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terça-feira, março 24, 2009

Ponto de ordem - oito perguntas

1. Será que ninguém oferece a João Gabriel um bilhete de ida para a Sibéria?

2. Será que é desta que os ultra-conservadores árbitros e dirigentes portugueses perceberão que não há nenhum argumento válido contra a adopção de meios tecnológicos para prevenir erros como o de sábado, e que existem inúmeras vantagens nos mesmos?

3. Será que Lucílio Baptista apitou penalty propositadamente para beneficiar o Benfica? E por que diabo um dos poucos árbitros confessadamente sportinguistas faria isso?

4. Será que as pessoas que falam de uma agressão de Luisão a Derlei repararam que ele deu uma valente joelhada...em Miguel Vítor?

5. Estando o Sporting tão descrente em relação à Liga e à verdade desportiva, não seria melhor abandonar definitivamente a própria Liga e todos os campeonatos por ela organizados?

6. Já que “desculpas não chegam” (Moutinho) e “alguém tem que pagar ao Sporting” (Soares Franco), o que propõem fazer em relação à Taça da Liga? Repete-se a final toda? Repete-se a final só a partir do minuto 74 e com o resultado em 1-0? Ou decreta-se o Sporting como vencedor antecipado em função dos danos morais já causados?

7. Será que toda esta indignação sportinguista teria metade da intensidade se o adversário de sábado tivesse sido o FC Porto?

8. Será que todo este espalhafato sportinguista tem como objectivo evitar as potenciais críticas dos adeptos face a uma temporada até ao momento falhada?

katanec

segunda-feira, março 23, 2009

Jardim de Rodin # 6 - Agressão à Pedro Silva

No meio de tantas peripécias sumarentas que ocorreram durante a final da segunda edição da Taça da Liga, há uma, em especial, que não pode passar em claro. Não me venham falar (vou tentar resumir tudo o que já li) de um penalty inventado, nem de expulsões para Polga, Derlei, Luisão e Reyes, na expulsão injusta de Pedro Silva, nem de Nuno Gomes ter sido outra vez apanhado numa atitude elevada (está com azar, desta vez só incitou um colega a dar uma cacetada num adversário, pouco depois de ser substituído), quando há um assunto muito mais importante a debater. Como se pode verificar na imagem, depois de ser expulso, Pedro Silva agrediu Lucílio Baptista a soco, utilizando para o efeito o mesmo braço com que fez o penalty que deu o golo do empate ao Benfica. Uma agressão bárbara como esta não pode ficar impune e merece um castigo exemplar.

ps - Obrigado pela matéria-prima, zlatan.
pps - Não resisto a deixar aqui um comentário do luissm, na linha deste post: "O Pedro Silva só estava a dizer ao sôr árbitro que tinha jogado a bola com o peito, como quem diz:"assim, vês!?"É caso para dizer que se tivesse sido mão, o Lucílio tinha levado um soco dos bons, resta saber se o veria!"

master kodro

Ponto de ordem

Era de prever a polémica das últimas horas depois do que se passou na final da Taça da Liga, mas para não variar misturam-se alhos e bogalhos e o debate fica toldado. A ver se nos entendemos, pois: o penalty é inexistente; houve erro grave com influência directa no resultado; Pedro Silva é mal expulso. Nisto estamos todos de acordo. Porém:

1. Embora errando para ambos os lados, Lucílio Baptista foi extraordinariamente compassivo com a brutalidade demonstrada pelos jogadores sportinguistas. Derlei distribuiu fruta como só noutras regiões do país seria possível. Rochemback idem. E Polga deveria ter sido expulso por falta perigosa quando já tinha um amarelo. Como escrevi, Reyes também devia ter ido tomar banho mais cedo, mas neste balanço o Benfica fica a perder e muito. Não estou a tentar escamotear o erro grave no lance do penalty. Mas convém perceber que a arbitragem foi bem verdinha noutros parâmetros do jogo.

