quarta-feira, junho 01, 2005

The Estoril Connection (1) - O advogado

António Pragal Colaço foi advogado de José Veiga durante 15 meses, até ao dia 8 de Janeiro de 2005. Em entrevista a um jornal generalista, publicada a 13 de Janeiro de 2005, Pragal Colaço apresentou as razões para o seu afastamento:

"Temos de acreditar nas pessoas até prova em contrário, e eu provei o contrário quando soube, pela comunicação social, que a Superfute, ao contrário das instruções que eu dei ao Sr. Veiga na qualidade de advogado dele, ainda transacciona acções na Bolsa de Paris. Isto é grave. A Superfute é detida por José Veiga e isso pode indiciar actividades paralelas. Pode indiciar que continua a praticar actividades no mundo da mediação desportiva ao mesmo tempo que é dirigente do Benfica. Do ponto de vista ético é altamente reprovável e censurável. Foi-me garantido há oito meses [Junho de 2004], pelo Sr. José Veiga, que a Superfute seria totalmente parada quanto à sua actividade operacional. Isso era um ponto de honra meu (...) a verdade é que não sei quem compra ou quem vende acções da Superfute em Paris, mas se a empresa é de mediação de jogadores..."

Na mesma entrevista, Pragal Colaço, benfiquista assumido, advogado e confidente de José Veiga no periodo indicado, fala sobre o processo da ida de Veiga para o Benfica:

"Em Março [de 2004] concordei que ele fosse [para o Benfica], apesar de não me caber essa decisão, porque havia uma mútua perspectiva de que resolveríamos esta situação toda com empenho real. Entretanto fui conhecendo a realidade e agora estou desiludido. Não conheço muitas situações do passado, mas o que auguro não é bom. O Benfica precisa de ter paz, e não pode permitir a ninguém que lhe seja estragada a imagem."

Pragal Colaço foi, então questionado se iria alertar Luís Filipe Vieira para as razões que levaram ao seu rompimento com José Veiga. O advogado rematou:

"Filipe Vieira é uma pessoa que conheço pessoalmente e merece-me toda a credibilidade, mas não me cabe a mim exercer essa função. Esse papel tem de ser feito pelo próprio José Veiga, que neste momento está cego. Qualquer pessoa que chega ao Benfica bloqueia, as solicitações são tantas que as pessoas deslumbram-se, e José Veiga só vê um objectivo: ser campeão. O problema é o resto."

Para adensar o cenário vamos recuar um pouco no tempo: no dia 11 de Outubro de 2004 a CMVM anunciou a recepção de um comunicado da Estoril SAD dando conta da venda, por parte de José Veiga, de 41,7 % das acções que detinha directamente na SAD estorilista às empresas KCK Development, Mexes Marketing Limited e Primera Management Limited, não tendo alienado as acções da Estoril SAD detidas indirectamente, através das empresas Superfute e Sports Investrade (38,78 % da SAD). Voltaremos à questão das acções, em breve.

No dia 24 de Outubro, António Pragal Colaço, advogado de profissão, administrador da Estoril SAD para a área jurídica, apresentou a sua demissão de forma irreversível por se sentir desiludido, alegando igualmente questões profissionais, pessoais e diferendos com o clube...

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