À consistência e pragmatismo demonstrados até aqui, a Espanha juntou hoje uma prestação notável, atingindo um nível exibicional digno dos grandes campeões. Poupando os jogadores aos últimos êxitos da família Iglésias, Aragonés montou uma estratégia acertadíssima: derivou David Silva para a ala direita (limitando os movimentos de Zhirkov); incumbiu Senna (e por vezes Sérgio Ramos) de vigiar o mágico Arshavin e, uma vez privado de Villa, lançou Fabregas de forma a controlar o meio-campo – zona onde até aí os russos beneficiavam de superioridade numérica.
Equilibrando o jogo no miolo – e com os criativos russos anulados – a Espanha tinha agora tudo para fazer o que melhor sabe: boa circulação de bola, num jogo mastigado, mas sempre à procura de desmarcações rápidas ou de lançamentos que rompiam a defesa adversária. Junte-se a isto a grande mobilidade dos médios (que facilmente aparecem em zonas de finalização) e o desacerto defensivo russo (Anyukov voltou a ser um horror) e fica explicado o porquê do autêntico baile espanhol.
Tacticamente superior, a Espanha mostrou também ter argumentos individuais do melhor quilate: David Silva foi útil a anular Zhirkov, mas conseguiu libertar-se para desequilibrar nas acções ofensivas; Fabregas inventou duas magníficas assistências e jogou que se fartou; Iniesta e Xavi produziram exibições quase perfeitas; Senna foi um fantástico pêndulo defensivo; Puyol meteu Pavlyuchenko no bolso e Sérgio Ramos esteve ao seu melhor nível.
Os russos acabaram o Europeu como começaram: mal defensivamente, com um meio-campo parco de ideias e um ataque quase sempre inofensivo. Acresce a esta desinspiração geral uma péssima condição física, que muito contrastou com a frescura demonstrada contra a Suécia e a Holanda. Entre o duplo desaire frente aos espanhóis, os russos mostraram contudo do melhor que se viu neste Europeu. Ficamos certamente com boas recordações, mas desiludidos pela fraca prestação desta noite.
katanec
15 comentários:
Nada a objectar à eliminação russa. Se no caso da Turquia se pode argumentar que a Alemanha foi inferior na produção de jogo mas fez a diferença na eficácia, aos russo nem a eficácia os salvaria.
Os russos fizeram um único remate na direcção do alvo. Acho que isso diz tudo. O Hiddink não aprendeu nada no outro jogo com a Espanha, neste foram ainda mais manietados que no outro.
Esteve muito Aragonés na troca de médios (Silva por Iniesta). Se o primeiro conseguiu, além da normal e eficiente acção ofensiva, aniquilar as entradas de Zhirkov, o Iniesta, muito injustiçado porque mal utilizado durante todo o Euro, explodiu para uma exibição fantástica. Na minha opinião, o melhor em campo.
Uma correcção: escreves "David Silva foi útil a anular Zhirkov, mas conseguiu libertar-se para desequilibrar nas acções defensivas", quando devia ser "(...) acções ofensivas"
Katanec:
"mas conseguiu libertar-se para desequilibrar nas acções defensivas;"
Não será antes "ofensivas"?!
Qt à ánalise ao jogo: 100% de acordo!
Cumprimentos!
Perdão... Só depois reparei que o ricardo já tinha alertado para a incongruencia...
Saudações!
Tratou-se naturalmente de um lapso. Obrigado, já alterei!
Katanec, o teu primeiro parágrafo é uma anedota. Dizer, no século XXI, que a estratégia de marcar homem-a-homem alguns adversários é acertadíssima só pode ser para rir. E depois há a questão brilhante de a lesão do Villa ter contribuído para o tal acerto da estratégia de Aragonés. Magnífico! Como se o gajo estivesse a contar com isso.
Agora a sério. O que se passou foi que a estratégia de Aragonés foi horrível e que a Espanha teve sorte por um dos seus melhores jogadores se ter lesionado. Só com a entrada de Fabregas a Espanha se soltou e passou a ganhar a batalha de meio-campo. Se viste o jogo com atenção, até essa altura só deu Rússia. Portanto, não me venham falar de trocas de extremo como boas estratégias porque isso em nada influi na forma como a Espanha conseguiu, depois, manietar a Rússia.
