Não para falar dela como se lê normalmente, como forma de desresponsabilizar erros da própria equipa, exagerando nos erros a favor de adversários ou rivais e desvalorizando, omitindo ou mentindo descaradamente sobre erros que beneficiam a própria equipa. Muito menos para fazer as figuras que Scolari anda a fazer, para explicar que, depois do falhanço da época passada, está a fazer uma época ainda pior (depois da derrota de ontem, desceu ao 13.º lugar).
Pelo contrário: se fosse árbitro, eu nunca marcaria o penalty que deu a vitória ao Vitória na partida contra o Rio Ave. E o árbitro, que acha que esta devia ser marcada, teve outra para marcar pelas mesmas razões e não o fez. Percebo que ele discorde de mim; não percebo que discorde de si mesmo. A razão para esta opinião é muito simples: não pode haver intenção quando um adversário decide movimentar a bola a menos de um metro (até porque o faz sem aviso prévio sobre o momento e a direcção...).
Como é óbvio, isto é válido para este e para todos os jogos em que a bola bate (mesmo) na mão ou braço dos jogadores, quando é movimentada a menos de um metro pelo adversário. Talvez não seja assim tão óbvio. Pedro Henriques também discorda de... Pedro Henriques. E não esteve em campo. Sempre com o Vitória, embora em posições diferentes:
há umas semanas: "N'Diaye, com o braço levantado acima da cabeça, ocupa espaço e ganha volume, tocando deliberadamente na bola. Grande penalidade bem assinalada"
hoje: "É uma situação clara de uma bola que vai à mão. Na ocasião, o Tiago Pinto já está em movimento descendente, não tocando na bola de forma deliberada, mas sim casual."
O Feirense x Sporting trouxe-nos outro homem que discorda de si mesmo, violentamente. Não entendo como é que o árbitro que ignora entradas fora de tempo, às pernas, de jogadores em contra-ataque (numa jogada houve duas), resolve, posteriormente, expulsar um jogador pelo mesmo tipo de entrada. É demasiada bipolaridade para que alguém tenha alguma noção de como deve agir. Felizmente, foi um mal menor, porque os dois opostos incidiram sobre o mesmo lado. Quando a esta se junta a parcialidade, é muito pior.
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segunda-feira, outubro 31, 2011
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
Sporting 4 x 1 Porto - Notas
- Golo de Tarik. Surpresa. Antecipo insultos de quem não disse nada quando escrevi que o Sporting já estava na final. Aceito os de quem disse alguma coisa, se falarem na minha mãe com jeitinho.
- Centro de Vukcevic para a cabeça de Postiga por cima;
- Excelente jogada de Benitez a desmarcar Tomás Costa que desperdiça;
- Remate de Vukcevic, defesa de Nuno, Postiga isolado faz a recepção mais difícil da história, acabando por rematar com a mão que tem mais ao pé. Regista a patente, Hélder.
- Penalty para o Sporting. Analisar cara de Pedro Emanuel.
- Penalty # 2 para o Sporting. Analisar número de vezes que Sapunaru se benzeu (antecipo caixa de comentários animada).
-Foi preciso aparecer o Pedro Henriques para tirar o Postiga do campo.
- Calcanhar mágico de Vuk e o substituto de Postiga, Derlei, marca na primeira vez que toca na bola. Deve ser coincidência.
- Ninja parte 2, assistência de Izmailov que, aparentemente, resolveu o problema do tique.
master kodro
- Centro de Vukcevic para a cabeça de Postiga por cima;
- Excelente jogada de Benitez a desmarcar Tomás Costa que desperdiça;
- Remate de Vukcevic, defesa de Nuno, Postiga isolado faz a recepção mais difícil da história, acabando por rematar com a mão que tem mais ao pé. Regista a patente, Hélder.
- Penalty para o Sporting. Analisar cara de Pedro Emanuel.
- Penalty # 2 para o Sporting. Analisar número de vezes que Sapunaru se benzeu (antecipo caixa de comentários animada).
-Foi preciso aparecer o Pedro Henriques para tirar o Postiga do campo.
- Calcanhar mágico de Vuk e o substituto de Postiga, Derlei, marca na primeira vez que toca na bola. Deve ser coincidência.
- Ninja parte 2, assistência de Izmailov que, aparentemente, resolveu o problema do tique.