2. Tal como já acontecera no caso do Benfica-Braga, aplicam-se disparatados princípios consequencialistas a erros de arbitragem. Lê-se e diz-se por aí que o árbitro deu o triunfo ao Benfica. Isto é ridículo. Por um lado, pressupõe-se que o resultado estava decidido e que somente uma má decisão do árbitro impediu a consumação desse desfecho. Que me lembre, estava 1-0 e faltavam 18 minutos mais os descontos. Quem sabe se o Benfica não poderia ter empatado ou ganho nesse tempo contra onze e sem penalty? Por outro lado, convém não esquecer que o penalty deu o EMPATE e não o TRIUNFO. Mas talvez não seja simpático recordar que o Sporting foi de uma incapacidade gritante na marcação das grandes penalidades...

3. Como é costume nestas ocasiões, os sportinguistas – na sua já proverbial ladaínha calimérico-apocalíptica – precipitam-se na sua indignação. Falar em erros, óptimo. Falar em prejuízo vergonhoso, já acho de mais, mas aceita-se. Agora “roubo”? E “roubo” feito “em consciência”, como diz o senhor do risco ao meio? Senhor esse que em pleno jogo já insinuava que um gamanço estava em progressão (num belíssimo e digno gesto)? Isto não é sério. Se acham que o Benfica comprou o árbitro, provem-no. Se acham que houve pressão ilegítima, levantem um processo. Mas estas sugestões insidiosas são inaceitáveis, porque rasteiras e incendiárias.

katanec

domingo, março 22, 2009

A Taça é nossa

Para uma competição miserável, um epílogo miserável. Arbitragem horrenda (penalty inexistente, expulsões perdoadas a Derlei e Reyes e um sem número de decisões erradas). O Benfica foi mais forte na primeira parte, mas uma boa entrada dos leões no segundo tempo justificou a liderança. Pena o empate falso como Judas, pois nunca saberemos o que poderiam ter sido os últimos 18 minutos de jogo. Parabéns aos jogadores das duas equipas e à saúde mental dos encarnados, capazes de ressuscitar três vezes nesta noite. Notas individuais: excelente Quim, interessante Nuno Gomes, frágil Suazo. Do outro lado, Moutinho e Caneira pareceram-me os melhores.

katanec

sexta-feira, março 20, 2009

Outra vez sem palavras

Pensava que era difícil, mas ainda é possível. O que é isto?

"O Benfica quer que o Conselho Nacional Antidopagem (CNAD) esteja na final da Taça da Liga, que opõe amanhã, no Algarve, o clube da Luz ao Sporting (...) Segundo soube o CM, o elevado ritmo de jogo apresentado pelos leões na segunda parte do encontro disputado entre as duas equipas a 21 de Fevereiro (19ª jornada da Liga), em Alvalade, suscitou muitas dúvidas nas águias. Terá sido essa a razão que levou agora o Benfica a exigir controlo antidoping na final da Taça da Liga (...) Ontem, no programa ‘A Jornada’, da Benfica TV, o assessor jurídico dos encarnados, Paulo Gonçalves, pediu mesmo que o CNAD fosse ao Algarve para "prestigiar" a final da Taça da Liga (...)"

ps - Aproveito para lançar um inquérito rápido: quem ganha a Taça da Liga?

master kodro

quinta-feira, março 19, 2009

Taça da Liga

Os que me lêem sabem o que penso desta competição: mal organizada, mal preparada e mal executada (quem esquece o caso "goal-average" ou as irregularidades portistas no caso dos "jogadores efectivos"?). A Taça da Liga tem neste momento o valor simbólico do Torneio da Guadiana.

Talvez conscientes deste facto, Nuno Gomes e João Moutinho puseram-se de acordo, afirmando que a Taça da Liga não serve para salvar a época. Apetece contudo perguntar: mas ainda há alguma coisa para salvar? O campeonato está entregue. O segundo lugar é um presente envenenado (parece que muitos jornalistas e adeptos ainda não se deram conta disto, escrevendo e dizendo que o "segundo lugar dá acesso à Champions"): com as novas regras, só por milagre o vice-campeão português chega à fase de grupos da prova milionária. A Taça de Portugal foi um desastre (os clubes lisboetas nem sequer chegaram às meias-finais). As provas europeias foram, num caso, miseráveis, noutro, razoáveis-seguidas-de-uma-catástrofe.

