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domingo, fevereiro 07, 2010

Onze milhões de euros depois

Saberá José Eduardo Bettencourt que o Sporting alinhou ontem com uma média etária de aproximadamente 26 anos?

Para gáudio e tranquilidade de uma ampla corrente de opinião, o leão recebeu a Académica com apenas dois produtos da academia no onze inicial. Um deles (R Patrício) ofereceu o primeiro golo ao adversário num frango inaceitável a este nível; o outro (J Moutinho, hoje com 23 anos e quase 250 jogos na equipa principal) repôs a igualdade ao romper na zona do ponta-de-lança.

Da linha titular, no entanto, constavam os 11 milhões de euros (Pongolle + J Pereira + P Mendes) que transformaram o clube no mais gastador da Europa este Inverno, além dos 3,75 milhões da superstar de Verão (Matigol), que segundo o presidente andava a ser vítima de homicídio em prestações pela comunicação social, e ainda os 4 milhões com que o AC Milan enganou uns papalvos em Lisboa (Grimi) ou, por exemplo, os 2 milhões que custou uma perna de Vukcevic, a mesma que anda à deriva no balneário desde que alguém se lembrou que o montenegrino só tem olhos para o umbigo, embora, aparentemente, não tenha ocorrido à mesma pessoa vendê-lo, ao menos para recuperar o investimento na perna, a esquerda.

Onze milhões de euros depois, praticamente sem vestígios da academia no onze titular, com uma média de idades de 25,8 anos, com todos os jogadores entre os 23 e os 32 anos, excepto Rui Patrício, com Polga em vez de Carriço, Pedro Mendes em vez de Adrien e Pongolle em vez de Saleiro, o Sporting voltou a perder.

Até o treinador que não se conseguiu contratar quando carregava a lanterna vermelha vence em Alvalade. E agora ainda ninguém arrisca que Villas Boas é mesmo bom, mas já muita gente garante que Carvalhal não presta.

kovacevic

sábado, fevereiro 06, 2010

Uma espécie de Freitas Lobo

Não, o problema não é que Moutinho, Veloso e Izmailov venham a ser vendidos -- já todos percebemos tratar-se de um acontecimento inadiável, pelo menos em relação aos primeiros. O problema é que quase sempre que houve dinheiro a hierarquia dirigente em Alvalade fez asneira, contratando caro e mal.

Vamos aceitar para facilidade de raciocínio que Veloso e Moutinho rendem no Verão 30 milhões de euros. Deste bolo, um terço já tem destino: pagar os custos do Inverno, qualquer coisa como 11 milhões de euros. Sobram 19 milhões. E é aqui que está o drama. O Sporting não tem horizontes no mercado e limita-se a comprar rifas: às vezes sai-lhe o prémio, como no caso de Izmailov, a maior do tempo, no entanto, é dinheiro deitado à rua.

Os nomes que sugaram os últimos 19 milhões (Pongolle, Matigol, João Pereira, Pedro Mendes, Mexer, Caicedo, Angulo e Grimi) confirmam: o Sporting precisa menos de orçamento do que precisa de um Freitas Lobo.

kovacevic

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Ainda mais túneis

1. O que Ney, Mossoró e Javi Garcia fizeram toda a gente viu pelas imagens da televisão. Tinha a impressão - não sei porquê, até porque já passaram alguns meses - que as imagens não podiam servir de prova também no caso dos dois primeiros, mas pelos vistos podem. Ainda bem. Basta de comportamentos animalescos a passarem sem punição. Já o caso dos 3 meses de castigo a Vandinho é diferente. Parece que é mais um assunto de túnel. Também tem vários meses e só percebi que algo estava a acontecer quando apareceu esta notícia. Uma queixa escrita do adjunto de Jorge Jesus.

2. Grande túnel fez o Porto, ontem, ao Sporting, com um histórico 5x2. Uma excelente exibição em que só não se percebe onde começa e acaba o mérito do Porto e o demérito do Sporting. Mariano Gonzalez, Ruben Micael e Falcao, entre outros, brilharam, em noite de grandes golos. Varela, então, fez um túnel do tamanho do mundo a quem achou que ele não se enquadrava nos objectivos do clube que o dispensou (isto em semana de bis decisivo de Carlos Martins).

master kodro

sábado, janeiro 30, 2010

Fim da linha

O leão perder na casa do arcebispo nunca foi estranho e ontem o Sporting até merecia melhor resultado ao intervalo. Mas enfim, 'sem' Veloso 'nem' Izmailov, com Djaló mais influente do que Matigol, era difícil ser feliz.

