sábado, outubro 04, 2008

A cruzada continua...

... e agora é a vez do jornal "Expresso" se juntar às tropas (p.33 deste sábado). Fala-se das dificuldades portuguesas no ranking da uefa; das desilusões desta semana; das temíveis ameaças que surgem um pouco de todo o lado. Que fique claro: todos desejamos que o futebol português evolua e se manifeste de forma pujante na Europa. Mas convenhamos que é difícil reflectir sobre os tratamentos indicados quando o diagnóstico está errado.

Estas peças jornalísticas (que já não são recentes) têm algo em comum: partem de uma conclusão pré-definida (a ideia de que o futebol português está em permanente degradação) e só depois atentam nos dados existentes, frequentemente deturpados para fundamentarem o cabeçalho pré-concebido. O exemplo do MaisFutebol foi analisado pelo Kovacevic, mas gostava de voltar ao tema para comentar a notícia do "Expresso", exemplar do verdadeiro embuste que nos tentam vender nas "semanas europeias".

Primeira ideia: a prestação portuguesa na UEFA foi negativa: “Portugal concorre com equipas a mais na Taça UEFA. [...] três formações perderam o pé além-fronteiras logo na primeira eliminatória, afastamento que pode ditar a prazo nova descida de Portugal no ranking da UEFA”. 5 equipas estiveram presentes. Duas apuraram-se, com grande mérito. E as restantes? O Guimarães “empatou” uma eliminatória com o Portsmouth, que no ano passado venceu a FA Cup e cujo orçamento é superior ao campeão português. O Marítimo tinha a eliminatória igualada com o líder do campeonato espanhol a 15 minutos do fim.

Reconheço que o Setúbal desiludiu, mas ainda assim pergunto: o que se esperava? Que clubes médios portugueses, com orçamentos magros, desatassem a eliminar equipas de topo em Espanha, Inglaterra e Itália? Quem apurou mais equipas que nós? Os três gigantes, além da França, Alemanha e Holanda. Como se pode falar em desilusão?

Segunda ideia: vem aí uma hecatombe: "[...] só uma campanha excepcional fora de portas do Benfica, Sporting, FC Porto e Braga evitará que Portugal seja ultrapassado no ranking da UEFA pela Ucrânia". Não há aqui nenhum alarme forçado... Porquê "campanha excepcional fora de portas"? Se os nossos clubes vencessem os jogos em casa, Portugal ficaria com 34,890 pontos, obrigando a Ucrânia a fazer 9,665 esta época, o que equivaleria ao seu melhor ano de sempre... E reparem que não estou a contar bónus, nem apuramentos, nem pontos fora. Nada. Mas a jornalista acha que só uma campanha excepcional de TODOS os quatro clubes nos salva. Estamos no campo do palpite; nada disto é jornalismo.

Mas vamos imaginar que as coisas correm mal para Portugal este ano. A Ucrânia ainda tem que fazer quase 3 pontos no ranking geral, equivalentes a 6 vitórias. 6 vitórias repartidas entre um Shaktar e um Dínamo em dificuldades nos seus grupos e um tal de Metalist Kharkiv que vai para o Pote 5 da UEFA. E reparem que estou a falar de um cenário catastrófico, no qual atribuo zero pontos a todos os jogos que restam de Porto, Benfica, Sporting e Braga...

Este pessoal necessita urgentemente de um Xanax e de uma calculadora.

katanec

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