E porém, sportinguistas e benfiquistas continuam rindo e cantando, prometendo feitos e proezas. O pior cego é aquele que não quer ver... Com efeito, por muito que custe reconhecê-lo, é altura de admitir que esta temporada foi péssima para verdes e encarnados.

katanec

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Toca do Bookie # 2 - Celtics 109 x 110 Lakers

Por vezes abrem-se "janelas de oportunidade" diante de nós que temos a obrigação de aproveitar. Já acontecera esta semana com o Sporting x Porto da Taça da Liga, a 1.80 para os visitados. Era em Alvalade e o Sporting recebia, quase na máxima força, um Porto desfalcadíssimo, sem Helton, Fucile, Cissokho, Bruno Alves, Fernando, Raúl Meireles, Lucho, Hulk, Rodriguez e Lisandro. Só não aproveitou quem não quis e quem acreditou que a diferença não era muita.

Esta noite, fruto de muita informação acumulada que não serve para nada, voltei a deparar-me com outra situação destas: mais ou menos 4,5 ressaltos do primeiro base dos Celtics Rajon Rondo contra os Lakers a 1.80. Rondo partiu para o jogo com uma média de 5 ressaltos por jogo (é o sexto base com mais ressaltos, incluindo shooting guards); fez pelo menos 5 ressaltos em 7 dos últimos 10 jogos; os Lakers estavam sem Bynum (20.º ressaltador da Liga) e os próprios Celtics tinham Garnett (14.º ressaltador da Liga) de volta após gripe. Havia tradição, forma e conjuntura favoráveis.

No fim do primeiro período tinha 4 ressaltos, acabou com 8.

Regra # 2 - Procura (pesquisa, enquadra e estuda) a tua "janela de oportunidade" e aposta forte.

master kodro

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Benfica 2 x Guimarães 1

Segunda parte menos conseguida, sobretudo nos primeiros quinze minutos. Valeu um autogolo prodigioso e o primeiro tento de Aimar com a camisola encarnada (belo passe de Katsouranis). Dois factos negativos a registar, porém: a tremideira nos últimos minutos (vista e revista durante esta temporada) e a convicção de que Quique é um homem estranho: como explicar que Mantorras não tenha jogado depois do sucedido no sábado? Como explicar a troca de Cardozo por Di Maria com o resultado em 0-0? Como explicar a insistência no trapalhão e inconsequente David Luiz na esquerda? Demasiados erros...

Uma nota final para Paulo Garcia e Jorge Baptista, que continuaram na sua onda anti-benfiquista, ora encontrando foras-de-jogo onde eles não existiam (o caso do golo de Aimar), ora prosseguindo com a sua estranhíssima narrativa do "encontro equilibrado". Estou a implicar com os senhores jornalistas? Pois fico-me apenas com a última intervenção de Paulo Garcia: "Estão pois apurados os dois finalistas desta Taça. Vamos ter um Benfica-Sporting. Ou um Sporting-Benfica, para não ferir susceptibilidades...". Um brilhante exercício de auto-referência, meus caros.

katanec

Benfica x Guimarães (take um)

Acabo de ver uma das melhores primeiras partes do Benfica esta temporada. Rápido a sair para o ataque, com boas movimentações atacantes, a criar oportunidades. Cardozo atirou à barra, obrigou Serginho a grande defesa depois de um remate monumental, voltou a estar perto do golo num livre (nova boa defesa do guarda-redes) e ainda teve tempo para o falhanço do ano - num remate a dois metros da baliza. No entretanto, remates perigosos de Ruben Amorim e Luisão.

Convinha que alguém avisasse a dupla verde de serviço na SIC. Paulo Garcia e Jorge Baptista descreveram a primeira parte como "equilibrada" e "monótona". Um exemplo de isenção e rigor jornalístico.

katanec

Sporting 4 x 1 Porto - Notas

- Golo de Tarik. Surpresa. Antecipo insultos de quem não disse nada quando escrevi que o Sporting já estava na final. Aceito os de quem disse alguma coisa, se falarem na minha mãe com jeitinho.