A derrota de ontem é a gota de água que determina o fim da linha na Liga Sagres, se é que resistia alguma esperança. Confirma-se, portanto, que aos sportinguistas resta um único objectivo decente no campeonato: que o Benfica não o ganhe. Não parece impossível.

kovacevic

terça-feira, janeiro 26, 2010

Hora da verdade para o Sporting de Carvalhal

Acabou o calendário tenrinho, engolido com sete vitórias consecutivas, começa o verdadeiro teste. Até 28 de Fevereiro, o Sporting joga toda a época, sem direito a novas oportunidades.

Nove jogos em 31 dias, incluindo visitas a Braga e ao dragão, mais o Benfica e o FC Porto em Alvalade e o duplo confronto com o Everton!

29 Jan: Braga (fora) (Liga Sagres)
2 Fev: FC Porto (fora) (Taça Portugal)
6 fev: Académica (casa) (Liga Sagres)
10 Fev: Benfica (casa) (Taça Liga)
14 Fev: Paços de Ferreira (fora) (Liga Sagres)
16 Fev: Everton (fora) (Liga Europa)
21 Fev: Olhanense (fora) (Liga Sagres)
25 Fev: Everton (casa) (Liga Europa)
28 Fev: FC Porto (casa) (Liga Sagres)

Não havendo adiamentos nem alterações à ementa, é literalmente dose para leão.

kovacevic

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Para quando um Sá Pinto versus Saviola?

Um golo ridículo, marcado por um chinês, numa eliminatória inofensiva, desencadeia uma tempestade luso-tropical em Alvalade.

Se o Benfica é um circo, como dizia Artur Jorge, o Sporting é o novo Benfica.

Porque sempre achei a violência física sobrevalorizada -- as palavras e as intrigas podem ser tão ou mais devastadoras num grupo -- convido-vos a ouvir o ex-capitão Pedro Venâncio, o único que realmente toca a questão essencial:

Dos bufos já falava Paulo Bento (Pedro Venâncio à Antena 1)

kovacevic

terça-feira, janeiro 19, 2010

Venha de lá o defesa-esquerdo

Sim, Rúben Micael é um jogador raro. E não apenas pelo nome. Mas faria sentido pagar três milhões de euros (60% do passe) por alguém que actua nos terrenos de Moutinho, Izmailov, Matias Fernandez e Vukcevic? Com Adrien sólido na posição 6, Veloso goleador e Pedro Mendes alegadamente na mira? Parece-me que não.

kovacevic

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Crónicas de Narnia

Num onze com mais frescura física, mas sem futebol de encher o olho, os meninos da academia continuam a resolver.

kovacevic

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Também acho

"[...] Tomando como reais os valores divulgados, e contando também com os «trocos» gastos com o moçambicano Mexer, o Sporting já terá atingido a fasquia dos 9 milhões de euros em compras nesta reabertura do mercado. E há indicações de que não ficará por aqui, elevando o «investimento» para números que só serão melhor percebidos a 31 de janeiro.

Não está em causa, nem podia estar, o desejo legítimo do Sporting em reforçar o quadro de jogadores à disposição de Carvalhal. Só que esta nova abordagem destrói pela base o discurso oficial (e oficioso, também preferido por alguns opinadores) da contenção, da utilização dos meios proporcionados pela Academia, enfim, aquele discurso do orçamento remediado e nada parecido com os esbanjadores Benfica e FC Porto.

[...] talvez não seja tempo perdido teorizar sobre estas inflexões no trajecto de um clube/SAD que continua a tentar passar a mensagem da diferença e, até, da rectidão e pureza por oposição a outros eventualmente menos puros que por aí andam. Se quisermos, é só escolher qual dos aforismos melhor se aplica ao actual Sporting: «nunca digas desta água não beberei»; ou «pela boca morre o peixe»". Paulo Renato Soares, no Record.

katanec

quarta-feira, dezembro 23, 2009

João Pereira

Um dos principais problemas do Sporting nos anos recentes tem sido o reforço do plantel com jogadores que não representam um investimento, mas sim uma despesa, na medida em que dificilmente serão vendidos por mais do que aquilo que custaram.

