segunda-feira, maio 14, 2012

Quanto custa o amor à camisola?

A discussão sobre o desempenho e a continuidade de Vítor Pereira (já confirmada pelo próprio e por Pinto da Costa) como treinador do Porto originou uma divisão estranha e absurda: de um lado, os portistas de primeira, aqueles que apoiam o treinador, em qualquer circunstância; do outro, os portistas de segunda, os inimigos internos (como lhes chama o orgulhoso autor deste blogue), os que ousaram contestar o treinador (*) e, ainda assim, não tiveram vergonha de festejar o campeonato, no final.

Numa altura em que os dirigentes valorizam cada vez mais a vertente financeira do futebol (a parte que lhes enche os bolsos e endivida os clubes), com consequências óbvias para a formação; em que os jogadores chegam já a pensar no salto para um campeonato com mais visibilidade e financeiramente mais atraente; em que os treinadores trocam, sem hesitar, o prometido amor à camisola pela valorização das suas carreiras profissionais (e contas bancárias); que sentido faz exigir aos adeptos, que pagam (e bem) para poderem ver um espectáculo chamado futebol, que sejam o que todas as outras partes não são? Porque é que quem paga não deve manifestar-se, se aquilo que compra não lhe agradar? Porque é que quem compra não deve deixar de comprar, se achar que aquilo que receberá vai continuar a não lhe agradar? Porque é que os adeptos devem ser os únicos a não ver o futebol como o negócio que é?

A forma mais eficaz que um adepto tem de fazer alguma diferença, nos dias de hoje, é tocando na parte que dói a quem gere o negócio, isto é, comprando ou deixando de comprar o produto. O resto é lirismo. Infelizmente.

* Eu disse treinador? Perdão, queria dizer Vítor Pereira. Porque quem contestou a exibição do Porto, depois da vitória europeia em Dublin, que coroou uma época fantástica da equipa de Villas-Boas, continua a ser portista de primeira. Porque sim.

littbarski

5 comentários:

jose reyes disse...

Há épocas em que o bronco orgulhoso parece mais benfiquista que o Barbas, tal a sanha feroz com que critica o treinador do clube, os jogadores que lhe desagradam, a SAD portista e o seu Presidente.

G. disse...

Costumo ler o blog em questão, não pelas opiniões pessoais dos seus autores, mas acima de tudo pelos artigos que vão publicando, como os do MST. A sustentação utilizada para criticar os que se insurgem contra o treinador cai vezes sem conta em saco roto, e o facto de não permitir comentários torna aquele espaço um blog de opinião e não um blog de discussão, o que só por si é significativo. Tem-se a desfaçatez de criticar Rui Santos entre outros por terem direito aos seus tempos de antena sem contestação, mas para aquelas bandas faz-se o mesmo. Ataca-se aqueles que tantas alegrias deram ao clube por motivos irracionais e incoerentes - como ao Villas-Boas. O ataque é fácil e a defesa insustentada. As piadas pouco imaginativas e a utilização continuada de "smilies" para transmitir alguma leveza às críticas e questões levantadas não passam de meros acessórios a um disfarce muito pouco óbvio. Aqui não se critica o Vítor Pereira por desporto, critica-se porque somos exigentes, queremos o melhor para a equipa e se damos o braço a torcer em algumas - mas poucas - ocasiões, também temos direito de criticar tantas mais opções muito contestáveis e contestadas. Dou o benefício da dúvida a Vítor Pereira para o próximo ano. Tinha menos ovos que Villas-Boas para fazer a sua omolete, é um facto, mas tinha apenas um de relevo. E certamente, atendendo ao facto de Falcao não ter jogado uma parte ainda considerável dos jogos do ano passado, essa ausência não deveria ter sido notada de forma tão extrema no ano que agora terminou. Isso é trabalho do treinador e falhou em vários aspectos. Em abordagens aos e durante vários jogos. Dou o benefício da dúvida porque quero ver o que fará com um plantel que se espera seja mais equilibrado. Mas continuo a acreditar que o Vítor Pereira não é treinador para o FC Porto e que outro, mais competente, no lugar dele, teria feito melhor. Veremos o que se passará no próximo ano. Não obstante, terá o meu apoio até prova em contrário.

Infante disse...

Excelente artigo, uma vez mais. O segundo parágrafo é perfeito.

Entretanto, fui dar uma vista de olhos ao dito blog. Meu Deus! Logo na primera frase, uma quantidade de disparates. Desisti ao segundo artigo.

Costa disse...

Afinal quem são os 'portistas de 2.ª' ?!

Se no dito blog são os que criticam o Vitor Pereira, aqui parecem ser os que o apoiam enquanto treinador do FCP.

Pelos vistos padecem todos do mesmo fundamentalismo: acham-se mais portistas que quaisquer outros que não partilhem as mesmas opiniões.

Joao disse...

É bom que se critique o treinador, errou uma data de vezes, mostrou dificuldades em liderar o grupo de trabalho, a comunicação para o exterior (e para o interior?) foi medíocre, as opções técnicas nem sempre foram as melhores, etc...

Mas também temos de perceber que o homem não tinha experiência de primeira divisão, herdou um grupo de jogadores que se passou com a saída de Villas Boas e consequentemente quiseram também deixar o clube (e se possível ir para o Chelsea...), ficou sem o melhor ponta de lança do mundo, entrou para as competições com apenas dois pontas de lança sem grande experiência, e...

Vítor Pereira terá agora a oportunidade de mostrar serviço, sabendo de antemão que sem grandes resultados (e isto também implica mostrar bom futebol...) não conseguirá ficar muito mais tempo...