domingo, maio 10, 2009

Sporting: uma temporada insonsa

De 0 a 20, a temporada não merece mais do que um 13 em Alvalade. A supertaça e a quarta qualificação consecutiva para a liga dos campeões são objectivos menores quando comparados com o campeonato, a chegada aos oitavos-de-final da prova milionária não existe sem a lembrança da humilhação 1-12 pelo Bayern.

Paulo Bento tem o mérito de incutir na equipa 75 por cento do espírito leonino: esforço, dedicação, devoção. O profissionalismo de técnicos e jogadores é inatacável e longe vão os tempos de finais penosos, como o da segunda época de Boloni, por exemplo. Até ao fim, o Sporting tem-se apresentado consistente e aguerrido, espelhando a personalidade do líder.

A falta de génio, tanto em campo como no comando a partir do banco, marca, no entanto, o trajecto do clube em 2008/09: muitas vezes suficiente, às vezes medíocre, raramente brilhante. É impossível garantir que outro treinador faria melhor com este plantel, mas o oposto também vale -- quem sabe se não faria?

Uma parte do insucesso tem explicação no escasso rendimento dos reforços, de Grimi a Caneira, Rochemback e Postiga. A política de contratações era boa, mas eles não corresponderam às expectativas. Meia época sem Vukcevic não ajudou, o apagamento de Veloso, nuclear no ano passado, representou outro golpe. Demasiados casos de indisciplina ou descontentamento.

Em relação à gestão da informação e à estratégia de comunicação com o exterior, assistimos a um desastre, que afastou espectadores, potenciou polémicas e queimou activos, com síntese perfeita no dia em que Abel se dirigiu aos adeptos, via comunicação social, dizendo 'os cães ladram e a caravana passa'.

O melhor: supertaça, vitórias sobre o Shakhtar, vitória sobre o FC Porto (4-1) na taça da liga, vitória frente ao Benfica em Alvalade (3-2), Liedson, Daniel Carriço, qualificação para a champions.

Para o ano, pede-se:
- privilégio dos melhores jogadores em detrimento da política de filhos e enteados
- fim da caça às bruxas na imprensa e na oposição interna
- saída de Ronny, Grimi, Tiuí, Romagnoli e Veloso
- contratação de um lateral-esquerdo, um lateral-direito e um 10, regresso de André Marques (ou Tiago Pinto), promoção de Diogo Rosado
- contratação de um central se Tonel sair e de um avançado se Derlei acabar

kovacevic

30 comentários:

JLC disse...

Volto a não concordar com a teoria dos filhos e enteados.

E não percebo porque é que o Veloso já passou de vitima do veloso, para jogador a vender.

Afinal de contas, mete-lo a jogar como lateral esquerdo, era a pior coisa que o PB lhe podia fazer... certo?


PS: Oposição interna, não devia existir. Não é questão de caça ás bruxas ou não. Também aí, há uma diferença do porto para os de lisboa.

Para acabar, uma pergunta (partindo do principio que foi o kova quem escreveu o post). Preferes para o ano apanhar uma coça nos oitavos, ou ser eliminado nos grupos?

JLC disse...

*vitima do Paulo Bento

Infante disse...

Tendo em conta o novo formato de qualificação para a LC é muito cedo para dizer que conseguiram o "apuramento".

Ajudem-me se estiver enganado, mas o Sporting pode calhar com o 4º de Espanha (Valencia ou Atletico), 4º de Itália (Juventus ou Fiorentina), o 3º de França (Lyon ao que parece) ou até mesmo Arsenal. Dependerá dos "seedings", claro, mas qualquer um destes pode arrasar um Sporting anjinho como o deste ano.

Despachem o Bento, "loser" por Natureza e arranjem alguém com mentalidade ganhadora, mais um ou outro reforço. Conselho de quem não é sportinguista, mas não gosta de ver clubes tugas a levar nas lonas lá fora.

Cumps.

kovacevic disse...

JLC

Se não te importas, prefiro que o Sporting não seja eliminado nos grupos nem apanhe uma coça nos oitavos. Ou ir aos oitavos é sinónimo de goleada? Não me parece.

Não leste aqui no 442, certamente, que o Veloso era uma vítima e que colocá-lo a defesa-esquerdo era o pior que o Paulo Bento lhe podia ter feito.

