Vitória Nelo Vingada vai ter que decidir o que pretende da vida com alguma brevidade. Já não é a primeira vez na pré-época que tenta juntar Rui Miguel a Nuno Assis (e a um trinco e a Desmarets, desta vez acrescentou o segundo trinco...), tendo desenhado um pentágono atrás de Douglas. E das duas uma: ou tem tomates e põe os dois criativos à frente de um trinco - seja Flávio ou Custódio -, ou assume a escolha entre eles. É que se não for assim não teremos alas e é nas alas que estão, neste momento, dois grandes focos de desequilíbrio das defensivas contrárias, Targino e Jorge Gonçalves. Porque jogar ao meio (é muito bonito com toques de calcanhar e tal...) não serve quando a bola não chega à área contrária com a quantidade e a qualidade necessária para marcar golos e ganhar jogos (a não ser que do outro lado esteja uma patética equipa como o Portsmouth e mesmo aí, foi depois da entrada dos alas que os golos entraram). Para além de tudo isto, com desenhos como o inicial de hoje, o metro e noventa de Douglas é tão útil como o metro e setenta de Marquinho (ou outro qualquer que não seja ponta-de-lança de área) com a desvantagem de a velocidade ser menor. É uma questão de assumir.
O resto foi perfeitamente normal, excepto a infantilidade de querer fazer linha a meio do meio-campo (Moreno no lance do primeiro golo, Milhazes no do segundo). É que não faz linhas destas quem quer, faz quem pode e o nome e as características do adversário também devem ser tomados em consideração nestas questões, sob pena de se incorrer em grandes ingenuidades.
Individualmente, Targino voltou a mostrar quer quer recuperar o tempo perdido em terras escandinavas e Alex está muito longe da forma a que nos habituou enquanto andou pelo Minho, pois pareceu exausto desde o primeiro minuto de jogo. Mas isso é que é normal nesta fase da época, não é?
Benfica É normal, excepto no Benfica de Jesus. Os encarnados, todos eles, estão num magnífico momento de forma física e apresentam índices de agressividade defensiva muito além daquilo a que estávamos habituados nos últimos anos. O Benfica, neste dia, estaria mais do que pronto para uma pré-eliminatória da Champions (como o Sporting não estava) ou para uma eliminatória contra suecos para a Liga Europa (como o Braga parece não estar). Jorge Jesus está a conseguir o toque mágico de todos os jogadores estarem constantemente a morder os calcanhares - literalmente - aos adversários durante quase todo o jogo, e de colocarem o pé, os braços e a cabeça na direcção da bola com uma convicção inusitada, ainda antes de a época começar.
E se em alguns jogadores isso é relativamente normal, como em Maxi (hoje não, claro, mas ontem sim), Yebda ou Miguel Vítor (ou em Shaffer, que perto do fim estava a pressionar Jorge Gonçalves, entrado na segunda parte, bem perto da linha de meio-campo), começa a ganhar contornos de milagre quando se vê, por exemplo, Aimar a fazer tesouras aos adversários (como contra o Portsmouth), a fazer carrinhos do primeiro ao último minuto em campo ou a deixar Flávio Meireles deitado no chão numa disputa pé-bola-pé ou quando se vê Carlos Martins, depois de 60 minutos em campo, a fazer um sprint à área para rematar, dar uma cambalhota e voltar a pôr-se de pé para começar a correr para a defesa, tudo de uma penada. Veremos se esta saúde é para durar. Se for, temos candidato ao título.
master kodro