Música: "Blackout" Álbum: "Anna Calvi", 2011 Interpretação: Anna Calvi
master kodro
1 comentário:
Anónimo
disse...
Não há palavras
Tocas um corpo, sentes-lhe o repetido tremor sob os teus dedos, o cálido andamento do sangue. Observas-lhe o lânguido amolecimento, as suas sombras corporais, o seu desvelado esplendor. Não há palavras. Tocas um corpo; um mundo enche agora as tuas mãos, empurra o seu destino. Estira-se o tempo nos pulmões silva como um chicote rente aos lábios. As horas, o instante, detêm-se, extrais aí a tua pequena parcela de eternidade. Antes foram os nomes e as datas, a história tão clara e lúcida de dois rostos distantes. Depois, aquilo a que chamas amor, talvez se transforme em promessa arrancada, muro erguido que pretende encerrar aquilo que só em liberdade pode ganhar-se. Não importa, agora nada importa. Tocas um corpo, nele te fundes, apalpas a vida, real, comum. Já não estás só.
Juan Luis Panero
Às vezes parece que estamos no centro da festa. No entanto no centro da festa não há ninguém. No centro da festa está o vazio.
1 comentário:
Não há palavras
Tocas um corpo, sentes-lhe o repetido tremor
sob os teus dedos, o cálido andamento do sangue.
Observas-lhe o lânguido amolecimento,
as suas sombras corporais, o seu desvelado esplendor.
Não há palavras. Tocas um corpo; um mundo
enche agora as tuas mãos, empurra o seu destino.
Estira-se o tempo nos pulmões
silva como um chicote rente aos lábios.
As horas, o instante, detêm-se,
extrais aí a tua pequena parcela de eternidade.
Antes foram os nomes e as datas,
a história tão clara e lúcida de dois rostos distantes.
Depois, aquilo a que chamas amor,
talvez se transforme em promessa arrancada,
muro erguido que pretende encerrar
aquilo que só em liberdade pode ganhar-se.
Não importa, agora nada importa.
Tocas um corpo, nele te fundes,
apalpas a vida, real, comum. Já não estás só.
Juan Luis Panero
Às vezes parece
que estamos no centro da festa.
No entanto
no centro da festa não há ninguém.
No centro da festa está o vazio.
Mas no centro do vazio há outra festa.
Roberto Juarroz
Boas entradas (e saídas).
Enviar um comentário