Pessoalmente, até acho que o Veloso tivesse tentado fixar-se a lateral-esquerdo no Sporting estava agora na selecção.

Podes ter lido, e mantenho, que o Paulo Bento deu provas de não saber lidar com ALGUNS casos difícieis, caindo, muitas vezes, na asneira de criticar os jogadores em público -- que é coisa que não consigo perceber como é que contribui para a integração das ovelhas negras (a não ser que não se queira integrar as ovelhas negras).

oposição interna não devia existir? Meu amigo, nem nos partidos políticos ou confissões religiosas há consensos. E se pensas que os adeptos e sócios do FC Porto dizem 'amem' a tudo, estás redondamente enganado. São exigentes com a equipa. E provavelmente por isso são factor de sucesso.

João disse...

Nos anos 40 e 50 o Sporting era a primeira potência do futebol nacional. A partir de meados dos anos 50 perdeu essa posição para o Benfica. Nos anos 80 foi ultrapassado pelo Porto e passou a ser o terceiro clube nacional. Nessa altura o normal era terminar o campeonato em 3º lugar, sendo que ficar em 4º não era nada de extraordinário. Nos últimos 10 anos o Sporting tem vindo a consolidar-se como segunda força do futebol português, ultrapassando o Benfica. Venceu 2 campeonatos, 3 taças, 4 supertaças e foi a uma final europeia, enquanto o Benfica ganhou 1 campeonato, 1 taça, 1 supertaça e uma taça da liga. Nesses 10 anos, terminámos 7 vezes à frente do Benfica no campeonato. Entre 2000 e 2002 fomos duas vezes campeões, com dois treinadores diferentes e com dois plantéis bastante diferentes. Depois ficámos três anos seguidos em 3º, primeiro com Bölöni, depois com Santos, por fim com Peseiro. Com Paulo Bento ficámos sempre em 2º, e este ano até tivemos o bónus de garantir isso a duas jornadas do fim (talvez daí ter sido uma temporada insonsa).

Estes dados mostram que, apesar de sermos apenas a terceira potência económica do futebol português, já somos a segunda no plano desportivo. O Porto é claramente o clube mais forte, tem muito mais dinheiro e tem uma mentalidade vencedora que o Sporting perdeu há mais de 50 anos (ainda Paulo Bento não era nascido). Ser a segunda força pode ter vantagens: no dia em que o Porto estiver menos forte, nós aproveitamos. Infelizmente, nos últimos sete anos, o Porto só esteve menos forte uma vez. Foi em 2004/05. Nós devíamos ter aproveitado. Mas, por um imenso azar, logo nesse ano tivemos o treinador mais incompetente da nossa história, e mesmo com um Porto mais do que sofrível não conseguimos melhor do que terminar em 3º. Com tudo isso foi um medíocre Benfica que aproveitou. Não tenho dúvidas de que com Paulo Bento teríamos sido campeões nessa época com as duas pernas às costas.

Um dos candidatos à presidência do Sporting já garantiu que, com ele, para o ano vamos ser campeões. Já não ouvia um discurso assim desde Sousa Cintra. Belos tempos, em que tínhamos treinadores e jogadores de nível internacional e terminávamos em 3º ou, com sorte, em 4º. Pode ser que esses tempos regressem em breve. Talvez assim os adeptos voltem a aproximar-se do clube.

Valdemar disse...

Kova,

os adeptos do Porto dizem "amen" a tudo. Principalmente porque ganham. E nas estruturas dirigentes, quem não afina pelo diapasão do PC é pura e simplesmente afastado. Sabes bem que é assim. A cultura do políticamente correcto e de ter que aturar oposições só é adoptada em Lisboa. Bem ou mal, deixemos para a História ajuízar.

Em relação ao Sporting.

Veloso é bom jogador. Também Djaló. Mas tu, com a idade deles querias era putas e vinho verde. É preciso um "pai" para meter juízo em jogadores que casaram aos 19 anos, ou que sempre tiveram uma vida ultra-resguardada. São gajos que nunca foram a uma queima, porque havia treinos, por exemplo. Quando se apanham rodeados de carros e gajas, perdem a pouca cabeça que têm. Paulo Bento, sabe o que a vida custa. É, e sempre foi profissional, e é o que espera dos seus jogadores. Veloso, se fosse bem aconselhado pelo agente e pelo pai, podia ser um Cristiano Ronaldo. Mas a ganância...

