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sexta-feira, janeiro 04, 2013

Estoril x Benfica revisitado

Li ontem um interessante artigo sobre o Estoril x Benfica de 2004/2005 no maisfutebol. Lembra aquele extraordinário Mantorras que, meio coxo, entrava para decidir jogos e que levava os benfiquistas à pura loucura (e os adversários ao desespero), que antes do famoso jogo no Algarve, o Benfica tinha mais 1 ponto do que Sporting e Braga e 4 do que o Porto e que "Houve muitos berros pela mudança de estádio e porque José Veiga, então diretor-desportivo do Benfica, tinha sido até outubro de 2004 accionista dos estorilistas".

Não refere tudo: não refere que o Estoril tinha feito, até ao momento, 21 dos seus 26 pontos na Amoreira; que António Figueiredo, ex-dirigente do Benfica, então presidente da SAD do Estoril justificou a alteração de estádio porque só o Benfica tinha solicitado 10.000 bilhetes (para um estádio com 6.000 lugares) e porque os benfiquistas do Algarve não viam o seu clube a jogar há muito tempo; não refere que as 3 empresas que "compraram" as acções de Veiga tinham sede no mesmo andar de um escritório de Londres e que reconduziram António Figueiredo na SAD do Estoril; não refere que o presidente do Estoril-clube dizia em público, poucos dias após o jogo, "Parece que o senhor Veiga detém 49 por cento, mas nem a CMVM consegue perceber. Portanto...".

Não refere que, três anos depois, em 2008, João Lagos comprou essas acções a essas empresas, assumindo uma dívida de José Veiga ao Finibanco. Mas esse valor inviolável da verdade desportiva e o recurso à investigação criminal é algo que se aplica apenas a alguns casos, como é óbvio.

terça-feira, junho 22, 2010

O epílogo da Estoril Connection

Alguns anos e muitos insultos depois, apeteceu-me voltar ao site da CMVM para perceber o que se tem passado desde que João Lagos resolveu tomar conta daquela brincadeira que foi, durante uns anos, a Estoril SAD. Começa bem. De 11 de Abril de 2008, uma comunicação de participação qualificada, em que a Lagos Sports dá conta da aquisição (no dia anterior) de mais de 208.000 acções às empresas KCK Developments Limited, Primera Management Limited e Mexes Marketing Limited. Uma comunicação que é seguida desta preciosidade:

"As acções acima identificadas encontram-se empenhadas em bloco a favor do Finibanco por dívida, que a esta data totaliza €119.304,22, contraída junto daquele banco pelo Sr. José Veiga, não tendo qualquer das ora alienantes procedido ao levantamento do penhor após a aquisição das acções ao Sr. José Veiga. No âmbito dos contratos de compra e venda hoje celebrados, transmitiu-se para a adquirente aquela dívida."

Lembra-se que estas empresas eram as-que-em-nada-estavam relacionadas-com-Veiga, director desportivo de uma SAD concorrente. Ao contrário da Sports Investrade. Pois bem, esta mesma comunicação acrescenta que a Lagos Sports celebrou, nesse mesmo dia, um contrato-promessa com essa empresa para a aquisição de mais 160.000 acções. Todas juntas, estas acções davam direito a 73% do capital social da empresa e respectivos direitos de voto, o que equivale a dizer a escolher o presidente do Conselho de Administração, a demiti-lo e a tudo o que essas duas possibilidades envolvem. Recordamos que a KCK, a Primera, a Mexes e a Sports Investrade mantiveram o mesmo administrador na Estoril SAD depois da suposta venda às empresas "inglesas".

Não é preciso dizer mais nada, pois não? É preciso, é.

É preciso falar nas moradas destas empresas e nos directores que assinaram estes comunicados, todos de Abril de 2008. Resumindo:

KCK - 33, Cavendish Square 4.º andar - Chiranjeev Singh Ahluwalia (director)
Mexes - 3, Carlos Place Mayfair - Chiranjeev Singh Ahluwalia (director)
Primera - 33, Cavendish Square 4.º andar - Kohli Koldeepuk (director)

Um busca internética simples por "33, Cavendish Square" mostra-nos um admirável mundo "novo" de escritórios virtuais, moradas de negócio virtuais, incluindo a possibilidade da contratação de staff virtual. Não admira que o enviado de O Jogo em Inglaterra, à data, não tenha encontrado nada sobre estas empresas. Mas deviam melhorar o algoritmo para que o director pudesse acumular funções em empresas com a mesma morada. E assim se vai animando o povo, que insulta o "inimigo", sem fazer a mínima ideia de quem o inimigo é.

master kodro

quarta-feira, junho 15, 2005

The Estoril Connection (5) - No reino dos Algarves

11 Dezembro 2003 Notícia Record
A surpreendente derrota (0-3) dos canarinhos no António Coimbra da Mota na última jornada, frente ao Maia, pôs fim a um ciclo de 25 jogos sem desaires na Amoreira. Para se descobrir a última violação da "gaiola" é preciso recuar mais de um ano e uma época inteira. Foi a 2 de Junho de 2002 que o Estoril perdeu em casa quando recebeu o Ol. Moscavide, na 38ª ronda da época 2001/02. Seguiram-se 25 jogos sem derrotas na Amoreira, dos quais 22 foram vitórias.

