domingo, novembro 18, 2012

Eficácia, eficiência, consistência

Não foram 3 golos em 3 oportunidades, como disse Manuel Machado (lembro-me de uma boa oportunidade de Kléber, logo aos 6 minutos, e outra de James, no final do jogo), mas é verdade que o Porto teve uma eficácia bem razoável, tanto pelo que produziu em termos ofensivos, com Atsu em destaque, com duas assistências para golo - um deles magnífico, do pé esquerdo de Lucho - como pelo pouco que consentiu à equipa da casa: dois lances perigosos de bola parada e um remate de Candeias, travado por Fabiano.

Mais do que eficaz, a equipa de Vítor Pereira foi eficiente, pois conseguiu o seu objectivo gastando o menos possível (Helton e Jackson ficaram de fora; Moutinho, Danilo e James entraram na segunda parte).

Em 16 jogos, o Porto consegue 13 vitórias e 3 empates, um rendimento mais consistente do que as 10 vitórias, os 3 empates e as 3 derrotas, conseguidos nos primeiros 16 jogos da época passada, mesmo tendo em conta que por esta altura o Porto já tinha defrontado o Barcelona e o Benfica. Esta consistência reflecte-se, sobretudo, na Liga dos Campeões, onde o Porto já conseguiu o apuramento para os oitavos-de-final, e vai ser testada mais a sério nas deslocações a Braga e a Paris.

littbarski

8 comentários:

Que é feito disse...

De facto nota-se uma grande evolução em Vitor Pereira da época passada para esta época. E nem se nota a ausência de Hulk.

JL Martins disse...

Vítor Pereira tem, desde há 8 meses um coaching pessoal, algo que, pelo que se vê, está a dar resultados.

A Vítor Pereira sempre lhe reconheceram qualidades na área do futebol, contudo as suas qualidades na área da comunicação (não só internas...) foram sempre o seu ponto fraco.

O pormenor faz a diferença, e isso no FC Porto não foi deixado ao acaso.

O que me leva a pensar no que poderia ser Jorje Jesus se tivesse esse tipo de «treino» pessoal.

MM disse...

Littbarski,

Há umas semanas elencaste um conjunto de resultados / exibições do FCP de Villas-Boas mostrando que o de Vitor Pereira (há umas semanas) fizera-te 'sentir' o mesmo tipo de capacidade, mas isso não começou nesta época. A vitória do FCP o ano passado no estádio da Luz foi 'obra' de Vitor Pereira, jogo onde a sua equipa não era favorita e o SLB vencendo 2-1 ao intervalo teve tudo para afirmar 3 pontos de vantagem que seriam na prática 4.

Foi uma prova muito muito dura que Vitor Pereira passou com distinção, e nesse momento demonstrou (ao público) ser capaz de conduzir uma equipa grande ao sucesso. Escalou Vitor Pereira, nessa noite, tantos ou mais degraus que os percorridos nos (então) últimos 7 meses.

É necessário no entanto dizer-se que dificilmente teria noutro (grande) clube as mesmas condições para revelar o seu talento. Um treinador como Vitor Pereira sofreu / sofre (a tua crítica foi / é exemplo, Littbarski) por parte dos adeptos do FCP o mesmo desdém que sofreria no SCP ou SLB, por parte dos adeptos do Sporting ou do Benfica.

A diferença é que no FCP isso não faz mossa. Nos outros, já faz.

Essencialmente porque o FCP é dirigido por um sujeito hábil, competente, que sabe o que anda a fazer.

littbarski disse...

«Foi uma prova muito muito dura que Vitor Pereira passou com distinção, e nesse momento demonstrou (ao público) ser capaz de conduzir uma equipa grande ao sucesso. Escalou Vitor Pereira, nessa noite, tantos ou mais degraus que os percorridos nos (então) últimos 7 meses.»

É verdade, MM. Mas quantos degraus terá descido logo a seguir, com o empate caseiro contra a Académica?