Tu queres mandar embora Grimi e Ronny. Penso que não são maus. Grimi fez grandes jogos quando estava emprestado pelo Milan. Concerteza que não desaprendeu. Ronny, é jovem, mas deu um abanão na equipa quando têm entrado para substituir Caneira, nos ultimos instantes das partidas. E os livres não são maus.

Tonel, pravavelmente sairá, dá-se mal com o banco e a idade já não perdoa. Mas Carriço tem estado bem e há mais centrais na calha. Paulo Renato, e dizem que o Pedro Mendes não é mau. Claro que na Champions precisa-se de experiência, senão lá virá um 12-1. Veremos. O Enakarhire estará disponível?

Postiga esteve bem quando foi chamado, mas tem sido ultrapassado pela raça do Derlei. Proponho que se empreste o Tiuí e se chame um avançado. Fala-se no Carlão do Leiria... Mais uma vez, na Champions, é preciso bons e experientes. Mas a crise...

Vukcevic parece-me que está de cabeça limpa. Pode ser que começando a época com ele no 11 inicial, as coisas corram de outra forma. Izmailov precisa de descanso, está preso por elásticos. Rochemback de ser vigiado físicamente. Romagnoli é que era de ser vendido lá pá terra dele. Mas os 10 de qualidade custam caro. Quem ias buscar?

No fundo as épocas decidem-se em detalhes. Uma bola que não entra pode ser o início de um quebrar de vitórias. O árbitro que não apita um penalty, pode ser o início do descontrolo emocional que leva a uma derrota que vale uma época. Lembras-te do Porto que tínhamos no início da época? A derrota na Supertaça, os pedidos pela cabeça de Jesualdo. Os reforços que eram todos maus. Depois, umas vitórias no campeonato e um percurso agradável na Champions e Jesualdo já tem contrato, os reforços cresceram e tal. E são os maiores.

JLC disse...

"
Se não te importas, prefiro que o Sporting não seja eliminado nos grupos nem apanhe uma coça nos oitavos. Ou ir aos oitavos é sinónimo de goleada? Não me parece."

Não foi isso que te perguntei. Sabendo o que sabes hoje (resultados dos oitavos), preferias ter ficado pelos grupos?

Num clube com mais de 100 anos de historia tens de avaliar esta epoca com alguma base nas anteriores.

Foi mau perder por 11, mas foi a primeira vez q la estivemos. Se para o ano me dessem a escolher entre apanhar outra dose daquelas, ou fazer uma época europeia semelhante ás que conseguiram todas as anteriores equipas do sporting na champions, pois que venha ela, que eu aguento mais um ano.

"
Não leste aqui no 442, certamente, que o Veloso era uma vítima e que colocá-lo a defesa-esquerdo era o pior que o Paulo Bento lhe podia ter feito

Pessoalmente, até acho que o Veloso tivesse tentado fixar-se a lateral-esquerdo no Sporting estava agora na selecção."

Estás enganado. E já cá volto com o texto. (Não tenho é a certeza se foste tu ou o Kodro, pelo segundo parágrafo - com o qual concordo - calculo que tenha sido o kodro).

kovacevic disse...

João,

concordo com grande parte do que dizes.

Mas, para discursos do género 'ou quem lá está ou o apocalipse', não contes comigo.

Será Paulo Bento o único treinador capaz de liderar este plantel?

Para esclarecimento: acho que Paulo Bento já demonstrou competência para ficar e se ficar é uma decisão aceitável. Se sair, haverá no mercado, com certeza, quem o saiba substituir.

Valdemar,

"nas estruturas dirigentes, quem não afina pelo diapasão do PC é pura e simplesmente afastado"

por definição, quem é oposição não está na estrutura dirigente, está fora. Por oposição interna quis dizer referir-me a oposição no universo leonino.

JLC,

perder por 11 - tem piada essa forma de apresentar o resultado: presumo que se fosses do Bayern escrevias ganhar por 11 - é não só uma vergonha como nunca tinha acontecido na história do Sporting na Europa nem na própria história das eliminatórias da Champions.