26 Março 2004 Notícia Record
António Figueiredo, responsável pelo futebol da SAD do Estoril, está revoltado com a eventualidade de a Comissão Disciplinar da Liga poder reduzir a interdição ao Estádio Avelino Ferreira Torres, permitindo que o Marco-Estoril (no próximo domingo) possa realizar-se naquele recinto.

"Dá-me vontade de rir, é um Carnaval. Valentim Loureiro pede discrição. Como é possível não falarmos, depois de o jogo ter sido marcado para o Estádio do Bessa? Que credibilidade tem remendar-se o que publicamente se conhece e foi debatido na Assembleia da República? O futebol português está podre."
(...)
Conhecida a decisão, foi agora a vez dos responsáveis do Marco manifestarem revolta. "A Justiça feita em Lisboa tem outro peso. Infelizmente, não conhecemos, nem temos o contacto pessoal do senhor Cunha Leal.”

ANTÓNIO FIGUEIREDO NÃO QUERIA JOGAR NO CAMPO DO ADVERSÁRIO.

12 Junho 2004 Entrevista a António Figueiredo
Em relação à SAD, se o sr. Jorge Figueiredo não tivesse vendido as suas acções teria direito a ser informado de que a SAD vive uma situação económica ímpar em termos de liquidez, no panorama das SAD portuguesas.”

3 Julho 2004 Notícia Record
António Figueiredo, administrador da SAD do Estoril, assegura que a decisão de anular o bilhete de sócio irá para a frente, apesar de o presidente do clube, Miguel Pisco, ter afirmado que a SAD não tinha autonomia para avançar com esta medida. "Não dou mais tempo de antena ao senhor Pisco. A decisão não foi tomada de ânimo leve e não fazemos qualquer alteração ao que anunciámos", frisou António Figueiredo, adiantando que "os sócios não podem querer o futebol na SuperLiga de borla".

22 Março 2005 Entrevista a António Figueiredo
– Podem começar a pensar em encomendar as faixas [o Benfica]?... É isso?...

– "A minha experiência de benfiquista diz-me que não. É melhor não se fazer a festa antes dela acontecer. Lembro-me de um campeonato que comandávamos invictos e acabámos por perdê-lo. Tudo tem um “timing”. Acredito obviamente no título, pois a vantagem é boa, mas as faixas devem encomendar-se na devida ocasião."

12 Abril 2005 Notícia Record
Ficou hoje decidido: o Estoril-Benfica, da 30ª jornada, que os canarinhos queriam transferir para o Jamor ou Restelo, vai mesmo disputar-se no António Coimbra da Mota. António Figueiredo, presidente da SAD canarinha, confirmou: “Vamos tentar colocar uma bancada que leve duas mil pessoas no antigo peão. Assim, a lotação sobe para sete mil lugares.”

14 Abril 2005 Notícia Record
O Estoril vai utilizar o Estádio Algarve para a recepção ao Benfica, no próximo dia 24, em jogo a contar para a 30.ª jornada da SuperLiga. A perspectiva de enchente de um recinto com capacidade para 30.305 espectadores levou a SAD dos canarinhos à alteração. O facto de ser um fim-de-semana grande (25 é feriado) também faz supor a presença de muita gente no Algarve.

Os responsáveis pelo futebol do Estoril vão hoje explicar todos os pormenores da mudança para o Sul, mas ontem já adiantaram que os sócios com as quotas em dia terão entrada livre e os portadores de lugares cativos e camarotes terão transporte gratuito para o Algarve. A ideia de construir uma bancada provisória na zona do antigo peão do António Coimbra da Mota foi ontem abandonada. Essa opção aumentaria a capacidade do Estádio em apenas dois mil lugares (de cinco para sete mil), enquanto o jogo no Faro/Loulé aumenta em 25 mil espectadores. Ou seja, em termos de receita o Estoril pode fazer a melhor casa de sempre. O Estádio Nacional foi a primeira hipótese dos canarinhos, mas a recente renovação do relvado não permite jogar no Jamor nos próximos tempos.