Consistência. Sabes qual foi a primeira vez que o Porto conseguiu mais de 3 vitórias seguidas, na época passada? Foi no fim de Abril, no antepenúltimo jogo da época. Consistência. Se não houver possibilidade de juntar mais vezes o útil ao agradável (como a grande exibição contra o Marítimo), que haja consistência.

E para que é precisa tanta consistência? Porque a concorrência na Liga dos Campeões e do Benfica não perdoam a falta de consistência. Quer dizer, na época passada, o Benfica perdoou, mas não podemos esperar oferendas deste tipo todas as épocas (ainda há bem pouco tempo, o Porto teve de se contentar com o terceiro lugar, porque entretanto o Braga também não perdoou). Já a Liga dos Campeões (e mais tarde a Liga Europa) foi implacável...

Vê que sendo uma equipa mais consistente, o Porto conseguiu facilmente o apuramento para os oitavos-de-final da Champions. Como já havia conseguido com Jesualdo, com Mourinho e até com Fernandez (com os mesmos 8 pontos que na época passada não chegaram, mas num grupo bem mais difícil). Felizmente, no Porto isto não é nada de extraordinário.

MM disse...

Claro, mas imagina que o FCP teria ganho num jogo muito mau do SLB, ou num jogo mau de ambas equipas com um auto-golo caído do céu. E considera que ter-se-ia na mesma sagrado campeão Nacional.

Não seria fácil nesse cenário, na vossa perspectiva, ficar tranquilos com a permanência de Vitor Pereira porque as 'provas' teriam sido nulas apesar do resultado final.

Assim não foram. Esse jogo demonstrou que a capacidade / talento estiveram sempre lá, ou a qualidade do futebol não teria aparecido. Para uma equipa grande esse talento ao nível do treinador tem de existir e então depois sim, importará que se traduza em vitórias semana-sim semana-sim.

Exemplo de Jesualdo, o seu FCP até foi nalgumas épocas consistente, mas nos testes difíceis baqueava sempre porque (julgo) não estava lá aquela dose de talento extra ou especial brilho nas capacidades que sempre demonstrou (no FCP e em todos os clubes pelos quais passou) enquanto treinador.

Vitor Pereira (creio que) não. Percebeu-se na temporada passada que existia talento na pessoa do treinador e isso para uma equipa grande é o mais importante caso contrário pode existir uma vontade férrea de ganhar semana-sim semana-sim que mais tarde ou mais cedo os defeitos virão à tona. Daí, pessoalmente, ter visto essa como a grande meta de Vitor Pereira - mostrar que era capaz, e ele mostrou-o, foi uma afirmação pessoal, sua, mais importante que qualquer campeonato. E o mais enfim serão ideias que se formam aliadas a - como diz esse «post» - muitas doses de injustiça.

Mas a mesmíssima coisa serve para Jorge Jesus. Pode-se avaliar a sua permanência no Benfica e (inclusivamente) concluir que não deve ficar, mas é preciso que os dirigentes do SLB tenham noção que essa será uma derrota sua, porque Jesus já sabemos que tem muita qualidade e sabemos do que é capaz. Porque ele já o mostrou.

Ainda em Vitor Pereira,

É dos poucos treinadores portistas que foi capaz de operar uma transição boa entre épocas fechadas com enorme sucesso. Enorme sucesso como foi o caso da de Villas-Boas culminada na conquista da Liga Europa. Recorda por exemplo como foi o Porto de 2004/05, pós-Gelsenkirchen.

Por fim, está a fazer tudo isto num contexto onde não tem a concorrência de um Sporting forte mas tem a concorrência de um Benfica forte e muito capaz. Vitor Pereira vai sendo bastante injustiçado, quando (tenho impressão) não o merecia.

littbarski disse...

«É dos poucos treinadores portistas que foi capaz de operar uma transição boa entre épocas fechadas com enorme sucesso. Enorme sucesso como foi o caso da de Villas-Boas culminada na conquista da Liga Europa. Recorda por exemplo como foi o Porto de 2004/05, pós-Gelsenkirchen.»

