A participação de Portugal no Euro 2012 foi muito boa. Não porque tenha sido uma performance de enorme brilho, coragem e futebol ofensivo e positivo (como, por vezes, se lê), mas porque foi guiada por uma visão pragmática que reconhece superioridade aos adversários que são, de facto, superiores, e porque conseguiu ultrapassar todos os adversários de valia equivalente ou inferior.
Uma análise fria dos números mostra-nos que só Inglaterra, Grécia e República da Irlanda tiveram uma
percentagem de posse de bola por jogo inferior a Portugal, o que
demonstra uma aposta clara na defesa (com ou sem pressão, mais ou menos alta) e no
contra-ataque. A tendência para o passe longo (logo,
mais arriscado) influiu também na sua
qualidade: 66% de passes certos, um valor superior apenas ao das
selecções da República da Irlanda e Grécia e igual ao dos croatas.
Portanto, não assistimos - longe disso - a nenhum espectáculo de ataque e coragem (como a dos italianos contra os mesmo adversários, uma coragem que pode ter resultados e custos), mas sim a um exercício calculista, que não critico, bem pelo contrário, aplaudo, tal como aplaudi há 2 anos, em circunstâncias semelhantes (na valia da equipa, na valia dos adversários e com um calendário extremamente exigente).
Continua a ler-se que estivemos muito perto de ultrapassar os espanhóis - o que não é mentira - mas não nos podemos esquecer que quem fez mais por passar foram eles, mudando inclusivamente o cariz da equipa, abrindo o jogo às alas (faz-me confusão que se invoque o cansaço no prolongamento, quando a outra equipa é formada por jogadores do Real e Barça e teve menos dois dias de repouso desde o jogo dos quartos-de-final).
Por fim, tivemos novamente uma absoluta fixação em Cristiano Ronaldo. Portugal fez 80 remates durante o torneio, dos quais 35 foram do avançado. Talvez seja inevitável, mas até nisso o jogo nacional se torna demasiado previsível para os adversários - até à exacta medida em que Ronaldo o torne imparável e ele tem armas para o fazer, mas não é todos os dias, como é óbvio.
E o futuro? Ainda há matéria prima para fazer uma selecção competitiva, mas não sei durante quanto mais tempo isso vai durar. Já aqui deixei pistas para o que se está a passar no campeonato português, com um conjunto de sobreviventes portugueses a quem ainda é permitido jogar nos clubes da primeira divisão, deixo agora dados mais específicos relativos a esta realidade.
Estes são os 23 jogadores portugueses, até aos 25 anos de idade (já não estamos só a falar de promessas), que fizeram pelo menos 1350 minutos no campeonato nacional 2011/12, ou seja metade do tempo possível de utilização (com a idade à frente):
João Moutinho (25), Hélder Barbosa (25), Rui Patrício (24), Rúben Ferreira (23), Luís Neto (24), Candeias (24), André Pinto (22), Wilson Eduardo (21), Salvador Agra (20), Daniel Faria (25), Hugo Vieira (23), Yohan Tavares (24), Joãozinho (23), Nuno Coelho (24), Cedric Soares (20), Adrien Silva (23), Ivo Pinto (22), Tiago Pinto (24), Vítor Gomes (24), Yazalde (23), Mika (24), Ludovic (22) e Manel Curto (25).
São estes que vão fazer o futuro? Não me estou a lembrar de muitos jogadores sub-25 que joguem lá fora regularmente, para além de Coentrão e Castro. As equipas B vão ser uma boa oportunidade se não se encherem de jogadores estrangeiros como os maiores formadores nacionais já fizeram nas suas equipas sub-19. Temos uma selecção sub-19 a jogar um Europeu (com grande jogo frente aos papões espanhóis já esta semana) e não sei se são todos titulares nos seus clubes (mas posso tentar saber*). Este panorama, a médio prazo, é ligeiramente deprimente. Era bom que alguém pusesse mão nisto, na Liga, na Federação, nos clubes. Por exemplo, eu acho que seria bem mais interessante que um director da Federação viesse a público alertar para estas questões do que estar constantemente a responder a declarações que não foram feitas ou que jornalistas fizessem o mesmo em vez de alimentarem essa mesma mentira. Mas isso é pedir demasiado.
ps - Uma pesquisa à fase final do nacional de sub-19 mostra que a esmagadora maioria dos jogadores são portugueses.(*)
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quarta-feira, julho 04, 2012
terça-feira, julho 03, 2012
Euro 2012 fechado
- Espanha, a melhor da história?
