domingo, maio 25, 2014

Di Maria fez a diferença

Na ausência de Ronaldo, que só se libertou verdadeiramente dos seus condicionalismos físicos no momento em que arrancou a camisola e posou para as manchetes dos jornais, e com Bale a desperdiçar o pouco que conseguiu criar (e o que lhe ofereceram), apareceu Di Maria a fazer a diferença. Mas só no prolongamento ela foi efectiva, depois do Atlético ter dado o estouro (foi penoso ver a facilidade com que Marcelo avançou para o terceiro golo do Real). Sergio Ramos impediu os colchoneros de fazerem a festa com apenas meia oportunidade de golo (a outra metade foi de Casillas - que, por uma vez esta época, deve ter dado a Mourinho motivos para sorrir).

Tenho alguma simpatia pela forma aguerrida de jogar do Atleti, que com menos recursos do que os seus adversários, leva quase sempre a melhor, mas julgo que a melhor equipa da Champions foi mesmo o Real Madrid. Não porque tenha sido mais equipa do que o conjunto de Simeone, no sentido de funcionar melhor como um todo, mas porque teve as melhores individualidades e porque foi a equipa mais espectacular da prova.

PS - Pela segunda época consecutiva, o tiki-taka foi destroçado por um futebol mais vertical e, pelo menos para estes olhos cansados de tantos toques na bola, bem mais entusiasmante. Ainda bem, começava a pensar que havia apenas uma forma de ter sucesso.

10 comentários:

Pedro disse...

É um pouco puxado achar que este barça tem um "tika-taka" ao nível do verdadeiro tika-taka...

Pés-Juntos disse...

Tiki-Taka não é decerto um adjectivo que se possa colar ao futebol do Atleti.

E o futebol do Real durante os 90 minutos foi um futebol de repelões sem muito nexo. Foi ganhando perigo à medida que o Atleti recuava e recuava mas fora disso não era um futebol jogado com muita cabeça, apesar do muito talento e coração.

Notou-se muito a falta de Xabi Alonso ou - na minha humilde opinião - de Mezut Özil. Faltou cérebro ao Real Madrid. O Atlético defendeu o mais que pode, mas a qualidade individual dos jogadores do Real falou mais alto.

littbarski disse...

Pedro e Pés-Juntos, falo do Barça de Vilanova (atropelado pelo Bayern de Heynckes) e o do Bayern de Guardiola (destroçado por este Real).

galvao99 disse...

A ruptura no jogo foi dada por Anceloti, quando tirou Kedhira e Coentrão e deu entrada a Isco e Marcelo.

Muito bem, e feliz, na troca de Coentrão por Marcelo. Muito lento a trocar Kedhira por Isco, uma substituição que toda a gente cá em casa percebeu inevitável ainda o Atletico não tinha marcado.


Bale manteve a equipa no jogo com as oportunidades que, disseste bem Litt, ele próprio criou. A potencia do arranque é impressionante. Ronaldo já tem sucessor.

littbarski disse...

O Real jogou com Modric (o Pés-Juntos falou da falta de um cérebro, mas eu acho que Modric cumpriu muito bem esse papel e ontem fez um bom jogo), Di Maria, Bale, Ronaldo e Benzema. Cinco jogadores com características ofensivas. Khedira era o médio que, supostamente, devia equilibrar a equipa defensivamente. Só que, de facto, o alemão não está no seu melhor e notou-se mais a ausência de Xabi Alonso.

Isco entrou bem, numa altura em que o Atlético começou a perder gás e já quase não atacava. Colocá-lo mais cedo, quando o Atlético ainda conseguia sair para o ataque, seria um risco maior. Marcelo, sim, fez muita diferença.

Mas mesmo com as alterações de Ancelotti e com o Atlético a perder gás, só nos últimos 10 minutos é que o Real conseguiu encostar o seu adversário às cordas. E, mesmo assim, só na sequência de um canto conseguiu empatar.

No prolongamento, sim, o Real foi claramente superior. O Atlético morreu com o golo de Sergio Ramos.

DC disse...

Se vamos por esta fantástica lógica da batata, pela 6ª época consecutiva, o tal futebol que foi destroçado chegou, no mínimo, às meias da Champions. Mas isso já não conta para nada. Deves arranjar outros estilos de futebol directo que se tenham mantido no topo tanto tempo consecutivamente.
E ver o que aconteceu ao Barça com as alterações impostas pelo Tata também devia servir para tirar algumas conclusões. 1º ano sem ganhar nada desde que chegou Pep.

littbarski disse...

Qual lógica da batata? O Bayern goleou o Barça de Vilanova e o Real goleou o Bayern de Guardiola. Isto são factos. Factos que eu constatei para dizer que, felizmente, para mim, que gosto mais do estilo de jogo do Bayern de Heynckes e do Real de Ancelotti do que o do Barcelona de Guardiola, há outras formas de ter sucesso. Só isto. Escusas de descascar batatas.

E deixei o Chelsea de Di Matteo e o Inter de Mourinho de fora, porque foram (sobretudo o Chelsea) equipas menos espectaculares. Mas chegaram para o Barcelona de Guardiola. Por falar em Mourinho, o segundo (ou terceiro?) melhor treinador português da actualidade, vai na 5.ª meia-final consecutiva.

galvao99 disse...

Modric passou para o lugar do Kedhira e o Isco entrou para o lugar de Modric. E notava-se que a equipa não precisava de um trinco normal, mas sim um ao estilo de Pirlo, com passe de qualidade para fazer a bola saír entre linhas pelo meio, puxar a equipa do Atletico para dentro, e abrir nas alas. É assim que o Real consegue criar volume de jogo sufiente para conseguir chegar ao empate.

O golo da vitória acontece muito por culpa da lesão sofrida aos 5´do prolongamento pelo Juan Fran. Sem defesa direito, a ala esquerda do Real fez o que quis, com Di Maria e Marcelo a aproveitarem para capitalizar (o drible do Fideo é fantástico!).

Há quem culpe Simeone pela aposta desastrada em Diego Costa, que queimou a substituição do Juan Fran. À segunda-feira é mais fácil.

DC disse...

Sim, são factos. Tal como são factos que o Celta ganhou 2-0 ao Real e que o Barcelona ganhou 2-1 em casa e 4-3 no Bernabeu.
Pega nesses factos e faz mais uma estatística idiota com eles.

Costa disse...

O erro da entrada do Diego Costa é um erro de principiante...

Alguma vez a força de vontade e/ou espírito de sacrifício, superam uma lesão muscular como a que ele sofreu, em apenas 8 dias ?!

Passarinhos... Crentes !