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segunda-feira, setembro 06, 2010

Uma por dia (3)

Cronologia essencial

16 de Maio
Controlo anti-doping à selecção nacional na Covilhã
29 de Junho
Espanha 1 Portugal 0
5 de Julho Médicos da Adop prestam declarações (no inquérito do IDP)
10 de Julho
Despacho do Secretário de Estado
14 de Julho
Reunião e comunicado FPF (balanço Mundial - Queiroz fica; alterações previstas)
23 de Julho
Presidente da FPF recebe despacho do Secretário de Estado com inquérito Adop
24 de Julho
António Boronha divulga frase de Queiroz
19 de Agosto
Decisão da FPF
24 de Agosto
Avocação do processo pelo IDP
30 de Agosto
Audição do CNAD
30 de Agosto
Decisão do IDP

Surgem daqui várias questões.

1. Como é que se explicam os cerca de 50 dias que decorreram entre os acontecimentos e a audição dos médicos do Adop no inquérito original?

2. Ainda bem que os 3 médicos do Adop e o médico da FPF, Nuno Campos, 50 dias depois dos acontecimentos, tivessem mantido a memória fresca, ao ponto de conseguirem lembrar-se de todas as palavras ditas por Carlos Queiroz, palavra a palavra, e todos eles, ao contrário de Queiroz e Jones que tiveram dúvidas, conforme se pode ler na decisão final do IDP (isto é de uma importância determinante para quem já leu todo o documento - lá iremos um dia).

3. Como é que se explicam os 13 dias que decorreram entre o despacho do Secretário de Estado (que inclui um "Que, de imediato, se extraia cópia de todo o processado e remeta à FPF") e a sua recepção por Gilberto Madaíl (conforme descrito na decisão final do IDP)?

4. Porque é que é o Secretário de Estado que define no seu despacho: "Que, nos termos da alínea a), do n.º 1 do art.ª 48.º da Lei 27/2009, de 19 de Junho, se instaure processo de contra-ordenação contra o Seleccionador Nacional (...)"?

5. Porque é que António Boronha, no post que deu a conhecer a frase de Queiroz em primeira mão, sentiu necessidade de lançar suspeitas de ora Gilberto Madaíl, ora Amândio Carvalho, ora Laurentino Dias, terem dado a conhecer a existência do processo, através de um jornal de Joaquim Oliveira, quando ele próprio usou os seus meios e as suas fontes para dar a conhecer a frase de Queiroz no seu blog (com intuitos tão óbvios como os que aponta aos outros, até porque seriam os mesmos)?

6.
E agora reparem nesta notícia, publicada a 25 de Julho, no DN:

"Um dos médicos da selecção, Nuno Campos, que testemunhou e relatou no inquérito do IDP o comportamento de Queiroz na Covilhã, esteve para se demitir por duas vezes. Em causa, o mau ambiente entre o departamento médico e o seleccionador, que se agravou durante o Mundial. A saída de Nuno Campos, sabe o DN, só não se concretizou porque um dirigente da Federação lhe pediu que permanecesse, dando a entender que Queiroz poderia ser o primeiro a sair (...)

Ao DN, fonte federativa contou que Queiroz interferia no trabalho do departamento clínico (...)

A vontade de Carlos Queiroz em remodelar o departamento médico e afastar algumas pessoas que o compõem (Nuno Campos é um dos que estão na lista) foi assumida e tornada pública na última reunião da FPF. "A Direcção entende que se justificam algumas adequações em relação aos modos de funcionamento, nomeadamente da estrutura técnica, que serão analisadas com o Seleccionador Nacional", lia-se no comunicado saído da reunião. Nessa altura, Nuno Campos decidiu antecipar a saída e escreveu uma carta de demissão. Mas antes de formalizar o pedido, alguém lhe disse para a guardar e esperar uns dias."

Esta última reunião realizou-se a 14 de Julho, resultando na carta de demissão de Nuno Campos. Então:

6.1. Este Nuno Campos que se queria demitir antes de, alegadamente, ser demitido, foi o mesmo que corroborou ipsis verbis a versão dos médicos do Adop nos inquéritos do "Caso Queiroz"?

6.2. Que fonte federativa será esta que sabe e que informa jornalistas de que existe mau ambiente entre seleccionador e médicos, dizendo que Queiroz interferia no trabalho do departamento clínico? E com que objectivo?

6.3. Que fonte federativa é esta que tem conhecimento de uma carta de demissão de um médico da selecção e que o aconselha a guardá-la e esperar - pelo menos quatro dias depois do despacho do Secretário de Estado e necessariamente antes da recepção do despacho por Gilberto Madaíl, a 23 de Julho (a notícia foi publicada a 25)?

master kodro

quarta-feira, setembro 01, 2010

Uma por dia (2)

O inquérito Os nossos leitores-votantes pronunciaram-se durante 20 dias - sobre quem devia orientar a selecção na campanha para o Europeu - e o resultado, pouco claro, colocou Manuel José no topo das preferências, seguido de perto por Paulo Bento e com Carlos Queiroz a completar o pódio. Os três tiveram percentagens de voto inferiores a 20%. Não foi resultado que me espantasse. Muito mais me espantou que Manuel Cajuda e Luís Figo tivessem mais votos do que Luiz Felipe Scolari... Mas foi um resultado interessante, principalmente tendo em conta tudo o que se ouve como razão para a saída de Queiroz.

Paulo Bento Em segundo lugar ficou Paulo Bento, um nome bem visto por algumas figuras de peso. Ora reparem na seguinte frase escrita num artigo do JN: "Paulo Bento tem "o perfil ideal", segundo uma fonte federativa revelou ao JN, para suceder a Carlos Queiroz no comando da selecção nacional". Uma, como tem havido tantas nos últimos tempos (ou será sempre a mesma?), fonte federativa revelou esta informação a um jornalista. Outras fontes, que também trabalham para a federação, têm revelado aos jornalistas coisas tão importantes como o facto de Queiroz não querer que os jogadores comam canja com ovos, a insuportável separação entre mesas à hora de jantar que não permite que, num estágio do Mundial, os técnicos dos equipamentos convivam com os jogadores (eles têm saudades uns dos outros), ou o que se passa dentro das próprias reuniões da FPF (sem esquecer a cona-da-mãe do outro).

