terça-feira, julho 01, 2008

Euro 2008: epílogo (I)

O campeonato europeu deste ano foi uma competição notável, muito superior ao torneio de 1996 e pelo menos ao nível de 2000 e 2004 (que foram já Europeus de grande qualidade). Várias equipas em bom plano – algumas pela regularidade, outras pela espectacularidade –, muitos jogos excelentes (o Holanda-Itália, o Holanda-França e o Rússia-Holanda vão ficar na memória), futebol dinâmico e ofensivo (apenas dois dos 31 jogos acabaram sem golos), esquemas tácticos (habitualmente) bem trabalhados, partidas emotivas, prolongamentos entusiasmantes (como aquele impossível Croácia-Turquia) e estádios cheios, numa atmosfera onde se sentia uma verdadeira paixão pelo futebol.

É certo que houve desilusões (França, Itália e Grécia, sobretudo), mas também apareceram surpresas (Rússia, Turquia, em parte a Croácia) para apimentar o torneio. Ganhou a melhor equipa – com um conjunto formidável de jogadores. Aragonés soube combinar o talento inato de uma selecção fortíssima com um pragmatismo e uma consistência tantas vezes ausentes no passado. Acima de tudo, a Espanha soube crescer durante e com o campeonato.

O início foi algo titubeante, com exibições medianas; todavia, as duas vitórias sofridas contra Suécia e Grécia revelaram um grande espírito combativo (ambas foram obtidas nos últimos minutos), e a eliminação dos campeões do mundo na lotaria dos penalties (esconjurando fantasmas antigos) conferiu um reforço psicológico fundamental para enfrentar os dois jogos decisivos. E aí, a Espanha aliou à sua qualidade natural uma extraordinária confiança e audácia, arrasando a concorrência e garantindo um lugar na história por mérito próprio.

katanec

3 comentários:

cparis disse...

mk,

O teu menino já chegou

Ricardo disse...

Belíssimo resumo. É por estas e por outras (ou outros: Master Kodro e Kovacevic) que este é dos melhores blogues sobre futebol. Escreve-se bem por aqui, pensa-se bem por aqui. Um abraço aos três.

katanec disse...

Obrigado, Ricardo!