Já recordei, quando falei de Fernandez, que, na Liga dos Campeões, levou o Porto mais longe do que Vítor Pereira. Não foi campeão de Portugal, mas foi campeão do mundo (ou intercontinental, se preferires).

Além disso, as circunstâncias são diferentes. Mourinho deixou o Porto no topo dos topos, depois de ganhar praticamente tudo (falhou a Supertaça Europeia) o que havia para ganhar. Percebia-se que tinha acabado um ciclo. E, de facto, a transição para o seguinte foi bem mais atribulada do que o desejado. Vítor Pereira (que não veio de Itália, como Del Neri, nem de Espanha, como Fernandez) assumiu o cargo de treinador a meio daquilo que era suposto ser a continuação do trabalho de Villas-Boas, com uma aposta forte na Champions. Esta continuidade falhou claramente.

Porque, MM, não basta ganhar um jogo na Luz para se provar que há talento e competência. É preciso sucesso continuado, consistência. Não só no campeonato, mas também nas competições europeias, onde o Porto tem um prestígio a defender, prestígio esse que demorou muitos anos a conseguir e que só poderá ser mantido com sucesso continuado.

Este é o desafio de Vítor Pereira: mostrar que consegue dar fiabilidade a uma equipa que já não é a de Villas-Boas, mas que, em termos de potencial, não andará longe dela.

Joao disse...

Uma das boas características de Vítor Pereira é o reconhecimento das suas próprias falhas e vontade de corrigi-las. É meio caminho andado para ser melhor treinador...

MM disse...

"Mourinho deixou o Porto no topo dos topos", e foi onde Villas-Boas deixou-o também. Littbarski no papel faz sentido entender um como continuidade do outro, mas as coisas não funcionam desse modo. Nem Vitor Pereira é a continuação do anterior, nem Vilanova como exemplo é continuidade de Guardiola.

Um treinador sai, leva consigo as suas competências e defeitos. Um novo chega, tem naturalmente as suas ideias e métodos, um conjunto de qualidades e defeitos. Entendo o que dizes mas a partir do momento em que o trabalho de treinador é muito mais do que escolher / gerir um 11 para um jogo, não é razoável esperar-se que Vitor Pereira imite as sessões de treino de Villas-Boas e limite-se a escolher 11's.

Sobre o jogo na Luz, sem talento no comando técnico o FCP não teria feito aquela exibição. Eu não sei / não vi o que fez o FCP até esse momento mas confiando no 'julgamento popular' andava tudo farto dele. Vem aquele jogo, e o que vemos (o que vi) foi uma equipa que a jogar no campo do Benfica comportou-se como uma grande equipa de futebol. Sei que 5 meses passados é fácil entender o FCP no topo e o SLB a correr por trás, mas naquele contexto, com o SLB a liderar praticamente a prova de princípio ao fim, a jogar em casa, assumia-se (SLB) como grande favorito.

Claro que não chega, ao nível de resultados. Mas sem talento o FCP não vencia o jogo daquela forma, e um treinador sem talento não serve uma equipa grande. Seja ela FCP, SLB ou SCP.

Imagina por exemplo que amanhã a equipa de Peseiro perde (já perdeu em casa com aquele adversário) e termina a fase regular da LC com 3 ou 4 pontos. Nem por isso deixa Peseiro de significar para o SCB progresso relativamente a L. Jardim, bastando ver de que forma jogaram com o Manchester, na Luz, ou em Alvalade há semana e meia.

Foi a mesma coisa com Vitor Pereira nesse desafio da Luz. Mostrou que construía / construiu / um futebol de equipa grande e isso para um clube candidato a vencer provas é o mais importante.

Mas claro isto é opinião de quem está de fora. Vês os jogos todos do FCP saberás enquanto seu adepto dizer se o trabalho te agrada ou não. Não chega é olhar para resultados.