sábado, junho 19, 2010

Holanda 1 x 0 Japão

A Holanda vence o Japão e apesar de raramente ter criado oportunidades de golo é preciso reconhecer que arrecada os três pontos com toda a naturalidade. Não há sinais de laranja mecânica nem de futebol total: escassamente testada por Dinamarca e Japão, a Holanda escolheu o pragmatismo e está com pé e meio nos oitavos-de-final.

No entanto, se falta brilho não falta qualidade e muito menos profundidade nas opções. Deve encarar-se esta Holanda como séria candidata a ir longe na prova. Veja-se os nomes disponíveis para o meio-campo ofensivo e ataque: Van der Vaart, Sneijder, Kuyt e Van Persie, com Robben, Huntelaar e Babel no banco, além dos menos notáveis Afellay e Elia, que já provaram na África do Sul serem excelentes jogadores.

A Holanda organiza-se em dois blocos claros. A linha defensiva de quatro é complementada no meio-campo por um fortíssimo Van Bommel e um eficiente De Jong, cabendo aos restantes quatro as despesas de assalto às redes contrárias. Hoje estiveram discretos, excepto Sneijder, o autor do golo, que além do talento evidencia uma entrega ao jogo verdadeiramente extraordinária. Tal como Kuyt, de resto. Pode a defesa sustentar a potência no ataque? Provavelmente só se saberá nas eliminatórias.

Há duas conclusões a retirar deste Mundial, para já. A primeira: o presente do futebol não está em África. O futuro logo se vê, mas tenho dúvidas. Das cinco selecções, só a Costa do Marfim se encontra num nível superior. A segunda: as selecções menos cotadas revelam uma evolução extraordinária, bons valores individuais e uma atitude positiva, sem complexos, que muito tem enriquecido a competição. O Japão é um desses casos. Gostei especialmente do central Túlio Tanaka, que parece ter consistência para uma liga europeia.

kovacevic

6 comentários:

Cris Costa disse...

Tulio Tanaka é brasileiro, e assim como outros garotos de acá, saiu bem cedo para o Japão, pois já tinha descendentes japoneses.

Concordo com você. E um desses no Brasil, faria sucesso.

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Infante disse...

A Liga japonesa não deve pagar mal e muitos jogadores preferem ser reis no seu país do que experimentar campeonatos mais competitivos e passar para segundo plano nas equipas europeias (parece-me também os casos de tipos que jogam na Àfrica do Sul e do Egipto, os Abutrikas e tal).

Em relação ao futuro não estar em África, é claro que vai demorar algum tempo até essas selecções estarem ao nível das melhores europeias ou Brasil/Argentina.

Mas se tivesse que mandar um palpite, diria que chegarão lá: irão surgir cada vez mais Essiens, Tourés, Keitas, Muntaris, etc... os jogadores africanos são hoje importantes em muitas equipas de topo, muitos deles têm enorme experiência de Champions, são essenciais na defesa e meio-campo, já não existe a história dos anos 90 em que os africanos eram supostamente apenas bons pontas-de-lança que corriam muito. Creio que se continuar a aposta africana de muitos dos clubes de topo, as selecções irão naturalmente evoluir bastante.

Mas isto já é muita futurologia, claro. Agora, que existe uma evolução do jogador africano e do seu papel no futebol de topo, em relação ao que acontecia nos anos 90, isso é indesmentível.

master kodro disse...

O Tanaka tem também a particularidade de ter sido o gajo que lesionou o Drogba, o que foi simpático da parte dele.

. disse...

Como são aficionados pela nba como eu, aconselho-os a irem ao site www.leiloes.net e procurarem por "NBA" e encontram material oficial para comprar.

Treinador de Sofá disse...

Não acho Tulio Tanaka nada de especial. O companheiro do eixo central é bem mais consistente. Inexplicável e ausência dos dois melhores nipónicos no ultimo jogo (Hasebe e Matsui) no onze titular...

Sérgio_alj disse...

O Matsui e o Hasebe jogaram de inicio! Mas não estiveram nada bem.