tempo a ameaçar ganhar uma grande competição.
O Brasil não tem nada disto. O Brasil é uma equipa em renovação, que tem, como sempre, muito talento individual. O problema é que só talento individual não chega e o meio a zero de Scolari é ineficaz, contra uma equipa tão organizada (e talentosa) como a Alemanha. E foi isto que faltou ao Brasil, para além de Neymar e de Thiago Silva: organização. Junte-se o reverso do factor emocional que tantas vezes Scolari usa a seu favor e temos a fórmula do descalabro. Ontem, naquela eternidade entre o minuto 23 e o 29, quando era preciso cabeça e capacidade de reorganização, houve pânico e caos. Quando os jogadores brasileiros perceberam, finalmente, o que lhes estava a acontecer, era tarde e o mundo já tinha desabado. Para todo o sempre.
O Brasil não tem nada disto. O Brasil é uma equipa em renovação, que tem, como sempre, muito talento individual. O problema é que só talento individual não chega e o meio a zero de Scolari é ineficaz, contra uma equipa tão organizada (e talentosa) como a Alemanha. E foi isto que faltou ao Brasil, para além de Neymar e de Thiago Silva: organização. Junte-se o reverso do factor emocional que tantas vezes Scolari usa a seu favor e temos a fórmula do descalabro. Ontem, naquela eternidade entre o minuto 23 e o 29, quando era preciso cabeça e capacidade de reorganização, houve pânico e caos. Quando os jogadores brasileiros perceberam, finalmente, o que lhes estava a acontecer, era tarde e o mundo já tinha desabado. Para todo o sempre.
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Meio a zero, dizia eu...
Procurem, está para aí. Eu ainda ando a ver se consigo contactar o Mulder e a Scully...
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domingo, julho 06, 2014
Argentina e Holanda, sem surpresa
Chegada a fase das grandes decisões, as equipas arriscam menos e isso reflecte-se na qualidade do espectáculo. Ainda assim, confesso que esperava um pouco mais da Bélgica. Hazard esteve em dia não, Origi andou perdido na frente e o melhor que a equipa de Wilmots conseguiu veio dos cruzamentos de Vertonghen para Mirallas e Fellaini. Muito pouco para assustar uma Argentina que marcou cedo e, depois disso, geriu o jogo de forma confortável, estando sempre mais perto do segundo golo do que de ser obrigada a horas extras. Higuain foi a figura do jogo, mas o momento mais espectacular foi aquele passe teleguiado de Messi, ao minuto 28, que percorreu meio campo e que Di Maria desperdiçou.
No outro jogo do dia, mesmo sem forçar, o melhor ataque da competição podia ter-se livrado, sem dificuldade, da selecção que resolveu desafiar o princípio de Peter. Podia, mas não o fez, porque Navas não deixou e porque os postes, a barra e os caprichos da física não quiseram. Eu juro que, com tanto desperdício, quando vi Urena só com Cillessen pela frente, pensei que a Holanda estava fora do Mundial. Desconhecia, obviamente, que Van Gaal tinha um amuleto que o protegia da maldição dos prolongamentos: Tim Krul entrou para defender dois penalties e colocar a selecção laranja nas meias-finais.
No outro jogo do dia, mesmo sem forçar, o melhor ataque da competição podia ter-se livrado, sem dificuldade, da selecção que resolveu desafiar o princípio de Peter. Podia, mas não o fez, porque Navas não deixou e porque os postes, a barra e os caprichos da física não quiseram. Eu juro que, com tanto desperdício, quando vi Urena só com Cillessen pela frente, pensei que a Holanda estava fora do Mundial. Desconhecia, obviamente, que Van Gaal tinha um amuleto que o protegia da maldição dos prolongamentos: Tim Krul entrou para defender dois penalties e colocar a selecção laranja nas meias-finais.