Eu estou a imaginar o Paulo Bento caça-bufos a lidar com uma realidade destas... Verdade seja dita que experiência de castigos tem muita. Títulos, tem poucos (por favor não falem em taças e supertaças porque isso Queiroz também tem). Minto, tem um, nos juniores. Não é mundial, mas é nacional e olhem que não é fácil ganhar um título de juniores no Sporting... Sinceramente, não sei que raio de perfil ideal é o que a fonte federativa aponta. A não ser que se pretenda um perfil de continuidade. Assim sendo, faz sentido. Mas para isso...

Manuel José O grande vencedor do inquérito, então, bate a concorrência aos pontos. Se estamos fartos das polémicas de Queiroz, nada melhor do que um Manuel José para interromper o ciclo. Mas já lá vamos, porque antes temos que falar na carreira de um dos mais ferozes críticos de Queiroz durante a campanha para o Mundial. Uma carreira bizarra. Conseguiu passar pelo Sporting e pelo Benfica sem ganhar nenhum título, mas ganhou-os pelo Boavista (ou melhor, não, se adoptarmos o critério de que taças e supertaças não contam). Sporting, Benfica, Braga, Boavista, Espinho, Leiria, Marítimo, Belenenses. Népia. Até que chega a aventura africana. Ganhou 4 Ligas dos Campeões Africanos (conferindo ao Al-Ahly a liderança continental, dado que até então só tinha ganho 2 vezes, ultrapassando os também egípcios do Zamalek). Já campeonatos do Egipto, ganhou 3.

Experiência de selecções só teve uma, há pouco tempo. Em Angola, enquanto país organizador do último CAN. Os angolanos que se tinham ficado pelos quartos-de-final da edição anterior... voltaram a ficar-se pela primeira eliminatória depois da fase de grupos. Isto faz-me lembrar qualquer coisa. Perderam por 1x0 contra os favoritos do Gana. Caraças... O Gana foi o vence... não, não, foi o finalista vencido da competição. Porque o vencedor foi o... Egipto (pela terceira vez consecutiva e sétima da sua história, sendo a selecção que mais títulos tem). Angola também foi notícia pelo jogo da fase de grupos em que, estando a ganhar por 4x0, se deixou empatar 4x4.

Mas também por outras coisas (recorda-se que Manuel José esteve lá sete meses). O caso Manucho, por exemplo. Uma das estrelas da companhia chegou atrasado a um estágio e Manuel José castigou-o deixando-o de fora das convocatórias seguintes. O regresso estava dependente de um pedido público de desculpas. Manucho fê-lo, mas não da forma mais correcta para Manuel José:

"
Ele pensa que tem razão com relação ao passaporte e não é verdade, porque poderia passar a fronteira de carro ou a pé. Chamou-me de mentiroso. Manucho é um assunto encerrado."

Não era. Com o presidente da Federação a interceder por Manucho, coiso e tal, e o Manucho foi mesmo ao CAN. E o Mantorras também. Mas a minha preferida foi anterior a esta. Por favor, reparem só nesta pequena maravilha (eu já li isto 5 vezes e ainda não consegui parar de rir):

"O seleccionador nacional, Manuel José, criticou ontem a não utilização do extremo-esquerdo Amâncio, pela equipa técnica do Recreativo do Libolo. O técnico dos Palancas, que pede maior colaboração dos treinadores, diz não compreender como jogadores convocados para a selecção são preteridos nas respectivas equipas.
“Jogar na selecção dá moral aos jogadores. Vir a selecção eleva o nível de rendimento destes atletas”, disse Manuel José, justificando as razões que o levaram a chamar para os jogos de preparação dos Palancas atletas pouco utilizados pelas equipas.
“Como o nosso leque de opções é muito curto, optámos por chamar alguns jogadores menos utilizados e os treinadores ficaram todos eles felizes da vida, menos o do Libolo, porque é parvo, e não percebe que aquilo que fizemos com o Amâncio representa um grande prémio ao rendimento do atleta
"

Não sei se estão a imaginar... Mesmo depois dos títulos no Egipto, Manuel José também lá deixou impressões fortes cravadas graças ao seu tacto diplomático: "Numa entrevista publicada recentemente pela revista desportiva “Super”, dos Emirados Árabes Unidos, Manuel José terá descrito os jogadores egípcios como “tontos que nunca aprenderão”. Os que lhe deram os títulos que tem na carreira. Não sei.

master kodro

terça-feira, agosto 31, 2010

Uma por dia

(não sabes o bem que te fazia) A partir de hoje, é uma por dia, dedicada aos "amigos" de Carlos Queiroz. Porque isto já ultrapassou todos os limites.

Ponto prévio: o CNAD é o órgão consultivo do ADOP que dá pareceres a propostas de castigo desta natureza (mais ou menos desta natureza, aliás). A 8 de Junho, o CNAD reuniu e emanou o seguinte:

"Parecer CNAD N.º 34/2010
Parecer prévio relativo à proposta de sanção disciplinar.
(N.º 1 do Artigo 63.º da Lei n.º 27/2009, de 19 de Junho e Artigo 33.º da Portaria n.º 1123/2009, de 1 de Outubro)

Processo com o código PRETÓRIO, amostras “A” e “B” 395137, cujas análises confirmaram a presença de canabinóides, no decurso de um controlo de dopagem em competição realizado em 13/02/2010, na modalidade de Futebol.

Propõe a federação que se aplique uma pena de suspensão de 6 meses a 2 anos, de acordo com o previsto no artigo 10.º, n.º 1, alínea a) do Regulamento do Controlo Antidopagem da Federação Portuguesa de Futebol, ainda aplicável por força do n.º 3 do artigo 76.º da Lei n.º 27/2009, de 19 de Junho.

Atendendo por um lado aos argumentos apresentados pela Federação e pelo praticante desportivo, nomeadamente o facto de não ter havido intenção de melhorar o seu rendimento desportivo, o facto de a substância em causa estar descrita na Lista de Substância e Métodos Proibidos como substância específica, o facto de o praticante desportivo ter colaborado na descoberta da forma como foi violada a norma antidopagem e o facto de não se tratar de um desporto motorizado, sem os riscos especiais associados à prática desses desportos; e atendendo por outro lado à necessidade de harmonizar as sanções aplicadas pelas diferentes federações desportivas relativamente ao mesmo tipo de violações de normas antidopagem, aplicando assim o Principio da Equidade, o CNAD recomenda para o caso em apreço a aplicação de uma sanção a determinar de entre uma advertência a um mês de suspensão da prática desportiva, na condição de o praticante desportivo em causa se submeter a um follow up – segundo as recomendações do CNAD para procedimentos de detecção, follow up e sancionamento para canabinóides
."

