sexta-feira, novembro 04, 2011

1x5, Vitória?

Quem diria? Se só tivessem visto a primeira parte, como eu, depois de o N'Diaye oferecer um golo ao adversário aos 5 minutos (que gentilmente falhou); depois de o El-Adoua, o central-que-joga-a-trinco-e-acha-que-é-o-Maradona, ter - novamente - tentado fintar em zona defensiva e perdido uma bola que deu o golo ao Paços, ajudado pelo omnipresente - no disparate - N'Diaye, que tentou correr e caiu para a frente (num jogo em que, noutra ocasião, quase se conseguiu desintegrar contra um placard sem razão aparente ou alguém por perto, o que foi um dos momentos alto do jogo, tirando a parte do sangue)... Se só tivessem visto a primeira parte, como eu, não acreditavam neste resultado.

Mas parece que o Edgar e o Toscano resolveram partir aquela merda toda. Acho bem. Já era hora de alguém fazer alguma coisa de jeito.

master kodro

8 comentários:

MM disse...

Resultado surpreendente para o Vitória minhoto, já que alcançado fora-de-casa. Com necessário respeito pelo Paços e sua história - uma que desconheço, congratula-se o regresso da equipa de D. Afonso à zona de destaque que a obtenção deste género de resultados lhe confere.

O lugar do Vitória é esse: ganhar naturalmente ao Paços e a 2/3 das equipas da Liga Portuguesa; rivalizar com (este) SC Braga e qualificar-se época-sim-época-sim para as competições Europeias; de quando em quando, intrometer-se na luta pelos lugares cimeiros da tabela, como fez há uns anos, pese embora o resultado final da pré-eliminatória que disputou para acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões; recuperar o lugar de 4º clube em Portugal a conduzir mais gente ao seu estádio (lugar perdido para o SC Braga, nas últimas épocas) e já agora, porque não, fazer aquilo que durante 2 décadas foi uma das suas marcas: possuir valiosas equipas praticantes de um futebol melhor do que o da restante generalidade das outras equipas compostas (entre outros) por 5 ou 6 elementos prontos a dar o salto para o maior clube de Portugal e um dos quatro principais clubes de Lisboa - Paulinho Cascavel, Pedro Barbosa, Pedro Martins, e outros (Belenenses, Atlético e Benfica não costumam recrutar ao Vitória).

Filipe disse...

O Vitória tinha dado 4-1 na Madeira, é a segunda goleada fora. É neste momento a equipa com mais golos marcados fora (mais 2 que FCP e mais 4 que SLB que têm menos um jogo fora). Com o mesmo número de jogos em casa e fora de casa o Vitória tem quase 4 vezes mais golos marcados fora. Curiosamente em golos sofridos, casa e fora não há diferença.

A diferença de rendimento é abissal, um golo a cada 5 remates fora de casa, em casa são precisos 21 remates para marcar um golo. Os avançados têm medo dos adeptos?

LDP disse...

Paulo Bento, Dimas, Nuno Assis, Fernando Meira.

Todos estes fomos recrutar ao Vaslui.

Infante disse...

Também só vi a primeira parte e sinceramente pensei que o Paços ia ganhar aquilo.

Em relação ao comentário do MM, eu para dizer a verdade, não acho que “o lugar” do Vitória seja essa maravilha que andas aí a dizer. Acho que o clube ainda tem de cerescer bastante para “merecer” esse lugar. Provavelmente esses elogios só devem surgir por causa da questão dos adeptos (onde são, de facto, um clube de um olho numa terra de cegos).

Mas é na verdade um clube com uma dimensão muito inferior ao que se pensa. E clubes como o Marítimo ou Nacional têm alguma coisa a dizer em relação a isso. Se não fosse o facto de virem da Madeira, teriam uma imagem muito mais positiva, tendo em conta que, nos últimos dez anos estão perfeitamente ao nível do VSC. O Nacional conseguiu mesmo a maior proeza europeia nos últimos 15 anos fora dos 3 estarolas, Boavista e Braga, que foi a eliminação do Zenit. E se não estou enganado, tem mais vitórias europeias que o VSC nos últimos 10 anos. Temos de recuar ao VSC-Parma para nos lembrarmos de um brilharete desses.