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sábado, julho 05, 2014
Mais tempero
Mais talento individual, mais espontaneidade, mais espectáculo. Menos organização, como se viu, por exemplo, no lance do golo de Thiago Silva. A Colômbia sai, a marca de James fica, pelos golos que marcou (é, neste momento, o melhor marcador do Mundial) e deu a marcar, por aquilo que fez a Colômbia jogar. Foi ele quem ontem tentou pôr ordem na casa e levar a equipa para a frente. Não chegou, porque era o Brasil, omnipresente, pentacampeão, anfitrião, com 200 milhões de brasileiros por trás - e Scolari, reconheça-se, sabe tirar partido disto. Mas, sem Neymar, a selecção brasileira perde a sua principal arma para o confronto com uma Alemanha que será bem mais organizada do que a Colômbia e que também sabe ganhar por meio a zero.
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sexta-feira, julho 04, 2014
Viram a defesa de Neuer, ao minuto 94?
Braço de ferro. O jogo foi pouco espectacular e a Alemanha ganhou bem, foi a equipa mais coesa, mais organizada. Hummels foi o homem do jogo, pelo golo que marcou e pela segurança que deu à defesa germânica. Espero que o Brasil x Colômbia tenha um pouco mais de sal.
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Há 32 anos foi assim
Foi um dos jogos mais espectaculares do Mundial de Espanha (apesar da estupidez de Schumacher) e, provavelmente, o mais emocionante confronto entre alemães e franceses. Seria óptimo se o jogo de logo à tarde tivesse a mesma qualidade.
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quarta-feira, julho 02, 2014
Até ao último minuto
Minuto 88, a Holanda perde com o México e está prestes a sair do Mundial. Sneijder faz o empate e os minutinhos que sobraram de compensações ainda chegaram para Huntelaar fazer o golo da vitória.
Minuto 91, a Costa Rica joga com menos um jogador, mas está prestes a conseguir a proeza de chegar aos quartos-de-final de um Mundial. Golo de Sokratis, a Grécia aguenta-se para cair depois nos penalties.
Minuto 118, a Argentina não consegue livrar-se da Suiça. Di Maria evita os penalties, mas ainda houve tempo para os suíços meterem uma bola no poste, no último lance do prolongamento.
Minuto 92, a Bélgica massacrou os EUA, mas Tim Howard defendeu tudo. Wondolowski aparece isolado e perde a oportunidade de castigar a inacreditável falta de eficácia belga. Prolongamento, 2x0 para a Bélgica - até que enfim! -, tudo resolvido? Golo de Green, os americanos encostam os belgas às cordas e por pouco não levam o jogo para os penalties.
Emoção não tem faltado a este Mundial.
Minuto 91, a Costa Rica joga com menos um jogador, mas está prestes a conseguir a proeza de chegar aos quartos-de-final de um Mundial. Golo de Sokratis, a Grécia aguenta-se para cair depois nos penalties.
Minuto 118, a Argentina não consegue livrar-se da Suiça. Di Maria evita os penalties, mas ainda houve tempo para os suíços meterem uma bola no poste, no último lance do prolongamento.
Minuto 92, a Bélgica massacrou os EUA, mas Tim Howard defendeu tudo. Wondolowski aparece isolado e perde a oportunidade de castigar a inacreditável falta de eficácia belga. Prolongamento, 2x0 para a Bélgica - até que enfim! -, tudo resolvido? Golo de Green, os americanos encostam os belgas às cordas e por pouco não levam o jogo para os penalties.
Emoção não tem faltado a este Mundial.
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terça-feira, julho 01, 2014
O professor
Uma vez tive um professor de Matemática que, juravam-me, era uma mente brilhante que sabia mais daquilo que ensinava do que qualquer outro professor. O problema era que, naquele anfiteatro de aulas teóricas, onde estava um professor e uns 50 alunos, só o professor entendia aquilo que era suposto os alunos aprenderem. Culpa dos alunos, claro.
Ao ouvir as 50000 palavras, metade delas repetidas a gaguejar, com que Vítor Pereira procurou explicar cada lance do jogo entre a Alemanha e a Argélia, lembrei-me desse professor, do quadro cheio de sapiência e dos alunos a olharem uns para os outros, com os olhos vazios, à espera que alguém lhes decifrasse os hieróglifos que estavam lá muito à frente, no negrume da ardósia.