João Pereira é mais um desses casos.

Em dois laterais - Grimi e JP - o Sporting gasta a módica quantia de sete milhões de euros.

Para clube pré-falido não está mal.

kovacevic

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Que maravilha...

Aquele golo espantoso de Di Maria. Para fechar em beleza a fase de grupos da Liga Europa, depois da vitória estrondosa do Nacional.

Seguem-se Arsenal para o Porto, Everton para o Sporting e Hertha para o Benfica. Ninguém se pode queixar muito da sorte.

master kodro

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Empréstimos

Há pouco tempo corria nos meandros blogosféricos - e não só - a teoria de que o FC Porto emprestava jogadores para controlar e comprar votos (nas votações da Liga) dos clubes que recebiam as dádivas. Não só não corroboro dessa opinião - e mantenho-o -, como sempre defendi que é um problema que se resolve de raiz com a proibição de empréstimos entre clubes da mesma divisão. Face aos números deste ano apresentados pelo Record, fico curioso se as opiniões conspirativas se mantêm.

master kodro

Mercado a mexer (?)

Nomes, muitos nomes, e mais uns trocos. Alan Kardec, Mexer, Airton e Muriqui. A sério: acham que isto vai fazer alguma diferença?

master kodro

segunda-feira, dezembro 14, 2009

E o burro sou eu?

Com a derrota deste sábado, o Sporting entrou oficialmente na fase "E o burro sou eu?".

É natural. A gente compreende que depois de quatro anos de Paulo Bento bastava um mês de Carlos Carvalhal para transformar uma situação de merda em momentos de ouro no álbum leonino.

Ponham os olhos em Izmailov, que tanta falta fez a Paulo Bento. Conforme Rui Oliveira e outros previram, assim que regressou à equipa as coisas mudaram. Da noite para o dia. Ou não?

Em 12 meses, o situacionismo passou de "Fazemos mais com menos e vamos ser campeões" para "Não dá porque a equipa é miserável".

O que mudou? Saíram Ronny, Rochemback, Romagnoli, Derlei e Tiuí. Entraram André Marques, Matias Fernandez, Saleiro, Caicedo.

A diferença está em Derlei, portanto.

Reconhecer validade às observações de muitos adeptos, que alertaram para o que aí vinha, pelo menos, no arranque da época passada, isso está fora de questão, claro.

Prolongar Paulo Bento para lá do prazo de validade reduziu o clube a cacos, colocando sportinguistas contra sportinguistas. Os jogadores rendem 10 por cento do que podem, se tanto. O mercado, que há um ano salivava por Veloso e Moutinho, hoje não dá 20 milhões nem pelo plantel inteiro.

É um buraco e não se vê o fundo.

kovacevic

terça-feira, dezembro 08, 2009

Uma espécie de blind date

1. O Benfica passeou-se este fim-de-semana com golos de Saviola e Cardozo, dois jogadores observados em tempos pelo gabinete de scouting leonino, segundo revelou Paulo Bento nas entrevistas à televisão e à imprensa que usou para se despedir, defender e atacar. É interessante que o Sporting, sem dinheiro para mandar cantar um cego, alegadamente observe sujeitos como Saviola, nos últimos oito anos vinculado ao Barcelona (primeiro) e ao Real Madrid (depois), com empréstimos a Mónaco e Sevilha pelo meio. Era uma contratação provável, está bom de ver.

Quanto a Cardozo, sem dúvida seria impensável resgatá-lo por 9 milhões de euros (actualmente 12) como fez o Benfica -- dificilmente o Sporting terá a possibilidade de contratar o melhor marcador do campeonato argentino --, mas já não seria tão impensável assim contratá-lo por 900 mil euros em 2006, quando Cardozo marcou 17 golos pelo Club Nacional no Paraguai e saltou para o Newell's. Em 2006, de resto, também Dátolo e Denis, outros exemplos apontados por Paulo Bento para elogiar o gabinete de scouting e proteger Pedro Barbosa, desculpados com a falta de orçamento, eram jogadores perfeitamente acessíveis no Banfield e no Colón.

Para identificar craques no Boca Juniors, na primeira liga espanhola ou na série A italiana, podem contar connosco. Para descobrir diamantes em bruto, ainda por cima baratos, é realmente necessário um gabinete de scouting.