Para a próxima já sabes, Carlos: enrolas uma, dizes aos gajos para irem fazer o controlo para o caralho mais velho (tem o mesmo efeito que pretendias e assim o menino já não faz birra) e em vez de te aumentarem a pena 6 vezes, este organismo que tanto gosta de aplicar princípios de equidade, vai diminui-la 6 vezes, ou mesmo dar-te uma pancadita nas costas e dizer-te: "Fumar ganzas não é inteiramente correcto, cidadão... A jogar à bola todo fodido, hã? Ah, juventude irreverente!..."

Depois de fumares a ganza, já os podes mandar fazer o controlo para a cona da mãe do menino, porque então dizes que foi da ganza e, desde que não estejas a conduzir, pelos vistos, não há problema. Mas diz sempre como é que a fizeste, porque atenua a pena.

ps - Agora, a sério, devias agradecer ao menino por te terem atenuado a pena. Foram queridos e a selecção agradece. A selecção e todo o mundo desportivo, que ficou mais limpo de doping depois desta sanção justíssima. Olha, a propósito, vou fazê-la. Queres?

master kodro

sexta-feira, agosto 20, 2010

Queiroz

Um mês suspenso e multa de mil euros, por injúrias. É pouco? É muito. Insultos e impropérios são o pão-nosso-de-cada-dia no mundo do futebol. E só pessoas de má fé acham que a história da "c... da mãe" "perturbou" um profissional do anti-doping ao ponto de "travar" o controlo...

Naturalmente, a brigada anti-Queiroz protesta, agarrando-se ao novo "processo" (mais uma charada qualquer por causa de críticas a um burocrata da FPF). O líder do grupelho, António Boronha, exprime a sua indignação e fala em "falência ética" na Federação. Tem piada, vindo de quem anda há meses a orquestrar a queda de Queiroz e a celebrar os inêxitos da Selecção no quadro de uma vendetta pessoal contra Madaíl. Tal como tem muita graça assistir ao surgimento destas virgens ofendidas, que há escassos dois anos tinham por modelo um treinador que agrediu a soco um adversário, em pleno relvado.

Infelizmente, temo que a quadrilha chegue a bom porto. O terreno está tão minado que a Queiroz não restará senão abandonar o barco, a breve trecho. Até porque Scolari está prestes a ser dispensado do Palmeiras (depois de devidamente corrido do Chelsea e do Uzbequistão), e o referido bando não hesitará em encetar nova campanha a favor do seu técnico de estimação. Por uma questão de ética, claro.

katanec

quarta-feira, agosto 11, 2010

Imparáveis

No CM, diz-se que o "lóbi do Porto pressiona Madaíl". Não sei se Luís Filipe Vieira, Luís Figo ou Alex Ferguson fazem parte do lóbi do Porto... Mas sei o que é que um título desta natureza provoca na opinião pública. É só mais um. Isso e o "fraco resultado no Mundial" e "as selecções jovens não terem evoluído". Já no DN, cujo dono é dos membros do "lóbi do Porto", diz-se que "os dirigentes receiam que Madaíl e CD se deixem intimidar com a defesa do técnico". O homem que foi alvo de um processo sem ser ouvido, numa primeira fase, que foi julgado na praça pública sem ser ouvido e sem ter podido apresentar a sua defesa, numa segunda fase, que foi ameaçado de rescisão com justa causa nos jornais, quando apresenta a sua defesa, que é uma faculdade que a lei lhe confere, e a que durante 2 meses não teve acesso, está a intimidar um órgão judicial e o presidente da Federação e não apenas a apresentar os seus argumentos. Eu não sei se os jornalistas pensam antes de escreverem estas coisas, mesmo que estejam a transmitir recados, mas tenho dúvidas que o façam.

master kodro

terça-feira, agosto 10, 2010

Ainda o processo Queiroz

1. Este artigo do DN, já com uns dias, é excelente: a reunião para decidir a demissão de Queiroz que era uma mera formalidade passa a eventual permanência; a unanimidade na direcção da FPF passa a maioria. Melhor ainda, com a hipótese de Queiroz ficar, quem anda a fazer tudo para que ele seja demitido continua a mandar recados. Desta vez há ameaça de que se Queiroz fica, vários membros da direcção da FPF se demitem. E é mesmo uma ameaça: "Para que tal venha a verificar-se é necessária a demissão de cinco dos nove membros que integram aquele órgão. E face ao posicionamento da maioria dos elementos relativamente ao caso Queiroz - defendem a demissão do treinador - a falta de quorum e a consequente queda da direcção apresenta-se como um a hipótese bem real. O presidente da FPF, sabe o DN, já foi avisado para tal cenário". A pressão serve para meter medo a Madaíl a propósito da decisão sobre o Mundial 2018, o que dá uma imagem de absoluta irresponsabilidade de quem a exerce.

2. Por falar nisso, chega a ser comovente como um ex-vice da federação, que de lá saiu envolto em polémica, insultado e a insultar, a demitir-se e a não afastar a hipótese de se candidatar à presidência, que se tem desdobrado em entrevistas na TV, nos jornais e nas revistas, chegou à seguinte conclusão, no sábado: "independentemente do resultado final deste 'jogo', que de cavalheiros tem muito pouco, uma coisa parece-me iniludível: a selecção de todos nós, a semanas de iniciar a sua qualificação para o 'europeu' de 2012, poderá estar prestes a perder essa aposta de uma forma inaceitável! o que, diga-se em abono da verdade, pouco parece preocupar estes senhores. todos eles!"

Eles, eles... Desde sábado, o ex-vice da FPF,
que de lá saiu envolto em polémica, insultado e a insultar, a demitir-se e a não afastar a hipótese de se candidatar à presidência, que se tem desdobrado em entrevistas na TV, nos jornais e nas revistas, que divulgou algo sobre este processo a que só alguns intervenientes têm acesso, só fez 5 posts em que ataca Queiroz, de alguma forma. Também vamos ver como é que o tem feito.

master kodro

sexta-feira, agosto 06, 2010

Pena máxima, por favor

Já sabemos qual é a base para a acusação de Queiroz no tal artigo. Sílvia Freches, do DN, novamente na vanguarda da informação:

"O DN sabe que a acusação de perturbação da acção dos responsáveis da Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP) é reforçada pelo testemunho de um dos médicos que visitaram a selecção na Covilhã. Quer no relatório feito pelo Instituto do Desporto de Portugal quer no processo de averiguações do Conselho de Disciplina, o médico afirmou que não acabou de preencher o relatório dos controlos efectuados no estágio, a 16 de Maio, porque ficou perturbado com as declarações de Carlos Queiroz."