- Iniesta melhor jogador - é mais prémio de fases finais acumuladas do que de prova e assim enquadrado não poderia ser mais merecido.
- Pepe, Coentrão e Ronaldo no plantel de 23 da UEFA, com 10 espanhóis e sem defesa direito.
- Sérgio Ramos vence o índice Castrol, para grande contentamento de muita gente por esse mundo fora.
- Vítor Fernando ganha a Liga 442, com os mesmos pontos do líder desde a primeira ronda, Jorge Costa. O desempate foi feito pela UEFA...
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- Iniesta melhor jogador - é mais prémio de fases finais acumuladas do que de prova e assim enquadrado não poderia ser mais merecido.
- Pepe, Coentrão e Ronaldo no plantel de 23 da UEFA, com 10 espanhóis e sem defesa direito.
- Sérgio Ramos vence o índice Castrol, para grande contentamento de muita gente por esse mundo fora.
- Vítor Fernando ganha a Liga 442, com os mesmos pontos do líder desde a primeira ronda, Jorge Costa. O desempate foi feito pela UEFA...
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segunda-feira, julho 02, 2012
Lei de Espanha
Queres defender? Comes. Queres atacar? Também comes. Ou se assume uma postura potenciadora de balas perdidas e euromilhões ou então não há qualquer hipótese contra esta selecção absolutamente fabulosa.
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domingo, julho 01, 2012
Espanha x Itália - números e palavras
Fase de qualificação 1 Os espanhóis fizeram o pleno, com 8 vitórias em 8 jogos, 26 golos marcados e 6 sofridos, num grupo que incluía a República Checa, Escócia, Lituânia e Liechtenstein. Itália venceu 8 dos 10 jogos disputados, empatando em Belfast e em Belgrado (em jogo apitado por Pedro Proença), num grupo que para além da Irlanda do Norte e Sérvia, continha também a Eslovénia, a Estónia e as Ilhas Faroe.
Fase de qualificação 2 Mesmo com dois jogos a menos do que a maioria dos adversários, Espanha teve o 5.º ataque mais concretizador da fase de qualificação, com 26 golos. Já os italianos tiveram o 10.º ataque, com os mesmos 20 golos marcados pela República da Irlanda (e menos 2 do que a Arménia ou a Hungria). Já em golos sofridos, os italianos foram os melhores de toda a qualificação: apenas 2. Em remates efectuados os espanhóis foram segundos (atrás da Alemanha) e os italianos foram nonos (atrás da Bósnia).
Fase final Os espanhóis dominam no número de passes, na percentagem de passes certos (os italianos são sextos), na percentagem de posse de bola por jogo (os italianos são sétimos), são segundos no número de golos marcados, com 8 (mais 2 do que os italianos) e sofreram apenas um golo em toda a competição (contra 3 de Itália). Os italianos são os mais rematadores com mais um remate do que os espanhóis.
Buffon UEFA.com: How proud are you of your team, and being the captain and leader of the team, after those fantastic performances against England and Germany? "Well we are very pleased because they're unexpected results. We came here with lots of non-football related problems, and also the friendlies we played during our preparation went pretty badly. So that's why we were a bit afraid of playing a bad tournament. But along with the coach we managed to find the right atmosphere within the team, so we could make it here."
Guardiola "Jugar con o sin delantero centro será lo mismo para España. El equipo está en buenas manos y Vicente del Bosque es el mejor entrenador posible para la selección española. Otros jugadores pueden marcar goles más allá de los delanteros"
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Fase de qualificação 2 Mesmo com dois jogos a menos do que a maioria dos adversários, Espanha teve o 5.º ataque mais concretizador da fase de qualificação, com 26 golos. Já os italianos tiveram o 10.º ataque, com os mesmos 20 golos marcados pela República da Irlanda (e menos 2 do que a Arménia ou a Hungria). Já em golos sofridos, os italianos foram os melhores de toda a qualificação: apenas 2. Em remates efectuados os espanhóis foram segundos (atrás da Alemanha) e os italianos foram nonos (atrás da Bósnia).
Fase final Os espanhóis dominam no número de passes, na percentagem de passes certos (os italianos são sextos), na percentagem de posse de bola por jogo (os italianos são sétimos), são segundos no número de golos marcados, com 8 (mais 2 do que os italianos) e sofreram apenas um golo em toda a competição (contra 3 de Itália). Os italianos são os mais rematadores com mais um remate do que os espanhóis.