De resto, já o tinha dito, a Rússia começou bem o Europeu e não mal, como dizes. É óbvio que não viste a primeira parte do jogo de abertura contra a Espanha...
"Se viste o jogo com atenção, até essa altura só deu Rússia."
Acho que não vi o mesmo jogo... O Villa saiu aos 34 minutos, vejamos o trabalho até aí do guarda-redes russo, cortesia do Guardian:
«8 min Chance for Torres! Villa, on the edge of the box, feeds it to his striking partner, who does a 180-turn on the six-yard box and shoots. Akinfeev slides out to block but Torres probably should have scored.»
«12 min Shot from 20 yards from Villa! It's at a comfortable height for Akinfeev, who palms it away.»
«25 min Sergio Ramos's cross is double-fisted away by Akinfeev.»
«30 min ... but Villa's shot goes one bounce into Afinkeev's chest. »
Nesse tempo todo o que fez o guarda-redes espanhol?
«32 min After Russia work the ball nicely around the edge of Spain's area, Pavlyuchenko tries a Whelan-in-the-Milk-Cup-of-1983 curler that Casillas tips round the post. It was going wide, but it was still a good save.»
Acho que foste o único a ver esse tal jogo onde só deu Rússia...
Afinal não é só Scolari q não aprende com os erros cometidos....
LOLOLOLOL
Filipe, medes o desempenho ofensivo de uma equipa pelo trabalho que o guarda-redes adversário teve? Eu vi a Rússia criar 4 ou 5 situações de perigo além dessa grande defesa de Casillas. As 4 coisas que dizes que o Akinfeev fez não foram nem parecidas com a única coisa que o Casillas fez. Se fui só eu que vi que a Rússia dominou nesse período, fui o único que vi o jogo com atenção, então...
"As 4 coisas que dizes que o Akinfeev fez não foram nem parecidas com a única coisa que o Casillas fez. "
Pois não foram parecidas nisso tens razão, na jogada do Casillas a bola ia ao lado. Nuno, a Rússia no jogo todo enviou um remate ao alvo.
4 ou 5 ocasiões de perigo nesses 34 minutos? A Rússia no jogo todo fez seis remates à baliza! Nos primeiros 34 minutos só fez dois, um de livre que o Pavlyuchenko mandou por cima, e o outro que o Casillas tocou ao de leve mas que ia fora. O que eu vi foi o último toque dos russos a esbarrar na colocação dos defesas espanhóis.
Se tu achas que uma equipa que em dois jogos com o mesmo adversário leva 7-1 esteve ao nível do adversário de certeza que só tu viste esses jogos.
O nuno decidiu antes do início do campeonato que a táctica espanhola e o seu jogo colectivo é uma merda e que a táctica da Rússia e o seu jogo colectivo é maravilhoso. Portanto, não vale a pena dizer mais nada a partir daí, é assim até ao fim dos tempos. Ah! Também ficou decidido que as individualidades russas são das piores. Depois evoluiu para cinco boas e foi uma pena o Izmailov e o Kerzhakov ficarem de fora. Com estas certezas absolutas, vocês querem discutir o quê? 7x1 em dois jogos em quinze dias são um pormenor insignificante e o que os outros escrevem é uma anedota.
Primeira parte repartida, embora sempre com a Espanha mais perigosa e mais perto da baliza adversária.
Segunda parte demolidora, um banho de bola tão grande, que até tive pena dos russos. Xavi, Iniesta, Fabregas... que jogadores!!
Não acreditava na Espanha e historicamente nunca gostei dos espanhóis nem da Selecção Espanhola. Mas, com esta final, vou torcer por eles. Têm muito mais futebol que a Alemanha e merecem. Será triste se mais uma vez o futebol insípido sair vitorioso.
PS. Izmailov?? Devia ter ido ao Europeu?? Loooooool
Curioso que Portugal deu-lhes 7 a 1 num só jogo... E não foi assim à tanto tempo...
A Russia qd engata é infernal.Que o diga a Holanda. O problema (para eles) é que engata poucas vezes...
SL!