Eu peço, não, não, exijo, pena máxima, ou seja 4 anos. Aliás, toda a gente sabe que quem fez a legislação anti-doping estava mesmo a pensar nestas situações inqualificáveis quando enquadrou a perturbação da acção dos responsáveis pelas recolhas. Nuno Ribeiro, ciclista, vencedor da última Volta a Portugal a quem foi retirado o título, foi castigado por 2 anos por uso comprovado de EPO. Queiroz, se for considerado culpado, incorre numa pena mínima de 2 anos.

Parece-me bem. O senhor não conseguiu acabar de preencher o relatório, porque Queiroz o obrigou a pensar na cona da mãe do chefe. Um pensamento tenebroso e incapacitante, presume-se.

master kodro

quinta-feira, agosto 05, 2010

Braga e Horta

Celtic 2 x 1 Braga Não houve inferno na Escócia, não houve massacre, nem nada que se pareça. Foi uma exibição serena do Braga, com Alan em grande destaque, que matou a eliminatória logo aos 20 minutos, através de uma de muitas danças (e assistência) de Alan para Paulo César. O Celtic tinha que marcar 5, mas Mário Felgueiras limitava-se a agarrar cruzamentos, enquanto também Matheus causava pânico na defensiva contrária. O Celtic ainda deu a volta ao marcador, mantendo o seu impressionante registo caseiro, mas o Braga ficou com o sonho.

Queiroz incompetente Como sabemos, vários media já terminaram o julgamento ao seleccionador nacional, com base no artigo que define que constitui contra-ordenação "A obstrução, a dilação injustificada, a ocultação e as demais condutas que, por acção ou omissão, impeçam ou perturbem a recolha de amostras no âmbito do controlo de dopagem". Já desconfiava que seria difícil esse enquadramento. Ontem Luís Horta confirmou-o: "A equipa chegou às oito da manhã e os atletas começaram a ser controlados a partir das 08:15". Aparentemente, Queiroz não impediu nem perturbou a recolha de amostras. Sílvia Freches,do DN, uma das grandes informadoras sobre o processo já abre a possibilidade de um eventual castigo ser apenas relativo a injúrias. E descobriu que o que nos foi vendido como uma "mera formalidade" ou "pro forma", se transforma num processo que termina, na melhor das hipóteses, no fim do mês, dois ou três dias antes do início da qualificação para o Europeu. Uau.

master kodro

domingo, agosto 01, 2010

José Carlos Freitas de volta!

Com um texto extraordinário. Reparem nesta passagem:

"O cenário previsível é que as duas entidades (IDP e CD da FPF) proponham a aplicação das penas máximas previstas nos respetivos regulamentos (3 anos de suspensão no primeira caso, 2 anos no segundo), o que servirá de argumento à direção da FPF para desencadear o processo de despedimento com justa causa."

Eu juro que nunca vi nada assim. Se um insulto vale a pena máxima, imagino se agredisse os médicos, lhes partisse os equipamentos de recolha e escondesse os jogadores em abrigos anti-nucleares...

Como diz hoje o chefe da comitiva da selecção de que José Carlos Freitas era o assessor de imprensa: " alguém nos anda a querer lançar uma nuvem de poeira para os olhos". Pois anda e tu és um deles.

master kodro

sexta-feira, julho 30, 2010

O processo K(u)eiroz

Está anunciada para esta tarde a reunião da direcção da FPF sobre o assunto Queiroz/Luís Horta, que, segundo alguns media, pode determinar a demissão de Carlos Queiroz. Tal como disse ao Shankly numa caixa de comentários, mantenho todas as minhas dúvidas sobre este processo, sobre os seus procedimentos, enquadramentos e intenções. Tenho dúvidas de naturezas distintas, umas mais importantes do que outras (e são dúvidas):

1. Como é que se pretende enquadrar um mero insulto a alguém que não estava presente (é o que sabemos que aconteceu) num artigo que sustenta que constitui contra-ordenação "A obstrução, a dilação injustificada, a ocultação e as demais condutas que, por acção ou omissão, impeçam ou perturbem a recolha de amostras no âmbito do controlo de dopagem, desde que o infractor não seja o praticante desportivo"?

2. De acordo com a legislação, a instrução dos processos de contra-ordenação é da competência do ADoP e a aplicação das coimas da do seu presidente. Dois meses depois, ouvida toda a gente (ou quase...) ainda não há decisão e coima?

3. A que propósito é que foi a Secretaria de Estado do Desporto a servir de intermediária entre o ADoP e a FPF para a tramitação do processo? Não encontrei na lei nada que faça menção à intervenção do Governo no processo, nem a declarações públicas sobre graus de gravidade sobre o mesmo, enquanto este decorre.

4. Ainda duvidando do enquadramento, mas dando de barato que o vão fazer, para além da contra-ordenação, pode existir (?) um ilícito disciplinar. A aplicação de sanções disciplinares compete ao ADoP e encontra-se delegada nas federações desportivas titulares de estatuto de utilidade pública, "a quem cabe igualmente a instrução de processos disciplinares". Um dos princípios gerais dos regulamentos federativos antidopagem é o seguinte: "Ao praticante e demais agentes desportivos indiciados pela infracção aos regulamentos devem ser asseguradas as garantias de audiência e de defesa". Foram asseguradas? Vão ser? Ainda antes do início do apuramento para o Europeu?

5. Outro princípio geral dos regulamentos federativos antidopagem é o que diz que "A todos os que violem as regras relativas à confidencialidade do procedimento de controlo de dopagem devem ser aplicadas sanções". Quer "as pessoas que desempenham funções no controlo de dopagem" quer "os dirigentes, membros dos órgãos disciplinares e demais pessoal das federações desportivas" estão sujeitos ao dever de confidencialidade referente aos assuntos que conheçam em razão da sua actividade. A razão sei-a, mas quem é que não cumpriu com este dever, encontrando-se um processo a decorrer, e permitindo que jornalistas e bloggers (!) tenham acesso a informações do processo? É perguntar ao António Boronha, que se sente bem na pele de divulgar estas coisas (ainda bem para todos nós que ficamos a saber mais). Entretanto o "julgamento" continua nos órgãos de comunicação social.