Buffon UEFA.com: How proud are you of your team, and being the captain and leader of the team, after those fantastic performances against England and Germany? "Well we are very pleased because they're unexpected results. We came here with lots of non-football related problems, and also the friendlies we played during our preparation went pretty badly. So that's why we were a bit afraid of playing a bad tournament. But along with the coach we managed to find the right atmosphere within the team, so we could make it here."
Guardiola "Jugar con o sin delantero centro será lo mismo para España. El equipo está en buenas manos y Vicente del Bosque es el mejor entrenador posible para la selección española. Otros jugadores pueden marcar goles más allá de los delanteros"
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sexta-feira, junho 29, 2012
A cabeçada final
Ouvi a notícia da decisão da UEFA de atribuir a honra de arbitrar a final do Euro 2012 a Pedro Proença, em trânsito, hoje de manhã. Lembrei-me das constantes respostas aos "críticos da selecção" - esse ente plural misterioso -, que nos últimos dias foram novamente invocadas, por exemplo, por Hermínio Loureiro ou pelo director de Record (que fala num coro das violentas críticas). Imaginei como seriam essas reacções a um décimo do coro de críticas que Proença ouviu e leu (e sentiu...) nos últimos tempos e que, por exemplo, nestas caixas de comentários, passaram pela culpa num lance da responsabilidade de um assistente ou por ter errado decisivamente num, cito, "Feirence" x Benfica - que nem sequer apitou.
Felizmente Proença é superior a isso tudo, bem como a cabeçadas e ameaças, e responde - ele sim, porque tem matéria para o fazer - dentro de campo. Este não é um prémio por um ano de excepção. Este é o resultado final de uma carreira - numa ocupação muito difícil - que tem um corolário numa final de Campeonato da Europa, depois de uma final da Champions League. Não pode ser encarado de outra forma: é um dos maiores feitos da história do futebol português.
Socorro-me, novamente, das palavras de bloggers (internacionais) especialistas em arbitragem, que definem observadores internos para jogos destas competições:
"His personal opener match was the Group C duel between Spain and Ireland. After his second match (Sweden - France), he has overseen the quarterfinal match between England and Italy, when the squadra azzurra won after penalty shoot-out. In all three matches, he has performed (very) well according to our observation reports - and obviously also from UEFA's point of view."
Parabéns e boa sorte, enorme Pedro Proença.
ps - entretanto, a parvoíce da aliança turco-espanhola e da perigosa ligação à UNICEF transformou-se em motivo de chacota. Obviamente.
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Felizmente Proença é superior a isso tudo, bem como a cabeçadas e ameaças, e responde - ele sim, porque tem matéria para o fazer - dentro de campo. Este não é um prémio por um ano de excepção. Este é o resultado final de uma carreira - numa ocupação muito difícil - que tem um corolário numa final de Campeonato da Europa, depois de uma final da Champions League. Não pode ser encarado de outra forma: é um dos maiores feitos da história do futebol português.
Socorro-me, novamente, das palavras de bloggers (internacionais) especialistas em arbitragem, que definem observadores internos para jogos destas competições:
"His personal opener match was the Group C duel between Spain and Ireland. After his second match (Sweden - France), he has overseen the quarterfinal match between England and Italy, when the squadra azzurra won after penalty shoot-out. In all three matches, he has performed (very) well according to our observation reports - and obviously also from UEFA's point of view."
Parabéns e boa sorte, enorme Pedro Proença.
ps - entretanto, a parvoíce da aliança turco-espanhola e da perigosa ligação à UNICEF transformou-se em motivo de chacota. Obviamente.
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Magnífica surpresa
No mundo do futebol - neste mundo falado irresponsável do futebol - há, essencialmente, os que respondem constantemente a moinhos de vento e os que se maravilham com a novidade e a superação. Prandelli está de parabéns em toda a linha. Mudou o futebol da selecção italiana por completo - um futebol italiano que tem estado bem longe do seu auge, nos clubes e na selecção, depois de um Mundial catastrófico - e está na final depois de um grande Europeu. Aguentou a decisão de manter Balotelli até ao fim, apesar de tudo, e ganhou a aposta, com o miúdo desmiolado a ser absolutamente determinante na eliminatória com os alemães. Quantos jogadores com 21 anos (ou com qualquer idade) podem dizer que apuraram a sua selecção para a final de uma competição deste nível?