A resposta à tua pergunta está no post: não, não é melhor chegar aos oitavos e perder 1-12 do que ficar na fase de grupos. Por acaso os oitavos de final da champions são algum nirvana futebolístico? É uma goleada que apaga o bom feito até então e o próprio paulo bento fez uma leitura idêntica a esta na altura.

JLC disse...

"Que maior castigo podes dar a um jogador do que pô-lo a jogar onde não se sente bem e onde não gosta de jogar.

Podemos ir mais longe e discutir o pormenor "velocidade" que presumo que julgues importante num lateral (eu julgo). Agora pensa no Miguel Veloso. Agora pensa num castigo para o Miguel Veloso num campo de futebol."

http://quatroquatrodois.blogspot.com/2009/01/curtas.html

kovacevic disse...

JLC,

como vês, esse assunto tens que esclarecer com o Master Kodro

já agora, a citação que fazes nem sequer é de um post.

É de um comentário, retirado de uma conversa entre ti e o master kodro. E retirado do contexto, deixa-me acrescentar.

JLC disse...

"Por acaso os oitavos de final da champions são algum nirvana futebolístico?"

Não. São um símbolo de vitórias. Chegar aos oitavos significou uma quantia significativa de dinheiro a entrar e 4 vitórias conseguidas, 2 delas fora.

É para mim uma boa época europeia, não só considerando que nunca tinhamos conseguido tantas vitórias, nunca tinhamos ganho jogos fora, e nunca tinhamos ficado acima do terceiro lugar.
Isto deixando de fora, recentes épocas europeias, em que eramos eliminados por Vikings, Gençlerbirligis, Partizans, e outros do género. Eu sofri, em alvalade, os 6 golos que me marcaram partizan e gençler, sinceramente custaram mais que os 12 do bayern.

E não digo que não haja melhor que o Paulo Bento. Há sim senhor, e não serão tão poucos quanto isso. Mas a história diz-me que a probabilidade de o sporting ter melhor treinador que o PB é bastante reduzida.

Leão de Alvalade disse...

1- Não dou mais do que 10: nem resultados nem qualidade na maior parte da época.

2- Acho optimistas esse 75%. Mas acho que nesse aspecto (esforço, dedicação, devoção) PB não falha mas falham os jogadores.

3-O treinador tem que ser uma questão central e, após quase 4 épocas temos um perfil do Sporting de PB: Ganhamos comeptições a eliminar com o adversário mais dificil de bater em Portugal, mas perdemos o campeonato em casa com equipas menores (Académica, Leixões e Braga) ou fora (Académica e Trofense). PB não conseguiu nunca uma equipa consistente e perdemos o campeonato na 1ª volta, facto esquecido pelas pontas finais.

4-Onde vez escasso rendimento vejo muito sub-aproveitamento e más decisões: Rocehemback não era presciso nem melhor do que o existente.

5- A principal razão do afastamento dos adeptos é a falta de consistência das exibições e dos resultados. Ontem Lisboa e o País estariam de verde e branco se estivessemos no lugar do fcp.

6- O melhor: as vitórias frente ao fcp para a Taça de forma indiscutível ao ponto de fazer sonhar. As vitórias frente ao Shaktar que infelizmente só agora são valorizadas. A exibição frente ao slb (3-2), muito melhor que o resultado. Essa da Taça da Liga, francamente... PB jogou com a maior parte dos titulare para ganhar ao fcp e Jesualdo jogou com as reservas para ganhar ao slb para o campeonato e para a CL.

7- Para o ano peço um treinador que ponha a equipa a jogar mais e melhor. Um central que jogue com o pé esquerdo, bom e mais alto. Um bom lateral direito para o lugar do Abel. E não mexeria mais, a não ser que Derlei acabe. Aí gostaria de Nené. Pedir o regresso dos extremos é capaz de ser muito. Mas, para tirar as dúvidas gostava de ver outro treinador com o mesmo plantel.

kovacevic disse...

Valdemar

"Romagnoli é que era de ser vendido lá pá terra dele. Mas os 10 de qualidade custam caro. Quem ias buscar?"

Acreditas, portanto, que no planeta inteiro não existe um único jogador melhor do que o Romagnoli sem custar um balúrdio?

E não sou eu que tenho que te dizer onde está.

JLC disse...

Para terminar

"como vês, esse assunto tens que esclarecer com o Master Kodro"

1) Já tinha dito em cima, que não me lembrava qual dos dois tinha escrito aquilo.
2) Quando fiz referência a isso, o post não estava assinado, e não sabia se tinhas sido tu ou o Kodro.