6. Relativamente à questão da justa causa para despedimento com base no Código do Trabalho, é uma questão de ler e desejar boa sorte a quem o pretende invocar:

"Artigo 396.º
Justa causa de despedimento
1 - O comportamento culposo do trabalhador que, pela sua gravidade e consequências, torne imediata e praticamente impossível a subsistência da relação de trabalho constitui justa causa de despedimento.
2 - Para apreciação da justa causa deve atender-se, no quadro de gestão da empresa, ao grau de lesão dos interesses do empregador, ao carácter das relações entre as partes ou entre o trabalhador e os seus companheiros e às demais circunstâncias que no caso se mostrem relevantes.
3 - Constituem, nomeadamente, justa causa de despedimento os seguintes comportamentos do trabalhador:
a) Desobediência ilegítima às ordens dadas por responsáveis hierarquicamente superiores;
b) Violação dos direitos e garantias de trabalhadores da empresa;
c) Provocação repetida de conflitos com outros trabalhadores da empresa;
d) Desinteresse repetido pelo cumprimento, com a diligência devida, das obrigações inerentes ao exercício do cargo ou posto de trabalho que lhe esteja confiado;
e) Lesão de interesses patrimoniais sérios da empresa;
f) Falsas declarações relativas à justificação de faltas;
g) Faltas não justificadas ao trabalho que determinem directamente prejuízos ou riscos graves para a empresa ou, independentemente de qualquer prejuízo ou risco, quando o número de faltas injustificadas atingir, em cada ano civil, 5 seguidas ou 10 interpoladas;
h) Falta culposa de observância das regras de higiene e segurança no trabalho;
i) Prática, no âmbito da empresa, de violências físicas, de injúrias ou outras ofensas punidas por lei sobre trabalhadores da empresa, elementos dos corpos sociais ou sobre o empregador individual não pertencente aos mesmos órgãos, seus delegados ou representantes;
j) Sequestro e em geral crimes contra a liberdade das pessoas referidas na alínea anterior;
l) Incumprimento ou oposição ao cumprimento de decisões judiciais ou administrativas;
m) Reduções anormais de produtividade.
"

7. Por fim, o tratamento "jornalístico". Esta notícia, assinada por um director-adjunto de Record, e que vem no seguimento de diversos recados, normalmente assinados por José Carlos Freitas, menciona uma proposta razoável e generosa da FPF, para além de referir que "é intenção de Madaíl e Queiroz evitar tal conflito e fechar o dossiê sem mais polémicas." e que "Madaíl vai propor a rescisão amigável e Queiroz deverá aceitá-la.". Acrescenta que "O selecionador, que continua de férias em Moçambique, não encontra apoios não apenas entre os elementos da direção da FPF mas também na estrutura federativa. É um homem isolado com a sua equipa técnica pelo que este é mais um dos argumentos que empurram Queiroz para fora da federação"

Melhor ainda: "A decisão está tomada: o futuro da Seleção Nacional não passa por Carlos Queiroz. Agora é só uma questão de saber se o assunto se resolve a bem ou a mal. A reunião de amanhã na Federação Portuguesa de Futebol (FPF) será uma mera formalidade."

À noite, Queiroz desmentiu tudo o que dependia dele e o director-adjunto, que escreveu sobre o que não sabia, escreveu um artigo de opinião a falar em "Saída digna". A notícia era um recado. Mais um. E eu que pensava que um jornalista transmitia notícias.

Tenho muitas dúvidas, ainda. E Setembro, com o início da qualificação para o Euro 2012, está ao virar da esquina.

master kodro

terça-feira, julho 27, 2010

Boas!

1. Enquanto os adeptos salivam com os golos magníficos de Aimar, Hulk ou a trivela de Diogo Salomão, esta semana vai trazer-nos - finalmente! - competição a sério. Braga, Sporting e Marítimo (que já eliminou o Fingal, com duas vitórias) defendem as cores portuguesas nas competições europeias. Começa o Braga, com o Celtic, amanhã.

2. Depois das brilhantes prestações da selecção de voleibol e dos sevens do rugby, começou o Europeu de atletismo, com um brilhante bronze de João Vieira a abrir.

3. Também a arder está o anunciado processo de despedimento de Carlos Queiroz por justa causa, por invocar a cona da mãe de pessoas ausentes. Os jornalistas e editores têm feito os maiores esforços (às vezes até fazem algo parecido com informação) para arranjar um novo seleccionador a pouco mais de um mês do início do apuramento para o Europeu.

4. O 442 está a preparar as contas da Liga Zandinga do ano passado. Vergonha, vergonha... Este ano vai haver mudanças drásticas na competição principal (que passou a secundária...). A Taça da Liga Xanana e a Taça Astrocosmo vão ficar na mesma.

master kodro

terça-feira, julho 20, 2010

Curtas

1. O "caso" Nani resumido, uma semana depois do fim do Mundial: "Comecei a treinar sem limitações com a equipa há um par de dias e sinto-me muito bem" (...) "A minha condição física está cada vez melhor e espero jogar esta semana".

2. Acho que está na hora de darmos os parabéns à arbitragem portuguesa, em especial a Olegário Benquerença. No mesmo ano, foi mais longe nas competições europeias do que qualquer clube português e foi mais longe do que a selecção no Mundial.

master kodro

segunda-feira, junho 28, 2010

Portugal (de Queiroz), o hiper-defensivo

Confesso que estou baralhado com alguns conceitos que me têm aparecido à frente. Expressões como "autocarro", "retranca" e "à grega" foram usadas na caixa de comentários do 442 (nem imagino o que andará por aí fora) para ilustrar a exibição de Portugal contra o Brasil - e não só. Paralelamente, li elogios à mestria táctica de Eriksson (obviamente em contraponto à inépcia queiroziana) no jogo da Costa do Marfim contra Portugal.