ARTIGO 41.º DO REGULAMENTO DE COMPETIÇÕES DA LIGA PROFISSIONAL DE FUTEBOL 2004/2005
Alteração de estádio

1. É permitido a qualquer Clube que apresente razões comprovativas da impossibilidade de utilização do seu estádio, com excepção de interdição por motivos disciplinares, indicar outro estádio, desde que o mesmo possua as condições exigidas na Lei e no presente Regulamento.
2. Constitui fundamento de impossibilidade de utilização do estádio a falta de condições de iluminação nos jogos a transmitir directamente pela televisão.
3. A verificação de falta de condições será efectuada pela Comissão Técnica.

O DIRECTOR EXECUTIVO DA LIGA NÃO CUMPRIU O REGULAMENTO. CHAMA-SE CUNHA LEAL. Recorde-se que o Estoril efectuou, entre outras, as seguintes partidas, todas no António Coimbra da Mota:

Jornada 28, Estoril x Braga às 21:30
Jornada 24, Estoril x Boavista às 19:15
Jornada 20, Estoril x Porto às 21:15
Jornada 16, Estoril x Setúbal às 21:30
Jornada 10, Estoril x Académica, às 21:30
Jornada 6, Estoril x Sporting, às 21:15
Jornada 4, Estoril x Belenenses, às 20:30

19 Abril 2005 Notícia Record
A decisão da SAD estorilista em alterar o encontro com o Benfica para o Algarve está longe de reunir consenso no emblema "canarinho". O presidente do clube, Miguel Pisco, discorda da decisão no ponto de vista desportivo e lembra aquilo que tem sido a carreira da equipa orientada por Litos fora do António Coimbra da Mota.

"Esta decisão coube à SAD e o clube não foi ouvido e não teve qualquer interferência. O sr. António Figueiredo apenas me comunicou a decisão um dia antes de ela sair nos jornais. Compreendo que não seja fácil optar por ter uma receita maior ou perder alguns pontos. De uma coisa não tenho dúvidas: jogando fora de casa as nossas hipóteses de pontuar ficam bastante reduzidas. Basta recordar que a maior parte dos pontos feitos pelo Estoril foram conseguidos em casa", afiançou.

ATÉ AO JOGO NO ESTÁDIO DO ALGARVE, DOS 26 PONTOS CONQUISTADOS PELO ESTORIL, 21 FORAM AVERBADOS EM JOGOS NO ANTÓNIO COIMBRA DA MOTA, E 5 FORA.

21 Abril 2005 Entrevista de João Cartaxana a António Figueiredo
RECORD – Qual a receita estimada?
ANTÓNIO FIGUEIREDO – Entre 400 mil a meio milhão de euros.

RECORD – E se o jogo se realizasse no António Coimbra da Mota?
ANTÓNIO FIGUEIREDO – Entre 80 mil e 100 mil euros.

RECORD – A opção pelo Estádio Algarve assentou apenas num critério exclusivamente financeiro?
ANTÓNIO FIGUEIREDO – O factor determinante que nos levou a realizar o jogo no Algarve foi o encaixe financeiro que nos irá proporcionar. O Estoril está com dois meses de salários em atraso, embora já tenhamos pago adiantado o mês de Maio no início da época. Além disso, o jogo no Estoril levantava um problema de ordem pública. O nosso estádio não chega a ter capacidade para cinco mil lugares e só o Benfica pretendia dez mil bilhetes. O problema nem se punha tanto para as pessoas que entrariam, porque há cadeiras individuais, mas para aquelas que iriam ficar de fora. Mesmo nos jogos de porta aberta, no morro adjacente ao estádio, há sempre meia centena de pessoas a assistir aos jogos. Imagine o que seria com o Benfica? O que pesou na decisão foi a possibilidade de fazer uma grande receita, que o Sporting e o FC Porto não propiciaram. Quando cá vieram, o António Coimbra da Mota ficou pela metade, não foi além dos dois mil lugares?

RECORD – Porque é que não vingou a opção pelo Estádio Nacional, como foi encarado numa primeira fase?
ANTÓNIO FIGUEIREDO – Sem menosprezo pelos algarvios, o Algarve foi a terceira escolha. A primeira foi o Estádio Nacional, mas a restauração do tapete de relva com vista à final da Taça inviabilizou essa opção. A segunda foi o Estádio do Restelo, mas o Belenenses jogará lá no dia 22 e, três dias depois, a 25, disputar-se-ão os Jogos de Lisboa, uma organização da Câmara à qual o clube já cedera as instalações. Ora, realizando-se o jogo com o Benfica na véspera, o relvado seria sujeito a carga excessiva.