Percebo que é fácil gostar do VSC por serem uma ilha no mar dos 3 estarolas (e eu também gosto). Mas neste momento, o VSC está mais próximo dos clubes da Madeira em termos de qualidade e importância do que do Braga.

MM disse...

Infante, neste momento está. Quando disse "o lugar do Vitória é esse", referia-me ao Vitória que habituei-me a conhecer. Não é a questão dos adeptos, é sim aquilo que o Vitória durante muitos anos fez: ter equipas que jogavam bom futebol, ter um estádio intimidante, apurar-se constantemente para as competições da UEFA.
Os "3 estarolas" de que falas durante muito tempo foram estes, e só estes: Vitória, Boavista e Marítimo.

Adeptos, o Vitória ganha, mas não é por eles.
Títulos em futebol, também não: o Belenenses tem muitos mais, o Boavista tem muitos mais, o Setúbal idem. AA Coimbra. Até o SC Braga, talvez. Ou mesmo o Estrela da Amadora, salvo erro tem um par de taças de Portugal.

É uma questão de perspectiva: o futebol que cada um viveu, naquela fase em que olhamos para o fenómeno de forma mais ingénua.
Exemplo: o Vitória de Setúbal é, para mim, um clube simpático, e só isso. Não provoca medo quando o Sporting lá vai jogar. Mas para um adepto que viveu os tempos em que o Setúbal ganhava taça de Portugal e ficava nos 4 primeiros, já não será bem assim. Nacional, clube "fechado", difícil de bater, mas que não semeia especial respeito. Já os "Barreiros", tem toda uma outra conotação. Bessa, idem: aqueles jogos em que durante anos e anos quase nenhum grande lá passava, as equipas do Manuel José, o ambiente no seu estádio.

O Vitória era assim, mas pior, não porque tinha / tem maus adeptos ou porque metia 30000 no estádio, antes, porque tinha melhores equipas ...
Foi essa a imagem que durante muito tempo projectou. Boavista teve o Sanchez e num par de anos teve Sanchez, Artur e Ricky, ao mesmo tempo. Esse Boavista tinha alguma classe (aquele que o Futre afundou no Jamor). O Vitória, tinha-a todos os anos. Mesmo ao nível de treinadores: Quinito VS Manuel José.
Coisas deste género, mas lá está, depende de quem olha e da perspectiva.

Um bocadinho como Tottenham ou Chelsea. Se perguntares a um adepto do Arsenal a quem prefere ganhar, 9 em cada 10 dir-te-ão Tottenham. Podem perder todos os jogos de uma época, mas não com o Tottenham.
M. United, idem, para todos os seus adeptos que tenham 35 ou 40 anos de idade para cima, os verdadeiros clássicos não são com clubes Londrinos, nem sequer com os rivais da cidade, Manchester City. Uma viagem a Elland Road incute-lhes muito mais medo e respeito. Por o adversário ser melhor?, ter mais títulos?, ter boas classificações? Não, antes, porque durante 70 ou 80 anos os jogos lá disputados eram autênticas batalhas e uma viagem a Leeds significava derrota e humilhação para a cidade de Manchester.

Tudo isto mexe com os adeptos. Mexe até com as equipas, jogadores novos, 20 ou 30 anos depois. A tradição pesa muito em futebol, e Guimarães é a mesma coisa.
Ou talvez não, e se calhar é só para mim.

MM disse...

Só uma pequena coisa, o auge claro, tendo sido 3 ou 4 fabulosas equipas que tiveram com 1 acima de qualquer outra, correndo o risco de um adepto do VSC poder desmentir-me por possuir muito melhor conhecimento sobre o clube: a que reunia Barbosa, Gilmar, Neno, José Carlos e Zahovic. Ou algumas seguintes, sem o Pedro Barbosa mas com Capucho e Paneira (essa tal que derrotou um fortíssimo Parma).

O Boavista, tinha quem? Para além do Sanchez e do Artur? Marítimo, idem, para além de meia dúzia de torres que por lá andavam e de um futebol quase sempre físico. Braga, não existia, ainda (extraordinário Karoglan e nada mais, que não chegava para impedir que Boavista, Vitória e Marítimo ocupassem quase sempre os 4º, 5º e 6ºs lugares que davam apuramente para a UEFA.

