Depois, começamos a ouvir falar de coisas esquisitas como proporção no valor de venda ou efeito de actualização financeira e em nomes como Financieringsmaatschappij que são tão difíceis de pronunciar como é encontrar quem está por detrás deles a tratar da dieta do cheque gordo que, afinal, não é assim tão gordo, pesa metade, e não vem já neste Natal, talvez no próximo, se correr bem.
Um dia, ouvimos alguém anunciar: sessenta!, são sessenta milhões!, recorde histórico, uma coisa nunca antes vista em Portugal e poucas vezes registada no mundo inteiro!, e imediatamente pensamos: não deve ser bem assim. E não é. Os sessenta são a soma das partes. E já se sabe que o nosso clube nunca é dono de todas as partes. O nosso clube é dono de uma percentagem que há-de emagrecer com o tempo, depois de subtraídas outras percentagens.
Sabemos, desde o tempo de Álvaro de Campos, que o coração do namorado não volta para a costureira. Agora percebemos porquê: foi retalhado em pedaços cada vez mais pequenos, até não sobrar mais do que um minúsculo, inanimado objecto, utilizado para pagar o mecanismo de solidariedade da FIFA.
Resta-nos, portanto, abrir uma garrafa de Vodka, sintonizar o futebol russo e esperar que, até ao próximo Natal, nevem mais golos do Incrível.
E música, claro, para aquecer o Inverno que fica cá dentro.
Música: "Fast Fast"
Interpretação: Let's Buy Happiness
littbarski