Li, novamente nos comentários do 442, que jogámos com quatro centrais, dois laterais esquerdos e dois trincos contra o Brasil. Confesso que esta última foi a minha leitura preferida, principalmente a parte dos laterais, porque a dos centrais já tem barbas e a do Tiago-médio-de-contenção já se sabia que ia funcionar, assim que foi lançada num jornal, como aqui descrevi. Devo, desde já, eleger Tiago como o melhor trinco que passou pelo futebol português, quando marcou 13 golos numa época no Benfica, mas isso é só um pormenor certamente insignificante.

Do que gostei mesmo foi dos laterais Fábio Coentrão e Duda (por esta ordem de ideias, com 8 golos e 7 assistências na Liga espanhola desta época, estamos diante de um sério rival de Roberto Carlos na história do futebol espanhol), que, por acaso, se bateram no flanco com Maicon e Daniel Alves. Extremos, por certo (como se isso interessasse para alguma coisa).

Mas o que me intriga é se toda esta neblina defensiva tem suporte em algo de palpável. Presumindo que ninguém está triste por estarmos numa série respeitável de jogos sem perder e sem sofrer golos, presumindo que sabemos todos o que é que quer dizer jogar contra o Brasil, em competição, e fazê-lo com necessidade de pontuar para passar sem sobressaltos, vamos a alguns dados estatísticos. Podemos discordar da forma como são medidos e apreciados, mas sabemos que o são de igual forma para todos. Podemos dizer que não são a melhor forma de ilustrar a realidade, ao que respondo que são uma das únicas em que o preconceito não entra. Por favor, façam uma leitura de todos os dados em conjunto e não de apenas um.

Golos marcados Portugal acabou a fase de grupos como o melhor ataque do Mundial, a par com a Argentina. A meio dos jogos dos oitavos-de-final, sem termos jogado, ainda somos a terceira selecção com mais golos marcados. Foram todos com a Coreia do Norte? Foram. Fomos os únicos a jogar contra a Coreia do Norte? Não.

Remates No fim da fase de grupos (para nós), 14.º lugar entre 32 selecções, lembrando que oito já fizeram o jogo dos oitavos-de-final (não tive tempo para fazer as contas). Das 24 que ainda não jogaram (ou não jogarão) os oitavos-de-final, 5 têm mais remates do que nós, incluindo o ofensivo Chile (com mais três) ou a deliberadamente ofensiva Espanha (com mais 9, 3 por jogo). A Holanda tem menos quatro e, por exemplo, o Paraguai tem menos 10 (isto para não falar nos também qualificados Japão e Eslováquia, com menos 16 e 17, respectivamente).

Ataques Novamente 14.º, novamente com oito selecções que já fizeram os jogos dos oitavos (aqui, com a particularidade de os Estados Unidos, mesmo com mais 120 minutos, não terem feito mais ataques do que nós). O atacante Chile continua com mais 3, a Holanda tem menos 7 que nós.

Bolas entregues na área (jogáveis, obviamente) 10.º lugar, ou 5.º se apenas considerarmos as selecções que ainda não jogaram nos oitavos (atrás de Espanha, Itália, Camarões e Chile). Chamo a atenção que não estamos a tentar medir se elas são imprescindíveis, aproveitadas, de qualidade, ou não, mas apenas se Portugal joga à defesa, ou não.

Porrada Autocarro que se preze, dá traulitada (tirando os rapazes da Coreia do Norte). Alerto para um raciocínio inverso ao das anteriores variáveis, para as oito selecções que têm um jogo a mais - e aqui destaco a Alemanha que, mesmo assim, tem menos faltas cometidas do que nós. Das 24 que ainda não jogaram, cinco fizeram menos faltas do que nós. A Holanda fez mais 4 e o Chile mais 19, para usar as selecções que serviram de modelo nos índices anteriores (uma por ser tradicionalmente ofensiva, outra por ser quase unanimemente considerada uma das mais ofensivas deste Mundial).

E deixo uma pergunta: considerando que, tal como os outros, não jogamos sozinhos; considerando que nos devemos comparar aos outros, porque é com eles que competimos; considerando que nem todos jogaram contra a Coreia do Norte e que nem todos jogaram contra o Brasil; onde é que está a retranca?

Começámos o Mundial contra o nosso adversário directo para a qualificação, que apresentou uma estratégia defensiva que nos criou dificuldades e mostrou valor para nos estragar a estreia e o Mundial. Queiroz concedeu o empate pretendido pelo adversário e devolveu, como favorito: agora façam melhor do que nós contra a Coreia e contra o Brasil. Faz o melhor resultado da selecção em fases finais e anula o jogo contra um real favorito ao título (que acabou o jogo com tantas dificuldades como nós sentimos contra a Costa do Marfim). Isto não é retranca. Isto é estratégia. Aliás, a única possível, dada a conjuntura, se o objectivo for ter algum tipo de sucesso. Com a mitologia agregada a algumas das intervenções que vou lendo, fico na dúvida se é esse o objectivo, porque não são opções que são criticadas.

ps - Aqui no 442, sentimo-nos - os três - muito confortáveis com as nossas posições sobre os dois últimos seleccionadores. Foram sempre criticadas as opções e os critérios, ferozmente criticadas em ambos os casos, quando foi caso disso. Mas esta conversa fica para outra altura, apesar do que também se vai lendo a este propósito. A seu tempo.

master kodro

sábado, junho 26, 2010

Portugal, os cínicos e o Mundial

Pensava que os mais recentes acontecimentos iriam travar os cínicos, mas a julgar pelo que se vai lendo, enganei-me. Tinha boas razões para ter essa convicção. Afinal de contas, falo de gente que passou meses a anunciar a morte da selecção nacional, depois da derrota com a Dinamarca, depois do empate com a Albânia, depois do empate com a Suécia (com o mítico "Adeus África"), que não acreditava na ida ao playoff (íamos ser "o pior segundo"), que não acreditava na vitória contra a Bósnia. Que não acreditava, até ter de acreditar, porque Portugal apurou-se mesmo.

Refeitos da desilusão, os cínicos regressaram em força. Que o Mundial ia ser uma vergonha. Que o Drogba mete uns cinco ao Eduardo. Que saía goleada contra o Brasil. Que caminhávamos para mais um "2002". Pior, que ia ser uma repetição de Saltillo! Ao primeiro jogo (natural empate com um adversário directo), readquiriram força: "perdemos margem de manobra", eliminação à vista, nem um milagre nos salva. "Estou a cair para o lado daqueles que já pouco ou nada acreditam nas nossas possibilidades", escreveu o campeão do cinismo blogosférico português (num post de antologia). Dias depois, 7-0 à Coreia. Chatice. Mas contra o Brasil, ai contra o Brasil, abandonem os barcos, protejam mulheres e crianças, que vai ser um descalabro! Olha, deu empate...