A Alemanha também fez um grande Europeu - e teve momentos brilhantes neste jogo - e a esmagadora maioria destes jogadores vai voltar a estar nesta fase e em finais de torneios. E este é o melhor elogio que se pode fazer a esta Itália: foi mais eficaz que estes alemães; foi competente defensivamente, nos limites do possível, perante a avalanche ofensiva alemã (com o bónus de ter conseguido responder em moeda semelhante, tal como fizera contra Espanha na ronda inaugural).
ps - às vezes, parece um sonho ler/ouvir palavras ditas no mundo do futebol real, infelizmente lá fora, longe da barreira de banalidade que mina o nosso, a este nível da comunicação. Prandelli sobre Balotelli, há uma semana: "Is Mario a foreign body on the team because he's in his own world a bit? That's how he is. But fundamentally he's a good lad. He has to take that extra step to become a champion, and he has to learn how to accept criticism and being on the bench, as well as the team asking something extra from him. The day that he realises that no one wants to do him any wrong and that we're here to help him is when he'll become a champion"
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A Alemanha também fez um grande Europeu - e teve momentos brilhantes neste jogo - e a esmagadora maioria destes jogadores vai voltar a estar nesta fase e em finais de torneios. E este é o melhor elogio que se pode fazer a esta Itália: foi mais eficaz que estes alemães; foi competente defensivamente, nos limites do possível, perante a avalanche ofensiva alemã (com o bónus de ter conseguido responder em moeda semelhante, tal como fizera contra Espanha na ronda inaugural).
ps - às vezes, parece um sonho ler/ouvir palavras ditas no mundo do futebol real, infelizmente lá fora, longe da barreira de banalidade que mina o nosso, a este nível da comunicação. Prandelli sobre Balotelli, há uma semana: "Is Mario a foreign body on the team because he's in his own world a bit? That's how he is. But fundamentally he's a good lad. He has to take that extra step to become a champion, and he has to learn how to accept criticism and being on the bench, as well as the team asking something extra from him. The day that he realises that no one wants to do him any wrong and that we're here to help him is when he'll become a champion"
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quarta-feira, junho 27, 2012
Balas perdidas e o euromilhões
Só há duas vertentes do jogo que estes fabulosos espanhóis não dominam em absoluto: balas perdidas e euromilhões. Paulo Bento montou a equipa - e muito bem - para potenciar as balas perdidas e o euromilhões. É muito interessante a conversa de que para combater esta Espanha é preciso posse de bola e ataque, mas toda a gente já o tentou e falhou, nos últimos 4 anos (a jogar a sério). Até os alemães, com o seu futebol pragmático, nunca se escondendo de atacar e assumir o jogo, acabam sempre encostados às cordas, com um número de ínfimo de remates.
Portugal jogou para contrariar o jogo espanhol. Abdicou completamente da construção apoiada, para organizar o ataque a partir de passes longos. São passes de risco do ponto de vista atacante (porque muitos são falhados, tornando-se óbvio que o risco de falhar é muito maior), mas são passes que, quando falhados, acabam do outro lado do campo, traduzindo-se em importantes balões de oxigénio defensivo (quando a defesa funciona bem, mecanizada e solidária, como foi o caso).
Não vejo qualquer sinal de fraqueza - pelo contrário, é inteligência - em mudar o cariz do nosso jogo (os espanhóis fizeram o mesmo quando perceberam que não estava a resultar o habitual), em matar-se um jogo (porque é contra esta Espanha) e entregar a sorte do mesmo às poucas oportunidades criadas/sofridas, principalmente quando temos do nosso lado o melhor jogador da Europa. Ronaldo não conseguiu aproveitar as poucas oportunidades que teve? Paciência. Iniesta e os outros também não. Passámos à segunda ronda do euromilhões e perdemos. Mas criámos uma táctica que nos permitiu discutir o jogo contra a melhor selecção do mundo e criar a dúvida no adversário e a incerteza no resultado. Parabéns aos finalistas e parabéns aos nossos bravos jogadores, em especial a Pepe e Moutinho (considerando todo o torneio).
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Portugal jogou para contrariar o jogo espanhol. Abdicou completamente da construção apoiada, para organizar o ataque a partir de passes longos. São passes de risco do ponto de vista atacante (porque muitos são falhados, tornando-se óbvio que o risco de falhar é muito maior), mas são passes que, quando falhados, acabam do outro lado do campo, traduzindo-se em importantes balões de oxigénio defensivo (quando a defesa funciona bem, mecanizada e solidária, como foi o caso).
