segunda-feira, junho 21, 2010

Quase humano

Ontem o anti-adepto tornou-se quase humano. Traduzido para vocês, tristes e patéticos mortais que se vão contentar em ver o jogo nessa pequena caixinha de transmissão de imagens em movimento, significa dizer que a minha veia portuguesa finalmente palpitou. Primeiro pensei que fosse um dos rebentamentos de vento que varre o Cabo da Boa Esperança e que me tivesse sacudido bem forte, mas não. Deitei a prova de vinhos a que estava obrigado nas imediações da cidade do cabo e fui fazer exercícios de aquecimento para o extremo sul-africano, mais coisa menos coisa onde Bartolomeu Dias contornou uns rochedos e não se calou com isso até que os media de então contassem historias de monstros e Bojadores carrancudos.

Junto a mim, um queniano que vive na Cidade do Cabo, que lutou em Angola pela equipa lusitana de então, narrou uma aventura de gente que deu novos mundos ao mundo, de temerosos marinheiros sulcados pela severidade da missão de enfrentar o terror que é sempre a morte e o desconhecido. Perscrutei aquele mar envolto no traiçoeiro nevoeiro que também espantou muitos dos portugueses salgados que habitaram as barcaças que nos deram a dado momento metade do mundo e, lá está, senti um salpico de sangue a bombear este meu coração português. Sim, agora imaginem o meu espanto. O meu frágil dedo mindinho tentou em vão limpar a lágrima pendurada ao canto do olho e eis que dei por mim quase a desejar o empate para Portugal contra os coreanos.

Hoje, depois do jogo visto das bancadas do estádio, prometo mais ternura deste vosso anti-adepto, em exclusivo para o 442.

1 comentário:

Francis disse...

Vai lá beber vinho e volta daqui a uma semana.