Já li relatos de um jogo (quase) de sentido único. É estranho, no mínimo, perceber-se, neste contexto, a quantidade de oportunidades criadas pelo Vitória, inclusivamente, na segunda parte, durante a qual jogou sempre com menos um, mas essa desvantagem numérica quase nunca se notou. São leituras subjectivas.
Tão subjectivas como as outras, de que Manuel Machado e Emílio Macedo se queixam. E que são apreciadas da seguinte forma no Jogo e em Record:
Jogo: "Péssima actuação de Bruno Esteves. Esteve bem no capítulo disciplinar, especialmente no caso de Faouzi, mas devia ter assinalado penálti quando o marroquino foi rasteirado na área (34'). Já o penálti assinalado a Cléber (45'+1') foi um erro crasso, pois o jogador vitoriano desarmou Leonel Olímpio de forma limpa."
Record: "Que aflição na área pacense! Excelente iniciativa de Faouzi, Ozéia tira em cima da linha e o lance perde-se. O marroquino queixa-se de falta na área, mas o juiz da partida nada assinala. Parece, no entanto, ter existido falta para grande penalidade...(...) Penálti para o Paços de Ferreira! Cléber parece cortar o esférico, mas Bruno Esteves decide assinalar falta sobre Leonel Olímpio..."
São assuntos que me interessam menos do que outros, como a atitude e a coragem dos jogadores do Vitória durante toda a partida, ou como as pessoas que normalmente se queixam destas situações se esquecem do que dizem relativamente a estas matérias (e das consequências que esses alegados prejuízos têm no rendimento de uma equipa, mas como estamos perante um treinador "maldito" são assuntos que só são válidos na hora do protesto e não nas avaliações da qualidade do trabalho deste treinador).
Mesmo no campo da arbitragem há outros assuntos que me interessam mais, como as regras e respectiva interpretação e os critérios. Na maior parte das vezes, quem se dedica à análise destes lances cai sempre na frustração de não ter um lance idêntico para analisar do outro lado, analisado no mesmo jogo, pelo mesmo árbitro (caindo invariavelmente em especulações de pouco interesse). Neste jogo, contudo, houve momentos comparáveis e não foram bonitos.
Aos 45 da primeira parte, o Vitória estava a ganhar 0x1 e Faouzi foi expulso, depois de driblar o guarda-redes do Paços de Ferreira e de, na opinião do árbitro, ter simulado um penalty. Viu o segundo amarelo por simulação e foi para a rua. Primeira pergunta: quantas vezes viram uma expulsão por segundo amarelo por simulação? Tem cobertura legal. Siga para a próxima pergunta. Faouzi já vira o primeiro cartão amarelo por simulação, na opinião do árbitro. Quantas vezes viram um jogador ser expulso por dois amarelos por simulação? Há cobertura legal. Não houve qualquer tipo de interpretação que pudesse tolerar a ideia de que podia haver um desequilíbrio, um toque inadvertido ou não passível de ser marcada grande penalidade (ou uma falta, obviamente). Não, simulação pura, só. Siga. Segunda parte, Vitória reduzido a 10 e já empatado a 1, depois do penalty acima descrito.
Mário Rondon cai na área do Vitória e protesta uma grande penalidade. O árbitro não marca. Para além de não marcar, não a considerou uma simulação, nem achou que os protestos do avançado pacense fossem razão para um amarelo. Mas havia cobertura legal. Pouco depois, Mário Rondon remata depois do jogo parado, por fora-de-jogo. Vê amarelo, com cobertura legal. Mais um pouco e Mário Rondon cai na área do Vitória e o árbitro acha que não é penalty, mas não mostra amarelo. Desta vez, Rondon não protesta (tal como Faouzi no seu segundo amarelo, talvez porque nem tempo teve...). É importante dizer que esta decisão é aceitável, isoladamente considerada, porque há contacto e mesmo que não haja falta, um jogador não é obrigado a ficar de pé, porque se pode desequilibrar. Mas depois do que passou na primeira parte, estas duas decisões...
E assim, com estes critérios, no mesmo jogo, é obrigatório falar.
master kodro