RECORD – Porque não encararam a hipótese de jogar em Alvalade?
ANTÓNIO FIGUEIREDO – Por razões economicistas. O Benfica não joga no Algarve um jogo oficial há quatro anos.

RECORD – MAS O ESTÁDIO DE ALVALADE TEM MAIS CAPACIDADE DO QUE O DO ALGARVE, LOGO, A RECEITA SERIA MAIOR...
ANTÓNIO FIGUEIREDO – NÃO SEI... Não se esqueça que o Benfica tem muitos adeptos espalhados pelo Algarve que não vêem a equipa ao vivo há muito tempo.

RECORD – Já agora, porque não encararam jogar na Luz?
ANTÓNIO FIGUEIREDO – Nunca foi equacionada essa hipótese.

RECORD – Porquê?
ANTÓNIO FIGUEIREDO – Porque aí jogaríamos no campo do adversário. Se por causa desta opção pelo Algarve há este barulho todo, o que seria se fôssemos à Luz? Aliás, creio que os próprios regulamentos da Liga não o permitem.

RECORD – Vai torcer por qual das equipas?
ANTÓNIO FIGUEIREDO – Espero que o resultado não impeça o Benfica de ser campeão e o Estoril de se manter.

ESTA ENTREVISTA DEVIA ENTRAR NA HISTÓRIA DO FUTEBOL MUNDIAL

segunda-feira, junho 13, 2005

The Estoril Connection (4) - A fuga para a frente

26 Novembro 2003 Notícia Record

Manuel Vilarinho revelou que a Somague, empresa que construiu o novo Estádio da Luz, detém 840 mil acções do Benfica. Numa entrevista concedida ao programa "Discurso Directo", transmitido pela SIC Notícias, o antigo presidente sublinhou que nunca pensou dar o seu apoio a outra pessoa que não a Luís Filipe Vieira e esclareceu que o empresário José Veiga será um futuro accionista da SGPS. Falando sobre as acções que possui, Vilarinho reconheceu: "Tenho quatro milhões de euros e tenciono ficar com elas. José Guilherme, Humberto Pedrosa, Luís Filipe Vieira e a Somague são outros investidores." (...) Sobre José Veiga, considerou-o um "amigo do clube" e informa: "Será, no futuro, accionista da SGPS devido a uma dívida antiga de cinco milhões de euros."

28 Outubro 2004 Notícia SIC online

"As malhas do Fisco já atingiram José Veiga, um dos maiores empresários de futebol, que teve de entregar património pessoal por causa de dívidas fiscais. Em causa está uma quantia recorde: dois milhões de euros é quanto o Fisco reclama da Superfute, a empresa que nos últimos anos movimentou milhões de contos em transferências de jogadores, entre os quais Luís Figo. Entretanto, foi alvo de uma inspecção tributária e, só pelos anos de 1995, 96 e 97, o Fisco reclama agora dois milhões de euros de impostos. Veiga contesta o valor da dívida, mas teve de entregar património pessoal como garantia, enquanto não se resolve o caso. O empresário, que é actualmente director desportivo do Benfica, nega que a Administração Tributária tenha enviado para o clube um pedido de penhora do seu salário.

Mas José Veiga também está envolvido noutro processo complicado, desta vez quem reclama é o banco luxemburguês Dexia. O banco contratou um escritório de advogados português, reclamando uma dívida de um milhão e meio de euros, por causa de movimentos bancários pouco claros, . José Veiga contestou este processo, mas o tribunal já decretou o arresto judicial dos seus bens. Só que ainda nada foi encontrado."

30 Outubro 2004 Notícia Expresso

"José Veiga, responsável pelo futebol do Benfica, é acusado por um banco luxemburguês, o Dexia, de se ter apropriado indevidamente de cerca de 2,5 milhões de euros. A instituição instaurou um processo cível no Tribunal de Cascais para cobrar essa dívida e já pediu, através de uma providência cautelar, o arresto dos bens de Veiga para garantir o pagamento."

ESTA NOTÍCIA NÃO TEVE ECO NOS JORNAIS DESPORTIVOS. E DOS GENERALISTAS, SÓ A CAPITAL FEZ ALGUMA INVESTIGAÇÃO, EM JANEIRO DE 2005, NA MESMA PEÇA EM QUE FOI ENTREVISTADO PRAGAL COLAÇO, ADVOGADO DE JOSÉ VEIGA ATÉ JANEIRO DE 2005, DE QUE TRANSCREVEMOS ALGUNS EXCERTOS NO ESTORIL CONNECTION (1)


5 Novembro 2004 Notícia Record

"A Benfica, SAD está a negociar a venda de receitas futuras de bilheteira e de publicidade das bancadas do Estádio da Luz, noticiou ontem o "Jornal de Negócios". O BES, o Fortis (Holanda) e o Dexia (Luxemburgo) são as entidades bancárias que, ainda de acordo com o referido jornal, se encontram em conversações com os encarnados. Com esta engenharia financeira, denominada titularização, mas que o Benfica não confirma, a SAD pode antecipar receitas e reestruturar o passivo. Os prazos destas operações costumam variar entre os dez e os 30 anos.