- Centro de Vukcevic para a cabeça de Postiga por cima;

- Excelente jogada de Benitez a desmarcar Tomás Costa que desperdiça;

- Remate de Vukcevic, defesa de Nuno, Postiga isolado faz a recepção mais difícil da história, acabando por rematar com a mão que tem mais ao pé. Regista a patente, Hélder.

- Penalty para o Sporting. Analisar cara de Pedro Emanuel.

- Penalty # 2 para o Sporting. Analisar número de vezes que Sapunaru se benzeu (antecipo caixa de comentários animada).

-Foi preciso aparecer o Pedro Henriques para tirar o Postiga do campo.

- Calcanhar mágico de Vuk e o substituto de Postiga, Derlei, marca na primeira vez que toca na bola. Deve ser coincidência.

- Ninja parte 2, assistência de Izmailov que, aparentemente, resolveu o problema do tique.

master kodro

Curtas

1. Daqui a poucas horas tem lugar a meia-final da Taça da Liga, prova fascinante cujo regulamento já faz parte do currículo de Direito nas várias faculdades do país. O Porto traz a equipa B, mas Paulo Bento, homem pouco preocupado com campeonatos nacionais mas sempre sedento de taças, vai lançar o seu melhor onze. No qual dificilmente caberá Veloso, jogador que não conduz bêbedo, nem recomenda a treinadores práticas de sexo anal, mas vem cometendo o crime recorrente de jogar bem em qualquer posição. Não se faz.

2. Dois quilómetros a Oeste, Benfica-Guimarães, um duelo que se repete na Taça da Liga. Tenho dois desejos: que nenhum jogador importante se lesione e que vençamos a partida. Por esta ordem.

3. O FC Porto premiou o seu melhor atleta (Lisandro) e distribuiu mais umas estatuetas. Fucile foi eleito futebolista do ano. Não se riam, por favor.

4. Um dos meus jogadores preferidos chegou ao melhor campeonato do mundo. Aos 27 anos, Arshavin vai seguramente brilhar no Arsenal, depois de uma transferência semelhante a uma verdadeira novela mexicana. Fala-se em 13,3 milhões de euros. Uma autêntica pechincha, se querem saber a minha opinião.

5. Entretanto, a UEFA e a FIFA unem-se na proposta para que os Jogos Olímpicos se tornem num Mundial sub-23. É recomendável e provavelmente nem reduzirá a qualidade dos encontros. Convinha mesmo era rever a atribuição de vagas, para trazer mais competitividade ao certame. O modelo actual sugere uma distribuição igualitária entre continentes, mas seria de longe preferível termos por exemplo um sistema 5-5-3-3 (Europa, América, África, Ásia-Oceânia).

katanec

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Um dia estranho

Hoje, que ficámos a saber o nome de um dos semi-finalistas da Taça da Liga (quinze dias depois do último jogo disputado), também ficamos a saber o nome de um dos finalistas um dia antes do jogo das meias-finais. Olhem lá para a convocatória do Porto. Ou será que o Diogo Viana... Não, pois não?...

master kodro

Vitória nas meias da Taça da Liga?

Esta edição da Taça da Liga está a ter de tudo: um regulamento com falhas estúpidas; recursos com base em fundamentos que em tudo iam contra o espírito da competição e contra o espírito de que estavam imbuídos todos os participantes (moldando-lhes estratégias e objectivos), incluindo o presidente dos queixosos (que lamentou ter sido eliminado por um golo, por ter sido roubado); competidores a fazerem birra e a ameaçarem não jogar. Qual poderia ser o resultado disto: um argumento do mesmo nível do do recurso (ironia das ironias, erro no alvo, articulite aguda contra articulite aguda), estúpido (não sei, não o vi, estou a vender o peixe a preço de custo). Principalmente quando havia outros muito mais importantes. Aqui está a decisão do CJ da FPF. Siga a festa (ainda há festa?).

ps - Já podes ir trabalhar, Quique, e apresentar um 4x4x2 igualzinho ao que ias apresentar contra o Belenenses.

master kodro

sexta-feira, janeiro 23, 2009

E assim passou mais um dia...