João disse...

Kovacevic, eu não falei em apocalipse em caso de mudança nos destinos do clube. Soares Franco teve os seus méritos: razoáveis resultados desportivos, com pouco dinheiro e sem estrelas no plantel e no banco; aposta firme na formação, que constitui agora um terço do plantel principal; foi o único a vender um talento - Nani - por um preço óptimo. Mas Soares Franco também tem vários defeitos, e o mais pequeno deles não é a falta de paixão e disponibilidade que sempre fez questão de demonstrar.

Agora, todos sabemos o que tem acontecido quando se prometem títulos de campão "já a seguir", equipas maravilha, etc. Tanto o nosso clube como o nosso vizinho do lado são dois bons (maus?) exemplos de como o populismo e a demagogia raramente dão resultados.

Quanto a Paulo Bento, como tu dizes, já mostrou competência para treinar o Sporting. Sendo assim, o que faz mais sentido? Continuar a apostar em quem se conhece ou mudar só para animar a malta, que gosta é de novidades? Mais uma vez podemos aprender com o vizinho, que há 15 anos anda a apostar em todo o tipo de treinadores, novos e velhos, portugueses e estrangeiros e todos saem pela porta do cavalo. Eu não teria nada contra a vinda do Mourinho, do Ferguson, do Hiddink, do Benitez, do Wenger. Mas sendo pouco provável conseguirmos convencer algum deles, prefiro o Bento ao Waseige, ao Materazzi, ao Peseiro e até mesmo ao Bölöni, que sem Jardel teria saído do Sporting a zero. E tu, o que preferes? E aqui entre nós que ninguém nos ouve: quem gostarias de ver no nosso banco?

Valdemar disse...

Não, Kova,

há muitos números 10 melhores que Romagnoli, que parece que tem neste momento, dificuldade em motivar-se para jogar.

Difícilmente baratos.

Mas virá de lá algum Brasileiro semi-conhecido lá na terra dele, com as maiores referências num DVD recolhido no jogo da vida dele.

Passado 1 ou 2 épocas estará emprestado aos Estrelas da Amadora desta vida, mas não com o aproveitamento que o FCP faz desses empréstimos. Aliás, será durante os jogos contra o clube de origem que fará os melhores jogos, chegando a marcar golos.

Enfim.

leaoconselheiro disse...

Excelente João!

Por vezes duvido que haja alguém com a noção da realidade sobre o Sporting.

Só para que se tenha noção é preciso recuar mais de 50 anos para encontrar a última vez em que ficamos 4 vezes acima do terceiro lugar. E, neste intervalo, dificilmente se encontrará um período em que as diferenças de orçamento são tão grandes. Na Europa, somos 19º no ranking (a par do "case study" Porto) e nas Taças internas não somos batidos sem ser por penaltis desde 2003.

Se há aspectos em que o clube precisa de mudar, há outros em que me parece fundamental não mexer.

Infelizmente, vejo como mais provável um regresso ao passado (o que é mais curioso é que há gente que utiliza este termo, como se não tivessem vivido nos anos 80 e 90)

Nuno disse...

Kovacevic, quando muito, quererias definir a época do Sporting como "insossa" e não "insonsa". Fica o reparo.

O Sporting de Paulo Bento tem vindo a ser cada vez pior, de ano para ano. Este final de época foi medíocre e não admira que os jogadores mais inteligentes não consigam destoar. Romagnoli é um excelente jogador e está, quer se queira, quer não, associado a todos os bons momentos da era Paulo Bento. A quebra de rendimento dele é directamente proporcional à quebra de rendimento colectivo. Porque não é um jogador de rasgos individuais, vistoso, não marca golos, não decide jogos, só ganha destaque quando a equipa joga um futebol apoiado, inteligente, de aproveitamento dos espaços. Dificilmente encontrarás um 10 tão bom sem bola como ele. O facto de que sempre que joga, nos últimos tempos, não aparecer, tem somente a ver com o mau futebol da equipa, um futebol desligado, demasiado directo, pouco inteligente, que não explora a capacidade intelectual dos atletas. Digo-o sem problemas, o Sporting tinha, à partida para esta época, um plantel mais forte que o do Porto, por exemplo. Só que tinha de saber explorar aquilo em que os seus jogadores são mais fortes, o intelecto. Não o fazendo, é evidente que não se pode bater contra o Porto. Não aproveitando Veloso, Pereirinha, Romagnoli e Postiga, só para dar quatro exemplos, a equipa vive do músculo e da força de vontade. E nessas características perde claramente para os dragões. A saída de Romagnoli seria ilustrativo da incompetência de quem está à frente do futebol em Alvalade. É que o problema não é nem nunca foi o argentino. Não é falta de motivação, não é falta de qualidade; é falta de competência técnica de quem lidera. Sempre que a equipa de Paulo Bento se preocupou em jogador um futebol mais pausado, mais bem pensado, mais seguro, Romagnoli esteve lá para o que foi preciso. E foi dos melhores. Não é possível ignorar-se isto...