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segunda-feira, janeiro 26, 2009
Bookmarks # 4 - Salman Rushdie (1947-)
Título: "Os Versículos Satânicos"Original: "The Satanic Verses" (1988)
Tradução: Ana L. Faria /M. Serras Pereira
Editora: Dom Quixote, aqui, de onde foi desviada a capa
"Entre as palmeiras do oásis Gibreel aparecia ao Profeta e punha-se a despeja regras, regras, regras até os fiéis só terem vontade de dizer que já chegava de revelações, disse Salman, regras para tudo e mais alguma coisa, se um homem se peida deve voltar o rosto para o lado do vento, e havia também uma regra sobre a mão a utilizar para limpar o rabo (…) A revelação – a recitação – dizia aos fiéis quanto haviam de comer, com que profundidade haviam de dormir, que posições sexuais tinham recebido sanção divina, de forma que todos ficaram a saber que a sodomia e a posição dos missionários eram aprovadas pelo arcanjo, enquanto as figuras proibidas incluíam todas aquelas em que a fêmea ficasse por cima. Gibreel fez ainda uma lista dos temas autorizados e interditos de conversa, e assinalou as partes do corpo que não podiam ser coçadas por muito insuportável que fosse a comichão que aí se sentisse."
Para além das obras, que não espelham o mesmo objecto do Corão (como se pode ler no texto)mas que lhe captam a forma na totalidade (quem já passou os olhos pelo Corão pode confirmá-lo), Rushdie estendeu à realidade as suas críticas às actuais leituras literais da lei divina muçulmana, lançando a necessidade de uma interpretação à luz da actualidade das leis ditadas no século VII.
Em cima expostos no limite (ao contrário do que se segue), os perigos das leituras literais das leis e regulamentos - quando se põe um problema de interpretação, obviamente - aumentam quando o legislador é inábil e, como tanta vez sucede no nosso país (e garantidamente não é só no futebol), incompetente e desconhecedor da realidade prática. É por isso que há inúmeras rectificações, esclarecimentos, recomendações, interpretações jurídicas díspares, pareceres e adaptações. Vem isto a propósito da questão da Taça da Liga em que uma corrente de opinião quer fazer valer um conceito que caiu em desuso para uma expressão que tem um significado corrente distinto há mais de 30 anos, como aqui defendemos. Mas não só.
O problema também pode vir de quem interpreta as interpretações e das motivações de quem o faz. Aqui há uns tempos, tentei aqui discutir a lei que define quando é falta tocar a bola com a mão. A lei apenas foca a intenção. Imagino que terão existido recomendações - que desconheço, já as tentei procurar e não encontrei, nem ninguém mas conseguiu indicar - que envolvam conceitos como a posição natural (falou-se na altura sobre isso, embora seja um conceito bizarro, quase do domínio de limpar o rabo com a mão certa), ou a vantagem para quem joga com a mão - mas sem provas escritas para qualquer destes critérios secundários que ajudariam, na prática, a resolver as questões que são complexas, porque imediatas, dentro do campo.
Pedro Henriques, face ao coro de críticas generalizado, defendeu-se com o critério da vantagem evidente para o "prevaricador" por desvio fundamental da direcção da bola. Eu acho que se perdeu uma oportunidade para discutir a regra, porque este critério secundário (que presumo que não foi inventado), tem tudo para ser considerado como válido porque abarca todas as situações de que me consigo lembrar e acaba com a maior parte das dúvidas. Assim o queiram as pessoas, algo de que duvido, muito sinceramente.
Vou repetir-me quando defendo que não sei se as pessoas querem discutir a regra e todas as suas vertentes ou se preferem ter uma questão dúbia entre mãos para poderem utilizá-la a seu bel prazer conforme a ocasião se apresentar para as suas cores. Desde que vi alguém que se apresenta como advogado pegar no texto "O Belenenses está no seu direito de contestar o alinhamento das meias-finais da Taça da Liga. Não acho que tenha razão jurídica, mas não deixa de ter esse direito, com base na asneira efectuada." e retirar-lhe a parte que está a bold (que a enquadra e cuja omissão lhe muda o sentido por completo) para poder insultar o seu autor, já acredito em tudo e cada vez mais me convenço que há realidades que prefiro desprezar.
ps - Agradeço, novamente, a quem me chamou à atenção. Aqui não entram mais.
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terça-feira, janeiro 06, 2009
Como os cometas
O Aurélio Estorninho deixou aqui um comentário extremamente extenso - logo na TLX... - sobre um post que encontrou e que também achei interessante. Aqui está ele, como os cometas, de vez em quando, na blogosfera, aparece um destes. Até o Bruno se cansou. Pudera. Pior ficou depois de ler os comentários. Experimentem.
ps - Parece não estar relacionado, mas acaba por estar: o grande Luciano Rodrigues do belenenses abriu uma loja nova com artigos que ultrapassam o azul, o futebol relativizado. Ele era a melhor pessoa para explicar aos caros leitores benfiquistas - de que o Bruno fala - o que é que ele tem a dizer sobre Pedro Henriques e mãos. Outros tempos. Boa sorte, Luciano!
master kodro
ps - Parece não estar relacionado, mas acaba por estar: o grande Luciano Rodrigues do belenenses abriu uma loja nova com artigos que ultrapassam o azul, o futebol relativizado. Ele era a melhor pessoa para explicar aos caros leitores benfiquistas - de que o Bruno fala - o que é que ele tem a dizer sobre Pedro Henriques e mãos. Outros tempos. Boa sorte, Luciano!
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