1. O Benfica ultrapassou a irregularidade do início de época, sendo hoje uma das mais consistentes equipas do campeonato. Consistente na sua mediocridade, movimentos atacantes previsíveis e transições defensivas descuidadas. Semana após semana assistimos ao mesmo filme, tendo eu cada vez mais dúvidas sobre a capacidade de Quique para alterar a situação. E não vale a pena fazerem-se queixas do plantel. Quando se tem no banco Cardozo, Reyes, Nuno Gomes e Carlos Martins... Uma palavra final para a estupidez de Miguel Vítor (muito mal nos dois lances em que viu amarelo) e para a abnegação de Maxi (o melhor em campo).

2. Entretanto, a patética Taça da Liga e o seu já lendário regulamento vão animando a malta. Depois da polémica do "goal-average", temos agora mais dois episódios ridículos. Um, menos grave, diz respeito ao Benfica, por causa de uma provisão do regulamento acerca dos "jogadores formados localmente". Para os seres humanos normais isto quer dizer "formados no clube". Mas para os iluminados da Liga significa "formados em Portugal". Com efeito, a palavra "local" tem as costas largas: na minha terra quer dizer a malta do bairro; nos corredores da Liga, quer dizer a nossa bela nação; e suponho que para os observadores inter-galácticos os "jogadores locais" devem ser os que nasceram no planeta Terra.

Mais interessante ainda é o caso envolvendo o FC Porto, que numa evidente violação do regulamento utilizou apenas um titular (Pedro Emanuel) do jogo anterior no encontro contra o Setúbal. Na Liga ninguém deu por nada, ninguém denunciou a situação, ninguém acha mal. O Porto explicou-se com a utilização de suplentes que tinham sido "efectivos" no jogo anterior. A Liga acha bem, apesar de os seus estatutos fazerem distinção entre "efectivos" e "suplentes". O Mundo, esse, vai girando à volta do Sol. Até que a Liga se pronuncie sobre o caso, naturalmente.

katanec

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Proposta do dia

Do kovacevic, ao telefone, por volta das 14 horas: jogo em campo neutro (pode ser no Algarve) entre o Belenenses e o Vitória. Acho óptimo. Eu acrescento: com o gajo que fez o regulamento como único apanha-bolas. Desde que não insultem a inteligência das pessoas com a inclusão premeditada do quociente e com a amnésia colectiva do uso corrente, banal e generalizado (em Portugal e em Espanha, pelo menos) do goal average como diferença entre golos marcados e sofridos.

master kodro

Goal average? Nunca ouvi falar disso

Mais do que confirmado o erro na utilização da expressão, materializado na letra da lei, discute-se agora o espírito da lei invocado pela Liga para a utilização errada da expressão. Erguem-se vozes indignadas perante tamanha aberração linguística, nunca antes ouvida ou utilizada (eu sempre disse goal difference, parecem querer dizer quase todos os opinadores).

Nunca ouvimos ou lemos essa expressão, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, nem aqui, todas nos últimos três anos. Mas isso é coisa de jornalistas portugueses ignorantes, pelo que é impossível que esta maleita colectiva tipicamente lusa tenha galgado fronteiras e contaminado gentes mais letradas. Por isso é pouco provável que o caro leitor encontre algo neste sentido neste artigo, ou neste, ou neste, ou neste, ou neste, ou neste, todos desde 2008.

Pronto, é coisa de jornalistas, pelo que se nos afigura como improvável que homens do futebol utilizassem uma expressão tão ignóbil. Não é provável que pessoas como José Peseiro a tenham utilizado em discurso directo, "Mas praticamente a qualificação está assegurada, em função do 'goal-average". Está bem, é o Peseiro que tinha aqueles comportamentos afectivos públicos com Eduardinho. Mas temos dúvidas que um ser com o estatuto de Johann Cruijff tenha alguma vez expressado, "O Valencia está a 10 pontos e o Real Madrid a 14, tendo em conta o ‘goal average" (até porque Cruijff não fala português).

Trata-se, portanto, de uma alucinação colectiva, esta que presenciamos, esta que leva à utilização generalizada e errada do termo goal average (é errado não haja dúvidas relativamente a isto). Daí a dizer-se que quem fez (erradamente) o regulamento da Taça da Liga queria mesmo referir-se ao termo goal average (à divisão de golos marcados por golos sofridos), uma forma de desempate que deixou de ser utilizada no Mundial de 1970 e na liga inglesa em 1976/77, vai uma distância muito grande.