kovacevic disse...
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kovacevic disse...

Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea

Academia de Ciências de Lisboa

Página 2119 (II Volume G-Z)

insosso = o mesmo que insonso

Nuno disse...

O Dicionário da Academia tem algumas virtudes e alguns defeitos. Um dos principais defeitos é querer incluir na Língua Portuguesa toda e qualquer palavra, dita por analfabetos ou dita por eruditos, dita por portugueses ou dito por brasileiros. Não é por acaso que o coordenador do Dicionário é uma das principais figuras a apoiar o novo Acordo Ortográfico. "Insonso" seria, quando muito, uma variante dialectal, um provincianismo. É como "espilro". A palavra correcta é "insosso". E, já agora, "espirro". Lamento que tenhas dado o balúrdio que deste por esse dicionário. Outra coisa gira que se pode fazer com ele é procurar a palavra "jamais". Costuma dar serões de pura loucura. Esquecimento? Falta de zelo? Incompetência? Não sei. É só giro.

rui disse...

E que tal da próxima por em causa a gravidade...la por vir descrita num documento técnico nao quer dizer que seja verdade...há cada um...

RuiBonga

kovacevic disse...

Se conheces tão bem a obra em causa, Nuno, terás reparado no seguinte:

insonso -- do lat. insulsus

insosso -- do lat. insulsus

espirrar -- do lat. expirãre

espilrar -- de espirrar. Pop.


És um rapaz inteligente, não precisas que te explique que lat. está para latim como pop. está para popular, isto é, um dos empregos não pertencentes à língua culta reconhecidos pela organização do dicionário.

Acrescento que Portugal adoptou o acordo ortográfico, Nuno, e que o dicionário é uma realização da Academia das Ciências de Lisboa e da Fundação Calouste Gulbenkian com o apoio do Ministério da Educação e do Instituto Camões.

Mas, por outro lado, quem são estes sujeitos à sombra da tua sabedoria?

Nuno disse...

Kovacevic, não estou, nem quero estar, a comparar a minha competência nessa área com a dessas pessoas. Mas apesar de não ser linguista, posso saber uma ou outra coisa sobre linguistica e posso, nessas coisas, se bem fundamentado, ter uma opinião. É o que acontece aqui. Conheço o Dicionário da Academia e sei que tem bastantes virtudes. Mas também tem defeitos. O Dicionário veio colmatar a falta de um dicionário "académico", como acontece nas várias academias dos nossos países vizinhos. Mas não é perfeito. Prova disso foi o esquecimento da palavra "jamais". É um dicionário muito bem organizado, muito completo em termos de abonações, por exemplo, fiel a uma fórmula, etc. Mas tem coisas completamente estapafúrdias. As palavras evoluem, ao longo do tempo, através de fenómenos fonéticos. Em "insulsus", deu-se primeiro a apócope do "s", no fim da palavra e depois um fenómeno de assimilação. A assimilição consiste na aproximação de dois fonemas distintos, formando-se apenas um. Assim, "nostru" passou a "nosso", com o "t" a ser assimilado pelo "s" e "persicum" passou a "pêssego", com o "r" a ser assimilidado pelo "s". O mesmo aconteceu em "insulsus", sendo o "l" assimilado pelo "s". Como é que, de repente, aparece uma consoante nasal ali no meio? Por via popular. Do mesmo modo que aparece um "l" em "espilrar". Não há nada que saber. É uma questão de evolução da língua e o Dicionário da Academia tem aqui uma imprecisão, como muitas outras.