E agora, que Portugal se apurou, sem derrotas, sem golos sofridos, cumprindo plenamente o mínimo exigível? Agora, claro, malha-se no miserável do Queiroz que "nos pôs a jogar à defesa" e que por isso nos levou a encontrar a poderosa Espanha. Repare-se na incoerência do argumento: tínhamos de ter arriscado, para ganhar ao Brasil e assim evitar a Espanha. É como dizer que para aguentarmos água a ferver o melhor é dormirmos numa lareira acesa...

Deixemo-nos de brincadeiras. Primeiro: Portugal não sabia quem ganharia o grupo H, pelo que não era possível "escolher" o adversário. Segundo: actuávamos contra uma das melhores equipas do mundo (tão favorita quanto a Espanha, caramba!), que há um ano e meio nos ganhou 6-2. Terceiro: nestas circunstâncias, Portugal adoptou o único plano de jogo lógico na sua situação - apostar na contenção, manter o Brasil longe da nossa baliza, jogar com o resultado do outro encontro e garantir o apuramento. Objectivo bem traçado e bem cumprido. O que diriam os cínicos se Portugal arriscasse, perdesse por 3 ou 4 e a Costa do Marfim se tivesse apurado num forcing final? Nem quero imaginar.

Ah, e tal, mas podíamos ter arriscado mais porque a Costa do Marfim só estava a ganhar por 2-0. Mas foi isso que aconteceu! Depois de uma primeira parte ultra-defensiva, Queiroz lançou Simão, Portugal subiu linhas, dominou o jogo durante 15-20 minutos e teve uma ocasião flagrante (Meireles) para marcar. Falhou e depois não foi capaz de voltar a acelerar, mas repito: cumpriu plenamente o plano estratégico e o objectivo traçado. Ninguém está a dizer que foi perfeito (muitos passes falhados, erros de casting de Danny e Duda, mau jogo de Pepe, Ronaldo com remates insanos, etc.). Mas foi claramente suficiente. Para mal dos cínicos.

E agora, com a Espanha? Os cínicos, naturalmente, anunciam desde já um massacre de proporções épicas. Pode acontecer? Pode. A Espanha é a melhor equipa europeia da actualidade e tem uma selecção fortíssima. E os cínicos têm do seu lado a vantagem de que, se falham o prognóstico, "não conta", se acertam, dizem "estão a ver" (lembra a história do cínico que passava a vida a dizer aos amigos que estava prestes a morrer, embora fosse sobrevivendo ano após ano; quando, por fim, morreu, aos 105 anos, lia-se na sua lápide "eu não dizia?"). Em todo o caso, se isso acontecer - se formos goleados - serei o primeiro a escrever aqui: para mal de muita gente, Portugal já cumpriu os seus objectivos fundamentais neste Mundial. No entretanto, vou lanchar a Aljubarrota. Just in case.

katanec

segunda-feira, junho 21, 2010

Tenho uma dúvida

Podemos falar num show do caralho ou, como Queiroz é o seleccionador, tal não é permitido?

master kodro

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Curtas

Porto 3 x 0 Naval Não houve brilho, mas houve competência e serenidade. A Naval assustou uma vez a sério (ainda havia 1x0 no marcador), o que é uma novidade nos últimos tempos. Falcao chega aos 20 golos, em época de estreia, no início de Fevereiro e Varela já chegou ao 10.º golo da temporada. Ruben Micael continua a mostrar que é um grande jogador.

Queiroz vs Baptista Ou insultos e empurrões vs agarrou-me o pescoço e deu-me dois socos, quando eu estava ao telefone a tomar o café. Infelizmente ninguém quis abordar o assunto dirimido. Seja como for, comportamento absolutamente inaceitável do seleccionador, que está cada vez mais parecido com o seu antecessor, agora também fora das quatro linhas.

A lata desta gente Fiquei absolutamente maravilhado com a argumentação da defesa do Benfica ao sumaríssimo a Javi Garcia. Desde a "agressão" de Valdomiro ao argumento "o emblema da águia defende que o árbitro Elmano Santos se encontrava no enfiamento do lance que redundou no pontapé de Javi García a Valdomiro, tendo por essa razão testemunhado e ajuizado a ação do espanhol, o que desde logo invalida a aplicação do sumaríssimo.". Pela verdade desportiva, sempre, contra os corruptos, os mentirosos e os avençados.

master kodro

sexta-feira, novembro 20, 2009

Adeus África (3)

Deixa-me fazer-te um convite. Imagina que és Carlos Queiroz, faz de conta que o Mundial começa amanhã, e faz o teu 23 da selecção neste momento, de preferência com a indicação da posição dos teus convocados. Experimenta (e até podes fazer de conta que Ronaldo, Bosingwa, Danny ou Pedro Mendes, por exemplo, estão em condições para jogar).

master kodro

quinta-feira, novembro 19, 2009

Adeus África (2)


Aqui está a beleza de capa de um pasquim patético, que decidiu, como a esmagadora maioria da imprensa neste país, enxovalhar um seleccionador apenas porque ele é pessoalmente a antítese de Scolari. Acho espantoso que ainda haja quem tenha dúvidas do que se procurou fazer nos últimos meses em Portugal, numa campanha - esta sim negra - de que não recordo igual. Ontem mesmo, depois de termos conseguido o apuramento com uma dupla vitória no play-off, ouvi ainda jornalistas criticarem Queiroz por ser "um homem amargurado", não deixando de sublinhar - e sublinhar, e sublinhar - como foi "sofrido" e "desnecessário" este "nervosismo". Mas é tudo uma enorme coincidência, obviamente.