2. Quem também brilhou, com um passe magistral para o primeiro de Liedson em Setúbal, foi Matias Fernandez. A história da sua contratação contou-a Miguel Ribeiro Telles ao i, em mais uma entrevista de despedida. Segundo Ribeiro Telles, o Sporting queria mesmo era contratar Damian Escudero, presentemente emprestado pelo Villarreal ao Valladolid. Acontece que do outro lado alguém perguntou: "Não querem o Matias Fernandez?". E assim se consumou o único verdadeiro reforço leonino para 2009/10.

3. Não tem sido fácil sobreviver no mercado com um orçamento diminuto. Liedson, de regresso aos golos, e logo dois, veio do Corinthians praticamente de borla, tal como Tinga (Grémio), Rogério (Corinthians) e Anderson Polga (Grémio), num período em que realmente havia capacidade em Alvalade, a mal ou a bem, para identificar negócios vantajosos.

De borla estaria Silvestre Varela, se o Sporting não o tem libertado -- ainda por cima pagando -- quando era o destaque do Estrela da Amadora. Varela chega ao FC Porto com 75 jogos na primeira liga portuguesa e 21 na primeira liga espanhola, além de dezenas de internacionalizações nos vários escalões etários. Não sendo um Quaresma, era um caso raro de adaptação ao futebol profissional. A sua não inclusão em plantéis com Caicedo, Saleiro, Tiuí e Purovic, por exemplo, é um acto negligente de gestão, para não escrever pior. Dizer que não servia os interesses tácticos da equipa, um absurdo. Conclui-se que o Sporting jogava em losango por falta de extremos - apesar de Vuk, Izmailov, Pereirinha, Djaló - e não contratava extremos porque jogava em losango.

4. E assim se chega a Angulo, outro dos nomes da última semana, um caso de blind date catastrófico: quando a dispensa de um indivíduo, dois meses após a sua chegada, não suscita senão silêncio, está tudo dito sobre o acerto da contratação.

kovacevic

domingo, novembro 29, 2009

Sporting 0 x Benfica 0

Excelente. O ambiente, como é típico de um Sporting-Benfica: ainda e sempre, o maior confronto do futebol português. A velocidade da partida, jogada a bom ritmo e com emoção a rodos (apesar do nulo). O remate de Veloso e a defesa de Quim: momento fantástico.

Bom. A entrada do Sporting, pressionante, criativo, dominador. Os últimos vinte minutos do Benfica, melhor fisicamente e muito perto de obter a vitória nesse período (perdidas de Di Maria e Ramires). Em termos individuais, o trio Veloso-Adrien-Moutinho esteve impecável, como também o irrequieto Liedson. Do lado encarnado, destaque para Quim, Sidnei, Javi Garcia e Saviola.

Razoável. O resultado: sem entusiasmar ninguém, pareceu criar mais alívio que amargura. É certo que voltou a encalhar o Benfica e provavelmente afastou o Sporting do título, mas ambas as equipas sabiam que, nas circunstâncias actuais, perder teria sido humilhante. O empate acaba por permitir olhar para diante com uma moderada confiança, embora provavelmente com objectivos distintos.

Mau. Pedro Proença: embora sem influência directa no resultado, acumulou erros técnicos e disciplinares. Os amarelos a Di Maria (por marcar um livre antes do apito!) e a Javi Garcia (por chocar acidentalmente com um adversário) entram para o anedotário nacional. Os laterais do Sporting. David Luiz (faltoso e desatento). Aimar, desinspirado. Matias Fernández, inconsequente (corrigido).

Péssimo. O estado do relvado, prejudicial para as duas equipas. E a falta de golos, claro...

katanec

domingo, novembro 15, 2009

Desilusão (mais uma)

Tinha escrito uma entrada mais amarga, mas, reposta alguma calma, resolvi editá-la, mantendo o essencial da ideia:

- Não espero nada da contratação de Carlos Carvalhal, que me parece mais um inacreditável exemplo de falta de exigência em Alvalade

- Acho que Carvalhal não tem nem a personalidade nem o carisma nem o estilo de jogo para amparar a queda do Sporting e certamente não tem os resultados que justifiquem ser contratado por um dos três grandes de Portugal

- Para que se perceba: Carlos Carvalhal não chegou ao fim do contrato em cinco dos seis clubes que treinou desde 2004. Foi substituído em Belém, foi substituído em Braga, foi substituído em Aveiro, foi substituído na Grécia. E foi substituído no Funchal, há seis semanas, após 17 jogos na liga, com 2 vitórias, 7 empates e 8 derrotas

- Em Villas-Boas é justamente a sua ausência de percurso o maior argumento para ser considerado no primeiro mundo do futebol. Dele, e da sua aura de menino-prodígio amigo de Mourinho, nunca posta à prova, espera-se (ainda) tudo; de Carvalhal, que dizer?