Quanto ao Acordo Ortográfico, o facto de Portugal o ter adoptado faz com que seja aceitável? Obviamente que não. Tu podes seguir, como um carneiro, tudo o que te dizem para fazer. Eu prefiro pensar se as coisas fazem sentido. O Acordo Ortográfico foi adoptado por interesses políticos e por interesses editoriais, não por interesses linguísticos. Aliás, as pessoas que estiveram a favor dele têm interesses deste tipo ou estão ligadas ao ensino de Português para Estrangeiros, como é o caso do coordenador do Dicionário da Academia. O Acordo não respeita as características peculiares de cada variante do português é uma transgressão clara à evolução das línguas. Infelizmente, porque a política tem muita força, o assunto nem sequer foi muito discutido, sendo que a razão principal para a sua adopção foi económica. Isso não faz do Acordo uma coisa boa e muito menos faz com que os portugueses tenham que aceitá-lo submissamente.

Rui Bonga, tens presente, nos teus conhecimentos, que a física newtoniana levou uma machadada quando o Einstein postulou a sua teoria da relatividade, não tens? As coisas mudam, pá. São modificadas, melhoradas, etc. Sobretudo as que não fazem sentido. O espírito crítico, a capacidade de questionar ideias, é o que faz das pessoas seres competentes. Não sei se entendes...

Rantas disse...

Nuno,

Sobre a adopção do Acordo Ortográfico, as coisas mudam, pá. São modificadas, melhoradas, etc.

O facto de Portugal o ter adoptado faz obviamente com que seja aceitável, o contrário é uma aberração.

Lá porque o Acordo Ortográfico foi adoptado por interesses políticos e por interesses editoriais é mau?

Bom era quando tínhamos escudos em vez do euro. Melhor ainda era quando ainda tínhamos os reis (dos mil reis e do conto de reis), as pharmacias e etc. Para que serve escrevermos na mesma língua que outras 200 milhões de pessoas, se nos atrapalha tanto mudar, não é?

Mudar é tão difícil, não é?

Nuno disse...

Rantas diz: "Sobre a adopção do Acordo Ortográfico, as coisas mudam, pá. São modificadas, melhoradas, etc."

Rantas, as coisas mudam quando há necessidade de mudarem. Não quando meia-dúzia de oportunistas imagina que lhes dá jeito que mudem. É diferente.

"O facto de Portugal o ter adoptado faz obviamente com que seja aceitável, o contrário é uma aberração."

Isto é estúpido. O facto de Portugal o ter adoptado deve-se a uma decisão que não é de todos. Isso não torna as coisas aceitáveis. Se por acaso Portugal tivesse adoptado uma medida em que os maiores de 50 anos tivessem de ser exterminados, isso era aceitável?

"Lá porque o Acordo Ortográfico foi adoptado por interesses políticos e por interesses editoriais é mau?"

O único interesse que deveria presidir a qualquer mudança ortográfica deveria ser o interesse linguístico. E esse não foi minimamente respeitado. As mudanças que o Acordo vem impor são ridículas. Não é mau; é horrível. E, sobretudo, francamente estúpido.

"Bom era quando tínhamos escudos em vez do euro. Melhor ainda era quando ainda tínhamos os reis (dos mil reis e do conto de reis), as pharmacias e etc. Para que serve escrevermos na mesma língua que outras 200 milhões de pessoas, se nos atrapalha tanto mudar, não é?"

Rantas, o cérebro serve para pensar. Não é o trabalho de mudar. É o não haver qualquer ganho em fazê-lo. Eu não me importo de mudar nada. Desde que isso faça sentido. Este Acordo Ortográfico não faz sentido nenhum. É um conjunto de estipulações arbitrárias, sem qualquer critério a não ser a aproximação das diversas variantes do português. A língua evolui, como quase tudo na vida, por necessidade. As mudanças deste Acordo Ortográfico são todas desnecessárias e vêm complicar o uso da língua. As coisas existem por alguma razão e não deveria ser uma cambada de gajos de gravata a decidir de que modo essa existência deve ter continuação.

Pá, se tu gostas de mudança, parabéns. Mas quem quer que aceite este Acordo Ortográfico ou é um palerma ou tem interesses extra-linguísticos. A língua deveria estar bem acima da política e isenta dos caprichos de gente sem escrúpulos. Infelizmente, não está. E está lançado mais um degrau na estupidificação do povo português.