FINALMENTE, A INVESTIGAÇÃO. NÃO FOI FEITA POR RECORD, A BOLA OU O JOGO. CONTÉM A ENTREVISTA COM PRAGAL COLAÇO, A HISTÓRIA DAS DÍVIDAS DE VEIGA AO FISCO E, O QUE MAIS INTERESSA, A HISTÓRIA DO DEXIA. OS SEGUINTES EXCERTOS FORAM PUBLICADOS NO JORNAL A CAPITAL EM 13 DE JANEIRO DE 2005 E SÃO DA AUTORIA DE ANTÓNIO RAMINHOS E BRUNO PIRES.

13 Janeiro 2005 Investigação A Capital

"Os problemas de José Veiga com a justiça prosseguem fora de Portugal envolvendo avultadas quatias em dinheiro. De acordo com documentos que A Capital teve acesso, o dirigente encarnado deve 1.482 milhões de euros, mais juros de mora, ao Dexia - Banco Internacional do Luxemburgo (BIL) por movimentos ilícitos e transferência de montantes de contas de clientes do Dexia-BIL para contas em que José Veiga é o principal beneficiário.

A história remonta a Setembro de 2000, quando o actual dirigente do Benfica abriu várias contas no BIL. Uma em seu nome, outra em seu nome e no da sua mulher. Para além destas contas, José Veiga era ainda beneficiário económico de cinco contas de outras tantas sociedades, entre as quais a Super Soccer CIE Inc. e a Superfute Lux SARL. De 10 Junho de 2002 a 16 de Maio de 2003, foram creditadas quantias nas contas acima referidas. Essas operações foram realizadas pelo agora ex-funcionário do Dexia-BIL, Théo Malget, que levantava montantes de outras contas, sem autorização dos respectivos titulares e sem o conhecimento do Dexia-BIL

(...)

Théo Malget confessou ter feito tais transferências em tribunal, tendo reconhecido a ilicitude das operações que praticou em benefício de José Veiga e das restantes sociedades, tendo ainda envolvido uma sociedade denominada ZETCO, SA a favor da qual foi creditada com movimentos não autorizados de outros clientes do banco, sendo posteriormente transferidos para as diferentes contas de que José Veiga era titular ou beneficiário económico.

(...)

O Dexia-BIL intentou uma providência cautelar de arresto de modo a garantir a possibilidade de cobrança através do património do devedor: o problema é que José Veiga não tem qualquer património pessoal - leia-se bens em seu nome ou mesmo no nome da sua mulher - e daí o receio da entidade bancária que a cobrança do crédito não se efective. O único património que o Dexia-BIL conseguiu identificar, em nome de José Veiga, curiosamente através de notícias publicadas na imprensa portuguesa, foram as acções adquiridas por José Veiga na SAD do Estoril. Ou seja, estas são as únicas possíveis garantias do Dexia-BIL. Ou melhor, eram. Porque quando foi decidida a providência cautelar de arresto já José Veiga tinha vendido as suas acções a três empresas inglesas, logo no princípio da temporada, como foi tornado público, quando Veiga entrou em funções no Benfica"

COITADO DO SENHOR, NÃO TEM BENS EM SEU NOME. VENDEU TUDO, NÃO FOI? PORQUE SERÁ?... TANTAS EMPRESAS COM NOMES ESTRANHOS... AS CONCLUSÕES SÃO VOSSAS.

segunda-feira, junho 06, 2005

The Estoril Connection (3) - Os amigos

Hoje, saiu mais uma pérola sobre toda a novela em torno da Estoril SAD e de todos os intervenientes neste processo. Em seguida, excertos de uma notícia publicada no Jogo on-line:

O destino de Douala deve ser conhecido até ao fim desta semana. A proposta de cinco milhões de euros, avançada pelo grupo empresarial Southern Cross - liderado por Jorge Rubenstein, o português radicado em Londres que controla... a SAD do Estoril - para a aquisição dos direitos desportivos do internacional camaronês, agradou à SAD leonina, podendo o acordo entre as partes selar-se já na próxima quinta-feira.
(...)
As primeiras conversações aconteceram ainda antes de Carlos Freitas se demitir do cargo de director-geral da SAD verde e branca, com o empresário Luís de Sousa (acompanhado do amigo e director-geral da Estoril, SAD, Vasco Casquilho) a encarregar-se da abordagem em nome da Southern Cross.
(...)
O grupo Southern Cross, lembre-se, tem vindo a cimentar a sua posição no futebol nacional, tendo passado a controlar a SAD do Estoril na sequência da compra do capital que José Veiga (director-geral da SAD do Benfica) detinha naquela sociedade anónima.