Não vejo qualquer sinal de fraqueza - pelo contrário, é inteligência - em mudar o cariz do nosso jogo (os espanhóis fizeram o mesmo quando perceberam que não estava a resultar o habitual), em matar-se um jogo (porque é contra esta Espanha) e entregar a sorte do mesmo às poucas oportunidades criadas/sofridas, principalmente quando temos do nosso lado o melhor jogador da Europa. Ronaldo não conseguiu aproveitar as poucas oportunidades que teve? Paciência. Iniesta e os outros também não. Passámos à segunda ronda do euromilhões e perdemos. Mas criámos uma táctica que nos permitiu discutir o jogo contra a melhor selecção do mundo e criar a dúvida no adversário e a incerteza no resultado. Parabéns aos finalistas e parabéns aos nossos bravos jogadores, em especial a Pepe e Moutinho (considerando todo o torneio).
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terça-feira, junho 26, 2012
A perigosa aliança turco-espanhola
Um gajo tem que tirar um curso para compreender os sombrios meandros da arbitragem europeia. Hoje tivemos direito a conhecer uma nova teoria da conspiração - contra Portugal, claro - que se desenha para o encontro de amanhã: "Os responsáveis pela Seleção Nacional acolheram a notícia com surpresa e simultaneamente até com alguma revolta, atendendo às relações que são conhecidas nos meandros do futebol internacional e que identificam espanhóis a turcos em muitas situações em que “nuestros hermanos” saíram beneficiados". Facto agravado dado que o "líder da federação espanhola é também presidente do Comité de Arbitragem da UEFA".
Pensava, sinceramente, que era o malandro do Platini que mandava nestas coisas, mas já percebemos que agora é o não menos malandro Angel Villar que coordena o eixo do mal (sempre com consultoria de Pinto da Costa, obviamente). Collina deve ser uma espécie de Rui Costa dos árbitros (sem a parte dos túneis e das ameaças a dirigentes da Liga), é a única explicação.
Lá temos que ir ao historial dos internacionais turcos (os turcos todos, que beneficiam os espanhóis em "muitas" situações) para confirmar as más intenções por trás desta escolha infame. Vamos à história dos últimos 4 anos.
Pensava, sinceramente, que era o malandro do Platini que mandava nestas coisas, mas já percebemos que agora é o não menos malandro Angel Villar que coordena o eixo do mal (sempre com consultoria de Pinto da Costa, obviamente). Collina deve ser uma espécie de Rui Costa dos árbitros (sem a parte dos túneis e das ameaças a dirigentes da Liga), é a única explicação.
Lá temos que ir ao historial dos internacionais turcos (os turcos todos, que beneficiam os espanhóis em "muitas" situações) para confirmar as más intenções por trás desta escolha infame. Vamos à história dos últimos 4 anos.
Podemos afastar já Halis
Ozkaya, Yunus
Yildrim e Tolga Okalfa, que não apitaram jogos de equipas ou selecções espanholas nesse período. Depois temos Firat Aydinus que apitou um Espanha 3 x 0 Arménia (em sub 19), um Bulent Yildrim, que apitou um Sevilha 4 x
0 Karpaty Lviv e um Liechtenstein
0 x 4 Espanha. Ah pois. Estranho, não é?...
Depois, Huseyin
Gocek, juiz do Rennes 1 x
1 A. Madrid, do R. Checa 0 x 1 Espanha (em sub 17) e do Espanha 2 x 2 Bélgica (em sub17). Pois, dois empates para desviar as atenções. Roubadíssimos, claro. Mas o verdadeiro ladrão é o nomeado para o Espanha x Portugal, com um longo historial de malvadezas contra os adversários dos espanhóis, essa gente pouco habituada a ganhar nos últimos quatro anos, vamos decorar o seu nome (enquanto continuamos a repetir que Abel Xavier não fez penalty): Cuneyt Cakir.