- Villas-Boas era um tiro no escuro, um all-in, a esperança, o sonho e a fé irracionais. Carvalhal é o reality-check, o tostão da mercearia, o modelo 3 das finanças. Não é preciso muito tempo para concluir qual deles serve melhor os interesses do Sporting, da sua equipa de futebol feita em cacos, neste momento conturbado

- José Eduardo Bettencourt, lamentavelmente, volta a desiludir também no modo como gere o processo de contratação do treinador e regressa ao ridículo ao afirmar que nunca em Villas-Boas existiu interesse, depois de um comunicado oficial do clube expressar o contrário à CMVM

- Os cargos de Sá Pinto e Salema Garção, entretanto, são outra fonte de perplexidade. É com um director do futebol profissional sem o pelouro das contratações e com um team-manager com o pelouro do secretário técnico que muda alguma coisa de fundamental na estrutura do futebol leonino?

JEB não quis, ou não pôde, desencadear a revolução que o momento pedia. Resta saber se isto é tudo o que tem para dar ou se apenas um adiamento até final da época, fruto de circunstâncias internas e externas.

kovacevic

sexta-feira, novembro 06, 2009

Venha de lá esse Ajax

1. Considerando que o campeonato é a bússola, a época está perdida. Sem o treinador vitalício, sem director-desportivo, sem o dirigente sombra do futebol na última década, resta o presidente eleito com 90 por cento dos votos. O homem está irritado, magoado, revoltado. Será este estado de espírito a chave do quarto escuro em que se aprisionou o futebol verde-branco?

Ao fim de quatro meses desastrosos na presidência, JEB encara a oportunidade de refundar a política desportiva. O Sporting assume de vez um projecto estilístico de identidade na linha de Ajax e Arsenal ou há condições para aproximar o investimento no futebol dos orçamentos dos rivais?

Assim de memória, não parece mal o ex-Ajax Co Adriaanse. O leão precisa de um modelo com personalidade forte para superar o desmame do efeito Bento. Alguém com audácia e desassombro para tirar a casca à qualidade existente no plantel.

2. O homem que substituiu o Sporting no coração de tantos sportinguistas, o Ferguson anunciado e desejado, sai sem pedir dinheiro, pelo próprio pé, sem curvar a cabeça, com tranquilidade. E leva quatro títulos no currículo, além de uma ou outra pequena façanha, como os 5-3 ao Benfica, as vitórias na Luz e no Dragão, os apuramentos para a Champions.

Paulo Bento é um treinador competente e provavelmente encontrará o sucesso já no próximo projecto. Jesualdo Ferreira, numa homenagem sentida, diz mesmo que agora sim é o início de uma carreira. Mas quase nada na vida é imutável, em especial se envolve pessoas. O Paulo Bento mais-valia de ontem (até Julho de 2008, embora já concluindo o campeonato a 14 pontos do primeiro) tornou-se no Paulo Bento problema de hoje. Por culpa própria, certamente, mas não exclusiva.

3. Um dia de emoções, diz o presidente oriundo da banca, incapaz de erguer a voz no meio dos escombros e apontar o caminho. Assumindo a impreparação para o momento, José Eduardo Bettencourt prolongou ele mesmo os actos de terrorismo contra o Sporting. É inaceitável o que o presidente diz publicamente da casa que lhe cabe chefiar e promover. O auto-retrato, que já incluía pobreza e (suposta) escassez de qualidade, tem agora ingredientes adicionais: guerra civil, desnorte. O Leonel treina enquanto não chegar o indivíduo caucasiano do sexo masculino.

Miguel Ribeiro Telles e Pedro Barbosa demitem-se com Paulo Bento. Na SAD do Sporting, aparentemente, o treinador vem primeiro do que o clube na hierarquia de solidariedade.