Vamos acreditar que o mundo do futebol é um mundo de virtude, de bons rapazes. Vamos acreditar que José Veiga alienou a sua participação na Estoril SAD e na Superfute, de direito e de facto – até porque, na lista oficial de agentes FIFA, já não consta o nome de Veiga, mas continua o de Alexandre Pinto da Costa, associado à Superfute.

Vamos acreditar que a “empresa” (na boca de António Figueiredo) “Southern Cross” é mesmo um “grupo empresarial” (conforme esta notícia de O Jogo) que congrega as empresas que compraram cerca de 41 % das acções detidas directamente por José Veiga (KCK Developments, Primera Management e Mexes Marketing).

Vamos acreditar que o facto de a KCK ter sido constituída em Fevereiro de 2004 (conforme pesquisa do nosso prezado leitor Francisco, que pode ser consultada nos comentários do n.º 2 desta rubrica), em vésperas do conhecimento público (público, repito) do convite de Luís Filipe Vieira a José Veiga para integrar os quadros da SAD encarnada, como director-geral, não passa de uma mera coincidência.

Vamos acreditar que a Southern Cross não conhecia ninguém em Portugal e muito menos os membros da SAD do Estoril e que resolveu reconduzi-los (depois de estes terem sido escolhidos por José Veiga, que detinha 80 % das acções e do direito de voto) pela excelente gestão praticada. Vamos acreditar nisto tudo, mas vamos fazer mais algumas questões.

1. Como é que o grupo Southern Cross passou a controlar o capital da Estoril SAD, se só comprou 41 % das acções detidas por Veiga, repete-se, através das três empresas citadas (acreditando que as 3 empresas fazem parte do grupo)?

2. Porque é que Vasco Casquilho, director-geral da Estoril SAD, escolhido pelos membros da SAD do Estoril - que foram escolhidos por José Veiga – acompanhou o mandatário da Southern Cross, Luís Sousa, na abordagem ao Sporting para a aquisição de Douala?

3. Vasco Casquilho é funcionário da Estoril SAD – com a anuência de Veiga – ou é funcionário da Southern Cross? Ou é simplesmente amigo do mandatário da Southern Cross? Afinal são todos amigos?...

Esta profusão de empresas faz lembrar outras histórias. Histórias que vamos relembrar na próxima edição de Estoril Connection.

sexta-feira, junho 03, 2005

The Estoril Connection (2) - As acções

24 Setembro 2003 O empresário José Veiga anuncia, em comunicado, o lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre as acções que ainda não detém na SAD do Estoril. Nesta altura, José Veiga detinha 39,78 por cento das acções na SAD do Estoril.

18 Junho 2004 Miguel Pisco é eleito presidente do Estoril para o triénio de 2004/2007, com 79 por cento dos votos dos sócios, contra 21 por cento do candidato derrotado, António Figueiredo.

10 Julho 2004 Notícia Record (com Veiga como responsável pelo futebol do Benfica)

O administrador José Veiga e o assessor Lourenço Coelho são os chefes da comitiva benfiquista. Os habituais "engravatados" não largam o grupo, estão no terreno e vão ajudando a resolver qualquer impasse, nem que isso seja ajudar ao simples preenchimento dos formulários alfandegários dos estrangeiros (Mantorras, Paulo Almeida, Alcides, Geovanni), como aconteceu manhã cedo em pleno Aeroporto da Portela.

30 Julho 2004 José Veiga lança uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre acções da Estoril SAD. Na eventualidade de todos os detentores das acções venderem os títulos ao responsável benfiquista, este veria reforçada a sua posição na SAD do Estoril, subindo de 70,43 para 84,4 por cento.

16 Agosto 2004 Em comunicado divulgado através da entidade reguladora dos mercados de capitais (CMVM), o José Veiga comunica que adquiriu um total de 50.598 acções do Estoril. Estas acções, somadas às 352.136 que já detinha, dão-lhe 80,55 por cento do capital social e direitos de voto da Sociedade Anónima Desportiva do Estoril-Praia. Do total de acções do Estoril detidas por José Veiga, 208.835 são detidas directamente, 33.899 através da sociedade Superfute e 160.000 pela Sports Investrade.

15 Setembro 2004 António Figueiredo é nomeado novo presidente da SAD do Estoril. Nesta altura, José Veiga detém 80,55% das acções da SAD e respectivo direito de voto.

