quarta-feira, maio 06, 2015

Juventus na frente

Bem vistas as coisas, o resultado nem foi muito mau para o Real, tendo em conta o desacerto defensivo dos merengues. Estou convencido de que os espanhóis darão a volta à eliminatória e tenho um palpite que vamos ter Clásico em Berlim, mas se Pepe e Sergio Ramos, mesmo separados pela criatividade de Ancelotti, continuarem a distribuir prendas, podemos voltar a ter italianos numa final da Champions.

PS - Aos 35 anos, Pirlo ainda consegue transformar bolas quadradas em bolas jogáveis - no caso, em Evra, aos 71 minutos. Mais um pormenor de classe para a extensa coleção de um jogador que não se deixa derrotar pela pdi.

PPS - Com tantas bolas a entrarem às três tabelas, depois de baterem em perónios e meniscos, não é justo que aquele carrossel madrileno, da direita para a esquerda, tenha terminado na barra.

segunda-feira, maio 04, 2015

Play It Again, Sam # 155 - The Districts

Eu sou do tempo (foda-se, estou a ficar velho) em que conhecíamos música através de uma cassete, gravada de uma cassete, gravada de uma cassete que reproduzia fielmente os estalidos e arranhões do vinil original, até a fita magnética começar a enrolar-se na cabeça do leitor e termos de as separar com uma Bic e algodão embebido em álcool. Conhecíamos meia dúzia de bandas e éramos felizes assim. Hoje, é mais difícil sermos felizes. Temos acesso a dezenas, centenas, milhares de músicas e, ainda assim, não ficamos satisfeitos. Abençoada fartura. Abençoado acesso universal à cultura e ao conhecimento. Sem ironia, porque o defeito é nosso (ou meu, pelo menos) e não dos recursos que criamos e desperdiçamos.

Lembrei-me disto enquanto pensava na abundância de títulos que nós, portistas, estávamos habituados a festejar, até há bem pouco tempo. Nessa altura, ir à Avenida dos Aliados ou à Alameda do Dragão era já um ato quase mecânico, o mero cumprimento de uma formalidade. As vitórias do Porto tornaram-se uma banalidade. Pode ser que este jejum nos faça bem e nos ensine a sair dele de forma rejuvenescida e com sede redobrada. Enquanto isso não acontece, podemos sempre ver Vítor Pereira a ganhar na Grécia, Mourinho em Inglaterra e Villas-Boas na Rússia, consolar-nos com o facto de sermos a melhor escola de formação de treinadores em Portugal, ver um jogo do Sporting...

«It's a long way down from the top to the bottom It's a long way back to a high from where I am»

Música: "Young Blood"
Álbum: "A Flourish and a Spoil", 2015
Interpretação: The Districts


quarta-feira, abril 29, 2015

A pele em campo ou o sexo dos anjos

Estive a ouvir, com uns dias de atraso, os comentários de Manuel Serrão ao jogo da Luz. Disse ele que não viu ninguém do Porto (nem do Benfica) a deixar a pele em campo. E lembrei-me, imediatamente, de duas coisas. A primeira foi dos vários múltiplos colapsos que os especialistas do futebol moderno teriam, se, por acidente, ouvissem aquelas palavras, porque, para eles, entendidos, comer a relva é estar organizadamente no sítio certo, na hora exata, de forma a chegar primeiro do que os outros onde quer que seja. A segunda foi da sequência que deu o primeiro título europeu ao Porto - e já explico porquê, a quem tiver a paciência de me ver recorrer, pela enésima vez, a este jogo histórico.

O futebol evoluiu muito, é um facto. Hoje é muito mais pensado e organizado, mas deixa cada vez menos espaço para a criatividade, para o génio e para fatores emocionais porque isso traz imprevisibilidade a um jogo que se pretende que seja executado na exata medida do que foi planeado. Ao resto chama-se aleatoriedade. O Porto não foi à Luz para jogar à Porto - aquele Porto que se decifrava intuitivamente através de um complemento que me dizem estar obsoleto e que não vinha nos livros. O Porto foi para ganhar de forma organizada e inteligente. Só que isso não chegou porque do outro lado esteve uma equipa capaz de prever isso e de se organizar em função disso. E não houve mais nada.

Olho 28 anos para trás e vejo Madjer a reentrar em campo, depois de ter sido assistido e de se ter tornado imortal, a deixar Winklhofer entretido a contar os dedos dos pés e a colocar a bola entre o cruzamento para Juary e o corte de carrinho de Nachtweih. O que aconteceu a seguir é história, mas só foi possível porque Madjer esqueceu as cãimbras, pôs o artista de lado e deu tudo o que tinha para chegar àquela bola e oferecer-lhe o final feliz que ela merecia. Deixar a pele em campo é isto e, se não é, devia ser intemporal e compatível com qualquer versão do futebol. E isto, de facto, não esteve presente na Luz.

domingo, abril 26, 2015

Um nulo encarnado

Os números da primeira parte não deixam dúvidas quanto à abordagem de Jesus ao jogo do título: 0 remates do melhor ataque da Liga, a jogar em casa. O mais importante era manter o adversário longe da baliza e a verdade é que só por uma vez o Porto esteve perto do golo. Na segunda parte, Lopetegui abriu o jogo e o Benfica apareceu da forma que mais gosta: em transições rápidas. Mas também só de bola parada conseguiu criar verdadeiro perigo, com Fejsa a imitar Jackson e a mandar a bola para a bancada. Em suma, um clássico muito pobre, em termos de espetáculo, mas com um nulo que deixa os encarnados com nove dedos no título, ao qual se juntará a taça da praxe. Ao Porto resta a consolação de uma boa Champions, apesar da derrocada em Munique, o que seguramente não apagará a sensação de vazio, depois de uma época em branco.

sábado, abril 25, 2015

Play It Again, Sam # 154 - Wolf Alice

Enquanto o clássico não começa, ouve-se uma musiquinha, para relaxar, de uma banda que está a dar os primeiros passos mas que já tem a qualidade que eu espero ver nos pés deste Porto de consumo imediato e de digestão mais difícil do que se desejava. O Benfica não perde em casa, para o campeonato, desde que Maicon fez o 2x3, em Março de 2012 - o que impõe um certo respeito, até porque, desta vez, um golo de diferença mantém o campeonato nas mãos dos encarnados. Mas, quando a bola começar a rolar, isto valerá tanto como a improbabilidade de virar uma meia-final da Taça, depois de ter perdido 0x2 em casa. Portanto, o melhor é aguardar e, no final, logo se verá quem fica happy, happy.

Música: "Blush, 2013"
Interpretação: Wolf Alice


PS - Entretanto, o sorteio da Champions ofereceu-nos a possibilidade de ver o duelo mais aguardado dos últimos tempos, entre um Bayern que parece ter conseguido conciliar as ideias que Guardiola trouxe da Catalunha com as características inatas do futebol alemão, e um Barcelona que terá menos bola do que está habituado a ter, mesmo com Luis Enrique, mas com capacidade para pôr Neymar e Suárez a fazer estragos nas costas do calcanhar de Aquiles dos alemães (e Messi a resolver de qualquer lado). Dois grandes jogos em perspetiva.