quarta-feira, maio 30, 2012

O balanço de Vítor Pereira

No jornal O Jogo, num tom moderado, dizendo que era normal o mercado mexer com a cabeça dos jogadores, e humilde, reconhecendo não ter um discurso mediaticamente forte e que, inclusivamente, se excedeu em palavras que dirigiu a Jorge Jesus. Uma entrevista ao homem que prefere estar junto aos pescadores de Espinho do que nos Globos de Ouro. Uma imagem simpática, mas que não apaga o mais importante.

Segundo o treinador do Porto, uma das razões pelos jogos menos conseguidos da equipa foi a expectativa de transferência dos jogadores para campeonatos mais competitivos. Algo que aconteceu no início da época, se prolongou (não se sabe muito bem até quando) e que regressou em Janeiro. Ora, em primeiro lugar, isto não é novidade no Porto. Todas as épocas, saem os melhores jogadores para equilibrar as contas da SAD e os treinadores têm de saber lidar com isso e com as expectativas dos que ficam. O próprio Vítor Pereira diz, agora, que tem de estar preparado para a saída de Hulk. E se as partidas de Alvalade e de Barcelos aconteceram, de facto, em Janeiro, os jogos com o APOEL foram em Outubro (o primeiro) e em Novembro (o segundo). Será que nesta altura os jogadores ainda não tinham ultrapassado o trauma de não terem o mesmo destino de Falcao?

A saída do colombiano foi outro motivo invocado por Vítor Pereira para justificar as oscilações da equipa, porque retirou qualidade de jogo na área. Aceito que sim, que Falcao é um jogador de eleição e que não é fácil encontrar um substituto que garanta um desempenho próximo do melhor marcador da Liga Europa. Mas a verdade é que o treinador do Porto passou a época toda sem saber como resolver este problema. Podia ter insistido em Kléber, que fez 5 golos nas 10 primeiras jornadas do campeonato, e deixado Hulk onde ele próprio reconhece que o brasileiro rende mais. Podia ter feito como Mourinho em 2003/2004 e apostado num 4x4x2 (o Porto fez os 2 últimos jogos da caminhada para o título europeu sem McCarthy, jogando com Derlei e Carlos Alberto na frente). O que não devia ter feito, na minha opinião, era passar a época inteira a mudar o ataque. E, ao contrário do que sugeriu Vítor Pereira, Hulk não foi para o meio só nos jogos decisivos. E não foi para o meio em todos os jogos decisivos (o Porto ganhou na Luz, com Janko no centro do ataque e Hulk na direita). Não houve coerência, uma ideia clara de como resolver o problema. Termina a época e o treinador do Porto diz que falta um ponta-de-lança. Mas isso já sabíamos desde o início, não já? «Quando o barco navega em águas calmas, qualquer um é líder. O problema é ter liderança em contextos de adversidade.» - Palavras de Vítor Pereira, algumas linhas antes.

O maior problema, para Vítor Pereira, foi o factor motivacional. Porque não se conseguiu dar uma dimensão mais desafiante aos jogos teoricamente menos complicados. Mas então o discurso para dentro não é forte? Se é, porque não conseguiu motivar os jogadores para jogos em que nem sequer devia ser preciso motivação extra, como o jogo com a Académica, logo após a vitória na Luz e a recuperação de um primeiro lugar que, 3 jornadas antes, estava a 5 pontos de distância?

Para Vítor Pereira, o seu principal papel táctico, como treinador, é manter a equipa equilibrada. O jogador é que tem de procurar o seu caminho, explorar o seu talento, aproveitar as oportunidades, desde que não ponha em causa o equilíbrio da equipa. Ao ler isto, percebe-se porque é que muitas vezes havia jogadores perdidos no campo, sem saber que destino dar à bola. E porque é que, dos novos jogadores, nenhum conseguiu afirmar-se na equipa. Além disso, mais uma vez, a teoria choca com a prática. Maicon na direita, como o próprio Vítor Pereira reconhece, retira profundidade atacante ao lado direito. Se juntarmos a isto a desvio de Hulk da direita para o meio, temos uma equipa que manca. E lá se vai o equilíbrio, por intervenção directa de quem acha que só deve intervir quando há desequilíbrios.

Demasiadas contradições e sinais claros de que o treinador do Porto não aprendeu muito com os erros desta época. Na próxima, provavelmente, não haverá Hulk para resolver jogos, o que dificultará ainda mais as coisas. Veremos como estará a concorrência por cá. Na Champions não vai ser mais fraca, com certeza.

littbarski

2 comentários:

Joao disse...

Quando um plantel não têm grande respeito pelo seu treinador é natural que os resultados e as exibições sejam péssimas...
Creio que foi depois da derrota com a Académica (supostamente Pinto da Costa mandou uns berros no balneário) que os jogadores perceberam que o Vítor Pereira não ia ser despedido e começaram então a jogar o suficiente para ganhar jogos...


E agora Leonardo Jardim pode ir de férias tranquilo, até ao final do ano estará a treinar um dos três grandes...

Pelo menos, Vítor Pereira e Jorge Jesus não têm grande margem de erro...

Fredy disse...

fogo se o Salvador despede o Jardim por uma entrevista sem grande alarido, porque não faz o PC o mesmo?!? :(:(:(:(

Olympiakos por favorrrrrrr vem buscá-lo lol