Barcelona x Chelsea 2 x 2
Bilbao 2 x
1 M. United
Real Madrid
4 x 0 Lyon
Villarreal
0 x 2 Bayern
Villarreal
2 x 1 Nápoles
Rubin Kazan
1 x 1 Barcelona
Valencia 3 x 2 Génova
Espanha 3 x 1 Suíça (sub21)
Corunha 0 x 0 Hajduk
Não é demasiado evidente? O homem apita dois jogos internacionais do Barcelona, nos últimos quatro anos, e o Barcelona não consegue ganhar nenhum. Já temos culpado, com base profundamente científica, se for necessário.
ps - só uma questão para especialistas: não era mais fácil o Platini "ter escolhido" o compatriota Lannoy?
pps -peço perdão porque não tinha lido esta frase absolutamente fabulosa na capa do jornal A Bola: "Presidente do Comité dos árbitros é espanhol e vice-presidente é turco e amigo do Barcelona e da UNICEF". É determinante esta questão do amigo do Barcelona, como se vê nos jogos de cima. Agora, absolutamente imperdoável é que seja amigo da UNICEF... Não há limites.
pps -peço perdão porque não tinha lido esta frase absolutamente fabulosa na capa do jornal A Bola: "Presidente do Comité dos árbitros é espanhol e vice-presidente é turco e amigo do Barcelona e da UNICEF". É determinante esta questão do amigo do Barcelona, como se vê nos jogos de cima. Agora, absolutamente imperdoável é que seja amigo da UNICEF... Não há limites.
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O caminho espanhol
- Posse de bola insuperável, claro domínio nos remates, defesa quase impenetrável. É o que nos espera no encontro da meia-final. É o retrato da selecção espanhola nas fases finais, desde que iniciou a caminhada vitoriosa no Euro 2008: 28 golos marcados contra 6 sofridos, 287 remates efectuados contra 132 permitidos, em 17 jogos.
- São poucas as excepções a esta realidade: uma única derrota, contra a Suíça, no primeiro jogo para o Mundial 2010; apenas dois jogos com menos posse de bola (ambos durante o Euro 2008); uma única partida em que o adversário conseguiu fazer tantos remates como a Roja, contra o Chile.
- Só há aqui uma boa notícia para nós: o melhor marcador espanhol no período 2008-2010, David Villa, com 9 dos 20 golos marcados nesse período, não está cá e não tem substituto à altura (a má notícia é que marcam todos). Sim, porque com estes tipos raramente há boas notícias.
- Talvez, Ronaldo...
4x1 Rússia 17-10 46%
2x1 Suécia 13-7 63%
2x1 Grécia 17-9 56%
0x0 Itália 22-10 57%
3x0 Rússia 18-6 52%
1x0 Alemanha 12-3 48%
0x1 Suíça 24-8 63%
2x0 Honduras 22-9 56%
2x1 Chile 9-9 59%
1x0 Portugal 19-9 60%
1x0 Paraguai 16-9 60%
1x0 Alemanha 13-5 52%
1x0 Holanda 18-13 57%
1x1 Itália 18-10 60%
4x0 R. Irlanda 26-6 66%
1x0 Croácia 14-5 64%
2x0 França 9-4 55%
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segunda-feira, junho 25, 2012
Quase tudo ao contrário
Vimos italianos a atacar durante 120 minutos e ingleses a defender todo esse tempo... Era escusada a decisão nos penalties, quando tudo podia ter sido decidido bem antes. Só à conta de Balotelli... Ele não tem culpa. Quem tem culpa é quem insiste em pô-lo a jogar... Pelo meio, Proença fez mais uma excelente exibição e são os regulamentos - que não permitem que árbitros de selecções apuradas para as meias-finais prossigam em prova, algo que desconhecia - que o impedem de algo mais. Estamos em grande a jogar e a apitar, neste Europeu.
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domingo, junho 24, 2012
Espanha e frases
- Como era de esperar, é com os espanhóis que teremos de disputar o acesso à final. Espanha permitiu 4 remates aos franceses, sendo apenas um destes à baliza. Voltou a prescindir de ponta-de-lança, porque não precisa dele, bem pelo contrário: alguém se desmarca, passa e remata melhor do que Fabregas (ou qualuqe outro daquele meio-campo)? Tal como há 2 anos, agora nas meias-finais, vai ser muito difícil e um feito extraordinário, se conseguido.
- A ausência de Nasri no onze não ajudou, por certo, a que os franceses conseguissem ter bola e qualidade no passe. O médio brilhou noutro lado, dirigindo-se a um jornalista francês: "Escreves merda todos os dias (...) Filho da puta, como podes escrever que eu sou mal educado?". Realmente, que filho da puta, caralho, pá. Mal educado em que sentido?
- Mais frases bonitas na continuação da "excelente campanha para a modalidade": de um lado, o Sporting dá os parabéns à FPF pelo título; do outro, Ricardinho (duas vezes expulso nas finais, uma delas por agressão) defende que fizeram mil e uma injustiças ao Benfica. A modalidade agradece.