3 Outubro 2004 5.ª Jornada da Superliga - Penafiel x Estoril 2x1

11 Outubro 2004 Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Estoril Praia Futebol SAD anuncia que José Veiga vendeu 18 por cento do seu capital à KCK Developments Limited, 18 por cento à Mexes Marketing Limited e 4,767 por cento à Primera Management Limited. "O alienante José António da Silva Veiga deixou de possuir qualquer participação directa na sociedade", afirma o comunicado. Depois das alienações das participações directas às sociedades britânicas, José Veiga detém indirectamente 38,78 por cento da Estoril Praia SAD, 32 por cento através da Sports Investrade e 6,78 por cento através da Superfute.

19 Abril 2005 Após a decisão da Estoril SAD de realizar o Estoril x Benfica no Estádio do Algarve, o Record publica uma notícia, de que se retira um excerto:

Afirmando desconhecer a actual situação financeira da SAD estorilista, o líder do clube mostra-se resignado com o facto de os 15% que pertencem aos sócios não conferirem um maior poder de intervenção e prefere não se alongar em comentários sobre o facto de José Veiga ter uma significativa participação no capital da Sociedade Anónima. "Parece que o senhor Veiga detém 49 por cento, mas nem a CMVM consegue perceber. Portanto...", concluiu.

21 Abril 2005 Entrevista de João Cartaxana a António Figueiredo

RECORDA compra das acções que estavam na posse de José Veiga por parte de uma alegada empresa inglesa que passou a controlar a SAD estiveram sempre envoltas num manto de secretismo. Afinal, quem são eles? Porque é que não dão a cara? Têm mandatários?

ANTÓNIO FIGUEIREDOA empresa chama-se Southern Cross e os contactos a nível administrativo têm sido feitos com o senhor Sérgio Rubinstein e a nível desportivo com Bruce Anderson . Esses contactos têm sido escassos, mas está aprazada uma reunião para preparar a próxima época.

RECORDQuanto dinheiro a Southern Cross já investiu no Estoril?

ANTÓNIO FIGUEIREDONenhum. Temos sido nós, administradores, a avançar com dinheiro nosso e a "queimar" certos favores para ajudar o clube.

RECORDAcha que José Veiga mantém alguma ligação a essa empresa inglesa ou que está por detrás dela?

ANTÓNIO FIGUEIREDO Penso que José Veiga não tem nada a ver com isto, que as pessoas que representam essa empresa não são empregados dele.

3 Maio 2005 Notícia Record

O presidente da SAD do Estoril, António Figueiredo, o vice-presidente Manuel Alves e o director-geral Vasco Casquilho, vão hoje a Inglaterra reunir-se com os novos accionistas maioritários para começar a preparar a próxima temporada.

26 Maio 2005 Notícia Record

A empresa Planetsport, sediada em Porto Alegre, do ex-jogador Roberto Assis (alinhou no Sporting e é irmão de Ronaldinho, companheiro de Deco no Barcelona), tem um acordo com os ingleses do Southerncross, que detêm acções no Estoril. Um protocolo de assessoria desportiva que permite estabelecer ligações com o clube da Linha, mormente no âmbito de movimentação de jogadores. Roberto Assis, que depois de arrumar as chuteiras passou a ser agente de futebol, é prudente na abordagem ao tema. Para todos os efeitos sempre acrescenta que o Estoril "é um óptimo clube para investir. Ainda não confirmo nada mas é provável que dentro de dias possa falar mais do assunto". Record sabe que os contactos entre os ingleses e a Planetsport iniciaram-se há cerca de três meses. Após algumas reticências da parte dos accionistas do Estoril, o protocolo acabou por ser firmado e deve passar a vigorar com vista à próxima temporada. Numa primeira fase chegou a pensar-se, inclusive, que Assis e os seus sócios poderiam comprar o clube da Amoreira. Neste contexto (da SAD canarinha ninguém confirma), desde Janeiro último têm chegado jogadores brasileiros à Amoreira, cujo passe pertence à Southerncross. Dois foram inicialmente emprestados ao Tires. No mês passado, um deles, o guarda-redes Fábio, transferiu-se para o Leicester, de Inglaterra, com algum lucro para o clube português.