Meus amigos, acreditem no que quiserem, mas não me queiram obrigar a acreditar que quem fez o regulamento da Taça da Liga estava impregnado do espírito de incluir um critério de desempate que dividisse golos marcados e sofridos, porque eu só acredito no que quero e no que seja, ao mesmo tempo, razoável. Até porque acho que já existem exemplos suficientes aqui em cima que mostram que todos nós sempre utilizámos (embora quase ninguém o assuma) o termo goal average tão erradamente como no sentido de falarmos em golos marcados menos golos sofridos.

Vejam quão disseminada a coisa está que até o insuspeito perfeccionista Rui Cartaxana a usava em 2005, "As regras para estas classificações provisórias das equipas são, por ordem: 1) número de pontos entre elas; 2) se têm os mesmos pontos, a) valem os resultados entre as equipas empatadas; b) se o empate se mantém, vale a diferença de golos (goal average) entre elas". Claro que ele queria dizer quociente e não diferença, não é? Não, não é. E João Gobern aqui. E António Pedro Vasconcelos aqui. Mas o contributo mais importante para esta discussão do espírito da expressão (e da lei no caso presente) vem novamente de Rui Cartaxana, um ano antes, que admite, como provedor dos leitores, a adaptação e generalização do termo goal average, fazendo um paralelo com o termo hat-trick, em resposta à indignação de um leitor.

"PL: Tem razão, em grande parte. A expressão "hat-trick" vem do cricket e traduz a marcação de três pontos seguidos pelo mesmo jogador. Só que com a sua banalização, no futebol, passou a designar, por extensão, a marcação de três golos seguidos pelo mesmo jogador, no mesmo jogo. Estas "adaptações" são frequentes no futebol, como aconteceu com a expressão "goal-average" e outras. "

Adaptação, frequente, banalização. Mas acreditem no que quiserem e se quiserem mesmo muito acreditem que quem fez o regulamento da Taça da Liga quis mesmo propôr o quociente.

ps - Só uma nota para desejar boa sorte ao Luciano e as rápidas melhoras. E se tiverem que ir mesmo vocês às meias-finais, que ganhem a competição, é o que desejo sinceramente.

master kodro

terça-feira, janeiro 20, 2009

Amigos belenenses, vão vocês.

O Belenenses está no seu direito de contestar o alinhamento das meias-finais da Taça da Liga. Não acho que tenha razão jurídica, mas não deixa de ter esse direito, com base na asneira efectuada. Mas atenção que não é só do regulamento que o líder belenense se queixa publicamente:

"João Barbosa, líder da SAD do Belenenses, aproveitou a conferências de imprensa de ontem para voltar a tecer duras críticas à arbitragem em geral, e à atuação de Bruno Paixão na Luz em particular.

O responsável pelo futebol dos azuis voltou a frisar que “a SAD perdeu milhares de euros, em virtude de não ter atingido as meias-finais da Taça da Liga", continuando: "Só não fomos apurados por um golo. O golo que entrou mas que o árbitro por distração não validou. A verdade é que os encontros deviam ter sido realizados todos à mesma hora, pois veja-se a conjugação de resultados que houve no domingo.”

Até o presidente do Belenenses se deixou levar pelo espírito da lei.

Sinceramente, com todas estas atitudes (diverte-me abundantemente uma
em especial de um grande especialista das leis e excelso cumpridor das ditas), já perdi a vontade de ir à Luz eliminar o Benfica.

master kodro

Mea culpa

Pois, parece então, que não li o regulamento todo. Peço as minhas desculpas a todos. Parece que se pretende mesmo fazer renascer o goal average "original", em desuso desde 1970, e esquecer tudo o que se disse e escreveu nos últimos quarenta anos. Que seja. Se é assim, façam favor de pôr o Belenenses nas meias-finais da Taça da Liga. Mas não se esqueçam. Não se esqueçam do dia em que, nos assuntos futebolísticos, a letra da lei passou a valer mais do que o espírito, isto na opinião da maior parte das pessoas que se referiram a este assunto.