Mas até as mentes mais brilhantes têm os seus momentos térreos. E todos se riam, quando, de repente, o professor parava de escrever no quadro e contava, de forma igualmente brilhante, uma das suas famosas anedotas. Era um dos raros momentos em que o professor e os alunos estavam em sintonia.
Ao minuto 69 da segunda parte do jogo que Vítor Pereira ensinava, Mustafi lesionou-se. Lahm deixou o meio-campo e foi ocupar o lado direito da defesa, Khedira entrou para o meio-campo e Vítor Pereira defendeu, com razão, que o flanco direito da Alemanha ficava a ganhar com aquele ajustamento táctico, algo que o locutor de serviço se encarregou de repetir até à exaustão.
Assim, no início do prolongamento, disse o locutor, sem surpresa:
- E foi, em boa verdade, Vítor Pereira, a partir do momento em que Mustafi saiu e foi para lá, jogar para lateral direito, Lahm que a Alemanha passou a ser muito mais perigosa.
- Sim, o Khedira também, o Khedira, julgo que o Khedira também deu... o Schurrle deu... deu-lhe um bocadinho mais de largura deste lado, porque... porque com o Gotze e o Ozil, o jogo era... era sistematicamente um jogo interior e nunununca tinha largura. Neste momento, passou a ter do lado direito, do lado esquerdo nem por isso. - anuiu Vítor Pereira, de forma eloquente.
E, posto isto, Howedes recuperou a bola do lado esquerdo, fez a tabelinha com Schweinsteiger do lado esquerdo, colocou a bola no lado esquerdo em Muller que assistiu Schurrle para o primeiro da Alemanha.
Ao ouvir as 50000 palavras, metade delas repetidas a gaguejar, com que Vítor Pereira procurou explicar cada lance do jogo entre a Alemanha e a Argélia, lembrei-me desse professor, do quadro cheio de sapiência e dos alunos a olharem uns para os outros, com os olhos vazios, à espera que alguém lhes decifrasse os hieróglifos que estavam lá muito à frente, no negrume da ardósia.
Mas até as mentes mais brilhantes têm os seus momentos térreos. E todos se riam, quando, de repente, o professor parava de escrever no quadro e contava, de forma igualmente brilhante, uma das suas famosas anedotas. Era um dos raros momentos em que o professor e os alunos estavam em sintonia.
Ao minuto 69 da segunda parte do jogo que Vítor Pereira ensinava, Mustafi lesionou-se. Lahm deixou o meio-campo e foi ocupar o lado direito da defesa, Khedira entrou para o meio-campo e Vítor Pereira defendeu, com razão, que o flanco direito da Alemanha ficava a ganhar com aquele ajustamento táctico, algo que o locutor de serviço se encarregou de repetir até à exaustão.
Assim, no início do prolongamento, disse o locutor, sem surpresa:
- E foi, em boa verdade, Vítor Pereira, a partir do momento em que Mustafi saiu e foi para lá, jogar para lateral direito, Lahm que a Alemanha passou a ser muito mais perigosa.
- Sim, o Khedira também, o Khedira, julgo que o Khedira também deu... o Schurrle deu... deu-lhe um bocadinho mais de largura deste lado, porque... porque com o Gotze e o Ozil, o jogo era... era sistematicamente um jogo interior e nunununca tinha largura. Neste momento, passou a ter do lado direito, do lado esquerdo nem por isso. - anuiu Vítor Pereira, de forma eloquente.
E, posto isto, Howedes recuperou a bola do lado esquerdo, fez a tabelinha com Schweinsteiger do lado esquerdo, colocou a bola no lado esquerdo em Muller que assistiu Schurrle para o primeiro da Alemanha.
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domingo, junho 29, 2014
Brasil x Colômbia, nos quartos-de-final
Júlio César - o Ricardo do escrete -, o poste (no último penalty) e, antes disso, a barra (no último minuto do prolongamento) evitaram o colapso brasileiro. Desta vez, houve nenos Neymar (que, segundo Scolari, jogou condicionado depois da entrada de Vidal) e mais Hulk, no melhor e no pior do Brasil. O Chile terá de guardar o mundo de futebol que existe debaixo da careca de Sampaoli (cada vez gosto mais dos comentários de Luís Freitas Lobo) para outra oportunidade. Segue-se a Colômbia.