Esta tarde, na conferência de imprensa, tivemos o presidente do Paulo Bento Clube de Portugal. Quando o presidente do Sporting Clube de Portugal regressar ao planeta Terra, pode ser que nos brinde com ideias sobre o futuro, que nos revele o diagnóstico que diz ter sobre as fraquezas da organização, isto claro se tal não for uma grande maçada nem violar os valores éticos e morais que o norteiam.

Depois do desempenho -- vamos chamar-lhe invulgar -- de JEB, depois do episódio da disponibilidade para agredir um adepto, ganham outra dimensão as palavras do cronista do regime, publicadas ontem, n'O Jogo: "os adeptos gravitam noutra esfera, em que impera a paixão, que cega a razão".

Como escreve Bruno Prata no Público, Paulo Bento surgiu hoje sereno, lúcido e corajoso, enquanto um descontrolado JEB pulou de erro em erro até ao disparate final, respondendo, na derradeira pergunta dos jornalistas, que o próximo treinador do Sporting será "do sexo masculino e caucasiano".

Paulo Bento percebeu o óbvio: os seus métodos, mensagem e princípios de jogo deixaram de ajudar a equipa, que caminhava para um beco sem saída. JEB, pelo contrário, não percebeu, ou não quis perceber, nada. Precisou que técnico lhe fizesse o desenho. E chegou ao cúmulo de repetir a graça do forever ao assegurar que nunca demitiria Paulo Bento.

Entretanto, os jogadores choram.

kovacevic

quinta-feira, novembro 05, 2009

O cronista do Titanic

Começa a ser redundante citar o cão de fila do situacionismo leonino, mas ele supera-se sucessivamente e hoje brinda-nos com mais duas explicações para a instabilidade em Alvalade:

- os fracos maldizentes
- os adeptos cegos pela paixão

Concordo. Estes tolos com opiniões são uma maçada para as elites iluminadas. E a bancada? É calar essa gente tolhida pela emoção. Calar de vez. E podemos começar logo por JEB. Não é ele o presidente-adepto?

Não creio que a crítica em geral, jornalistas e não só - os adeptos gravitam noutra esfera, em que impera a paixão, que cega a razão -, tenha uma particular apetência vampiresca. Por vezes, a fome de sangue pode levá-lo a pensar, mas a questão não é tão genética, nem tão íntima, é cultural. Fomos assim ensinados: como os presidentes, jogadores, adeptos e treinadores. Paulo Bento, pela forma anormalmente sofrível com que a equipa tem evoluído esta época já merecia ter sido despedido pelos menos duas ou três vezes. Não nos está no sangue, mas é como se estivesse, está nos cânones e só os fracos não pensam assim. Ou então, os que têm a fraqueza de não se guiar por cartilhas obsoletas, arcaicas e dogmáticas. Porquê? Porque sim. Os que não têm a força e personalidade bastantes para resistir a pensar pela própria cabeça e ver que poucos ou nenhuns benefícios viriam por abraçar a convicção de cartilhas alheias. Bettencourt e Bento são corpos estranhos nesta vampiresca teia. Eu também tenho as minhas fraquezas...
(o jogo, 5.11.10)


kovacevic

segunda-feira, novembro 02, 2009

A cave não é o fim da viagem

1. Tem cultura sportinguista, é internacional, jogou na premier league e na liga espanhola, faz o lugar de Izmailov e também joga no centro ou na posição dez, tem mais sete ou oito temporadas de alto nível pela frente, estava dispensado pelo clube detentor do seu passe, disponível para regressar a Portugal, disponível para empréstimo, tão caro que até o Braga teve condições para lá chegar. Obviamente, Hugo Viana não mora em Alvalade. Provavelmente, não servia os interesses do Sporting, não servia como Angulo serve.

2. Brincadeira? O Sporting vai a Vila do Conde na próxima semana tentar evitar que o Rio Ave se afaste no quarto lugar.

3. A arbitragem de Braga, se mais provas fossem necessárias, diz tudo sobre a lei das compensações a que os senhores do apito tanto gostam de recorrer, durante os 90 minutos ou mesmo jornada a jornada. Depois do festival de facilitismo em favor da águia na goleada ao Nacional, Jorge Sousa inverteu o sentido do som: golo limpo anulado a Luisão e amarelo a Saviola por tentar um penalty à Aimar. Pelo menos no primeiro caso, o Benfica tem objectivas razões de queixa.

kovacevic