master kodro

O regulamento da Taça da Liga ou a vontade de ver sangue num resto de ketchup

Estou com dias difíceis no trabalho (acabei agora...) por isso não tenho conseguido seguir tudo como queria. Apareceu um tema daqueles engraçados relativamente ao regulamento da Taça da Liga que supostamente faria do Belenenses o apurado para as meias-finais e não o Vitória de Guimarães. Diz a teoria que circula que a expressão utilizada no regulamento, o goal average (ao invés da expressão correcta, goal difference), daria 2 pontos (2/1) ao Belenenses contra 1,5 pontos (3/2) ao Vitória, num desempate devido ao empate pontual entre as equipas. Ora bem:

1.º Como é óbvio, todos - todos, todos nós, todos nós os que estamos a chamar incompetentes a quem fez o regulamento da Liga, todos os desportos, todos os regulamentos que não incluíram a expressão mais longa "diferença entre golos marcados e sofridos" - andamos a usar a expressão errada desde sempre e estamos a chamar, desde sempre, goal average ao que na prática é o goal difference e nem nunca pensámos no que o goal average é, realmente, porque a maior parte de nós nunca o viu aplicado (há uma entrada na net que defende que foi abandonado em 1970...). Resta saber a razão de ter acontecido agora. Mas nem vai valer a pena chegar a tanto.

2.º A Liga já se explicou, mas devem estar todos cagadinhos, porque deu uma explicação de quem está com medo que alguém se queixe. Fala do espírito, fala do que eu escrevi no ponto 1 por outras palavras, mas se não estivessem tão cagadinhos tinham perguntado a alguém que esteja habituado a ler leis que lhes safava o rabinho, sem parecerem tão gelatinosos.

3.º Como na maior parte das vezes nestas conversas de polémicas sobre futebol, as pessoas lêem o que querem ler e não o que está lá escrito. Vamos ler então:

3.1 Relativamente à 3.ª fase da Taça da Liga:

"São apuradas as 3 equipas que, após a realização das 3 jornadas, ocupem o 1.º lugar no grupo e a equipa que ocupe o 2.ºlugar com a melhor pontuação"

Só. Mais nada. É omisso nos casos de empate (para efeitos de apuramento para as meias-finais), pelo que se aplica a lei geral do regulamento das competições (estas passagens fazem parte do regulamento específico da Taça da Liga, em anexo ao geral), que está muito mais acima e fala, porque feita com mais tempo, na diferença entre golos marcados e sofridos, sem margem para dúvidas.

E O GOAL AVERAGE?, grita o gajo do canto.

3.2 O goal average está definido no regulamento como o segundo critério para determinar quem joga em casa nas meias-finais e não para definir quem é apurado para as meias-finais em caso de empate na terceira fase, como é claro na passagem:

"Meias-Finais:
As meias-finais são disputadas a uma mão, em campo neutralizado, entre os 4 Clubes apurados na fase anterior.
É efectuado um sorteio pela Liga PFP para alinhamento das equipas.
Os critérios para determinar quem joga na qualidade de Clube visitado são os seguintes:


1. Melhor lugar e pontuação obtidos na 3.ª Fase;
2. Melhor “goal average”;
3. Maior número de golos marcados na 3.ª Fase
;"

Os critérios para definir quem joga como visitadonas meias-finais, já depois de os semi-finalistas estarem encontrados.

Case closed. Deixem-me trabalhar descansado, por favor. Foi um prazer. Até à próxima.

ps - O gajo que fez o regulamento era tão mau, tão mau, tão mau...

master kodro

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Três golos de Liedson e um inquérito

Jogo fácil para o Sporting (5x1 Paços de Ferreira) no fecho da terceira jornada da terceira fase da Taça da Liga, com Liedson a marcar mais três golos, apenas mais um episódio de uma bela história de amor entre um ex-armazenista brasileiro (que ameaça transformar-se num ídolo português) e uma baliza. Sem pretender influenciar ninguém - ao momento sensível contraponho a opinião de que não voto em Liedson - lanço uma questão nova:

Quem é o melhor avançado da Liga Sagres 2008/09 (e que me desculpem os nomes que ficaram de fora)?

master kodro