A histórica Colômbia de James, que já não é só a principal figura da equipa, é também uma das figuras do Mundial (o primeiro golo é fabuloso), mas também de Ospina, Zuniga, Armero, Cuadrado e, claro, do «nosso» Jackson. É uma delícia ver a selecção de Pekerman jogar. E é uma pena que não esteja lá Falcao.
A histórica Colômbia de James, que já não é só a principal figura da equipa, é também uma das figuras do Mundial (o primeiro golo é fabuloso), mas também de Ospina, Zuniga, Armero, Cuadrado e, claro, do «nosso» Jackson. É uma delícia ver a selecção de Pekerman jogar. E é uma pena que não esteja lá Falcao.
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sexta-feira, junho 27, 2014
Play It Again, Sam # 143 - Bauhaus
Não, não estou a falar de Paulo Bento, até porque ele tem-no bem protegido, nem da peculiar preparação dos ganeses para o jogo que quase trazia o apuramento aos nossos bravos heróis. Falo de um dos primeiros jogos de Mundiais que eu vi, entre a Alemanha de Rummenigge e do meu primo Littbarski, e a Argélia de ninguém.
Foi em 1982, na Espanha, que a selecção africana surpreendeu o mundo ao vencer por 2x1, sendo que um dos golos foi marcado por um tal de Rabah Madjer, que mais tarde, com uma camisola mais bonita, haveria de compensar largamente o abalo que trouxe, nesse dia, aos olhos ingénuos de quem acreditava que o Littbarski ia pedir a bola ao Schumacher, fintar toda a gente (inclusivamente os companheiros de equipa) e marcar um golo que nem o Maradona se atreveria a tentar repetir. E ia fazê-lo pelo menos três vezes, para não deixar dúvidas a ninguém.
No próximo dia 30, quando um sol mais velho e sensato estiver prestes a deitar-se sobre o Guaíba, em Porto Alegre, estas duas selecções vão reencontrar-se. A Alemanha continuará a ser superfavorita, mas este tem sido um Mundial fértil em surpresas e em desilusões europeias (a Rússia foi só mais uma). E os alemães merecem ser castigados, por não terem dado 5 aos EUA, não merecem?
Música: "Kick in the Eye"
Álbum: "Mask", 1981
Interpretação: Bauhaus
Foi em 1982, na Espanha, que a selecção africana surpreendeu o mundo ao vencer por 2x1, sendo que um dos golos foi marcado por um tal de Rabah Madjer, que mais tarde, com uma camisola mais bonita, haveria de compensar largamente o abalo que trouxe, nesse dia, aos olhos ingénuos de quem acreditava que o Littbarski ia pedir a bola ao Schumacher, fintar toda a gente (inclusivamente os companheiros de equipa) e marcar um golo que nem o Maradona se atreveria a tentar repetir. E ia fazê-lo pelo menos três vezes, para não deixar dúvidas a ninguém.
No próximo dia 30, quando um sol mais velho e sensato estiver prestes a deitar-se sobre o Guaíba, em Porto Alegre, estas duas selecções vão reencontrar-se. A Alemanha continuará a ser superfavorita, mas este tem sido um Mundial fértil em surpresas e em desilusões europeias (a Rússia foi só mais uma). E os alemães merecem ser castigados, por não terem dado 5 aos EUA, não merecem?
Música: "Kick in the Eye"
Álbum: "Mask", 1981
Interpretação: Bauhaus
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quarta-feira, junho 25, 2014
Bento, o reformador
Paulo Bento garante que não se demite, aconteça o que acontecer. Logo a seguir, o comentadeiro de serviço na TVI fala da renovação da equipa principal e lembra que os sub-21 estão a fazer uma excelente campanha. Quase ao mesmo tempo, na RTP, o jornalista Nuno Dias elogia os bons resultados das selecções jovens, atribuindo a Paulo Bento o mérito pela coordenação e nomeação da actual estrutura técnica. Coincidências? Alguém a soprar ao ouvido? É que nem se trata de uma verdade. Dos seis treinadores da FPF, três já lá estavam (Peixe, Hélio e Ilídio Vale), outro trabalhou na FPF entre 2000 e 2009 (Edgar Borges) e só dois podem ser associados, com propriedade, ao reinado de Paulo Bento. Os arranjos do actual seleccionador nacional na estruturação do departamento de futebol jovem resumem-se a Rui Jorge e Filipe Ramos, e este último pode muito bem nem ser ideia dele. Quem é que anda a passar soundbytes aos amigos?
