quarta-feira, julho 09, 2014

Trabalho, organização, eficácia

Nota-se o dedo de Guardiola na organização da Alemanha, como é natural, uma vez que é ele quem treina, durante a época, metade do onze base alemão, mas também é evidente a manutenção da identidade germânica, o lado prático, o killer instinct de quem tendo a oportunidade de matar o seu adversário com dois passes não hesita em fazê-lo. E isto é trabalho de Low. Além disso, esta é uma selecção com uma base que vem de trás: Lahm, Mertesacker, Schweinsteiger, Klose e Podolski estiveram nas meias-finais do Mundial de 2006 e na final do Europeu de 2008; a eles juntaram-se Neuer, Boateng, Khedira, Ozil (campeões europeus de sub-21, em 2009), Kroos e Muller, no Mundial de 2010, onde a Alemanha chegou às meias-finais; em 2012, entraram Howedes e Hummels (que também foram campeões europeus de sub-21, em 2009), Gotze e Schurrle, para mais uma meia-final de um Europeu com a presença da selecção orientada por Low. Isto é trabalho feito e gente que anda há muito tempo a ameaçar ganhar uma grande competição.

O Brasil não tem nada disto. O Brasil é uma equipa em renovação, que tem, como sempre, muito talento individual. O problema é que só talento individual não chega e o meio a zero de Scolari é ineficaz, contra uma equipa tão organizada (e talentosa) como a Alemanha. E foi isto que faltou ao Brasil, para além de Neymar e de Thiago Silva: organização. Junte-se o reverso do factor emocional que tantas vezes Scolari usa a seu favor e temos a fórmula do descalabro. Ontem, naquela eternidade entre o minuto 23 e o 29, quando era preciso cabeça e capacidade de reorganização, houve pânico e caos. Quando os jogadores brasileiros perceberam, finalmente, o que lhes estava a acontecer, era tarde e o mundo já tinha desabado. Para todo o sempre.

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