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- A ausência de Nasri no onze não ajudou, por certo, a que os franceses conseguissem ter bola e qualidade no passe. O médio brilhou noutro lado, dirigindo-se a um jornalista francês: "Escreves merda todos os dias (...) Filho da puta, como podes escrever que eu sou mal educado?". Realmente, que filho da puta, caralho, pá. Mal educado em que sentido?
- Mais frases bonitas na continuação da "excelente campanha para a modalidade": de um lado, o Sporting dá os parabéns à FPF pelo título; do outro, Ricardinho (duas vezes expulso nas finais, uma delas por agressão) defende que fizeram mil e uma injustiças ao Benfica. A modalidade agradece.
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sábado, junho 23, 2012
Impressionante exercício alemão
Deu para testar um trio atacante novo (com os 22 anos de Schurrle, os 23 de Reus e, mais tarde, os 20 de Gotze, enquadrados pelo eterno Klose) e para continuar a dominar, atacando velozmente, a um ritmo avassalador, parecendo fácil aquilo que esta gente consegue fazer a quase qualquer equipa. Mais impressionante ainda é a facilidade com que a Alemanha se regenera, gerando novas fornadas de jogadores extremamente talentosos e guiados por uma mesma visão colectiva que é extremamente rara de encontrar no futebol mundial, ainda mais quando estamos a falar de uma equipa tão jovem. Tenho a impressão que o primeiro drible exagerado foi de Ozil e já tinha passado o minuto 70, mas posso estar a exagerar.
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sexta-feira, junho 22, 2012
Bravo, rapazes!
Aquela primeira meia hora foi um susto, principalmente porque parecia não haver maneira de acabar, apesar de os checos não terem ameaçado com remates enquadrados com a baliza (o jogo todo, acrescente-se). O susto acabou com mais um corte magnífico de Pepe, quando Gebre Selassie ganhou o flanco rumo à área. Outra vez Pepe a um nível altíssimo e a ser decisivo. Depois, principalmente na segunda parte, foi um show ofensivo de Ronaldo e companhia, com o bónus determinante de não permitir quase nada ao adversário. Figo saltou como todos nós com o golo da vitória, mas também porque percebeu hoje que pode - finalmente - descansar, porque o testemunho de ser brilhante na selecção quando a selecção precisa já chegou a boas mãos.
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quarta-feira, junho 20, 2012
A Hora do Euro 2012 (11)
Pedro Proença apita o Itália x Inglaterra dos quartos-de-final; Howard Webb fica com o Portugal x República Checa; Rizzoli apita o Espanha x França e Skomina o Alemanha x Grécia. Kassai, Kuipers, Stark e Carballo já foram dispensados. Sobram ainda Lannoy, Cakir, Eriksson e Thomson.
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terça-feira, junho 19, 2012
Afiar facas
Alguém conhece ou ouviu falar de alguém que esteja a afiar facas e/ou a comprar cachecóis da República Checa? A única pessoa que teceu fortes críticas à preparação da selecção foi Manuel José, que, se não reparar que o espelho está à frente dele, começa a protestar consigo mesmo. E mesmo ele, com ou sem razão, na forma e no conteúdo, foi com o intuito de apresentar uma alternativa que - pelo menos, para ele - serve para melhorar o rendimento da selecção. De resto temos um país inteiro com a selecção, em casa, em espaços públicos, na Ucrânia (e a partir de amanhã na Polónia) jornalistas que se esquecem de o ser para elogiarem, defenderem e apoiarem a selecção, federação e jogadores a defenderem o seleccionador e os outros jogadores. Para quem - e para quê - foi aquilo? Podemos sempre suspender a liberdade de expressão, durante o Euro, claro. Mas a quem?
Afia-as para os checos e para os espanhóis, meu.
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Afia-as para os checos e para os espanhóis, meu.
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segunda-feira, junho 18, 2012
Fantástica vitória
A selecção foi superior em todos os aspectos do jogo, construindo uma vitória mais do que merecida e conseguindo uma qualificação incontestável para os quartos-de-final. O número e a qualidade de oportunidades criadas nesta partida foi impressionante; a selecção holandesa foi desmembrada pela pressão e posicionamento dos portugueses; a equipa esteve muito bem de uma ponta à outra; o contra-ataque funcionou na perfeição, em conjunto e não individualmente; Ronaldo conseguiu marcar dois golos decisivos (o primeiro após uma excelente assistência de João Pereira). Não é novidade que a selecção holandesa demonstrou fortes problemas de organização, vivendo quase em exclusivo do que conseguem os seus nomes. Mas alguém viu Van Persie ou Robben, por exemplo? Todos - tirando Van der Vaart à distância, mas também não se pode controlar tudo - foram subjugados por uma grande exibição colectiva, baseada em exibições individuais sem mácula.