Lolada geral! Olha as anedotas:
"Na outra meia-final, a Rússia voltou a não ser capaz de travar a selecção espanhola. Mas o jogo voltou a ser tudo o contrário do que vão dizer dele. Até à saída de Villa, por lesão, a Espanha era uma equipa sem ideias, presa de movimentos, e só os russos é que jogavam. Se houve alguém que dominou os acontecimentos, nesse período de jogo, foi a Rússia. A Espanha vivia das acções individuais, que pouco ou nada conseguiram de relevante. Com a saída de Villa, o meio-campo da Espanha, já por si muito dinâmico, ganhou outro elemento de enormíssima qualidade. Torres ficou abandonado na frente e a equipa espanhola passou a ganhar a batalha de meio-campo. Mas não por uma questão táctica. Ganhou-a porque passou a ter mais um elemento e a sua qualidade técnica era suficiente para suprir as dificuldades que um modelo como o espanhol implica."
"A Rússia confirmou a impressão com que tinha ficado no primeiro jogo. A verdadeira Rússia é aquela da primeira parte contra a Espanha, que dominou os espanhóis e os encostou às cordas. Não têm uma equipa muito valiosa em termos individuais, mas jogam que se fartam à bola."
"Uma táctica obsoleta há 15 anos, mas que é, provavelmente, a mais utilizada neste europeu. Desta feita, é a Espanha. Aragonés é horrível. O homem mal consegue abrir os olhos, quanto mais ter sinapses. Não bastava não ter levado artistas como Raúl, Joaquín, ou Guti, como ainda deixou de fora do onze titular Fabregas e teve de arrumar Iniesta à direita. Isto tudo para poder jogar em 442 clássico. Brilhante! As consequências disto foram as previsíveis: uma Espanha muito má com bola, a acabar por decidir o jogo através dos erros infantis dos russos e da capacidade individual dos homens da frente, principalmente Fernando Torres e David Villa. Para mim, que era a selecção que reunia melhor conjunto de individualidades, esta Espanha foi uma decepção. Vale pelas individualidades, que são do melhor que há neste campeonato, mas como equipa foi uma nulidade. Aquela segunda parte, com os russos a baixarem os braços, não pode ilustrar nada. A primeira parte foi inteiramente dos russos e só a má transição defensiva da equipa de Hiddink e um ou outro erro individual permitiu à Espanha marcar. As transições da equipa são do mais primitivo que há, tendo sentido muitas dificuldades sempre que os russos se arrumavam posicionalmente: não há passes verticais, não há jogo entre linhas, nada. Só as transições rápidas, a explorar a velocidade do duo da frente. Isso é muito pouco."
"A Rússia tem bons princípios de jogo, não fosse orientado por Hiddink, mas individualmente pareceu-me das equipas mais frágeis do Euro. Sem Arshavin, por castigo, e sem Izmailov, por causa de conflitos com o presidente da federação russa, fica tudo muito mais difícil. Mas ajudava se Denisov e Kerzhakov tivessem sido convocados e se os irmãos Berezutski estivessem a jogar."
Viva o génio!
jaho, o que é que pretendes dizer com isto? É que se for para falar de coerência, fui o único que falei do início ao fim da mesma maneira. Acho que a Rússia, e sempre achei, é melhor colectivamente que a Espanha. Acho as individualidades espanholas do melhor que este europeu ofereceu e, antes de saber como as equipas iam jogar, era a minha favorita.
Bruno Pinto, o Izmailov não tinha lugar naquela equipa? Fica sabendo que só não foi ao europeu por divergências com o presidente da Federação.
Filipe, foram essas 2 oportunidades e pelo menos mais duas na pequena área, uma delas com Pavlyunchenko a falhar ridiculamente.
Master, as individualidades da Rússia são do pior que houve neste campeonato da europa. Não evoluíram para 5 boas. 5 boas não fazem uma grande equipa. E não te esqueças que uma das 5 que referi não jogou no início e outra era o guarda-redes. Em termos individuais, a Rússia só não é inferior à Polónia, à Áustria, à Suécia e à Roménia. Quanto ao que os outros escrevem ser uma anedota, não é bem verdade. A anedota és tu. Basta vir a notícia de que o Pelé é dispensável para o Mourinho para ires buscar Farneruds. Deprimente...
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