quarta-feira, março 11, 2009

É isto o bentismo?

Um texto que sobre o papel de Paulo Bento na eliminatória com o Bayern diz não mais do que isto:

"Paulo Bento avisara que não queria nova mancha na histórica campanha que pela primeira vez qualificou o Sporting para os oitavos-de-final da Champions" (...) "Paulo Bento pagou o risco assumido nos dois confrontos desta eliminatória"

Termina assim:

"Este desastre não merece maior descrição, mas há outro protagonista que precisa de reflectir. Miguel Veloso - e aqueles que o acompanham - tem de perceber que, com ou sem campanhas, a adversidade se combate com empenho, coragem e solidariedade. Se não assimilar, e depressa, a realidade da vida, o jogador corre o risco de, como tantos outros, apesar do indiscutível potencial, acabar como ele próprio se caracterizou nas recentes declarações em que assumia o papel de vítima: pequenino, pequenino..."

Sobre Polga, que nos presenteou com (mais uma) exibição de comicidade, em cinco dos sete golos, o Jogo não consegue ir além disto:

"O primeiro golo dos anfitriões surge de um passe à queima de Veloso para Polga, que por sua vez entrega a bola a Zé Roberto" (...) "o segundo e o terceiro tento são um prémio para o ridículo, entre o desentendimento de Polga com Patrício e o autogolo do central campeão do Mundo"

Miguel Veloso só tem dito asneiras e transformou-se numa figura ao nível de José Castelo Branco. Mas é preciso ter a noção de que fez 45 minutos em 180 nesta eliminatória. Não convocado na primeira mão, ontem saiu ao intervalo. Justifica mesmo ser o destaque individual da crónica da partida?

kovacevic

6 comentários:

Jean-Paul Lares disse...

Podias ter mencionado, meu caro, o autor do referido texto, sobretudo se não o tivesses retirado do "con".

Parece-me que, no que à responsabilidade do sucedido diz respeito, escrevo bastante mais do que o breve período que transcreves. Sobretudo porque omites elementos bem mais significativos.

Quanto a Veloso... Se achas que um "à parte", descrito como tal, no último parágrafo de 3000 caracteres, é o destaque de uma crónica, deves estar sobre a influência da desilusão.

PS - O destaque da formação leonina surge na apreciação individual e é feito, coisa rara, pela negativa, sendo totalmente dedicado à desastrada exibição de Polga. Ponto. Se isto era tudo para que eu voltasse a comentar num blog, parabéns! Conseguiste! :)

kovacevic disse...

Caro Jean-Paul,

Não me parece relevante referir o autor do texto porque isto não é um ataque pessoal. É uma visão, que já conheces, sobre a editoria. Acresce que li a versão online, em que o vosso trabalho é assinado em conjunto. Portanto não podia adivinhar quem escreveu a crónica.

No que à responsabilidade do sucedido diz respeito, mantenho: quando se fala (escreve) de Bento, é com falinhas mansas e atenuantes; quando se fala dos caídos em desgraça, é preto no branco. Não peço um linchamento do treinador, mas numa eliminatória de 1-12 a culpa é de todos (bem sei que não escreves o contrário).

Sobre Veloso, parece-me mais do que um 'à parte', sim, e é evidentemente, o destaque INDIVIDUAL da crónica. Não é o destaque da crónica - nunca o escrevi - é o destaque INDIVIDUAL da crónica. Da crónica, não da globalidade do trabalho que o JOGO fez em Munique.

A apreciação a Polga no 'um a um', concedo, faz juz à exibição dele: patética.

Comenta sempre que quiseres porque tudo se resume a ideias sobre o Sporting e nada é pessoal. Pelo menos da minha parte.

pitons na boca disse...

Já o Record, na apreciação individual dos jogadores, quando chega a vez do M.Veloso, faz referencia ao "passe para Polga no primeiro golo". Mas o passe foi assim tão disparatado? Não me pareceu. Foi uma bela "casa" que o Polga deu, não me parece justo apontar o dedo ao M.Veloso nesse lance.

Jean-Paul Lares disse...

Kova, insisto: a questão Veloso nunca pode ser um destaque quando é tratada à margem do comentário ao jogo. E é abordada daquela forma - a mesma a que sempre fui fiel - porque vivo em balneários há 24 anos e tenho as minhas convicções sobre aquilo que é uma equipa e deve ser, sempre, o papel de cada um dos seus elementos.

Se achas que o texto é brando, hás de dizer-me quantas vezes vês palavras como "triste", "ridículo", "humilhação", nas páginas de um jornal.

Quando a descrição do sucedido é clara, directa e dura, sendo o responsável, o treinador, claramente identificado.

Pergunto-to sinceramente porque tenho dificuldade em perceber como se pode fazer essa leitura.

PS - E não sou "bentista", como não fui "peseirista". Penso por mim, sei o que digo e faço-o sem problemas, medo ou vergonha, mesmo quando me engano.

Mad Mad Bungle disse...

Não há termo de comparação portanto nós sportingustas não temos de estar preocupados.

LC disse...

Jean-Paul, tocaste no menino bonito que nem devia ter viajado e escreves para "O Nojo", pior não podia ser.

Mas achei o teu artigo correcto e real.