Venha daí a República Checa e o seu lateral direito. Estes são o oposto da Holanda: o que há é colectivo.
master kodro
Venha daí a República Checa e o seu lateral direito. Estes são o oposto da Holanda: o que há é colectivo.
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sexta-feira, junho 15, 2012
França e Inglaterra
Dadas as limitações das selecções sueca e inglesa, era difícil termos um espectáculo maior do que o que nos foi oferecido: duas reviravoltas; golos com gestos técnicos fabulosos de Andy Carroll (ele que demora a justificar o balúrdio que o Liverpool pagou pelos seus préstimos) e Danny Welbeck; um insuperável Walcott que marcou um golo, fez a assistência para o golo da vitória e ainda tentou ofereceu outro que Gerrard não conseguiu meter lá dentro.
No outro jogo, os franceses continuaram com uma abordagem dominadora e paciente, demasiado paciente para meu gosto, e quando os ucranianos pareciam decididos a (acordar e) complicar-lhes a vida, trás-pás, dois lá dentro. Não percebi mesmo a saída de Yarmolenko. E temos uma final na última jornada, um Ucrânia x Inglaterra que promete ser um espectáculo (porque uns não estão habituados a ser obrigados a atacar e porque os outros não sabem defender).
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No outro jogo, os franceses continuaram com uma abordagem dominadora e paciente, demasiado paciente para meu gosto, e quando os ucranianos pareciam decididos a (acordar e) complicar-lhes a vida, trás-pás, dois lá dentro. Não percebi mesmo a saída de Yarmolenko. E temos uma final na última jornada, um Ucrânia x Inglaterra que promete ser um espectáculo (porque uns não estão habituados a ser obrigados a atacar e porque os outros não sabem defender).
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quinta-feira, junho 14, 2012
A Hora do Euro 2012 (8)
- Ficámos em excelente posição para seguir em frente, depois da vitória alemã com golos de Mario Gomez (que continua cheio de sorte, aparentemente). É de tal forma que até uma derrota por 1 de diferença com a Holanda pode ser suficiente para passarmos. Tendo em conta o grupo em que fomos sorteados e o que nos passou pela cabeça quando, ontem, Bendtner marcou o segundo golo, só temos razões para estarmos satisfeitos por estar nesta posição. Falta muito pouco para a Rússia, em princípio.
- É incompreensível o radicalismo a que se chegou em tudo o que é assunto relacionado com futebol, em blogs e imprensa. Não há argumentos nem factos, raramente há trocas de ideias, há inimigos que é obrigatório insultar. Em cada assunto quase só há lugar para dois lados da barricada, absolutamente opostos. O assunto do momento é Ronaldo. De um lado, há quem ponha seriamente em causa as qualidades de quem acabou de ser considerado o melhor jogador da liga espanhola. Do outro, não se aceita que alguém ouse criticar más exibições ou declarações aberrantes. É uma tristeza, uma catástrofe cultural.
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- É incompreensível o radicalismo a que se chegou em tudo o que é assunto relacionado com futebol, em blogs e imprensa. Não há argumentos nem factos, raramente há trocas de ideias, há inimigos que é obrigatório insultar. Em cada assunto quase só há lugar para dois lados da barricada, absolutamente opostos. O assunto do momento é Ronaldo. De um lado, há quem ponha seriamente em causa as qualidades de quem acabou de ser considerado o melhor jogador da liga espanhola. Do outro, não se aceita que alguém ouse criticar más exibições ou declarações aberrantes. É uma tristeza, uma catástrofe cultural.
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terça-feira, junho 12, 2012
Mais especializado é impossível
Para os gregos marcarem um golo é preciso que juntem os seguintes factores: um mau cruzamento/abertura para a área; nenhum atacante com possibilidades de rematar; um guarda-redes e um defesa com todas as possibilidades de recolherem/cortarem a bola; um choque entre o guarda-redes e o defesa; um remate de baliza aberta. Não é nada fácil e já lá vão dois. Outro momento interessante do jogo foi ver Rosicky, com bola, correr mais do que Karagounis sem ela.
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