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A eliminação da Itália, o pleno colombiano e o apuramento da Grécia
Depois da expulsão de Marchisio, Prandelli tentou segurar o empate, mas Godin deitou por terra as aspirações italianas. Mais uma equipa europeia fora do Mundial. Mais uma dentada no currículo de Suarez.
Assim que James entrou em campo, o futebol da Colômbia transfigurou-se por completo. Duas assistências para Jackson, um golo e mais uma exibição de classe. A selecção de Pekerman faz o pleno e defronta o Uruguai nos oitavos.
Por uma vez na vida, a Grécia esteve muito perto de ter azar: duas lesões, três bolas nos ferros e um golo sofrido, sem que a Costa do Marfim tivesse feito muito por isso, quase punham a selecção de Fernando Santos fora do Mundial. Mas calma, eu disse perto. Minuto 92, penalty dos deuses a favor dos gregos, apuramento para os oitavos. Adversário? Costa Rica.
Assim que James entrou em campo, o futebol da Colômbia transfigurou-se por completo. Duas assistências para Jackson, um golo e mais uma exibição de classe. A selecção de Pekerman faz o pleno e defronta o Uruguai nos oitavos.
Por uma vez na vida, a Grécia esteve muito perto de ter azar: duas lesões, três bolas nos ferros e um golo sofrido, sem que a Costa do Marfim tivesse feito muito por isso, quase punham a selecção de Fernando Santos fora do Mundial. Mas calma, eu disse perto. Minuto 92, penalty dos deuses a favor dos gregos, apuramento para os oitavos. Adversário? Costa Rica.
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terça-feira, junho 24, 2014
Herrera, Neymar e Hulk
Do renovado México de Miguel Herrera faz parte o renovado Hector Herrera. Três jogos, três boas exibições e um contributo importante para o apuramento dos mexicanos para os oitavos-de-final do Mundial. Mais do que a transformação táctica (que Luis Castro também operou no Porto), o médio mexicano parece ter encontrado em casa a confiança e a motivação que lhe faltaram na Invicta.
O processo, salvaguardadas as devidas distâncias, é semelhante ao que ocorre com Neymar: no Barcelona, fez - tal como o clube - uma época abaixo das expectativas e reparte a titularidade com Pedro Rodriguez e Alexis Sanchez; no Brasil é intocável e justifica esse estatuto sendo consecutivamente o melhor elemento do escrete.
O inverso acontece com Hulk: decisivo nos clubes, não consegue afirmar-se na selecção. A sensação com que fico, sempre que vejo o Incrível jogar com a amarela brasileira, é que o peso da camisola, mais do que jogar na direita ou na esquerda, ou mais atrás ou à frente, o impede de ser o Hulk que todos conhecemos.
O processo, salvaguardadas as devidas distâncias, é semelhante ao que ocorre com Neymar: no Barcelona, fez - tal como o clube - uma época abaixo das expectativas e reparte a titularidade com Pedro Rodriguez e Alexis Sanchez; no Brasil é intocável e justifica esse estatuto sendo consecutivamente o melhor elemento do escrete.
O inverso acontece com Hulk: decisivo nos clubes, não consegue afirmar-se na selecção. A sensação com que fico, sempre que vejo o Incrível jogar com a amarela brasileira, é que o peso da camisola, mais do que jogar na direita ou na esquerda, ou mais atrás ou à frente, o impede de ser o Hulk que todos conhecemos.