Rantas disse...

São opiniões. Pessoalmente, vai custar-me um pouco a adaptar-me às novas regras, como terá sido aos nossos avós a transição de "pharmacia" para "farmácia", por exemplo.

Mas o que me custa a entender mais ainda é a certeza com que estipulas que quem não pensa como tu é uma cambada, é palerma e tem poucos escrúpulos, não necessariamente por esta ordem.

É no mínimo discutível afirmar, como o fazes, que o novo acordo vem complicar o uso da língua, quando na verdade parece-me que um dos objectivos é exactamente o oposto (a eliminação das consoantes "mudas", a redução substancial dos acentos, etc). Mas enfim, é discutível.

O que me parece indiscutível é que é nem toda a gente consegue afirmar que «Este Acordo Ortográfico não faz sentido nenhum. É um conjunto de estipulações arbitrárias, sem qualquer critério a não ser a aproximação das diversas variantes do português.» sem de seguida esboçar um sorriso ou pedir desculpa pelo lapso. Pensas mesmo que é estúpido tentar uniformizar a forma como se escreve português?

Rantas disse...

Ah! E não tenho quaisquer interesses extra-linguísticos, o que quer que isso seja. Só me resta portanto a hipótese de ser um grande palerma.

Nuno disse...

"É no mínimo discutível afirmar, como o fazes, que o novo acordo vem complicar o uso da língua, quando na verdade parece-me que um dos objectivos é exactamente o oposto (a eliminação das consoantes "mudas", a redução substancial dos acentos, etc). Mas enfim, é discutível."

Vem complicá-lo porque essas alterações vêm propiciar uma maior confusão de palavras. As coisas existem por necessidade e muitas vezes um acento é o que distingue uma palavra de outra. Em relação às consoantes mudas, então, é uma parvoíce. Não só poderia defender um argumento etimológico, de não afastamento entre o étimo e o termo corrente (sendo que o étimo ou o seu reconhecimento instrui sobre a palavra em si), como posso defender um argumento mais prático. No novo Acordo, por exemplo, ficarás sem saber como ler a seguinte frase: "Hoje vou de facto ao trabalho." Quererá a pessoa dizer "de facto" ou "de fato"? Ficas sem saber. É a este tipo de confusões que me refiro. Estas pequenas alterações vêm, em grande parte, propiciar isto. Em relação ainda às consoantes mudas, há outro problema que parecem ignorar. É que essas consoantes, embora não se leiam, têm um papel decisivo na palavra, uma vez que abrem a vogal que a antecede. Em "baptimo", a queda do "p" mudo fará com que a palavra se passe a escrever "batismo". Ora, em português, uma palavra assim é aguda, ou seja, é acentuada na penúltima sílaba. A queda do "p", a menos que obrigasse a uma acentuação do "a" que a antecede, faz com a palavra passe a dizer-se "batismo" e não "bátismo", o que é estúpido. Por estes exemplos, como vês, as complicações que surgirão serão inúmeras. Ao contrário do que foi propagandeado, isto não vem facilitar coisíssinha nenhuma. Pelo contrário, vem complicar em muito o uso da língua.

"Pensas mesmo que é estúpido tentar uniformizar a forma como se escreve português?"

Não penso. Sei. Uniformizar uma coisa que não pode uniformizada é absurdo. Mas este é apenas um dos problemas. Não acho sequer que seja indicado uniformizar, portanto estou contra qualquer Acordo à partida. Mas mais do que isso são os critérios usados. Por que é que maior parte das alterações são no sentido de aproximar o português europeu do português do Brasil? Terá alguma coisa a ver com a indústria livreira do Brasil e com a influência cada vez maior que o Brasil vai tendo em termos políticos?

"Ah! E não tenho quaisquer interesses extra-linguísticos, o que quer que isso seja. Só me resta portanto a hipótese de ser um grande palerma."

Não sei se tens ou não. Ainda não deste nenhuma razão para estares a favor do Acordo além do facto de ser aceitável porque alguém disse que era. Qual é o teu argumento? É que vem facilitar o uso da língua? É que isso é falso? É que é importante uniformizar? É que também não estou a ver importância, em termos linguísticos, disso.