segunda-feira, maio 05, 2014

Que modelo de jogo para o Porto?

Não tenho nada contra um modelo de jogo baseado em posse de bola e futebol apoiado. Pelo contrário, acho que é assim que o Porto precisa de jogar, na maioria dos jogos. Mas não gosto de ver a posse de bola crescer de forma monopolista, até ao extremo de quase se transformar num fim em si, sem deixar espaço para mais nada, nem sequer para um plano alternativo.

O Bayern de Heynckes, na época passada, na Champions, só teve menos posse de bola (em média) do que o Barcelona e o Porto. Mas não teve problemas em abdicar dela, contra o Barcelona, e apostar num futebol mais directo (com os resultados que se conhecem). O Real Madrid fez a mesma coisa, esta época, contra o Bayern. Já o Bayern de Guardiola joga sempre da mesma forma. Ou resulta, ou não há mais nada. E quando não resulta e não há mais nada, os adeptos do Bayern, aos quais não se pode impingir o discurso do «Guardiola ou o caos», porque ganharam tudo na época passada, com outro treinador, com outra filosofia de jogo, discutem se deve ser o Bayern a adaptar-se a Guardiola ou Guardiola a adaptar-se ao Bayern, resultando desta «negociação», porventura, um modelo híbrido capaz de aproveitar as virtudes da posse de bola, mas também de um futebol tradicionalmente mais pragmático.

E é precisamente isso que eu gostaria de ver no Porto: um modelo que privilegie a posse de bola, mas com mais procura de baliza do que acontecia com Vítor Pereira, e que também seja capaz de explorar as transições rápidas, como acontecia com Jesualdo, quando as circunstâncias assim o permitam/exijam. Um exemplo caseiro. Na final de Gelsenkirchen, Mourinho apostou numa organização defensiva forte, que reduziu as investidas do Mónaco a uma posse de bola inconsequente, e matou o adversário com dois contra-ataques. Não era esta a forma tradicional do Porto jogar. Mas naquele jogo valeu um título europeu.

6 comentários:

Joao disse...

Ao próximo treinador do Porto pede-se sobretudo competência...

À administração pede-se sobretudo condições para que o seu treinador e os seus jogadores apenas se possam preocupar em jogar futebol...

DC disse...

E pronto, continua-se a bater no Guardiola como se ele não tivesse ganho já 3 troféus na 1a época (podendo ainda ganhar o 4º) e como se o Heinckess na sua 1ª época no Bayern não tivesse ganho 0 troféus.
Ou resulta ou não há mais nada. Mas o nada são 3 troféus, umas meias-finais e uma final por disputar.

Já o Mourinho que sim, fez grandes épocas no Porto, prepara-se para o 2º ano consecutivo de jejum. Será que também é ou resulta ou nada???

Quantas épocas o jogo de posse do Guardiola ficou a zero? Quantas o jogo de posse de VP ficou a zero?

Eu prefiro a posse, mas admito que se jogue doutra forma. O que irrita são estas análises facciosas. O Pep é aquilo ou mais nada e os outros são as transições rápidas e mais o quê? Quando jogam contra equipas fechadinhas como o Norwich ou o Sunderland fazem transições rápidas onde?

Hugo disse...

Concordo com a ideia que o modelo de jogo deve ser adaptavel e capaz de surpreender os adversarios

Tatiana Segala disse...

Bom dia

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Roberto Baggio disse...

DC, eu ajudo:
Fazem transições rápidas do banco/campo para a cabine, pela vergonha de não ter ganho ao Benfica de Castelo Branco. É essa a diferença (de orçamentos) entre tais colectividades.

Quanto ao resto, criticar o melhor ataque da liga por não ir à baliza é no mínimo estranho.

littbarski disse...

Eu acho que o texto é claro. As transições rápidas são para usar, quando as circunstâncias o permitirem. Se do outro lado estiver uma equipa que estacionou o autocarro, como acontece com a maioria das equipas que jogam no Dragão, a fórmula tem de ser outra. E é por isso que eu começo o texto a dizer que acho que o Porto precisa de posse de bola e de futebol apoiado na maioria dos jogos.

Quanto a Mourinho, eu acho que não tenho de pedir desculpa por ser admirador daquele que, quanto a mim, foi o melhor treinador que o Porto teve, desde que eu vejo futebol. Mas isso não significa que eu goste de tudo aquilo que ele faz. E é curioso que eu não fiz uma única referência ao Chelsea, neste texto. Falei do Porto de Mourinho e de um futebol que era muito mais completo (e atraente) do que aquele que o Chelsea apresentou esta temporada.