sexta-feira, junho 04, 2010

Notas sobre o Mundial (2)

A uma semana do pontapé de saída, e já a salivar pelos cantos da boca, eis que nos chega a notícia de que Drogba se lesionou no encontro que a Costa do Marfim disputou hoje com o Japão. É no cotovelo e não se sabe a extensão da coisa. Seja como for, com ou sem Drogba, é do caminho que espera Portugal que me apetece falar. Depois de uma fase de qualificação com Suécia e Dinamarca no caminho, a fase de grupos inclui o Brasil, Costa do Marfim e Coreia do Norte. Ou seja, a terceira selecção do ranking FIFA encontra a primeira da tabela, o eterno favorito à vitória final nestes torneios, mais do que qualquer outro. Sabemos todos que passam dois aos oitavos-de-final, pelo que o problema é amenizado, mas este emparelhamento leva-nos a um expectável segundo lugar no grupo (vamos esquecer que a Costa do Marfim tem jogadores no Chelsea e no Barcelona, por instantes) que cruza com o primeiro do grupo H. De entre Espanha, Suíça, Chile e Honduras, não nos parece que os campeões europeus tenham muitas dificuldades em garantir o primeiro lugar.

Recapitulando: Suécia, Dinamarca (Bósnia); Brasil, (Costa do Marfim,) Espanha. O caminho natural e previsível prossegue com Itália (embora eu tenha sérias dúvidas relativamente aos italianos e recomendo uma análise à lista de convocados) e Argentina (aceito outras leituras, mas esta é a minha) até à final. A linha que separa o sucesso do insucesso desta participação no Mundial reside numa vitória (ou melhor, numa classificação melhor) sobre a Costa do Marfim, porque ninguém no seu perfeito juízo vai exigir vitórias sobre o Brasil ou sobre Espanha. Conseguindo mais do que isso, trata-se de um feito extraordinário. Menos do que o segundo lugar no grupo vai ser o descalabro. E eis que, de repente, o cotovelo de Drogba parece a coisa mais importante do mundo...

ps - Drogba out.

Actualização - Afinal ainda não é definitivo...

master kodro

6 comentários:

Yazalde disse...

Afinal o professor é um homem com sorte.
Os 6 da vida dele não foram por azar...

WorldUltra disse...

http://worldultra1993.blogspot.com/

Infante disse...

A ausência do Drogba é uma boa notícia para Portugal, mas não subestimaria o Kalou ou o Aruna. Qualquer um deles é 5 vezes melhor que o Hugo Almeida, por exemplo.

Mas as hipóteses aumentam consideravelmente, lá isso...

Não percebo a referência aos convocados de Itália. É basicamente a mesma equipa que foi campeã há 4 anos, apenas sem Del Piero e Totti, 2 grandes jogadores, mas que já há algum tempo que não são essenciais na selecção (o Totti não joga lá há 3 anos). O resto está lá tudo e com o mesmo seleccionador campeão mundial.

Tenho muitíssimo mais "fé" na Itália que na Argentina.

Infante disse...

E também acho muita piada a esta história de se colocar
a fasquia horrivelmente baixa, para depois elevar aos píncaros qualquer possível vitória.

Ninguém no seu perfeito juízo vai exigir vitórias ao Brasil e a Espanha? Eh pá, Portugal é assim tão, tão mau?

Exigir vitórias talvez não, mas é assim tão improvável que Portugal consiga ganhar à Espanha, por exemplo?

Ainda no ano passado a Espanha perdeu com os EUA, que eu me lembre. E não foi bem a feijões.

Passar aos oitavos de final e perder com a Espanha será visto como "uma vitória"? Eh, pá, não brinques.

Uma selecção que nos últimos 3 grandes torneios conseguiu uma final e uma presença nas meias?
E ficar pelos oitavos é uma vitória? Achas mesmo que alguém perdendo nos oitavos e logo contra Espnha vai encarar isso como "missão cumprida"?

Chiça, que retrocesso horrível! Os últimos 6 anos foram completamente apagados da história, é o que parece... De volta aos maravilhosos anos 90!

Rantas disse...

Infante,

Para ti, ganhar os jogos todos menos aqueles em que defrontamos as 2 melhores selecções do Mundo é colocar a fasquia horrivelmente baixa? Não ganhar a Brasil e Espanha significa mesmo, para ti, que Portugal é assim tão, tão mau?

Enfim, se entendi bem o teu comentário, para considerares a prestação de Portugal no Mundial "razoável" ou "mediana" teríamos no mínimo de eliminar os espanhóis. E isso seria o mínimo, não?

Infante disse...

Olá, Rantas.

Acho que não entendeste bem, não.

Não disse que "razoável" era eliminar os espanhóis. Chegar aos 4os seria muito bom. Mas depois de todo o passado recente da selecção, ficar apenas nos oitavos, (independentemente de se perder com Espanha, Brasil ou Marte) não é "bom". É o que há, pronto.

O meu problema em relação ao post do MK é o uso da palavra "sucesso", se Portugal chegar aos oitavos. Isso não é sucesso nenhum. É a obrigação mínima.

Não gosto dessa atitude de "bom, já fizemos muito, chegámos aos oitavos, podemos perder à vontade com Espanha, o nosso trabalho está feito". Isso é atitude anos 90, é a atitude coitadinha, pobrezinha, "deixem-nos lá ganhar um joguinho." Uma atitude muito "queirosiana", diga-se.

Seria uma atitude normal na Costa do Marfim ou Coreia do Norte, mas nunca numa selecção que no ultimo mundial esteve nas meias.

Espnha é sem dúvida uma das favoritas, (para mim, a principal) mas Portugal não é assim tão fraco que quase se desista em relação a um jogo com eles: "bom, pá, eles são fantásticos, só nos resta dignificar a camisola". Pensar assim é um retrocesso.

E sim, isto tresanda a "táctica": baixar horrivelmente a fasquia, para depois, se Portugal por acaso passar aos Quartos, poder-se dizer "ah, maravilhoso, ninguém dava nada por nós, calámos muita gente, ninguém esperava, mas conseguimos"

Eu simplesmente, não acho a selecção portuguesa assim tão fraca, nem uma vitória contra Espanha assim tão improvável.

Cumps.