PARA QUEM NÃO PERCEBEU, AS EMPRESAS "MEXES MARKETING", "KCK DEVELOPMENT" E "PRIMERA MANAGEMENT" TRANSFORMARAM-SE, POR ARTES MÁGICAS, PRESUME-SE, EM "SOUTHERNCROSS". AS PRIMEIRAS OU A ÚLTIMA, CONFORME PREFERIREM, NÃO TÊM QUALQUER LIGAÇÃO CONHECIDA AO FENÓMENO DESPORTIVO E MANTIVERAM A DIRECÇÃO DA SAD, COMANDADA POR ANTÓNIO FIGUEIREDO, EM FUNÇÕES, MESMO SEM O CONHECEREM (DIGO EU...).

quarta-feira, junho 01, 2005

The Estoril Connection (1) - O advogado

António Pragal Colaço foi advogado de José Veiga durante 15 meses, até ao dia 8 de Janeiro de 2005. Em entrevista a um jornal generalista, publicada a 13 de Janeiro de 2005, Pragal Colaço apresentou as razões para o seu afastamento:

"Temos de acreditar nas pessoas até prova em contrário, e eu provei o contrário quando soube, pela comunicação social, que a Superfute, ao contrário das instruções que eu dei ao Sr. Veiga na qualidade de advogado dele, ainda transacciona acções na Bolsa de Paris. Isto é grave. A Superfute é detida por José Veiga e isso pode indiciar actividades paralelas. Pode indiciar que continua a praticar actividades no mundo da mediação desportiva ao mesmo tempo que é dirigente do Benfica. Do ponto de vista ético é altamente reprovável e censurável. Foi-me garantido há oito meses [Junho de 2004], pelo Sr. José Veiga, que a Superfute seria totalmente parada quanto à sua actividade operacional. Isso era um ponto de honra meu (...) a verdade é que não sei quem compra ou quem vende acções da Superfute em Paris, mas se a empresa é de mediação de jogadores..."

Na mesma entrevista, Pragal Colaço, benfiquista assumido, advogado e confidente de José Veiga no periodo indicado, fala sobre o processo da ida de Veiga para o Benfica:

"Em Março [de 2004] concordei que ele fosse [para o Benfica], apesar de não me caber essa decisão, porque havia uma mútua perspectiva de que resolveríamos esta situação toda com empenho real. Entretanto fui conhecendo a realidade e agora estou desiludido. Não conheço muitas situações do passado, mas o que auguro não é bom. O Benfica precisa de ter paz, e não pode permitir a ninguém que lhe seja estragada a imagem."

Pragal Colaço foi, então questionado se iria alertar Luís Filipe Vieira para as razões que levaram ao seu rompimento com José Veiga. O advogado rematou:

"Filipe Vieira é uma pessoa que conheço pessoalmente e merece-me toda a credibilidade, mas não me cabe a mim exercer essa função. Esse papel tem de ser feito pelo próprio José Veiga, que neste momento está cego. Qualquer pessoa que chega ao Benfica bloqueia, as solicitações são tantas que as pessoas deslumbram-se, e José Veiga só vê um objectivo: ser campeão. O problema é o resto."

Para adensar o cenário vamos recuar um pouco no tempo: no dia 11 de Outubro de 2004 a CMVM anunciou a recepção de um comunicado da Estoril SAD dando conta da venda, por parte de José Veiga, de 41,7 % das acções que detinha directamente na SAD estorilista às empresas KCK Development, Mexes Marketing Limited e Primera Management Limited, não tendo alienado as acções da Estoril SAD detidas indirectamente, através das empresas Superfute e Sports Investrade (38,78 % da SAD). Voltaremos à questão das acções, em breve.

No dia 24 de Outubro, António Pragal Colaço, advogado de profissão, administrador da Estoril SAD para a área jurídica, apresentou a sua demissão de forma irreversível por se sentir desiludido, alegando igualmente questões profissionais, pessoais e diferendos com o clube...

sexta-feira, maio 27, 2005

The Estoril Connection (0) - Preâmbulo

Com as recentes juras de amor eterno de Luís Filipe Vieira a José Veiga consubstanciadas num sonoro "em equipa que ganha não se mexe", está dado o mote para o início de uma rubrica sobre a ligação do Estoril ao empresário de jogadores e/ou dono/accionista da SAD do Estoril e/ou homem-forte do futebol da Benfica SAD.

Antes dos impropérios esperados, afirmo, com convicção, que não julgo que o Benfica tenha sido campeão pela ligação de Veiga ao Estoril. Esta rubrica não pretende investigar (não faço parte de nenhum órgão de polícia), nem julgar (também não faço parte de nenhum órgão judicial), nem lançar suspeitas sobre uma das figuras mais polémicas do futebol português (a figura trata disso na sua vida corriqueira).

Vai ser um mero desfilar de palavras em discurso directo de alguns intervenientes, factos inquestionáveis e notícias publicadas nos media. Quem quiser julgar, que julgue. Quem quiser investigar, de preferência os órgãos competentes para tal, que investigue. Os factos são públicos. O primeiro interveniente vai ser um senhor chamado Pragal Colaço. É advogado. Até já.