O novo argumento é o dos "serviços mínimos", ou seja, a ideia de que o apuramento era "obrigatório" e que, não tendo sido alcançado de forma brilhante e inequívoca, é um "mau apuramento". Assim de repente, lembro-me da Suécia, Rep. Checa, Turquia, Croácia e Rússia. Vem-me também à memória um certo apuramento da Argentina e da França, por exemplo. Mas claro, o nosso caso é muito diferente.

katanec
P.S. Obrigado ao Sérgio pelo link para a capa do Jogo.

quarta-feira, novembro 18, 2009

segunda-feira, outubro 19, 2009

Mais selecção

Esta fase de qualificação foi fértil em estranhas considerações sobre as possibilidades de apuramento de Portugal (até para os play-off) e sobre as capacidades do seleccionador. Estas discussões geram mitos com uma facilidade assustadora, desde o mito da impossibilidade de Portugal seguir para a fase seguinte sem ganhar os quatro jogos que faltavam (ganhou 3), o mito da aliança escandinava quando ninguém tinha a vida decidida, o mito do pior segundo lugar (afinal ficaram duas selecções atrás de nós), o mito dos cabeças de série no play-off (afinal o lugar era nosso e uma semana depois até voltámos ao top10 do ranking da FIFA).

Todos estes mitos sempre me pareceram um misto de natural desilusão e receio mas também, e menos compreensível para mim, desejo de que algo corresse mal nesta primeira etapa da fase de qualificação, uma linha muito fina que foi claramente ultrapassada, entre muitos outros, através de dois comentários que apareceram nas nossas caixas de comentários: "Eu acho que a Dinamarca vai mostrar o porquê de estar em 1º lugar destacado e a equipa da fpf vai mostrar mais uma vez o porquê desta geração ser apelidada de "os falhados" (...) Eu tanto acho que já meti uma apostinha de como a Dinamarca ganha! E assim o espero...". Adiante.

O cerne da questão, quanto a mim, mais do que nas expectativas que temos, está nas condições do momento. Não discutindo seleccionadores mas sim momentos, diria que não se pode comparar o actual momento da nossa selecção com o momento vivido em 2004, com um ano e meio de preparação sem qualificação, um Europeu jogado em casa, meia equipa com portugueses acabada de se sagrar vencedora da Champions e um grupo de jogadores em que se cruzavam Figo com Cristiano Ronaldo, Deco com Rui Costa, Fernando Couto com Ricardo Carvalho e Pauleta com Nuno Gomes (este sem ter 34 anos e ser a terceira ou quarta opção para avançado no seu clube). Convenhamos que não temos isso, hoje.

Contudo, o que temos faz-nos exigir mais do que tivemos nesta fase de qualificação. Aqui no 442 não fomos brandos nessa apreciação ao longo desta primeira fase. Quem continua a insistir que sim, só pode andar distraído, dado que tanto eu, como o kovacevic como o katanec nunca nos inibimos de criticar escolhas e estratégias definidas por Queiroz (da mesma forma que o fizemos anteriormente). Daí ao que se tem visto em blogs e na comunicação social (e que, por exemplo, Scolari nunca teve que enfrentar, excepto de dois ou três comentadores que continuam a fazê-lo com Queiroz) vai uma distância muito grande. Porque parece que Queiroz é o inventor único do momento menos bom da nossa selecção. Mas não é, porque sabemos que a anterior campanha não foi - em nada - melhor do que esta. E foi esse o momento que Queiroz apanhou e não o de 2004 (nem o de 2006, ainda com Pauleta e depois Figo). Foi o de 2008, em clara perda.

Em vésperas de sorteio do play-off (em que espero não apanhar a Bósnia), voltamos a lançar uma série de dados estatísticos que não ilibam Queiroz de culpas no cartório, face às nossas expectativas naturalmente altas depois das campanhas de 2004 e 2006, mas que espero que ajudem a contextualizar este momento menos bom da selecção, que já vem de trás:

- Nos 26 jogos de qualificação para as fases finais de 2006 e 2008, Cristiano Ronaldo esteve indisponível uma vez. Nos 10 jogos de qualificação para o Mundial 2010, Cristiano Ronaldo esteve indisponível em 3 (e saiu lesionado antes da meia-hora de jogo num quarto).

- Na brilhante qualificação para 2006 (com ponto alto no 7x1 à Rússia, ainda não de Hiddink, mas já de Arshavin), Cristiano Ronaldo marcou 7 dos 35 golos da selecção (20% dos golos). Na qualificação para 2008, Cristiano Ronaldo marcou 8 dos 24 golos da selecção (33% dos golos). Na qualificação para 2010, Cristiano Ronaldo não marcou nenhum dos 17 golos da selecção.

- A média de golos marcados e sofridos por jogo da selecção nas últimas fases de qualificação foi de 2,9-0,4 em 2006, 1,7-0,7 em 2008 e 1,7-0,5 em 2010.

- Na qualificação europeia para o Mundial 2010 estão disponíveis 13 lugares (nós ainda só estamos no top17). Na qualificação para o Euro 2008 estavam disponíveis 14 lugares. Aplicando os mesmos critérios desta qualificação, relativos a grupos com número de equipas diferentes (o que retiraria os nossos resultados com o Cazaquistão), sabem quem foi o pior segundo lugar dos sete grupos de qualificação? Esse mesmo, Portugal, o virtual 14.º, com 21 pontos, menos 3 pontos do que os mais próximos, Turquia e Rússia. E porquê? Porque não conseguimos ganhar um único jogo contra Polónia, Sérvia e Finlândia.

- Na última qualificação (2008), depois do pânico após os empates caseiros com Sérvia e Polónia, ganhámos 2x0 no Azerbaijão, 2x1 no Cazaquistão (com o nosso primeiro golo marcado aos 84 minutos), 1x0 em casa à Arménia e empatámos 0x0 em casa com a Finlândia. Estamos esquecidos disto? E que foi disto que se seguiu a actual campanha?

- Quem deve ser o lateral esquerdo da selecção? Quase todos achamos que Duda não chega. Agora. Porque antes de ser testado não o sabíamos. Chegou a parecer uma boa solução. Mas quem deve ser? O adaptado Miguel Veloso (que joga lá episodicamente e que não gosta de lá jogar)? O adaptado César Peixoto (de quem até os benfiquistas dizem horrores na posição)? Na qualificação e fase final de 2008 jogaram os seguintes: Nuno Valente (3x), Paulo Ferreira (12x), Caneira (3x). O primeiro tem hoje 35 anos e já não joga. Paulo Ferreira ainda não jogou esta época e fez 134 minutos pelo Chelsea no ano passado (e ainda assim já foi estupidamente chamado por Queiroz nesta fase de qualificação). O terceiro fez 84 minutos na Liga Portuguesa esta época. Alguém consegue criticar Queiroz por estar a tentar resolver um problema real?

master kodro