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segunda-feira, junho 23, 2014
Hazard e um dos melhores jogos do Mundial
À Bélgica não falta talento individual, mas a vitória sobre a Rússia foi mais feliz do que competente. A equipa de Fábio Capello dispôs de várias oportunidades para marcar e viu ser-lhe negado um penalty que poderia ter mudado a história do jogo. Mas quem tem Hazard pode ser feliz a qualquer momento e a verdade é que os belgas entram na última jornada já apurados e a tentarem evitar a Alemanha, nos oitavos.
Coreia do Sul, Argélia - pelo menos uma destas selecções ficará já pelo caminho, mas ambas podem orgulhar-se de terem proporcionado um dos melhores jogos deste Mundial. Seis golos, emotividade e uma intensidade de jogo capaz de fazer corar de vergonha os jogadores da selecção portuguesa. Slimani e Halliche marcaram e Brahimi mostrou porque é demasiado caro para o Porto.
Coreia do Sul, Argélia - pelo menos uma destas selecções ficará já pelo caminho, mas ambas podem orgulhar-se de terem proporcionado um dos melhores jogos deste Mundial. Seis golos, emotividade e uma intensidade de jogo capaz de fazer corar de vergonha os jogadores da selecção portuguesa. Slimani e Halliche marcaram e Brahimi mostrou porque é demasiado caro para o Porto.
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Nem tudo são más notícias
Os resultados não são famosos, a equipa está de rastos aos 15 minutos do segundo jogo de um Mundial, os jogadores caem como tordos agarrados aos músculos, mas saúda-se uma evolução: onde se ouvia, há quatro anos, "perguntem ao Carlos" depois de uma derrota contra Espanha, ouve-se agora, depois de um empate (milagroso) com os Estados Unidos, "se calhar outros têm melhor equipa e merecem mais do que nós".
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domingo, junho 22, 2014
Muito Gana, pouca Alemanha e São Messi
Klose saltou do banco para igualar os 15 golos do brasileiro Ronaldo e impedir que a Alemanha fosse surpreendida por um Gana que jogava o tudo ou nada e que promete dar muito trabalho a Portugal. O empate, conseguido com serviços mínimos, mantém (para já) os alemães na liderança, mas obriga-os a gerir o jogo com os Estados Unidos de outra forma.
Pouco se viu da Argentina, até agora. Por enquanto, o talento cirúrgico de Messi tem bastado. Mais lá para a frente, vai ser preciso mais. Quer dizer, eu espero que seja preciso mais. Espero um Brasil e uma Argentina mais fortes, que a Alemanha volte a carregar no acelerador, que não acabem as pilhas à França nem à Holanda e, já agora, se não for pedir muito, que Portugal jogue qualquer coisinha, antes de voltar para casa. Caso contrário, o Mundial será muito menos interessante.
Pouco se viu da Argentina, até agora. Por enquanto, o talento cirúrgico de Messi tem bastado. Mais lá para a frente, vai ser preciso mais. Quer dizer, eu espero que seja preciso mais. Espero um Brasil e uma Argentina mais fortes, que a Alemanha volte a carregar no acelerador, que não acabem as pilhas à França nem à Holanda e, já agora, se não for pedir muito, que Portugal jogue qualquer coisinha, antes de voltar para casa. Caso contrário, o Mundial será muito menos interessante.
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sábado, junho 21, 2014
Costa Rica e França
Joel Campbell é do Arsenal e está emprestado ao Olympiacos; Bryan Ruiz está emprestado pelo Fulham ao PSV. São estas as «vedetas» da Costa Rica. Alguém arriscaria que, no grupo da morte, com Itália, Inglaterra e Uruguai, os costa-riquenhos fossem os primeiros a seguir para os oitavos?
Oito golos marcados (mais um que ficou no apito final de Bjorn Kuipers) em dois jogos; depois de um apuramento sofrido, a França entra em força no Mundial. Veremos, quando for a doer, como se porta a selecção comandada por Deschamps. Para já, os Bleus estão imparáveis.
Oito golos marcados (mais um que ficou no apito final de Bjorn Kuipers) em dois jogos; depois de um apuramento sofrido, a França entra em força no Mundial. Veremos, quando for a doer, como se porta a selecção comandada por Deschamps. Para já, os Bleus estão imparáveis.
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