O termo-chave é, classe.
O Vitória tinha-a.

Infante disse...

MM, gostei muito de ler os teus posts, até porque é raro lermos coisas desse género sem ser sobre os 3 "grandes".

Acho que exageras nalgumas coisinhas, na história da classe do VSC (houve várias épocas em que essa classe não existiu) e, por exemplo, em relação ao Boaviata esqueces o Timofte, na minha opinião, melhor jogador que o Sanchez, mas com muitos azares em termos de lesões.

De resto, se tens essas memórias e sensações sobre o VSC, nada a dizer. Eu tenho um pouco diferentes, mas no geral concordo com muito do que disseste. Mas também é preciso que o futebol evolui e que a história também se vai fazendo. Se os clubes não se mantém um nível alto, acabam por cair um pouco no esquecimento, ou acabam por ser dimunidos. Acho que o VSC, que só esteve 3 vezes na Europa nos últimos 10 anos, corre um pouco esse risco em relação ao Braga. Uma geração mais nova considera o Braga um clube muito superior ao VSC, e mesmo em termos de adeptos já não andam muito longe. E na última década, os clubes da Madeira estiveram ao nível do VSC, só isto.

Cumps.

MM disse...

Infante sim e bastante imperdoável, o Timofte, belíssimo jogador que ficava atrás de Balakov, Kostadinov, Rui Costa e alguns mais mas ... então, tempo. Andasse pelos relvados hoje, em Portugal, e seria naturalmente jogador de Sporting, Porto (esteve por lá num par de anos salvo erro) ou Benfica. Sobre o que dizes é normal que assim seja, porque toda a pujança do SC Braga resulta nisso mesmo; aquilo que digo é que esse é também o lugar do Vitória, na medida em que durante muitos anos pisou os mesmos patamares que o SC Braga hoje pisa. Não foi a nenhuma final Europeia e que me lembre nunca ficou a 1 ou 2 pontos do 1º lugar mas, em termos de projecção daquilo que o Vitória significava / significa, era exactamente a mesma coisa: insuspeitos benfiquistas dizem que hoje será normal sairem de Braga derrotados ... é isso.

Guimarães, de 80 a 90:
1 quinto lugar.
3 quartos lugares.
1 terceiro lugar (Paulinho Cascavel).

90 a 2000:
2 quintos
2 quartos.
1 terceiro.

2000 a hoje:
1 quinto.
1 quarto.
1 terceiro.

Sporting de Braga, de 2000 a hoje:
5 quartos.
1 segundo.
2 quinto.

De 1980 a 2000 (20 anos):
2 quartos.

De 1980 para trás:
Vitória de Setúbal, FC Belenenses, que durante muitas épocas terminavam constantemente à frente do FC Porto; na década de 70 o SC Braga só passou (a segunda) metade dela na I Divisão, ao passo que o Guimarães (salvo erro) disputou-as todas.
Anos 60: primeira metade com destaque para clubes próximos ou da capital - CUF e Atlético; segunda metade - AA Coimbra e ... Guimarães. O Belenenses andava quase sempre pelo topo, e era isto.

Anos 50 e 40, duas décadas pintadas de Verde pelos Violinos e / ou outras equipas do Szabo.

Ou seja, o SC Braga faz agora aquilo que o Vitória fez durante muito tempo; em termos de tradição não tem muita comparação (com vantagem óbvia para Guimarães) com duas importantes diferenças: foi a uma final Europeia, o SC Braga, e quase se sagrou campeão, jogou a Liga dos Campeões de forma brilhante. Mas mesmo sendo relativamente "recente", a pujança do SC Braga, é suficiente para que seja o seu campo visto, hoje, quase como inultrapassável. O do Vitória foi durante tanto tempo, que dificilmente será visto de qualquer outra forma. A mensagem principal, é: é preciso que SC Braga não desaproveite tudo o que de bom fez / tem feito (vide Boavista) e é preciso que o Vitória recupere os patamares que já pisou. O Belenenses, infelizmente, não anda sequer perto de tentá-lo, o Setúbal mais ou menos a mesma coisa, e o Boavista enfim, consegue misturar coisas muito boas com outras muito más, podem os boavisteiros agradecer à família Loureiro, julgo.